Santa Teresa é determinada pela forte experiência de união com Deus que passa pela encarnação e Humanidade de Cristo.
Por Academia Marial Em Artigos Atualizada em 16 OUT 2018 - 08H48

Maria na vida de Santa Teresa de Jesus

Lúcia Pedrosa-Pádua


Santa Teresa de Ávila

Santa Teresa, mulher muito humana e toda de Deus

Santa Teresa de Jesus foi uma mulher vibrante e atuante no seu tempo histórico. Falamos aqui da Santa nascida na cidade de Ávila, Espanha, no século XVI. Personagem importante na ação reformadora da Igreja em seu tempo, através da fundação da Ordem Carmelita Descalça e da redação de várias obras. Dentre seus escritos, encontramos a sua autobiografia, intitulada o Livro da Vida; uma orientação para a vida de oração, o Caminho de Perfeição e sua obra mais madura e doutrinal, o Castelo Interior ou Moradas. Deixou-nos também poesias e um espetacular epistolário. Sua linguagem é atraente, marcada por imagens e símbolos que atravessam os séculos. Em 1970, foi declarada Doutora da Igreja por São Paulo VI, papa.

Os leitores e leitoras de hoje podem ler com facilidade a obra de Santa Teresa, editada nos principais idiomas do mundo. No Brasil, há ótimas traduções e edições críticas tornadas acessíveis pelas editoras brasileiras. Ali, os leitores verão um testemunho da espiritualidade cristã capaz de atrair buscadores de todas as religiões e, até mesmo, de pessoas sem religião e ateus. Podemos ver como Teresa, diante dos inúmeros desafios em seu tempo, soube viver e deixar uma espiritualidade capaz de formar “amigos fortes de Deus” (Livro da Vida, cap. 15,5) através da oração, de relações humanas densas em verdade e da ação amorosa, determinada e criativa em favor da Igreja e da sociedade. Teresa de Jesus testemunhou, em sua vida e obra, que a oração, enquanto “amizade com aquele que sabemos que nos ama” (Livro da Vida, cap. 8,5), é um caminho de humanização e de encontro com Deus.

No caminhar e nas obras desta Santa admirável, vemos a forte presença de Maria, através de um itinerário cheio de fé, de entrega, de fortaleza e de humanidade. Esta experiência pode inspirar também a nós, hoje, em nossa relação com a Mãe de Jesus.

A experiência marial na infância e adolescência de Santa Teresa

A Mãe de Jesus está profundamente ligada à vida da Santa de Ávila, a tal ponto que podemos dizer que Teresa tem uma alma mariana. Esta ligação se aprofunda quanto mais cresce a sua sensibilização para com o Evangelho, a Humanidade de Jesus e a ação apostólica na Igreja.

A própria Teresa nos conta, no início de sua autobiografia, o Livro da Vida, que, quando criança, sua mãe lhe transmitira a devoção ao rosário. D. Beatriz é descrita como mulher de “grandíssima honestidade”, “muito pacífica e de grande entendimento”. Devota dessa oração, a mãe de Teresa estendera esta devoção a toda família. Testemunhos afirmam que, até o fim de sua vida, a Santa rezava o rosário todos os dias.

Na adolescência, vemos um despertar mariano na vida da pequena Teresa. Este se dá com a morte de sua mãe. Vejamos como ela mesma nos conta:

“Recordo-me de que, quando minha mãe morreu, eu tinha doze anos, ou um pouco menos. Quando comecei a perceber o que havia perdido, fui aflita a uma imagem de Nossa Senhora e suplicava-lhe, com muitas lágrimas, que fosse ela a minha mãe.”

(Livro da Vida cap. 1,7)

Teresa pede a Nossa Senhora que fosse sua mãe, é o que vemos acima. Aprofunda-se aqui uma relação filial que se desenvolve ao longo de toda a vida da Santa. Quando ela, aos cinquenta anos, olha para a sua adolescência, constata como este pedido foi atendido:

“Parece-me que, embora o fizesse com simplicidade, isso me tem valido; porque reconhecidamente tenho encontrado essa Virgem soberana sempre que me encomendo a ela e, enfim, voltou a atrair-me a si.”

(Livro da Vida cap. 1,7)

Como Maria atraiu Santa Teresa para si? Por vários caminhos, como veremos.

