Artigos da Categoria Revista de Aparecida

Sede da sabedoria… Arca da Aliança… Casa de Ouro…

Tudo em Nossa Senhora conduz a Jesus, e por Ele à Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Assim devemos entender os muitos títulos honrosos atribuídos a Maria e as invocações dirigidas a ela nas ladainhas.
No Santuário Nacional, a Casa da Mãe Aparecida, não poderia ser diferente. Mas, além das celebrações, cantos, procissões, novenas, litanias, tivemos a intuição de reservar um espaço singular, particularmente devocional, para cantar louvores a Maria. Demos a esse lugar o significativo nome de Domus Aurea ou “Casa de Ouro”.
Essa invocação é atribuída a Maria e o motivo nós o encontramos no próprio Evangelho: …“E o Verbo de Deus se fez carne e habitou no meio de nós” (Jo 1,14). Foi o ventre da Virgem o espaço mais nobre onde Deus construiu sua morada na terra dos homens. Daí: Maria é “Casa de Ouro”!
Todo o espaço no Santuário Nacional é concebido para evangelizar, assim também entendemos ser a Domus Aurea. Nela vemos materializados os agradecimentos em forma de joias, de diferentes materiais e procedências, dos mais simples àqueles que, como a princesa Isabel e os Papas que tiveram alguma relação com Aparecida – nomeadamente Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI –, expressam sua devoção e reconhecimento à Senhora Aparecida.
Cada joia oferecida, cada objeto doado, é expressão de relação com Deus e gesto de profundo agradecimento, que brota do coração daquele que pediu e foi agraciado. O objeto doado como um “ex-voto” fala da confiança do doador na misericórdia de Deus e das muitas graças concedidas pela intercessão da Senhora Aparecida. É prece que brota do coração e se expressa naquilo que o fiel tem, materialmente, de mais valioso.
A Domus Aurea é de grande significado para a Casa da Mãe. Aqui trazemos nossas necessidades, nossos pedidos, nos encontramos com Deus na certeza de que Ele nos acolhe… E o fazemos, simbolicamente, pelas mãos de Nossa Senhora Aparecida. E depois voltamos para agradecer, para dizer: Muito obrigado! Isso acontece por meio de uma oração, pela própria presença do fiel agraciado ou, generosamente, por uma doação.
Assim, a “Casa de Ouro” está repleta de objetos que dizem do agradecimento, dos dons e das graças e de tudo o que Deus faz por seus amados. Aliás, um presente de ouro que Nossa Senhora Aparecida recebeu foi a coroa entregue pela princesa Isabel: de rainha para a Rainha, de mãe para a Mãe das Mães, de mulher para a Bendita entre todas as mulheres.
Generosidade! Virtude que vemos aqui praticada todos os dias, e a Domus Aurea é a expressão artística dessa verdade. A necessidade daquele que tem fé encontra-se com a imensa bondade divina, que nunca desampara os que a Ele recorrem. Ainda mais se o pedido é reforçado por sua Santa Mãe… É como uma capela adornada de amor e gratidão, onde se sente como Deus é bondade, compaixão, misericórdia… Essa é a maior riqueza da “Casa de Ouro” do Santuário Nacional.
A Campanha dos Devotos é a patrocinadora de todas as obras desta casa e, agora, ajudou também a reestruturar este espaço de grande valor afetivo e devocional. São devotos também aqueles que ofertaram milhares de joias que ali estão expostas. Por isso, é tudo Família Campanha dos Devotos, a quem dizemos: Muito Obrigado!
O Museu de Nossa Senhora Aparecida, localizado na grande Torre Brasília, no Santuário Nacional, está aberto à visitação, nos seguintes horários: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h; aos sábados, das 7h às 17h30, e domingos das 7h às 16h. Acesso pelos elevadores.
Venha viver essa emoção! Venha dar louvores a Maria, à Virgem Aparecida! Seja bem-vindo!

Bem-vindos!

