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Qual a maior prova do Amor de Jesus pelos homens?

A maior prova do Amor de Jesus pelos homens foi a sua Vida, Sofrimento, Morte e Ressurreição. Pela sua Vida mostrou-os que a fraternidade entre nós é possível; pelo seu Sofrimento e Morte, restabeleceu nossa união com Deus; pela ressurreição, Ele permanece vivo entre nós como Caminho, Verdade e Vida (João 14,1-14; 15,7-17; 20,1-23).

Páscoa – O mecanismo da morte que persiste no nosso coração será vencido: Jesus abriu-nos essa possibilidade!

Boa tarde internautas!

Estamos postanto hoje a reflexão da celebração do último domingo, dia 04, quando presidi a celebração das 18h no Santuário Nacional.

Deixe-se invadir por essa mensagem.

Nossos desejos de uma Santa Páscoa!!

 Meu irmão e minha irmã: Como é que você celebrou a Semana Santa? Antes ainda, como é que você celebrou a Quaresma, em preparação a Páscoa da Ressurreição? Como é que você celebrou a Páscoa: viveu este momento?

Com certeza muitos ovos de Páscoa foram comprados. Ainda ontem eu estava em um supermercado e os ovos estavam sendo disputados ‘a tapa’. É parte da festa. Com certeza você também fez um encontro de família. Que bom! Um almoço especial.

Alguns também viajaram para o merecido descanso fugindo do cotidiano. Outros participaram de todas as celebrações.

A televisão, de vários ângulos e de várias maneiras, mostrou o drama da Paixão, repetidas vezes. Tantas foram as possibilidades para celebrarmos a Páscoa. Como você a celebrou? Perigo é ficar na mesmice e nada de novo ter acontecido. Isso pode também acontecer, isto é perigoso.

Porque nós vamos construindo em torno a nós uma casca. Não! Nós tornamos sensíveis aos mistérios.

Meu irmão e minha irmã: para fugirmos da mesmice, é preciso não deixar escapar o sentido verdadeiro e profundo da Páscoa. Deus se fez presente na história humana e possibilitou-nos a felicidade completa. E o que é a felicidade plena, completa. Em que consiste a felicidade verdadeira, em alimentar a esperança. Não existe felicidade verdadeira sem esperança.

Alimentar a esperança e a certeza da vitória. Deus venceu a morte! E com isto respondeu a maior angústia que o ser humano tem. É impossível que a nossa vida termine num túmulo frio. Não viveríamos em paz, e não vive em paz quem coloca a sua vida nessa perspectiva. É preciso ter esperança de que aquilo que não é bom em nós há de passar.

De que o mecanismo da morte que persiste no nosso coração será vencido, foi vencido.

Primeiro Jesus realizou esta passagem e abriu-nos esta possibilidade. E este é o sentido mais profundo e verdadeiro da Páscoa. De Deus nós viemos e para Deus haveremos de voltar.

Meu irmão e minha irmã: como fazer a experiência da Ressurreição? Porque é preciso fazê-la! Contemplar a Ressurreição do Cristo, mergulhar neste mistério para mantermos viva a esperança de que nós também ressuscitaremos.

É fundamental fazer a experiência da Ressurreição. As leituras de hoje nos dizem um caminho para isso: é preciso ir com coragem ao túmulo vazio e contemplar o mistério. É um processo. A primeira coisa para nós contemplamos a Ressurreição é crescermos em nossa pré disposição interior.

O evangelho (04/04) falou disso de uma maneira bonita. Todos aqueles que são os personagens do evangelho de hoje correram em direção ao túmulo. Madalena foi apressadamente. Pedro também. O outro discípulo correu mais que Pedro ainda, porque era mais jovem. É necessário esta pré-disposição.

Destes três personagens do Evangelho de hoje, com qual deles você se identifica?

Pensemos em Maria Madalena. Madalena tem dificuldade para compreender a Ressurreição.

De fato, ela não estava preparada para isso. Funcionou na sua cabeça e no seu coração a lógica humana: a pedra tinha rolado, então, roubaram o corpo do Senhor. Ela não conseguiu dar o outro passo decisivo. Às vezes nós nos tornamos frios, insensíveis, porque em nós trabalha somente a nossa lógica.

