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A Reforma Luterana

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O pais que hoje chamamos de Alemanha era, desde a Idade Média, parte do Sacro Império Romano Germânico. Criado no século 11 como uma extensão temporal do poder do papado, houve momentos em que o poder imperial entrou em choque com o papa, como na famosa questão envolvendo as Investiduras de bispos pelo poder temporal. A vitória do papado nessa que ficou conhecida como a Questão das Investiduras aprofundou o poder político da Igreja na região.

Mapa - Sacro Império Romano

O Sacro Império Romano foi uma tentativa de reconstruir o Império Romano do Ocidente, cuja estrutura política e legal sucumbiu durante os séculos V e VI.

Por outro lado, o enorme poder exercido pela Igreja tornava-a objeto de cobiça e um local ideal para a venda de relíquias e indulgências. Empenhado na construção da Basílica de São Pedro, o papa Leão X (1513-1521) encarregou o dominicano John Tetzel de realizar uma maciça venda de indulgências por toda a Alemanha.

Foi contra isso que se voltou o duque Frederico da Saxônia, impedindo a entrada de Tetzel em seu território. A alegação para a proibição foi o fato de a Igreja ter feito um acordo com uma família de banqueiros alemães, os Függer, no qual os banqueiros emprestavam à Igreja o dinheiro necessário em troca da garantia de metade da renda obtida com a venda de indulgências.

Dessa forma é importante perceber que de todos os recursos amealhados com as indulgências a maior parte ficava pelo caminho.

Martinho Lutero

Martinho Lutero (1483-1546) que era monge agostiniano e professor de teologia na Universidade de Wittenberg, envolveu-se nesse conflito, contando com o apoio de Frederico. Na verdade, as críticas de Lutero à prática da Igreja já eram antigas, encontrando nesse contexto apenas o espaço apropriado para sua disseminação.

Em 1517, Lutero fixou na porta da catedral de sua cidade um documento intitulado "95 Teses Contra as Indulgências". Lutero não só criticava violentamente a prática, denunciando que o dinheiro das indulgências era usado para outras finalidades como a de financiar o luxo do clero o que produzia o seu desregramento, como também se opunha a dogmas da Igreja. Ao afirmar que as indulgências eram incorretas, pois o fiel se salva não pelos atos que pratica, mas pela fé, Lutero incorria na negação à doutrina da Igreja, praticando uma heresia e expondo-se assim à ação da Inquisição.

Excomungado como herege em 1520 pelo papa, recusou-se também a se retratar na Dieta de Worms, convocada pelo imperador Carlos V (Carlos de Habsburgo) e composta por nobres laicos e eclesiásticos do Sacro Império. Estes, por sua vez, tinham interesse em apoiar Lutero, interessados em livrar-se da autoridade papal e em limitar o poder do imperador, profundo defensor do catolicismo. Foram os príncipes alemães e a alta nobreza que ocultaram Lutero num castelo da Saxônia, impedindo sua execução.

A Reforma Luterana só avançou por causa dos interesses dos príncipes que de uma vez se livravam de dois incômodos, o papa e o imperador.

Martinho Lutero

Martinho Lutero

Não fosse pelo apoio dos príncipes alemães a Reforma Protestante não teria avançado

Guerras e revoltas

Durante os três anos em que ficou oculto, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, uma forma de tornar seu conhecimento mais difundido entre a população, de modo a provar o quanto a Igreja havia se afastado dos propósitos cristãos.

Em sua maioria, os príncipes alemães declararam-se adeptos da nova religião proposta por Lutero. Vendo nisso uma clara ameaça ao seu poder, o imperador Carlos V impôs o catolicismo como religião oficial do império. Os príncipes protestaram contra essa imposição (daí advindo o termo "protestante"), dando início a um longo processo de guerras de religião na Alemanha.

Por outro lado, além do apoio da nobreza, por razões políticas, as ideias de Lutero despertaram o apoio dos camponeses, vendo nos ataques à Igreja uma oportunidade de reduzirem o grau de profunda desigualdade e exploração a que estavam submetidos. Várias revoltas camponesas eclodiram na Alemanha, entre elas a principal foi liderada por Thomas Müntzer.

Lutero voltou-se violentamente contra esses movimentos, posto que, dependente do apoio dos nobres, ele jamais poderia colocar-se ao lado de revoltas camponesas. Assim, Lutero defendeu a postura mais agressiva possível contra eles. A repressão aristocrática aos camponeses durou de 1524 até 1536 e produziu mais de cem mil mortos.

Mudanças

Em 1527, Lutero, juntamente com Melanchton, que foi quem realmente propagou os ideais da Reforma, elaborou a Confissão de Augsburgo, que estabelecia os princípios de sua doutrina que tinha como pontos principais a firmação de que as Escrituras Sagradas fossem o único dogma da nova religião. Em sua Confissão a fé era vista como a única fonte da salvação. Além do mais, ele propunha a livre interpretação da Bíblia, negava a transubstanciação (transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo), com a crença de que a presença de Cristo na Eucaristia fosse somente espiritual. Em vez do latim, o alemão foi adotado como idioma nos cultos religiosos e a Igreja passava a ficar submetida ao estado, e, finalmente, permaneciam apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia.

Em 1555, a Dieta de Augsburgo permitiu que cada príncipe escolhesse a sua religião, que passaria a ser também a de todos os seus súditos ("cujus régio ejus religio" - tal príncipe, sua religião). O luteranismo triunfaria na Alemanha e seria adotado também na Suécia, em 1527 e na Dinamarca e Noruega, em 1536, como uma forma de afirmação dos poderes reais contra a interferência de Roma.

:: Os Precursores da Reforma: John Wyclif e Jan Huss

Colunista padre Inácio

 


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