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Nossa Senhora, uma questão de devoção?

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Nicho Santuário Nacional André Somensari JS

Foto: André Somensari/JS

Maio é o mês de Maria. Neste tempo pascal, Maria Santíssima é o ícone perfeito da criatura humana, em quem se realizou plenamente o mistério da Páscoa de seu Filho. Ela é a primeira de todos os que participaram de sua Ressurreição, a primogênita de todos os redimidos.

Em muitas igrejas e capelas ainda ecoam os rosários, as ladainhas e os cânticos com que o povo manifesta sua devoção mariana. É gratificante ouvir tantos católicos afirmarem piedosamente: “Tenho muita devoção a Nossa Senhora”. Eis uma devoção que é partilhada pelos ortodoxos, pelos anglicanos e por inúmeras outras denominações cristãs, e até mesmo pelos muçulmanos. A exceção são os cristãos evangélicos, que transformaram sua oposição a Nossa Senhora, à veneração dos santos e ao uso de imagens em uma questão de identidade própria.

Mas será que Nossa Senhora é apenas uma questão de devoção? Quando falamos em devoção, entendemos que se trata de um ato de livre escolha, conforme o gosto e a piedade do cristão. Não somos obrigados a ter devoção por todos os santos. Cada católico ou cada comunidade faz a escolha de suas devoções próprias. Contudo Nossa Senhora é diferente. Ela é protagonista do projeto de salvação realizado por Deus através de Jesus. Assim como Abraão, Isaac, Jacó e tantos personagens do Antigo Testamento, Maria inaugura o Novo Testamento, abrindo a primeira página de uma nova história da humanidade. Quando Deus a convocou e ela assumiu sua maternidade especial, por obra do Espírito Santo, ficou vinculada para sempre à obra redentora de seu Filho. Seu “Fiat” não foi apenas por um momento, foi por toda a sua vida terrena e eterna. Ela participa, ela está presente, ela convive, ela intercede.

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Ao mesmo tempo, sua entrega total à vontade de Deus faz com que seja Ela a primeira de todos nós a ser plenificada com a graça redentora de Jesus, a ponto de ser a Imaculada Conceição. Deus nos faz contemplar em Maria o efeito da graça realizado de modo perfeito, como um exemplo vivo daquilo que Ele quer realizar em cada um de nós. Pelos méritos de seu próprio Filho, ela é nossa esperança eterna já acontecida. Por isso, Maria não pode ser uma devoção à escolha, como podemos fazer com os demais santos. Ela é parte integrante da abundante Redenção, ela é colaboradora do Filho, desde o primeiro instante em que o concebeu. Aos pés da cruz, ela recebeu a missão de nos tomar como filhos e de cuidar de nós e de nossa salvação. E sua missão mais importante é ajudar-nos a dar nossa resposta de amor a quem tanto nos amou. Por isso, no mistério da Salvação, tal como aconteceu na história, não há Maria sem Jesus, como não há Jesus sem Maria. Separar esses dois nomes é cometer o crime de arrancar à força uma mãe de seu filho e um filho da sua mãe. Se isso é inadmissível em nossas famílias, por que insistir nessa separação, como fazem tantos irmãos cristãos?

Se Jesus Ressuscitado é o ponto essencial de nossa fé cristã, Maria é foco essencial da nossa mais bela esperança, como um farol luminoso, que nos atrai para a abundante Redenção de seu Filho. Maria é como um ímã que atrai sobre si e sobre seus filhos o Espírito de Jesus Ressuscitado. Foi assim ao conceber o Filho do Altíssimo. Foi assim, quando aconteceu o primeiro Pentecostes sobre a comunidade dos seguidores de seu Filho. Será sempre assim, para que se renove a vinda do Espírito Santo a cada ano e para cada geração daqueles que a proclamam bem-aventurada.

  

Padre José Ulysses da Silva, C.Ss.R.
Missionário Redentorista e Reitor do Santuário Nossa Senhora da Conceição, em Recife (PE)