O Santuário Nacional de Aparecida acolhe mais uma Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, precisamente entre os dias 18 a 26 de abril de 2012. O tema central deste ano será: “A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”. Vários assuntos estarão em pauta: Comemoração dos 50 anos do Concílio Vaticano II; 20 anos da promulgação do novo Catecismo da Igreja Católica; 27a Jornada Mundial da Juventude, em 2013; e o 13o Sínodo dos Bispos sobre a “nova Evangelização”, que se realizará no Vaticano. Além de outros temas eclesiais como liturgia, doutrina, solidariedade entre as Igrejas e, também, análise da conjuntura social.
A CNBB, que congrega os Srs. Bispos da Igreja Católica no Brasil, foi criada no dia 14 de outubro de 1952, em reunião convocada pelo então Cardeal-Arcebispo de São Paulo-SP, D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta e pelo Sr. Arcebispo do Rio de Janeiro-RJ, D. Jaime de Barros Câmara, há exatos 60 anos.
O bispo é responsável por uma Diocese ou Prelazia, parcela da Igreja de Cristo presente no mundo, pois “onde está o Bispo aí está a Igreja” (S. Inácio de Antioquia). Ele exerce o serviço de “pastorear” a comunidade, animando-a na fé e conduzindo-a como Igreja peregrina na história, rumo à casa do Pai. Continuando o Cristo Bom Pastor, é sua missão precípua governar, ensinar e santificar a Igreja que lhe foi confiada. Realiza esse serviço colegialmente, em unidade com o Santo Padre o Papa, o primeiro no colégio dos apóstolos.
A Assembleia anual da CNBB manifesta esta comunhão entre os pastores do Povo de Deus. Congrega bispos, assessores e representantes de organismos da Igreja católica, num total de 450 participantes. É momento especial de encontro, estudo, oração e de celebração da fé, animados pelo Espírito Santo de Deus. Os temas tratados transformam-se em subsídios para a orientação de toda a Igreja no Brasil.
Com a Assembleia deste ano de 2012, já serão 50 as assembleias realizadas:
A primeira foi no ano de 1953, em Belém-PA. Na cidade de Indaiatuba-SP, bairro de Itaici, foi celebrado o maior número delas, trinta e três assembleias, entre os anos de 1977 a 1999 e, também, de 2001 a 2009. Em São Paulo-SP, aconteceram duas assembleias, em 1969 e em 1973, esta última realizada na casa dos Missionários Redentoristas, no antigo Alfonsianum. No Rio de Janeiro, foram outras duas, 1962 e 1968. Em Brasília, realizaram-se as assembleias de 1970 e 2010. Em Roma, na Itália, aconteceram as de 1964 e 1965. Outras cidades brasileiras também tiveram a graça de receber a CNBB: Serra Negra-SP (1956); Goiânia-GO (1958); Belo Horizonte-MG (1971) e Porto Seguro-BA (2000).
A cidade de Aparecida-SP acolheu os bispos do Brasil em três oportunidades: a segunda assembleia, em 1954; a oitava, em 1967; e a quadragésima nona, no ano passado. Agora também recebe a assembleia jubilar, a quinquagésima.
A sede oficial das assembleias da CNBB, a partir do ano de 2011, transferiu-se definitivamente da Vila Kostka, em Indaiatuba-SP, para a “Cidade do Romeiro”, em Aparecida-SP. Vários são os motivos que trouxeram esse importante encontro episcopal ao Santuário, alguns de ordem prática e outros pelo significado de estar na Casa da Mãe. Afinal, em Aparecida bate o coração católico do Brasil.
Estamos construindo a “Cidade do Romeiro”, num terreno de aproximadamente 1.200 m², com toda a infraestrutura necessária para acolher este e outros eventos da Igreja: grandes romarias, reuniões de movimentos cristãos, encontros de religiosos e de empresários etc. Além do Hotel, que será inaugurado em setembro deste ano, o espaço abrigará outras instalações de apoio aos romeiros, turistas e visitantes de Aparecida. Será feito também o “caminho do rosário”, ligando a “Cidade do Romeiro” ao Porto de Itaguaçu, lugar do encontro da Imagem milagrosa e onde a devoção à Virgem Aparecida começou. Todo este complexo será extensão do Santuário Nacional de Aparecida.
Os Srs. Bispos manifestaram o desejo de celebrar e refletir mais próximos do povo durante as assembleias anuais. Estando no Santuário Nacional, esse desejo se concretizará, pois terão a presença dos romeiros que visitam a Casa da Mãe e estarão unidos com todos os que acompanham as celebrações pela TV, Rádio e Internet, especialmente por meio da Rede Aparecida de Comunicação. Assim, os Pastores darão testemunho de unidade, rezando, estudando e dirigindo pastoralmente a Igreja no Brasil, em comunhão com todo o Povo de Deus, na Casa da Mãe Aparecida.
Os Bispos, legítimos pastores do Povo de Deus, são muito bem-vindos ao Santuário Nacional de Aparecida.

