Arte Sacra
Cláudio Pastro
O projeto da Cúpula Central de nossa basílica contempla, como vimos na edição anterior, Árvore da Vida, em mosaico dourado e pássaros coloridos.
Junto à cruz, de aço vazado sobre o altar, somos acolhidos, como peregrinos do Invisível – Deus, pela Mãe Igreja.
Logo abaixo da Cúpula, um grande anel de azulejos vai bordejá-la com a inscrição da primeira parte da Ave Maria, preciosa oração que reza a anunciação do Anjo Gabriel e a saudação de Isabel à Virgem Maria. Afinal, estamos num Santuário Mariano.
Nesse espaço serão representados quatro grandes anjos, cada um com9 metrosde altura. Os anjos trazem sinais que falam à nossa fé:
Primeiro anjo: toca o “sofhar”, uma trombeta feita de chifre de boi. Esse anjo tem características caboclas, isto é, aparência mestiça, característica da maioria da população brasileira, com chapéu de palha e um berrante.
Na tradição judaico-cristã, a primeira condição para a educação de nossa fé é respondermos ao chamado do Senhor: “Escuta, Israel, nosso Deus é único. Amarás teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4). A escuta da Palavra proclamada neste lugar faz-nos cristãos vigilantes, atentos ao Senhor que nos dá vida. “Tua palavra é lâmpada para os meus passos e luz para o meu caminho” (Sl 119, 105).
Segundo anjo: tem nas mãos um turíbulo com incenso. O anjo tem características indígenas, referência ao índio, povo primeiro de nossa terra. É o anjo do louvor e indica aos peregrinos a grandeza da oração, diálogo entre Deus e nós: “Suba minha oração como incenso em tua presença, minhas mãos erguidas como oferenda da tarde” (Sl 142, 2). “O sacrifício do louvor honra-me e aí se encontra o caminho pelo qual eu mostro ao homem a salvação de Deus” (Sl 49, 23).
Terceiro anjo: toca um pandeiro. É o anjo do dom da alegria. O cristão é convidado à permanente alegria por ser salvo e redimido pelo Senhor Jesus. O anjo tem características negras, pois a raça africana compõe a nossa
nação. “Resgatastes para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5, 9). Alegrai-vos no Senhor, ó justos, e exultai, dai gritos de alegria, todos os de coração reto” (Sl 32, 11).
Quarto Anjo: traz a lança e o escudo, e está pronto para o combate. A vida cristã é luta permanente. Corresponde ao anjo branco e a nossas raízes europeias. “Instrui minhas mãos para o combate. Tu me dás teu escudo salvador, tua direita me sustém e me atendes sem cessar” (Sl 18, 35-36).
Esses quatro anjos representam os mensageiros do Senhor, que nos advertem para bem vivermos como peregrinos nesta terra, rumo à pátria definitiva.