A presença de Maria em momentos chaves da vida de Santa Teresa

De fato, como visto acima, Teresa constata que Maria a atraiu para si. Para além de ver Maria como intercessora para alcançar alguma coisa, Teresa se colocou, a si própria, sob a intercessão mariana. Ao longo da sua história, podemos encontrar a “Virgem soberana” em momentos chaves. Destacamos alguns deles para que se perceba como a presença de Maria se entrelaça com a vida de Teresa e a acompanha maternalmente.

Começamos com a entrada de Teresa no mosteiro da Encarnação como religiosa que viveria, ali, uma consagração a Deus através de uma referência explícita a Maria. A inspiração e a espiritualidade da Regra do Carmelo são marianas e Teresa irá se referir às religiosas e a si mesma como filhas da Virgem, à Regra do Carmelo como Regra de nossa Senhora, ao hábito acolhido como hábito da Virgem. Trazer o hábito da Virgem do Monte Carmelo significa filiação e confiança com relação à Mãe de Deus e tê-la como patrona imprime um alto ideal na vida da comunidade religiosa teresiana.

A sua vocação como fundadora da nova família religiosa virá como que sancionada e fortalecida por Maria. Numa especial graça mística, extraordinária, narrada no Livro da Vida (cap. 33,14-15), Teresa testemunhará a presença forte da Virgem confirmando-a e declarando-a apta para a fundação que abria um novo caminho na Igreja.

No início do seu magistério espiritual no novo grupo por ela fundado, ao escrever Caminho de Perfeição, eis que Maria a inspira por ser mulher forte, a fundamentar a fortaleza da nova Ordem. Ao olhar para Maria, Teresa a percebe como testemunho no amor e na fé – uma fé “mais forte que a dos homens”. Assim sendo, Teresa nos mostra como Maria eleva o ideal do papel das mulheres na Igreja, num contexto em que elas não são reconhecidas pelos homens, que são “juízes do mundo que como são filhos de Adão e enfim todos varões, não há virtude de mulher que não tenham por suspeita” (Camino de Perfección, El Escorial, cap. 4,1).

Na vida mística de Teresa, ali está Maria. Em suas vivências profundas, Santa Teresa testemunha uma forma intensa de experiência de fé, de seus conteúdos e significados; ela adentra no abismo da alma para ali encontrar a Deus ao mesmo tempo em que encontra o melhor de si e de suas capacidades. Nesta profundidade de vida, Teresa, sem deixar suas devoções e expressões populares de sua fé, faz-se contemplativa do mistério de Maria e parece que entra na própria interioridade da Virgem ao exclamar:

“Ó Senhora minha, com que certeza se pode entender por Vós o que se passa entre Deus e a Esposa, tal como o dizem os Cânticos”

(Conceitos do Amor de Deus, cap. 6,8).

Na exclamação acima, Maria é vista por dentro, como aquela mulher transformada pelo amor, identificada com a Esposa do Cântico dos Cânticos.

Um ponto central: a humanidade de Maria, ressaltada pela Humanidade sagrada de Jesus

Um ponto central na vida e na doutrina da Doutora de Igreja é a Humanidade de Cristo, que faz contemplar e admirar também a humanidade de Maria. Sabemos como a oração é definida por Santa Teresa de maneira humana e relacional, como uma relação de amizade e amor:

“Para mim, a oração mental não é senão tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com quem sabemos que nos ama”

(Livro da Vida, cap. 8,5).

Teresa convida a olhar para aquele Jesus dos Evangelhos, que viveu, sofreu, morreu e ressuscitou. Convida a entrar em empatia com ele, contemplá-lo, falar e conversar com ele, e assim estabelecer uma relação que acompanha a pessoa em todos os momentos da própria vida, quer sejam alegres, ou tristes e desafiadores. A Humanidade sagrada de Jesus é o caminho para se descobrir a vontade de Deus nas circunstâncias concretas de existência. Ele é o “bom amigo” que se faz sempre presente, que auxilia e encoraja nos momentos em que o medo e a desconfiança parecem vitoriosos. Jesus nunca falta, pois é “amigo verdadeiro”. É também a “porta” pela qual devemos entrar, se quisermos nos aproximar dos segredos de Deus. Enfim, é por meio de sua “Humanidade sagrada” que “recebemos todos os bens” (Livro da Vida, cap. 22, 6). Para se chegar a Deus, esta Humanidade é o único caminho a ser trilhado, mesmo que a pessoa esteja muito adiantada na oração:

“Não queira outro caminho, mesmo que esteja no cume da contemplação”

