Sob o teu manto…

Diz a história, narrada em crônica nos idos de 1717, que os pescadores d’Aparecida labutavam num “rio pobre” – Parayba – em busca de peixes, e sem sucesso apesar das muitas tentativas com as redes. O êxito da pesca abundante aconteceu após encontrarem a imagem da santa e tê-la envolvida num trapo qualquer, talvez os pobres panos que eles próprios vestiam. Além das mãos calejadas de Felipe Pedroso, aquele fora o primeiro manto que a Virgem Aparecia recebera. Quanta riqueza no gesto carinhoso do pescador…
Carinho também não faltou quando os moradores do povoado construíram um pequeno oratório e se reuniam para rezar aos pés da santinha de barro… Devido ao crescente numero de devotos, o filho de Felipe Pedroso, Atanásio, edificou depois uma igrejinha de “pau a pique” na beira da estrada do Itaguaçu… Além das velas e das flores silvestres, a beleza em torno à imagem era a oração daquela gente fiel. A história da santa foi se revestindo com o manto da fé…
O “tesouro” encontrado no rio foi sendo partilhado e a abundância era mais do que peixes, tantas outras necessidades foram saciadas e aconteceram os milagres: as velas acesas sem intervenção humana; a ceguinha de nascença que recobrou a vista; o escravo e o feitor libertos das suas escravidões; o cavaleiro ateu que se sentiu tocado por Deus… E tantas histórias bonitas de fé vestiram de sentido aquela imagem.
No contexto do Brasil imperial correu a notícia da “santa milagrosa aparecida das águas” e muitos acorreram: pobres e ricos, gente simples e pessoas abastadas, fiéis ou indiferentes vieram de perto e de longe para reverenciá-la.
Veio também a família real brasileira, a Princesa Isabel e seu consorte o Conde D’EU. Na oportunidade, apesar da importância dos visitantes, nada indicava para uma representação oficial, mas simplesmente uma família que viera rezar, por ocasião da festa de 08 de dezembro de 1868. Sabe-se que a realeza anos antes pedira à Senhora Aparecida o dom de gerar. Como reconhecimento pela graça alcançada voltaram à capela d’Aparecida, agora agradecendo os três filhos nascidos. Consta que trouxeram de presente uma coroa de ouro e um manto ricamente ornado. Foi presente de mãe para a Mãe, gesto nobre da realeza para a Rainha… Assim foi com a princesa Isabel e tem sido com tantas outras mulheres. A Mãe bendita continua estendendo o seu manto protetor sobre as famílias, gerando… filhos e filhas na fé!
Desde 1750 têm-se o registro desse costume de revestir a Aparecida com manto e coroa e, assim, a imagem da Virgem Aparecida foi se tornando ainda mais conhecida e amada. O povo quis representá-la como tal em sua imagem – como Rainha – pois nela venera a Bendita entre as mulheres, a Serva fiel do Senhor, a Mãe de Deus e nossa.
Como memória dessa história rica de fé e devoção, resolvemos instituir a “Cerimônia do Manto da Mãe”, todo dia 12 de cada mês. O devoto de Nossa Senhora Aparecida poderá também acompanhar pela TV Aparecida, logo após a Missa de Aparecida, rezando as orações próprias que estão na Revista, na sessão “Deus em minha casa”. Queremos unir o Brasil inteiro em oração, rezando: “Mãe Aparecida, senhora humilde de Nazaré, de Jerusalém, de toda a humanidade, que aparecestes nas redes dos pobres pescadores, ensinai-nos a servir sempre e em primeiro lugar. Mãe Aparecida, de cor morena, cor que traz-nos à memória a realidade da triste escravidão, libertai também os oprimidos e escravizados de nosso tempo, pelas drogas, pela violência e pela falta de dignidade de vida. Mãe Aparecida, ao revestir-vos com o novo manto, revesti-nos com o amor divino, com o amor da encarnação de vosso Filho Jesus, com a mesma esperança com que vós vivestes”.
Oportunamente, como presente pela Campanha da Cúpula – “Graça e Luz em sua vida” – todos receberão uma parcela do “manto da Mãe” para colocá-la na “capela pessoal”, expressão da devoção à Senhora Aparecida. Aproximando-nos de tão belo, singelo e nobre sinal, deixemo-nos tocar pelo mais belo amor, Jesus, o Filho de Maria, nosso Redentor.
Pedindo a intercessão da Mãe Aparecida, digamos: “sob o teu manto, do azul do céu, guardai-nos sempre no amor de Deus”.
Assim seja.
Pe. Darci José Nicioli, CSsR

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