Sob o teu manto…

Diz a história, narrada em crônica nos idos de 1717, que os pescadores d’Aparecida labutavam num “rio pobre” – Parayba – em busca de peixes, e sem sucesso apesar das muitas tentativas com as redes. O êxito da pesca abundante aconteceu após encontrarem a imagem da santa e tê-la envolvida num trapo qualquer, talvez os pobres panos que eles próprios vestiam. Além das mãos calejadas de Felipe Pedroso, aquele fora o primeiro manto que a Virgem Aparecia recebera. Quanta riqueza no gesto carinhoso do pescador…
Carinho também não faltou quando os moradores do povoado construíram um pequeno oratório e se reuniam para rezar aos pés da santinha de barro… Devido ao crescente numero de devotos, o filho de Felipe Pedroso, Atanásio, edificou depois uma igrejinha de “pau a pique” na beira da estrada do Itaguaçu… Além das velas e das flores silvestres, a beleza em torno à imagem era a oração daquela gente fiel. A história da santa foi se revestindo com o manto da fé…
O “tesouro” encontrado no rio foi sendo partilhado e a abundância era mais do que peixes, tantas outras necessidades foram saciadas e aconteceram os milagres: as velas acesas sem intervenção humana; a ceguinha de nascença que recobrou a vista; o escravo e o feitor libertos das suas escravidões; o cavaleiro ateu que se sentiu tocado por Deus… E tantas histórias bonitas de fé vestiram de sentido aquela imagem.
No contexto do Brasil imperial correu a notícia da “santa milagrosa aparecida das águas” e muitos acorreram: pobres e ricos, gente simples e pessoas abastadas, fiéis ou indiferentes vieram de perto e de longe para reverenciá-la.
Veio também a família real brasileira, a Princesa Isabel e seu consorte o Conde D’EU. Na oportunidade, apesar da importância dos visitantes, nada indicava para uma representação oficial, mas simplesmente uma família que viera rezar, por ocasião da festa de 08 de dezembro de 1868. Sabe-se que a realeza anos antes pedira à Senhora Aparecida o dom de gerar. Como reconhecimento pela graça alcançada voltaram à capela d’Aparecida, agora agradecendo os três filhos nascidos. Consta que trouxeram de presente uma coroa de ouro e um manto ricamente ornado. Foi presente de mãe para a Mãe, gesto nobre da realeza para a Rainha… Assim foi com a princesa Isabel e tem sido com tantas outras mulheres. A Mãe bendita continua estendendo o seu manto protetor sobre as famílias, gerando… filhos e filhas na fé!
Desde 1750 têm-se o registro desse costume de revestir a Aparecida com manto e coroa e, assim, a imagem da Virgem Aparecida foi se tornando ainda mais conhecida e amada. O povo quis representá-la como tal em sua imagem – como Rainha – pois nela venera a Bendita entre as mulheres, a Serva fiel do Senhor, a Mãe de Deus e nossa.
Como memória dessa história rica de fé e devoção, resolvemos instituir a “Cerimônia do Manto da Mãe”, todo dia 12 de cada mês. O devoto de Nossa Senhora Aparecida poderá também acompanhar pela TV Aparecida, logo após a Missa de Aparecida, rezando as orações próprias que estão na Revista, na sessão “Deus em minha casa”. Queremos unir o Brasil inteiro em oração, rezando: “Mãe Aparecida, senhora humilde de Nazaré, de Jerusalém, de toda a humanidade, que aparecestes nas redes dos pobres pescadores, ensinai-nos a servir sempre e em primeiro lugar. Mãe Aparecida, de cor morena, cor que traz-nos à memória a realidade da triste escravidão, libertai também os oprimidos e escravizados de nosso tempo, pelas drogas, pela violência e pela falta de dignidade de vida. Mãe Aparecida, ao revestir-vos com o novo manto, revesti-nos com o amor divino, com o amor da encarnação de vosso Filho Jesus, com a mesma esperança com que vós vivestes”.
Oportunamente, como presente pela Campanha da Cúpula – “Graça e Luz em sua vida” – todos receberão uma parcela do “manto da Mãe” para colocá-la na “capela pessoal”, expressão da devoção à Senhora Aparecida. Aproximando-nos de tão belo, singelo e nobre sinal, deixemo-nos tocar pelo mais belo amor, Jesus, o Filho de Maria, nosso Redentor.
Pedindo a intercessão da Mãe Aparecida, digamos: “sob o teu manto, do azul do céu, guardai-nos sempre no amor de Deus”.
Assim seja.
Pe. Darci José Nicioli, CSsR

Começar bem…

Existe um slogan do mercado que podemos aplicar para o ano que se inicia: pequenas empresas & grandes negócios! Há muita verdade nessa máxima, pois sabemos que as importantes realizações nascem de pequenas ideias, simples e descomplicadas.
Que tal abraçar o ano de 2012 como um empreendimento que precisa ser planejado e realizado com dedicação?!
Ano novo, vida nova! A vida é a maior das nossas empreitadas e adotar a regra da simplicidade é um bom começo para esse novo tempo. Nada de projetos mirabolantes e promessas impossíveis de serem cumpridas.
Uma boa receita é, simplesmente, fazer bem o que já fazemos. De fato, o sucesso para uma vida bem vivida depende do esmero com que realizamos nossas atividades diárias. Assim, os pais poderiam estar mais próximos dos filhos e os filhos, por sua vez, aceitarem mais o diálogo. Os professores deveriam ensinar a ciência da humanidade, pois além de profissionais é fundamental construir gente. Os magistrados, julgarem com isenção e imparcialidade. Quem administra, faça-o com honestidade e lisura. O comunicador esteja a serviço da verdade e da liberdade. Quem deve evangelizar, poderia também fazê-lo com entusiasmo e competência, jamais visando seu próprio interesse. Enfim, todo profissional deveria realizar seu trabalho como missão, a serviço do bem comum.
Madre Teresa de Calcutá, que viveu intensamente e é exemplo de vida, a santa dos pobres e desvalidos da Índia e do mundo inteiro, também nos ensina sobre o bem-viver. Ela diz assim: “Dê sempre o melhor… E o melhor virá. Às vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas… Perdoe-as assim mesmo. Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta e interesseiro… Seja gentil assim mesmo. Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros… Vença assim mesmo. Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo… Seja honesto e franco assim mesmo. O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra… Construa assim mesmo. Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja… Seja feliz assim mesmo. O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã… Faça o bem assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante… Dê o melhor assim mesmo. E veja você que, no final das contas, é entre você e Deus… Nunca será entre você e eles!” – Essas são palavras de uma santa mulher!
Outra dica importante para fazer a vida frutificar é estar em sintonia com o Criador. Afinal, Deus confia a nós a criação, como parceiros e co-criadores. A natureza “geme em dores de parto” esperando nossa atitude responsável para que um planeta saudável continue sendo a casa de todos, nossa e também das gerações futuras.
A melhor sintonia com Deus se dá na oração… Portanto, rezemos pedindo as forças necessárias para vencer nosso natural egocentrismo e nos convertermos para o amor. Bem como nos diz Santo Agostinho: “Ama e faze o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”. Por isso eu digo: rezar, sempre resolve!
Vamos nessa?! Um ano “novinho em folha” nos espera. Coragem e… vamos que vamos!

