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Religiosidade Popular e Turismo receptivo Religioso: O caso de Aparecida

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Os dias que cercam a comunidade Aparecidense no início de Outubro trazem a “tona” o momento exato do encontro da Imagem da Virgem da Conceição no Rio Paraíba do Sul, em 1717, há quase trezentos anos.

Santuário Nacional de Aparecida Foto Thiago Leon

Foto: Thiago Leon

 

De fato, se voltarmos ao ano do encontro da Imagem, e da disseminação dos primeiros milagres, o contexto ainda era de status de Colonização. No século XVIII, esta região do Vale do Paraíba receberia a estrada real tornando-se o Caminho do ouro, extraído do interior do estado de Minas Gerais e transportado para o litoral do Rio de Janeiro.

É no fim do século XVIII que se firmam os primeiros movimentos de emancipação política da Colônia, que mais tarde, precisamente em 1822 tornaria um Império independente, mas ainda sob o comando da Coroa portuguesa, agora moradora ilustre do Rio de Janeiro.

É certo que diversos viajantes, exploradores de Ouro e escravos, bem como desbravadores de terras sempre prestavam culto à pequena virgem negra de fama “milagrosa”, expoente de uma devoção singular e particular em terras do interior da região de São Paulo. Estes movimentos, marcam a presença dos primeiros peregrinos forasteiros nestas terras.

Raízes Católicas somadas à profunda devoção da Família Real portuguesa trouxe a estas terras o Próprio Imperador, Dom Pedro II a prestar culto diante da Virgem, bem como a princesa Isabel, que após assinar o decreto da Abolição (1888) oferta à Santa uma linda coroa, entronizada solenemente no inicio do século XX, ornamentando a cabeça da “Rainha do Brasil” até os dias de hoje.

Após a proclamação da República do Brasil, 1889, Vários foram os Presidentes que aqui estiveram, como Getúlio Vargas na Década de 1930, e mais recentemente a presença de três Papas, João Paulo II (1980: por ocasião da sagração do Santuário Nacional), Bento XVI (2007: por ocasião da realização da V Conferência dos Bispos da América Latina) e Francisco (2013: em visita apostólica por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro).

Foto de: Thiago Leon

Capela das Velas Santuário Nacional Foto THiago Leon

A presença de tais elementos históricos e personalidades importantes somadas a uma diversidade de manifestações de fé atraem milhões de peregrinos, que diante de suas concepções culturais e religiosas manifestam a fé. A estas manifestações denominamos Religiosidade popular.

Segundo o Documento de Aparecida, os elementos culturais e religiosos auxiliam o entendimento da fé: “A cultura, em sua compreensão maior, representa o modo particular com o qual os homens e os povos cultivam sua relação com a natureza e com seus irmãos, com eles mesmos e com Deus, a fim de conseguir uma existência plenamente humana. (...) A fé só é adequadamente professada, entendida e vivida quando penetra profundamente no substrato cultural de um povo.” (cf. 476-477, 2007)

Muitos são os movimentos de devoção como as Romarias e peregrinações em Família, a busca pelo Atendimento Sacramental, Missas e Confissões, ou o cumprimento de promessas. Um cenário de significativa presença de peregrinos vindos de todas as partes do Brasil e de algumas localidades estrangeiras. O desafio é atender os aspectos culturais daqueles que acorrem ao Santuário para prestar culto e manifestar sua Devoção.

Nas palavras de Dom Darci José, Bispo Auxiliar de Aparecida, “... antes de ser país do Futebol, do Carnaval, a Virgem de Aparecida é o primeiro sinal de identidade nacional do Brasil...”. Esta pertinente definição justifica a necessidade do entendimento cultural que torne a romaria uma efetiva experiência de fé.

Para efetiva prática do Turismo Religioso, onde o objetivo se finda na oportunidade do peregrino, diante de suas características culturais, aproximar-se do sagrado, entende-se necessário a orientação em roteiros religiosos, históricos, culturais e oracionais. No Caso de Aparecida, já existe um trabalho bem estruturado na promoção de visitas guiadas pelas dependências do grande Templo. O entendimento do espaço sagrado em suas esferas estruturais, artísticas e rituais, ratifica efetivamente este movimento de partilha cultural. Podendo em alguns momentos serem motivados por música, teatro, poesia, poemas e outras formas de interatividade.

Os esforços da Igreja do Brasil em implantar a Pastoral do Turismo tem sido um grande passo para melhor orientar o trabalho de evangelizar através da aproximação dos elementos culturais e de devoção do povo. A visita a uma comunidade de negros devotos de São Benedito, ou a grandes centros de peregrinação como Aparecida, deve ressoar a experiência pessoal com o Evangelho de Cristo.

Cristiano Luiz da Costa & Silva assinatura colunista

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