A lógica humana, imperfeita, limitada… Daí é até difícil, quase impossível entender a Ressurreição. Aí vamos para outras explicações como reencarnação e etc.

A Ressurreição é obra de Deus. É Deus quem age. Não é fruto da astúcia humana. E se nós não escaparmos da lógica humana nós nunca mergulharemos neste mistério.

Madalena foi entender só depois, como nos diz a primeira leitura. E ‘descompreender’ algum tempo depois. Outro personagem é Pedro. Pedro chega depois do outro discípulo, mas em respeito talvez, o discípulo permite que Pedro entre primeiro no túmulo. E Pedro se cala diante do mistério.  Ele precisava de um tempo maior para viver o mistério da Ressurreição.

Meu irmão e minha Irmã: é preciso dar tempo ao tempo. Nós também precisamos de tempo.

Tempo existencial para fazer a experiência da Ressurreição. Quantas vezes nas confissões a gente escuta a “mamãe” reclamando, angustiada. “Eu ensinei tudo pro meus filhos, ele fez a primeira comunhão, ele fez o crisma, mas agora ele fugiu da Igreja. Ele não quer mais ouvir falar de religião”.

A mulher que reclama do seu marido: ele não reza.

É preciso dar tempo se você “mamãe e papai”, plantaram a semente da fé no coração de seus filhos. A terra é boa. Um dia há de frutificar…

Tenha paciência. Chegará o tempo e para todos nós haverá um tempo. Um tempo propício, ainda que seja em um momento derradeiro.

Nós teremos que contemplar a Deus face a face, é nosso destino. De Deus nós viemos e para Deus haveremos de voltar! Não há outro caminho. Não há outra possibilidade. Por isso “mamãe e papai”, mas do que falar, seja testemunha de vida, de fé, de oração. Deixe os filhos olharem para vocês e eles não errarão o caminho de Deus. Somente espere o tempo oportuno, como Pedro precisava de um tempo maior para fazer a experiência do ressuscitado.

Mas o terceiro personagem é o discípulo. Talvez este discípulo, discípulo amado, seja João ou outro discípulo. Ele contempla o mistério e consegue ler os sinais. Viu e acreditou, diz a palavra de Deus.

É preciso meu irmão e minha irmã, que nós sejamos sensíveis aos sinais! Deus vai revelando para nós. Deus que é vida se manifesta, mas nós nos tornamos insensíveis e nós fechamos.

Para nós parece que mais gostamos de sublinhar aquilo que é negativo. E quantas vezes a gente vai chorando reclamar para Deus. “Parece que o Senhor não se faz presente na minha vida”.

Deus se faz presente sempre, ele é um parceiro fiel que nunca falha. Nós é que somos insensíveis. É preciso perceber os sinais que Deus nós dá. O discípulo amado percebeu, viu e acreditou.

Como fazer a experiência da Ressurreição? Escutar a palavra de Deus. Ver os sinais, porque Deus se manifesta na nossa vida. Tirar de nós a lógica só humana, mergulhar no mistério, sentir no coração. ‘Quando ele nos explicava as escrituras’, disseram os discípulos de Emaús, ‘deixa Deus falar a você. Faça um pouco mais de silêncio na sua oração’. Não fale tanto deixe Deus falar e você vai perceber!

Meu irmão e minha irmã: um dia viveremos a Ressurreição plena. Mas ela é fruto da Ressurreição cotidiana da vida que se manifesta. É preciso, vida que se manifesta no sorriso de uma criança. É preciso  percebê-la: vida que se manifesta na sabedoria dos mais velhos, vida que se manifesta no nascer e no pôr-do-sol, vida que se manifesta nas relações de amizade. É Ressurreição!

Vida que se manifesta nas dificuldades enfrentadas e superadas, é Ressurreição! Vida que se manifesta no pão partilhado, vida que se manifesta nas lágrimas enxugadas, no amor caritativo que vai ao encontro do outro e o descobre como irmão.

Meu irmão e minha irmã: Deus é vida na nossa vida. É preciso percebê-lo. Se você deixar se conduzir por Deus e mergulhar no mistério você celebra a Páscoa, a passagem de tudo aquilo que é morte na sua vida e todo mecanismo gerador de morte.

