Boa tarde internautas!
Estamos postanto hoje a reflexão da celebração do último domingo, dia 04, quando presidi a celebração das 18h no Santuário Nacional.
Deixe-se invadir por essa mensagem.
Nossos desejos de uma Santa Páscoa!!
Meu irmão e minha irmã: Como é que você celebrou a Semana Santa? Antes ainda, como é que você celebrou a Quaresma, em preparação a Páscoa da Ressurreição? Como é que você celebrou a Páscoa: viveu este momento?
Com certeza muitos ovos de Páscoa foram comprados. Ainda ontem eu estava em um supermercado e os ovos estavam sendo disputados ‘a tapa’. É parte da festa. Com certeza você também fez um encontro de família. Que bom! Um almoço especial.
Alguns também viajaram para o merecido descanso fugindo do cotidiano. Outros participaram de todas as celebrações.
A televisão, de vários ângulos e de várias maneiras, mostrou o drama da Paixão, repetidas vezes. Tantas foram as possibilidades para celebrarmos a Páscoa. Como você a celebrou? Perigo é ficar na mesmice e nada de novo ter acontecido. Isso pode também acontecer, isto é perigoso.
Porque nós vamos construindo em torno a nós uma casca. Não! Nós tornamos sensíveis aos mistérios.
Meu irmão e minha irmã: para fugirmos da mesmice, é preciso não deixar escapar o sentido verdadeiro e profundo da Páscoa. Deus se fez presente na história humana e possibilitou-nos a felicidade completa. E o que é a felicidade plena, completa. Em que consiste a felicidade verdadeira, em alimentar a esperança. Não existe felicidade verdadeira sem esperança.
Alimentar a esperança e a certeza da vitória. Deus venceu a morte! E com isto respondeu a maior angústia que o ser humano tem. É impossível que a nossa vida termine num túmulo frio. Não viveríamos em paz, e não vive em paz quem coloca a sua vida nessa perspectiva. É preciso ter esperança de que aquilo que não é bom em nós há de passar.
De que o mecanismo da morte que persiste no nosso coração será vencido, foi vencido.
Primeiro Jesus realizou esta passagem e abriu-nos esta possibilidade. E este é o sentido mais profundo e verdadeiro da Páscoa. De Deus nós viemos e para Deus haveremos de voltar.
Meu irmão e minha irmã: como fazer a experiência da Ressurreição? Porque é preciso fazê-la! Contemplar a Ressurreição do Cristo, mergulhar neste mistério para mantermos viva a esperança de que nós também ressuscitaremos.
É fundamental fazer a experiência da Ressurreição. As leituras de hoje nos dizem um caminho para isso: é preciso ir com coragem ao túmulo vazio e contemplar o mistério. É um processo. A primeira coisa para nós contemplamos a Ressurreição é crescermos em nossa pré disposição interior.
O evangelho (04/04) falou disso de uma maneira bonita. Todos aqueles que são os personagens do evangelho de hoje correram em direção ao túmulo. Madalena foi apressadamente. Pedro também. O outro discípulo correu mais que Pedro ainda, porque era mais jovem. É necessário esta pré-disposição.
Destes três personagens do Evangelho de hoje, com qual deles você se identifica?
Pensemos em Maria Madalena. Madalena tem dificuldade para compreender a Ressurreição.
De fato, ela não estava preparada para isso. Funcionou na sua cabeça e no seu coração a lógica humana: a pedra tinha rolado, então, roubaram o corpo do Senhor. Ela não conseguiu dar o outro passo decisivo. Às vezes nós nos tornamos frios, insensíveis, porque em nós trabalha somente a nossa lógica.
A lógica humana, imperfeita, limitada… Daí é até difícil, quase impossível entender a Ressurreição. Aí vamos para outras explicações como reencarnação e etc.
A Ressurreição é obra de Deus. É Deus quem age. Não é fruto da astúcia humana. E se nós não escaparmos da lógica humana nós nunca mergulharemos neste mistério.
Madalena foi entender só depois, como nos diz a primeira leitura. E ‘descompreender’ algum tempo depois. Outro personagem é Pedro. Pedro chega depois do outro discípulo, mas em respeito talvez, o discípulo permite que Pedro entre primeiro no túmulo. E Pedro se cala diante do mistério. Ele precisava de um tempo maior para viver o mistério da Ressurreição.