O rosto humano de Deus…

Palavra do Reitor

No clima do Natal me vi pensando sobre a gruta de Belém. Um pouco de imaginação ajudou a compor o quadro.

Lá estavam Maria, José e o menino. A tradição fala dos animais: o burrinho, a vaca e as ovelhas… Afinal, a gruta era usada pelos pastores, para abrigo e proteção do rebanho.

Alguém mais, além dos pastores? Acho que não! Não se fala nem mesmo da presença de uma parteira. Parecia reinar a tranqüilidade, mas o parto já se anunciava… No cenário tosco feito de pedras e feno havia também um cocho, que serviu de berço. No céu uma estrela diferente brilhou e ouviu-se o canto do galo e o estrilar dos grilos. O que tudo isso anunciava? O nascimento de Deus!

Esse acontecimento mudou a vida do mundo. Impossível não se deixar tocar por um Deus que se faz pequeno. Mas a gruta de Belém nos fala… Tudo por lá foi muito simples! A simplicidade é fundamental para acolher o mistério, pois sem ela no coração o milagre não acontece.
O contrário de simplicidade é complexidade, que tem a ver com complicação e, também, pretensão. A mensagem do presépio nos diz que devemos seguir o caminho de Deus que na encarnação se descomplica e, despretensiosamente, apresenta-se como criança no meio de nós. O Natal nos revela o rosto humano de Deus e a humanidade redescobre o seu rosto divino. Agora, em Jesus, Deus tem rosto e a história humana ganha um novo sentido.
A questão do sentido é fundamental para a vida. Nada contribui tão efetivamente para a existência quanto saber que a vida da gente tem um sentido, mesmo nas piores condições. Ter o suficiente com que viver é tão importante quanto ter um porque viver. Um sentido para a vida, esse é o verdadeiro presente do Natal.
A festa da vida acontece independente da nossa vontade, mas acolher o presente dependerá da disponibilidade interior de cada um. Para isso, é necessário compreender a mensagem da gruta de Belém. Descomplicar a vida pode ser um bom começo, por exemplo:
- desarmar-se de sentimentos negativos, pois o passado ainda pode ser alterado e até corrigido;
- quando não há possibilidade de mudar uma situação, aceite o desafio de mudar a si próprio;
- ria da vida, pois a capacidade de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada é um truque útil na arte de viver;
- não busque o sofrimento e, caso ele venha, aceite-o dando-lhe um sentido;
- importa mais o que a vida espera de nós, e não o que esperamos da vida;
- seja capaz de viver e até morrer por seus ideais e valores;
- há situações ruins na vida da gente, mas tudo poderá piorar se cada um de nós não fizer o melhor que puder;
- quando você se esquece de si mesmo, amando uma causa ou alguém, mais humano será e mais se realizará.
- quanto mais humano formos, mais divino seremos.
Ah! Quase ia me esquecendo… Havia, sim, outro personagem naquela gruta bendita: Você! Faça por merecer tamanha honra.
O Emanuel – Deus conosco – veio para todos e para cada um de nós. Ele quer contar contigo da mesma forma como contou com José e com Maria.
Feliz Natal e Ano Novo para você e família, com novos propósitos e novas atitudes em sua vida!

Pe. Darci Nicioli

Aqueles que nos precederam…

Santo Afonso de Ligório

Este é o título da obra organizada pelo Pe. Isac Barreto Lorena, que faz memória dos Missionários Redentoristas falecidos, da Província de São Paulo. Afinal, 117 anos são passados desde outubro de 1894, quando os pioneiros chegaram a Aparecida, vindos da Baviera, na Alemanha. As gerações seguintes herdaram o mesmo espírito empreendedor dos fundadores e, como genuínos filhos de Santo Afonso de Ligório, gastaram suas vidas na missão evangelizadora, anunciando que em Jesus Cristo a redenção é abundante.