(Livro da Vida, cap. 22)

Assim sendo, a espiritualidade de Santa Teresa é determinada pela forte experiência de união com Deus que passa pela encarnação e Humanidade de Cristo. Quando nos unimos a Jesus Mestre e Amigo e testemunhamos esta união pelo amor aos irmãos, estamos unidos a Deus. Por isso, a dimensão humana e corpórea da vida contam muito na verdadeira espiritualidade cristã. Elas são decisivas para se entender e seguir a Deus:

“Não somos anjos, temos corpo”

(Vida 22)

Ora, a figura de Maria deve ser vista também em relação a esta Humanidade de Jesus, dentro desta humanidade, vivida nesta vida terrena, no corpo e nas circunstâncias concretas da vida, atestada nos Evangelhos. Tentar escapar desta humanidade é impossível e, mais do isso, é um erro:

Grande erro é não trazer presente a Humanidade de nosso Senhor e salvador Jesus Cristo, e sua Paixão e vida, e sua gloriosa Mãe e santos.

(6 Moradas 7, tít.)

Santa Teresa não separa Maria em duas pessoas – como até hoje vemos muitos cristãos fazendo. Por um lado estaria, segundo esta visão errada, a figura da Mãe de Deus, glorificada e intercessora nos céus; por outro lado estaria a mãe terrena de Jesus, que com ele caminhou até a cruz e esperou com os apóstolos o Espírito Santo. A Doutora da Igreja vê a figura de Maria de maneira correta e integrada: porque amou e viveu a fé no Filho, aqui, na terra, Maria está glorificada no céu, unida a Deus, conhece os seus segredos e nos acompanha como Mãe.

Em Maria, Teresa encontra a dignidade de ser mulher e cristã

Santa Teresa parece que entra no coração e no sentir de Maria, mulher da humildade, do serviço, da oração, do louvor, da dor, do amor, da sabedoria, da fé e da fortaleza. Ressaltamos aqui as características marianas do amor, da fé e da fortaleza, fundamentais para a Santa de Ávila.

Forte no amor, firme na fé

Maria é, para Santa Teresa, modelo de seguimento de Cristo até a cruz, por isso é modelo para a vida cristã, particularmente para as mulheres. Teresa contempla, com admiração, a vida de Maria narrada nos Evangelhos. De forma especial, admira sua fé nos momentos difíceis da cruz. E, também admirada, vê como Jesus valoriza o amor e a fé das mulheres:

“Quando andavas pelo mundo, Senhor, não desprezastes as mulheres; ao contrário, sempre as favorecestes com piedade e encontrastes nelas muito amor e mais fé que nos homens, pois estava vossa santíssima mãe...”

(Caminho de Perfeição, El Escorial, cap. 4,1)

Sua Mãe Santíssima estava firme na fé, sabia que [Jesus] era Deus e homem

(6 Moradas, cap. 7,14).

Santa Teresa sabe como é difícil ser mulher cristã, num contexto em que as mulheres são muitas vezes desqualificadas. Ela mesma vai descrever o seu, na oração constante no livro Caminho de Perfeição (El Escorial, cap. 4,1), como um tempo em que as mulheres não ousam “falar algumas verdades” que choram “em segredo”. Elas estão “encurraladas e incapazes”, o que fazem por Cristo não é válido em público e os homens, “juízes do mundo”, suspeitam de toda “virtude de mulher”. Tempos difíceis...

Mas, ainda assim, ela é animada e fortalecida por Cristo, na consciência de que Ele não desprezara as mulheres, as favorecera e encontrara nelas muito amor e “mais fé” que nos homens. O exemplo? Maria.

Mulher cheia de fortaleza

Teresa destaca em Maria também a sua fortaleza diante da cruz:

“Que não deveria passar a gloriosa Virgem ao pé da cruz!”

(Caminho de perfeição, cap. 26,8)

“Estava ao pé da cruz e não dormindo, mas com alma padecente e morrendo dura morte”

(Conceitos do Amor de Deus, cap. 3,11)

Teresa compreende, com a própria vida, como os que andaram perto de Cristo tomaram para si grandes trabalhos, por serem golpeados pelo medo e ódio dos que rejeitam o amor. Maria é mulher que entende de dor porque passou por ela; compreende o sofrimento do filho e do mundo. Agora, gloriosa, nos acompanha no sofrimento e na superação deste sofrimento pelo amor que tanto soube viver.