Confie: Jesus Ressuscitou e muita possibilidade nova abriu-se diante de nós.

Deixe se tocar pelo mistério da Ressurreição.

Feliz Páscoa!

Feliz Páscoa! O Deus da vida quer que você viva e viva em abundância.

E que você multiplique esta vida entre os seus.

Cabe agora uma oração: Senhor fica conosco, é tarde e a noite já vem. Nós somos seus discípulos também. Que esta oração se faça vida na nossa vida junto com aquela que é fiel discípula do Pai. A virgem Maria que com ele sempre esteve e com ele está, e junto com ele intercede por nós todos!

Feliz Páscoa, Amém!

Quaresma: tempo de Deus, tempo do homem

A História da Salvação registra os muitos momentos de Deus na história da humanidade, agindo sempre com fidelidade, provocando os homens a entrarem em sua lógica de amor. O ápice dessa “aventura” divina se dá em Jesus Cristo: encarnado, morto e ressuscitado para nossa salvação. Definitivamente Deus entra em nossa história e confirma a parceria já estabelecida no Antigo Testamento: “Eu sou o seu Deus e vocês são o meu Povo” (Êx 6,7).

Acontecimentos tão importantes não podem ser esquecidos e, mais do que relembrados, devem ser atualizados como experiência pessoal e comunitária. Por isso a importância de celebrar a fé que professamos, pois celebrar é viver. Para nós, cristãos católicos, é fundamental celebrar o ápice da nossa fé: a ressurreição de Jesus Cristo.

A Quaresma é oportunidade especial de celebração, tempo em que nos preparamos para a Páscoa. Tem seu início na Quarta-feira de Cinzas e seu término no começo da Eucaristia vespertina da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa. O período celebrativo quaresmal é de quarenta dias (do latim quadragesima = quaresma) quando somos convidados à penitência e à meditação, por meio da prática do jejum (penitência), da esmola (caridade) e da oração (intimidade com Deus).

Talvez haja um entendimento popular errôneo sobre a quaresma pois, quase sempre, tem sido encarada mais sob o aspecto negativo, quando sua nota fundamental é a de ser um tempo de alegre preparação para a Páscoa, como o é o Advento para o Natal. Além das obras de mortificação e de renúncia, o que se exige nesse período é sempre uma abertura maior para a Palavra de Deus. Também intensa dedicação na participação do culto divino (celebração) e no exercício de uma caridade verdadeira e ativa, que exige conversão, isto é, mudança da forma de pensar e de agir, da mente e do coração.

Na Igreja primitiva, nos primeiros séculos da era cristã, a quaresma era essencialmente marcada por duas preocupações: a reconciliação dos penitentes e a preparação dos candidatos ao batismo. Em ambos os casos, tratava-se do apelo à mudança de perspectiva de vida: “Convertei-vos e crede no evangelho” (Mc 1,15). O esforço especial pedido aos cristãos em matéria de liturgia e de ascese, eles o realizavam solidariamente, celebrando e agindo concretamente, numa atmosfera de comunhão e de mútua ajuda que redundava em bem para toda a comunidade. Esse espírito quaresmal foi recuperado na renovação litúrgica (Vaticano II) promovida pela Igreja e o vemos presente nas orações desse tempo, por exemplo: “Ano após ano, concedeis a vossos filhos e filhas esperar com alegria a festa da Páscoa, preparando-se pela penitência e dedicando-se mais à oração e ao amor fraterno, para que alcancem a plenitude da filiação divina pela renovação dos sacramentos pascais, nos quais renasceram” (Prefácio da Quaresma I).

Portanto, nesta Quaresma, somos convidados a nos preparar para a Páscoa de Jesus, para que, realmente, o que celebramos seja atualização de nossa Páscoa em Cristo, sobretudo através da catequese em preparação ao batismo (catecumenato) ou da renovação das promessas batismais pelos já iniciados. Também por meio da penitência, interna e externa, individual e social. Ao longo deste tempo de Deus vivamos nosso tempo, façamos nossa hora, sobretudo nas celebrações dominicais, para recuperarmos o ritmo e o estilo de verdadeiros fiéis que pretendem viver seu batismo, como filhos e filhas de Deus.
Coloquemo-nos a caminho!

Padre Darci Nicioli, reitor do Santuário Nacional