Os nossos predecessores vivem em nós, naqueles que continuaram e continuam com o mesmo ardor missionário, fazendo progredir e frutificar a obra por eles iniciada, com tanta dedicação e sacrifício. Isso nos diz que ninguém faz nada sozinho, construímos sobre o alicerce feito por muitas mãos, massa umidificada pelo suor de tantos outros.

Ao contemplarmos a Basílica Velha, no alto do morro dos coqueiros, somos agradecidos pelos seus construtores e pelo trabalho apostólico ali realizado ao longo dos 266 anos de história. Vidas foram doadas! Lembremo-nos dos padres, então vigários de Guaratinguetá SP, que erigiram a Igreja: Pe. José Alvez Villela (1745) e, posteriormente, Pe. Monte Carmelo (1888). Quando a Basílica Velha é declarada ‘Santuário Episcopal’ em 1894, por D. Lino Deodato, foram seus primeiros administradores os padres diocesanos: Pe. Monte Carmelo, Cônego Joaquim Fonseca e Pe. Claro Monteiro do Amaral.

O trabalho apostólico dos Missionários Redentoristas, em Aparecida, teve início no dia 02 de novembro de 1894, na festa de todos os Santos. Recordamos com santo orgulho a primeira comunidade: Pe. Lourenço Gahr, superior; Pe. José Wendel e os irmãos Estanislau, Rafael e Simão. Pe. Gebardo Wiggermann, vice-provincial, juntou-se à comunidade em 1895, voltando de Trindade (GO), do Santuário do Divino Pai Eterno, também sob a responsabilidade dos Missionários Redentoristas desde aquela época. O Santuário de Aparecida é entregue aos cuidados dos Missionários Redentoristas, oficialmente, no dia 22 de janeiro de 1895.

A majestosa Basílica Nova nasce da necessidade de melhor abrigar o sempre crescente número de romeiros, o que levou a decisão de erigi-la pelo então arcebispo de São Paulo, D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, em 1954. Seu coadjutor, o missionário redentorista D. Antônio Ferreira de Macedo, assumiu a administração dos primeiros procedimentos para a construção. Lembramos dois outros confrades que muito trabalharam: Pe. Antonio Pinto de Andrade, que profetizou a construção da Passarela da Fé – a grande ponte que une as duas basílicas e, Pe. Antão Jorge Hechenblaickner, que muito fez também pela Rádio Aparecida. As obras de alvenaria da Basílica Nova ganharam grande impulso pelo trabalho hercúleo do Pe. Noé Sotilo, culminando com a consagração do grande templo em 1980, pelo beato Papa João Paulo II.

O espírito empreendedor dos primeiros missionários de Aparecida aparece na fundação da Editora Santuário, já em 1900. A imprensa escrita foi fundamental para a divulgação da devoção à Nossa Senhora Aparecida e para atrair mais fiéis para o seu Santuário. No início lá estavam Pe. Gebardo Wiggermann, Pe. Valentin Mooser e, mais tarde, Pe. Francisco Costa e Pe. Alfredo Morgado, dentre outros.

A missão ganha impulso também com a criação da Rádio Aparecida, em 1951. A realização desse sonho veio pelas mãos laboriosas dos missionários: Pe. Daniel Marti, Pe. Antônio Pinto de Andrade, Pe. Humberto Pieroni e D. Antônio Ferreira de Macedo. O Pe. Vitor Coelho de Almeida foi grande incentivador e também muito trabalhou para a consolidação da emissora de Nossa Senhora.
A filha mais nova do projeto de evangelização através dos meios de comunicação é a TV Aparecida, iniciada em setembro de 2005. Recordamos com saudade do protagonismo de D. Aloísio Lorscheider, OFM, então Cardeal-Arcebispo de Aparecida, membro da família redentorista na qualidade de oblato.

Saudosos missionários redentoristas! Certamente muitos outros deveriam constar nessa lista, heróis como o Pe. Valentin Von Riedl, Pe. Estevão Maria Heigenhauser, Pe. Pedro Henrique Florchlinger, Pe. João Evangelista Betting, Ir. José Hiebl (Ir. Bento), Ir. Thomaz Manhart (Ir. Wilibaldo)…

Os primeiros redentoristas brasileiros: Pe. Oscar Azeredo Chagas, Pe. José Benedicto da Silva, Pe. Orlando Lino de Moraes e Pe. José Ferreira Lopes. Também o Pe. Geraldo Pires de Souza, primeiro provincial brasileiro. Uma galeria imensa! Já são 161 confrades na casa do Pai: homens de oração, homens de trabalho, homens de grandes sacrifícios.

Não podemos nos esquecer que “o presente é herança do passado… A messe de hoje é crescimento e maturação da semeadura de ontem”.

Portanto, “louvemos os varões gloriosos, antepassados nossos… Os que deles nasceram deixaram um nome que publica seus louvores” (Ecl 44,1ss).

Pe. Darci José Nicioli, CSsR

Olha a festa aí, gente boa!