A experiência de Teresa nos pode dizer hoje que Maria é o modelo de um amor, uma fé e uma fortaleza vividos em autenticidade e coragem, a abrir caminhos de santidade em contextos difíceis e adversos. O amor, a fé e a fortaleza de Maria estimularam Teresa a descobrir a dignidade da mulher na Igreja e sua importância em abrir caminhos novos e testemunhar a força do Evangelho na Igreja de seu tempo; em nosso contexto, estas virtudes de Maria continuam a nos fortalecer e estimular.

Das grandes visões marianas às simples cantigas de Natal: Maria sempre presente

As grandes visões

As visões marianas são percepções internas fortes da presença de Maria, que marcam a vida de Santa Teresa. Não são visões captadas pelo sentido do olhar, pois elas acontecem de maneira misteriosa, no interior pessoal. No entanto, deixam uma marca profunda da ação divina, que reorienta ou confirma os rumos da vida. Como experiência pessoal, nunca são esquecidas. Teologicamente, dizemos que elas põem em manifesto o amor de Deus, através de Maria, na história de salvação vivida pela Igreja ou por uma pessoa, como é o caso de Santa Teresa.

Temos uma narrativa que se destaca na obra teresiana e se encontra em sua autobiografia, O Livro da Vida (cap. 33, 14-15). O contexto são os acontecimentos que precederão a primeira fundação teresiana, o Carmelo de São José, em Ávila. Conta-nos Teresa que, numa capela em que se celebrava o dia de N. Sra. da Assunção, ela, Teresa, se viu na presença de Nossa Senhora e de São José, e eles como que a cobriram “com uma roupa de grande brancura e esplendor”, dando-lhe a entender que ela estava “purificada dos seus pecados”. Depois, tomando-a pela mão, manifestaram-lhe contentamento na fundação que se faria, dizendo que, ali, seriam muito bem servidos, que eles guardariam a fundação e o Filho andaria “ao nosso lado” [os membros da primeira fundação]. Como sinal, adornam Teresa com um colar de ouro e pedras, com uma cruz pendida.

A narrativa mostra uma experiência que chega ao fundo do coração de Teresa e de sua história: o perdão, o toque nas mãos de fundadora, o aval para a fundação, a promessa de acompanhamento, um sinal da verdade. Teresa não poderia estar mais fortalecida para sua missão de fundadora. Além disso, e como se não bastasse, Teresa como que vê a Virgem glorificada, e também São José, por outro modo de visão, e os vê subirem ao céu – uma verdadeira participação na realidade da festa litúrgica de N. Sra. da Assunção.

Esta mariofania não é a única narrada por Santa Teresa. Em outros momentos, ela como que vê a sua comunidade orante amparada por Nossa Senhora (Livro da Vida, cap. 36,24). Estas e outras graças mística têm repercussões em sua pessoa, em sua tarefa de escritora e em sua ação fundadora.

As cantigas de Natal e festas

As cantigas de Natal, que retratavam a cena do presépio – villancicos – eram e são cantados com alegria nos conventos, em que se levava uma vida simples. São poemas leves e populares, transbordantes de alegria e carinho para com o Menino que nos vem. Santa Teresa desejava que estes villancicos fossem bem feitos e de boa qualidade e foi, também ela, autora destes poemas. Neles, várias vezes a figura de Maria é lembrada e ali transbordam o carinho, a leveza e o louvor à jovem mãe de Jesus. Um rápido olhar para este conjunto de poemas nos mostra Teresa referindo-se a Maria como:

“linda zagala” (XII);

“zagala tão serena” (XIV);

“filha do Eterno Pai, reluz como uma estrela” (XIV);

“nossa grande Amada” (XVII).

Assim sendo, vemos a presença constante de Maria na vida, na consciência e nas experiências de Santa Teresa, sejam elas as elevadas experiências místicas, ou sejam os populares e alegres villancicos. Além disso, vemos em sua obra como ela sempre festejou as festas marianas; como vimos acima, sua visão de Maria e José se dá na festa de N. Sra. da Assunção e, como esta, também outras experiências se dão em dias de festas marianas. Nestas vivências e experiências, podemos perceber a que ponto chega a alma mariana de Santa Teresa.

Maria unida a José

Sabemos como Santa Teresa é uma das grandes responsáveis pela propagação da devoção a São José no Ocidente. De fato, a Santa verá nele um amigo e aliado em suas fundações e sua primeira fundação é dedicada a esse Santo.