Meu irmão e minha Irmã: é preciso dar tempo ao tempo. Nós também precisamos de tempo.
Tempo existencial para fazer a experiência da Ressurreição. Quantas vezes nas confissões a gente escuta a “mamãe” reclamando, angustiada. “Eu ensinei tudo pro meus filhos, ele fez a primeira comunhão, ele fez o crisma, mas agora ele fugiu da Igreja. Ele não quer mais ouvir falar de religião”.
A mulher que reclama do seu marido: ele não reza.
É preciso dar tempo se você “mamãe e papai”, plantaram a semente da fé no coração de seus filhos. A terra é boa. Um dia há de frutificar…
Tenha paciência. Chegará o tempo e para todos nós haverá um tempo. Um tempo propício, ainda que seja em um momento derradeiro.
Nós teremos que contemplar a Deus face a face, é nosso destino. De Deus nós viemos e para Deus haveremos de voltar! Não há outro caminho. Não há outra possibilidade. Por isso “mamãe e papai”, mas do que falar, seja testemunha de vida, de fé, de oração. Deixe os filhos olharem para vocês e eles não errarão o caminho de Deus. Somente espere o tempo oportuno, como Pedro precisava de um tempo maior para fazer a experiência do ressuscitado.
Mas o terceiro personagem é o discípulo. Talvez este discípulo, discípulo amado, seja João ou outro discípulo. Ele contempla o mistério e consegue ler os sinais. Viu e acreditou, diz a palavra de Deus.
É preciso meu irmão e minha irmã, que nós sejamos sensíveis aos sinais! Deus vai revelando para nós. Deus que é vida se manifesta, mas nós nos tornamos insensíveis e nós fechamos.
Para nós parece que mais gostamos de sublinhar aquilo que é negativo. E quantas vezes a gente vai chorando reclamar para Deus. “Parece que o Senhor não se faz presente na minha vida”.
Deus se faz presente sempre, ele é um parceiro fiel que nunca falha. Nós é que somos insensíveis. É preciso perceber os sinais que Deus nós dá. O discípulo amado percebeu, viu e acreditou.
Como fazer a experiência da Ressurreição? Escutar a palavra de Deus. Ver os sinais, porque Deus se manifesta na nossa vida. Tirar de nós a lógica só humana, mergulhar no mistério, sentir no coração. ‘Quando ele nos explicava as escrituras’, disseram os discípulos de Emaús, ‘deixa Deus falar a você. Faça um pouco mais de silêncio na sua oração’. Não fale tanto deixe Deus falar e você vai perceber!
Meu irmão e minha irmã: um dia viveremos a Ressurreição plena. Mas ela é fruto da Ressurreição cotidiana da vida que se manifesta. É preciso, vida que se manifesta no sorriso de uma criança. É preciso percebê-la: vida que se manifesta na sabedoria dos mais velhos, vida que se manifesta no nascer e no pôr-do-sol, vida que se manifesta nas relações de amizade. É Ressurreição!
Vida que se manifesta nas dificuldades enfrentadas e superadas, é Ressurreição! Vida que se manifesta no pão partilhado, vida que se manifesta nas lágrimas enxugadas, no amor caritativo que vai ao encontro do outro e o descobre como irmão.
Meu irmão e minha irmã: Deus é vida na nossa vida. É preciso percebê-lo. Se você deixar se conduzir por Deus e mergulhar no mistério você celebra a Páscoa, a passagem de tudo aquilo que é morte na sua vida e todo mecanismo gerador de morte.
Confie: Jesus Ressuscitou e muita possibilidade nova abriu-se diante de nós.
Deixe se tocar pelo mistério da Ressurreição.
Feliz Páscoa!
Feliz Páscoa! O Deus da vida quer que você viva e viva em abundância.
E que você multiplique esta vida entre os seus.
Cabe agora uma oração: Senhor fica conosco, é tarde e a noite já vem. Nós somos seus discípulos também. Que esta oração se faça vida na nossa vida junto com aquela que é fiel discípula do Pai. A virgem Maria que com ele sempre esteve e com ele está, e junto com ele intercede por nós todos!
Feliz Páscoa, Amém!
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