Outubro chegou e vamos celebrar a Novena e Festa da Rainha e Padroeira do Brasil: Nossa Senhora Aparecida. Nessa época, em todos os anos, a atenção dos fiéis devotos volta-se para a cidade de Aparecida e o seu santuário. É tempo de graças e de bênçãos! É festa de aniversário da Virgem Aparecida, para reverenciar – na sua imagem milagrosa – a Mãe de Deus e nossa.
É verdade que, em Aparecida, todos os dias do ano parece festa. Pudera, são quase onze milhões de visitantes que passam por esta terra bendita. A confraternização de muitos, o canto dos jovens e o corre-corre das crianças… O choro emocionado e o sorriso largo… A prece balbuciada ou plasmada em gestos penitenciais… O rito sacramental e a piedade popular… As flores, as cores, o espoucar dos fogos e o silêncio orante… Tudo isso faz a grande celebração de ação de graças, a festa cotidiana do Povo de Deus presente no Santuário Nacional.
Quando chega o mês de outubro é diferente. A festa ganha em qualidade e significado, com maior requinte nos gestos celebrativos e nas liturgias. Um novenário catequético precede o feriado religioso do dia 12 – centro e ápice das comemorações – com temas especiais para cada dia. Enfim, a Senhora Aparecida tem o seu dia especial e recebe do povo romeiro a devida veneração. E esse movimento religioso fez história, pois já se aproximam os 300 anos da “aparição” milagrosa.
Em cada festa de Nossa Senhora Aparecida revivemos o encontro feito pelos três pescadores, com os mesmos sentimentos e a mesma emoção que só os olhos da fé permitem alcançar. Deus se revelou em Jesus Cristo de forma perfeita e acabada, mas nos permite outras manifestações assessórias para fazermos memória do que nos é fundamental. Aqui reside o “toque divino” do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no rio Paraíba do Sul, em 1717. Para isso serve a imagem querida: recordar a todos nós que Deus quis ter uma mãe, que Ele se encarnou no seio daquela mulher Maria, que n’Ele e por Ela somos filhos e irmãos: “… E disse Jesus, Mulher, eis aí teu filho. Filho, eis aí tua Mãe” (Jo 19,26s). Aliás, é esse o tema da novena e festa deste ano de 2011: “Senhora Aparecida, reflexo do coração materno de Deus”
O coração é o centro mais íntimo de um organismo, o centro vital, sem o qual é impossível viver. Por analogia, é no coração que fazemos escolhas… Nessa perspectiva, contemplamos o mistério de amor que encerra o coração de Maria: coração que era “sim” para a vida, coração que era “sim” para o irmão, coração que era “sim” para Deus! Coração de Mãe que acolheu Jesus e acolhe todos os aflitos que estão junto à cruz! Com devoção filial, aprendamos a viver suas virtudes.
Reze conosco e por nós através dos Meios de Comunicação: TV, rádio, revista e internet. Melhor ainda, venha visitar a Mãe Aparecida em seu Santuário, no mês do seu aniversário.
Unidos em um só coração, olhos nos olhos e mãos nas mãos, peçamos a intercessão da Senhora Aparecida: Doce coração de Maria, por Jesus, sede nossa salvação!
No dia de nossa Mãe maior, a bendita entre todas, queremos rezar como filhos e por todos os seus filhos e filhas, especialmente as crianças.
Sejam bem-vindos. Vamos festejar juntos!

Catequizar é “construir gente”!