Vimos acima a presença de São José na mariofania em que ambos, Maria e José, vestem o manto branco em Santa Teresa e lhe prometem proteção e presença. Teresa recomenda a devoção a São José, vê este patriarca ligado a Nossa Senhora e afirma sua ajuda para a vida e até mesmo para o ensino da oração:

“... verá por experiência o grande bem que é encomendar-se a este glorioso patriarca e ter-lhe devoção. Em especial, pessoas de oração sempre deveriam ser a ele aficionadas. Não sei como se pode pensar na Rainha dos anjos no tempo em que tanta angústia passou com o Menino Jesus, sem se dar graças a São José pela ajuda que lhes prestou. Quem não encontrar mestre que ensine a rezar, tome por mestre este glorioso Santo, e não errará no caminho”.

(Livro da Vida, cap. 6,8)

Conclusões

Podemos nos aproximar de Santa Teresa como uma mestra que nos inspira, através de sua vida e de sua obra, a aprofundarmos na dimensão mariana de nosso ser cristãos e cristãs hoje. A humanidade que transborda em sua obra nos afirma que se trata de um bom caminho. A figura de Maria está como que trançada com a vida de Santa Teresa desde a infância, passa pela adolescência e se aprofunda ao longo da vida. Esta relação se faz por múltiplas vias:

- pela oração simples e entrega filial, presentes na infância e adolescência, e que amadurecem nas outras etapas da vida;

- pela observação atenta da humanidade de Maria nos Evangelhos, em suas atitudes e virtudes, unida a seu Filho;

- pela não separação entre a Maria terrena, narrada nos evangelhos, e a Virgem soberana, nos céus – esta articulação faz parte do mistério de Maria;

- pela contemplação da relação que liga Maria e José;

- pela vida mística, em que fortes experiências interiores aprofundam a certeza da presença de Maria em sua existência;

- pela contemplação do amor experimentado por Maria, ou seja, pela intuição da própria vida interna da Mãe de Jesus;

- pela celebração alegre e simples de Maria pela liturgia e pelas festas.

Na escola de Santa Teresa, podemos nos abrir a uma experiência em que o amor à Mãe de Deus seja fonte de serviço e compromisso com a humanização de nossos contextos, com a valorização das mulheres e das família, com uma fé comprometida com as reformas que a Igreja necessita para ser, de fato, sinal do amor e da maternidade de Deus em nosso mundo.

Bibliografia

SANTA TERESA DE JESUS. Obras Completas. (Coord. Frei Patricio Sciadini; trad. texto estabelecido por T. Álvarez). São Paulo: Carmelitanas/Loyola, 1995.

SANTA TERESA DE JESUS. Camino de Perfección, Códice de El Escorial. In: Obras Completas (Dir. Alberto Barrientos; com revisão textual, introduções e notas). 4. ed. Madrid: Editorial de Espiritualidad, 1994, p. 521-655.

ALVAREZ, Tomás. María Madre y Modelo desde la experiencia mariana de Teresa de Jesus. In: Estudios Teresianos. v. III. Burgos: Monte Carmelo, 1996, p. 373-385.

GARCIA, Ciro. Santa Teresa de Jesús. Nuevas claves de lectura. Burgos: Monte Carmelo, 1998.

MARTIN DEL BLANCO, Mauricio. “María Santísima”. In: ALVAREZ, Tomás (Dir.). Diccionario de Santa Teresa. Doctrina y Historia. Burgos: Monte Carmelo, 2002, p. 437-444.

PEDROSA-PÁDUA, Lúcia. Santa Teresa de Jesus. Mística e humanização. São Paulo: Paulinas, 2015.

Lúcia Pedrosa-Pádua é teresianista e teóloga. Doutorou-se em teologia sistemática pela PUC-Rio, onde atua como professora e pesquisadora nas áreas de Antropologia Teológica, Mariologia e Espiritualidade. Dedica-se também ao trabalho comunitário-pastoral e coordena o Ataendi-Centro de Espiritualidade da Instituição Teresiana, dedicado à formação humana e cristã de leigos e leigas. Autora de várias obras, entre elas “Santa Teresa de Jesus. Mística e humanização” (Paulinas, 2015). Em 2015, recebeu o “Premio Internacional Santa Teresa y el diálogo interreligioso” (CITeS-Ávila) por ensaio sobre a Yoga de Sri 

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