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Martinho Lutero publica teses contra a Igreja Católica

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PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA

História Moderna - 07

Nesta série de artigos relacionados a História da Igreja no período moderno, estamos revisitando a Reforma Protestante encabeçada, sobretudo, por Martinho Lutero. Não se trata aqui de defender ou atacar esta ou aquela denominação. Trata-se, simplesmente, de conhecer um fenômeno que mudou a configuração religiosa e, por que não dizer, política, da Europa nos tempos modernos, trazendo reflexos até nos dias de hoje.

Inquietações

No dia 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano, teólogo e professor universitário alemão Martinho Lutero pregou na porta da Igreja de Todos os Santos, em Wittenberg, as suas teses, que provocariam o maior cisma no cristianismo ocidental e dariam origem a um novo universo de correntes religiosas: o protestantismo. 

A Reforma Protestante nasceu das 95 teses com críticas duras feitas ao catolicismo pelo religioso da Saxônia, no leste da atual Alemanha. Nessas teses, Lutero condenava os excessos e a corrupção da Igreja Católica, em especial a prática de pedir pagamento em dinheiro – as chamadas ‘indulgências’ – para o perdão dos pecados cometidos. Na teologia católica, a indulgência é a remissão parcial ou total do castigo temporal imputado a alguém por conta dos seus pecados. 

Naquele tempo, qualquer pessoa poderia comprar uma indulgência, fosse para si mesmo, fosse para um parente já morto que supostamente estivesse no Purgatório. À época, um frade dominicano de nome Johann Tetzel, nomeado pelo arcebispo de Mogúncia e pelo papa Leão X, era o intermediário de uma campanha de arrecadação de fundos destinados a financiar a construção da Basílica de São Pedro, em Roma. Embora o príncipe eleitor Frederico III da Saxônia tivesse proibido a venda de indulgências em Wittenberg, muitos membros da igreja e simples fiéis viajavam para aquela cidade a fim de comprá-las. Quando retornavam aos seus lugares de origem, mostravam a Lutero, que por ali andava, o perdão que haviam adquirido, afirmando que não mais precisariam arrepender-se de seus pecados. 

A frustração de Lutero com aquela prática levou-o a escrever as teses (na véspera do dia de Todos os Santos, quando haveria peregrinação à igreja de Wittenberg), que foram rapidamente entendidas pela população, traduzidas do latim para o alemão e amplamente distribuídas. As ideias condenavam o que Lutero acreditava ser a avareza e o paganismo na Igreja como um abuso, e pediam um debate teológico sobre o que as indulgências significavam. Para todos os efeitos, contudo, Lutero não questionava diretamente a autoridade do Papa para conceder as tais indulgências. Uma cópia chegou ao Vaticano e esforços foram despendidos para convencer Lutero a mudar de parecer.

discussão - reforma protestante

As teses de Martinho Lutero e de outros reformistas como Calvino geraram amplas discussões em toda a Europa

Surge o Movimento Protestante

No mesmo ano, Lutero recusou-se de novo a abjurar seus escritos diante do imperador Carlos V, que acabou publicando o famoso Édito de Worms, declarando Lutero um fora-da-lei e herege e dando permissão a quem quer que fosse que o matasse sem que pudesse advir alguma consequência. Protegido por Frederico III, Lutero começou a trabalhar na tradução da Bíblia para o alemão, uma tarefa que levaria 10 anos para concluir

A expressão "protestante" para designar os dissidentes apareceu pela primeira vez em 1529, quando Carlos V revogou a disposição que permitia ao governante de cada estado do Sacro Império escolher se queria respeitar e fazer cumprir o Édito de Worms ou não. Diversos príncipes e outros defensores de Lutero publicaram um protesto, declarando que sua lealdade a Deus suplantava sua lealdade ao imperador. Passaram então a serem conhecidos pelos opositores como ‘protestantes’.

Paulatinamente a expressão se estendeu a todos aqueles que acreditavam que a Igreja deveria ser reformada, mesmo os que viviam fora da Alemanha.  Por ocasião da morte de Lutero (de causas naturais), em 1546, suas crenças revolucionárias já constituíam o alicerce da Reforma Protestante, que, ao longo dos três séculos subsequentes, exerceu forte influência sobre a civilização ocidental.

As 95 Teses de Martinho Lutero que foram afixadas na porta da igreja no dia 31 de outubro de 1517 geraram uma grande repercussão, pois nelas o então frade convidava os teólogos católicos a uma discussão sobre penitência, indulgência e salvação pela fé. Martinho Lutero condenava em suas teses o que identificava como avareza e paganismo no seio da Igreja Católica, atacando a prática de um abuso.

imprensa - reforma protestante

A invenção da imprensa facilitou a divulgação das idéias reformistas

Rapidamente, as teses de Martinho Lutero se espalharam pelo mundo católico europeu. Em apenas duas semanas, as teses foram traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. De tal forma que, nesse período, se espalhou por toda a região da Alemanha e, nos próximos dois meses, conquistaria boa parte da Europa. Embora o Papa não tivesse sido questionado diretamente pelas 95 Teses de Martinho Lutero, nem quanto a autoridade ou quanto as indulgências, a resposta foi severa e rápida. Lutero foi chamado de alemão bêbado que não tinha consciência do que escrevia pelo próprio Supremo Pontífice da Igreja Católica. E o Papa continuou pressionando, exigindo que Martinho Lutero retirasse seus escritos, em 1520. O alemão se recusou a anular seus escritos e foi excomungado em 1521 e passou a ser considerado como um fora-da-lei pelo imperador Carlos I, da Espanha.

O protesto de Martinho Lutero foi se tornando o movimento inicial da Reforma Protestante, que acabaria por apresentar novas condutas e práticas para os cristãos, modernizando a prática medieval do culto católico. Da Reforma Protestante surgiram novas igrejas também cristãs, mas que não deviam mais reverência ao papado.

Colunista padre Inácio

.:: Principais afirmações da Reforma Luterana

 


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