O sentido da palavra “catequese” – significado etimológico – já indica para a missão. “Katechesis”, palavra de origem grega, quer dizer ação de instruir oralmente. Para nós cristãos católicos, podemos entender mais amplamente “catequese” como explicação metódica dos mistérios da fé, de modo a provocar a adesão pessoal e comunitária à Palavra de Deus.
Urge à Igreja rever e inovar a sua ação catequética, em todos os seguimentos: às crianças, aos jovens e aos adultos. Há muita estrutura ultrapassada, conservadora, como que fechada na sacristia, precisando passar por um processo de conversão em vista de “favorecer a transmissão dos tesouros da nossa fé” (Doc. Aparecida no. 375).
A catequese hoje deve estar voltada para a sociedade, que enfrenta os desafios de uma cultura capitalista, imediatista, individualista, consumista e totalmente secularizada. Uma catequese também preocupada com as necessidades práticas e temporais das pessoas, capaz de absorver a “mudança de época”, com criatividade, com linguagem adequada e conteúdo doutrinal de inspiração catecumenal, para formar discípulos missionários.
Mesmo os já batizados nem sempre são evangelizados. Muitos não trilham o caminho da iniciação cristã e se tornam cristãos sem compromisso, cristãos de nome ou só de tradição familiar. Catequizar é uma urgência e um grande desafio!
Neste esforço de uma catequese voltada para as exigências da pós-modernidade, criamos a Revista de Aparecida há quase 10 anos e, mais recentemente, a Revista Devotos Mirins. Essa revista direcionada, preferencialmente, para crianças e adolescentes já atinge o expressivo numero de 116 mil exemplares/mês. Segmentamos o público infantil para melhor envolvê-los nos mistérios da fé cristã – despertar no coração o sentido da vida da graça e favorecer o encontro com a pessoa de Jesus Cristo – com objetividade de linguagem e recursos de interatividade. A idéia é ensinar coisa séria e aprender brincando! Também é meio eficaz para conhecer e divulgar a devoção aNossa Senhora Aparecida.
No mês de julho, a Revista Devotos Mirins passou por significativa remodelação para melhor atingir esses objetivos. Depois de muita pesquisa e consulta a profissionais da área editorial infantil, optamos pelo formato dos conhecidos “Gibis”, com novos personagens da Turma dos “Devotos Mirins” e com novas seções: momento oracional, temas de formação catequética, correio interativo, sessão de fotos compartilhadas, dicas de saúde e para o bem viver, jogos, pintura, arte e muito mais…
A Rede Aparecida de Comunicação – TV, Radio, Internet e Mídia Impressa – quer evangelizar por todos os meios, de modo sempre novo, com renovada esperança, com corações renovados e estruturas renovadas. Este é o jeito dos Missionários Redentoristas realizarem a missão. Junte-se a nós!
Nesse sentido, quero convidar você a divulgar a Revista Devotos Mirins entre os pequenos da sua família e, também, para outros conhecidos no seu círculo de amizades. Mais ainda, presenteie os sobrinhos, os netos, os filhos dos seus amigos… Faça circular em sua paróquia esse subsidio catequético, entre as crianças e entre os catequistas. Assim você estará evangelizando conosco!
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) – apoia a iniciativa através da Comissão Episcopal Pastoral para a animação Bíblico-catequética. Portanto, a Revista Devotos Mirins é a Igreja catequizando.
Visite também o blog www.devotosmirins.com, é evangelização em ato. Estamos “construindo gente”! Vamos nessa?!

Deixa a vida me levar…

O cantor Zeca Pagodinho canta assim no seu samba: “E deixa a vida me levar, vida leva eu…” A letra sugere, para ouvidos desatentos, que devemos viver segundo as circunstâncias e saborear cada momento, sem muitas pretensões. Seria mesmo assim?!
Os modismos de época vivem dessa idéia do “já” e do “agora”, provocam cegueira existencial que exclui as ricas experiências do já vivido e, também, não vislumbra a esperança de um novo porvir. Estar imune a esta mentalidade constitui grande desafio.
Ainda, o conceito de ‘bem comum’ sofre mutações. Durante séculos ‘bem comum’ foi visto como algo em que o bem individual encontra seu cumprimento. Isto é, o bem de cada pessoa está ligado ao bem do outro e da comunidade. Então, o ponto de partida era o “nós”. Já na modernidade acontece uma inversão de rota, é o primado do indivíduo, onde o ponto de partida passa a ser o “eu”. Aqui o bem comum nada mais é que mera soma de interesses particulares. A descoberta do indivíduo como sujeito é enriquecimento, mas o individualismo é empobrecimento.
Imediatismo, modismos e individualismo são característicos do mundo em que vivemos e, certamente, influenciam a convivência humana e definem regras de relação. Por isso, os relacionamentos das pessoas trazem a marca da desconfiança, do egoísmo, da insensibilidade e da indiferença.
Até a milenar ‘instituição da família’ não escapa à regra. Conforme essa mentalidade vigente, como pode prosperar um projeto que se baseia no amor recíproco, na comunhão de ideais e na cumplicidade para a sua realização? Parece impossível, não é verdade?
Fala-se hoje que o modelo conhecido de família – pai, mãe e filhos – não mais responde à realidade do mundo pós-moderno. A assim chamada família nuclear, heterossexual, seria somente mais uma forma de arranjo familiar, não o único. Afinal, o número de mulheres e homens que coordenam sozinhos seus lares, em conjunto com filhos nem sempre oriundos dos mesmos pais, é altíssimo. Até a união entre pessoas do mesmo sexo ganhou, em nosso país, reconhecimento oficial do Estado. Então, como entender e posicionar-se diante desses questionamentos?
As premissas colocadas anteriormente – imediatismo, modismos de época e individualismo – influenciam decisivamente nessa mudança de comportamento e de valores e, embora ajudem na compreensão dos ‘porquês’, não esgotam a complexidade da questão.
Sobre a família, como cristãos conscientes, reafirmamos o princípio da ‘instituição familiar’, na comunhão com os senhores Bispos, reunidos em Aparecida, na 49ª. Assembléia da CNBB:
a) É fundamental a instituição familiar, toda a sociedade tem nela a sua base vital.
b) Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e os destinou a ser uma só carne (Gn 1,27). Portanto, a família é o espaço existencial para a plena realização humana e para o seu desenvolvimento nas futuras gerações.
c) O matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do direito natural, é lei que está escrita no coração.
d) A diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural. Equiparar as uniões entre pessoas do mesmo sexo à família descaracteriza a sua identidade e ameaça a sua estabilidade.
e) A instituição familiar corresponde ao desígnio de Deus e foi elevada pelo Cristo Senhor à dignidade de Sacramento. Ou seja, a família não continua apenas basicamente a ação criadora divina, mas também a sua ação salvadora.
Ainda sobre a união entre pessoas do mesmo sexo e a sua equiparação à família, essa ideia quer encontrar respaldo no argumento que vivemos numa sociedade laica, democrática e multidiversificada. O contra-argumento prospera no bom senso e na sincera busca da verdade: se a lei nega o ontológico – ou seja, o que é essencialmente humano – o Estado não seria por isso mais democrático e sim caótico, pois naturalmente fomos criados e evoluímos como homem e mulher. Pretender equiparar as uniões de mesmo sexo à família é tão absurdo quanto seria o legislador querer revogar a lei natural, que fez o masculino e o feminino; a sociedade brasileira é laica, porém não atéia; a multidiversidade é bem-vinda e deve ser respeitada, mas no caso em questão, pai é pai, mãe é mãe. Uma coisa é substituí-los em caráter supletivo, por exemplo, por casais de segunda união, pelo avô ou avó, por tios etc. Outra é forjar uma constelação familiar artificial, formada por pessoas do mesmo sexo.
Da vida somos protagonistas, não senhores dela. Aliás, ao contrário do que a primeira vista parecia, essa é a sabedoria de que fala o magistral samba de ‘Zeca Pagodinho’, qual seja: “E deixa a vida me levar… vida leva eu! Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu… Só posso levantar as mãos pro céu, agradecer e ser fiel ao destino que Deus me deu…” Amém!

Continuadores do Redentor: Redentoristas!

O ato de fazer festa é tão antigo quanto a humanidade. Celebrar é uma maneira de aprovar e confirmar o que nos é importante e não deve ser esquecido. Por mais variados que sejam os motivos e as formas das festas, trata-se sempre de celebrações de acontecimentos notáveis, dignos de serem lembrados e agradecidos.
Depois da experiência do acontecimento de Cristo ressuscitado, nada mais lógico que a Páscoa projetasse sua luz sobre todas as festas da Igreja e se tornasse, por sua vez, o objeto central das celebrações do cristianismo. O mistério pascal cristão foi celebrado primeiramente aos domingos, como páscoa semanal, até que se introduziu a festa da Páscoa da Ressurreição como Páscoa anual.


Mas a vivência da fé exigiu novos desdobramentos do tema fundamental da Redenção. Assim, a evolução histórica das festas cristãs passou a incluir também outros acontecimentos da vida de Cristo, desde a encarnação até a glorificação e sua segunda vinda, no final dos tempos.
O vasto calendário das festas religiosas, engenhosamente construído pela Igreja, tem um único objetivo: que a comunidade celebrante perceba o poder triunfador da Páscoa de Cristo, razão central da nossa fé. Incluem-se aqui as celebrações de Nossa Senhora e as memórias dos mártires e santos, em cujas vidas manifestou-se o Senhor ressuscitado.
Nesse contexto, no terceiro domingo do mês de julho, os redentoristas festejam o Santíssimo Redentor como uma celebração própria da Congregação. O fundador, Santo Afonso Maria de Ligório, quis os seus “filhos espirituais” plenamente identificados com o Cristo redentor da humanidade, com as mesmas atitudes e os mesmos sentimentos Dele. Nossa vocação é continuar a presença de Cristo e sua missão de redenção no mundo, pregando a Palavra de Deus aos pobres e mais abandonados. Daí o nome que nos distingue: Missionários do Santíssimo Redentor – Redentoristas!
Qual o sentido da festa do Santíssimo Redentor?
O mistério da Redenção começa com a Encarnação de Cristo, se realiza em plenitude na Páscoa e se perpetua na Eucaristia. No Natal, quando o céu e a terra se encontram, ganhamos de Deus o maior de todos os presentes: seu divino Filho se fez um de nós para que Nele nós fossemos mais! Na Páscoa, naquela noite em que Jesus rompeu o inferno e ressurgiu vencedor da morte, proclamamos: de que nos valeria ter nascido, se Ele não nos resgatasse em seu amor? Ainda, como cantamos na liturgia pascal: “ó culpa tão feliz que há merecido a graça de um tão grande Redentor!” Celebramos Jesus Cristo no seu mistério de Redenção. Celebramos não somente como um fato histórico, mas em seu sentido intrínseco: o amor do Pai que nos deu seu Filho único e o amor do Filho que, obediente ao Pai, entregou-se pela salvação de todos. Em Cristo o Pai quis restaurar todas as coisas, assim o amor do Pai pelo Filho nos atinge, nos resgata.
Na festa do Santíssimo Redentor, pela celebração litúrgica, nós nos aproximamos desse mistério do Redentor para em Cristo, com ele e por ele, dar graças ao Pai e implorar: “Continuai em nós, Senhor, a obra que iniciastes”.
Assim seja. Amém!

Pe. Darci Nicioli, CSsR