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Páginas de História da Igreja

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No início do século XVI surgiu na Europa um movimento de reação à Igreja Católica que ficou conhecido como Reforma Protestante. Motivado por alguns erros internos da Igreja esse movimento pedia a reforma da cabeça (papa e bispos) e dos membros da Igreja (clero e povo). O problema é que quase todos os movimentos de reforma da Igreja atingiam o povo, mas quase nunca chegava até a cabeça da Igreja.

Paralelo a isso a sociedade europeia e o mundo em geral passavam por uma fermentação em todos os campos, desde a cultura até a política. Esta fermentação estava levando a uma mudança de época embalada por uma serie de fatores.

O problema é que uma boa parcela da Igreja, a começar do papa, não percebeu a abrangência desta movimentação que ganharia um caráter político por causa do apoio dos reis e príncipes desejosos de se livrarem da tutela da Igreja. Quando a Igreja abriu os olhos já era tarde e foi preciso correr contra o prejuízo com o movimento conhecido como Contrarreforma.

O movimento reformista protestante viria coincidir com o tempo do fortalecimento dos Estados Nacionais Modernos e com o desenvolvimento do Sistema Capitalista em sua primeira fase, a comercial.

O Fortalecimento dos Estados Modernos

No ano de 1303, havia acontecido um atentado contra o papa Bonifácio VIII em Anagni, como um sinal dos tempos modernos, pois nunca a pessoa de um papa havia sido atingida desta forma. Em 1517, Martinho Lutero publicaria as suas 95 teses, pregando-as na porta da capela do convento de sua cidade.

Em 1545 se daria a abertura do Concílio de Trento e entre os anos de 1545 e 1648 se daria a reação da Igreja conhecida como Contrarreforma que seria concluída com a Paz de Westfallia em 1648, marcando o fim da Guerra dos 30 anos que teve como uma de suas principais características a de ser uma guerra de motivações religiosas.

Rei Luis XVI

Foto: O rei Luís XIV foi o símbolo mais real do Estado Nacional Moderno

O século XVI

O século XVI teve como uma de suas manifestações mais profundas o processo das reformas religiosas, responsáveis por quebrar o monopólio exercido pela Igreja Católica na Europa. Levando ao advento de uma série de novas igrejas que, embora cristãs, fugiam aos dogmas e ao poder proposto por Roma, as chamadas igrejas protestantes que até hoje continuam o seu processo de divisão.

Mais do que ser apenas um movimento religioso, a Reforma Protestante insere-se no contexto mais amplo que marcou a Europa a partir da Baixa Idade Média, sendo sinal da superação da estrutura feudal tanto em termos de fé como também em seus aspectos sociais e políticos.

Da mesma forma, não se pode considerar as reformas religiosas como um processo que se iniciou apenas no século XVI. Ao contrário, elas representaram o transbordamento de uma crise que já vinha se manifestando na Europa desde o início da Baixa Idade Média, fruto da inadequação da Igreja à nova realidade, marcada pelo declínio do mundo feudal, pelo crescimento do comércio e da vida urbana, pela centralização do poder político nas mãos dos reis e pelo advento de uma nova camada social, a burguesia.

Também não se pode deixar de lado a influência do Renascimento Cultural, no sentido de romper com o monopólio cultural exercido pela Igreja Católica na Idade Média, ainda que tenha sido a Igreja a sua iniciadora e uma de suas principais financiadoras.

O Renascimento veio possibilitar a aceitação de conceitos e de visões de mundo diferentes daqueles vividos até então, ao quebrar o quase monopólio intelectual que a Igreja exercia na Idade Média.

Num certo aspecto, as Reformas Protestantes são filhas do Renascimento, e representam, como este, uma adequação de valores e de concepções espirituais às transformações pelas quais a Europa passava nos campos econômico, social e cultural.

Características do Mundo Moderno

A Idade Moderna, ao contrário do mundo feudal que era mais estático por ser baseado no rural, era de grande movimentação por ser baseada no mundo urbano e comercial.

Toda a movimentação do mundo moderno provocou uma crise de identidade nos povos e nos países católicos por causa da crise da unidade feudal. No rastro desta crise de identidade veio o fenômeno do nacionalismo e da perda do poder por parte do papa. Neste período começou o processo de afirmação dos Estados Nacionais Modernos que se fundamentam sobre uma cultura, uma língua e sobre valores específicos, distintos do caráter de universalidade proposto pela Igreja.

Com a afirmação dos Estados Modernos acontece também o princípio da afirmação das diversas nacionalidades.

cidade medieval

Foto: O crescimento das cidades determinará as mudanças na ordem social do mundo moderno

Ao longo deste período acontecerá a laicização da arte, da cultura e da sociedade em geral. Nos setores mais radicais virá um anticlericalismo crescente. A secularização da cultura vai provocar a diminuição da força do sistema escolástico que usado pela Igreja e que vigorava até então.

Como pilastras do novo sistema socioeconômico que surgia baseado no capital cresceram o individualismo, o subjetivismo e o antropocentrismo ligado aos outros ismos deste período como o naturalismo, racionalismo e subjetivismo religioso, acompanhado do renascimento das artes e das letras.

comerciantes

Foto: O Capitalismo Comercial nascente significará o golpe de misericórdia no feudalismo

A ruína do feudalismo se completará com o crescimento das cidades que passaram a receber levas continuadas de pessoas trazidas pelo Êxodo Rural. Crescendo as categorias urbanas, aos poucos vai se dando a submissão da nobreza aos reis, com a decadência do Ideal de Cavalaria e desenvolvimento do comércio e da indústria.

A economia monetária passa a se sobrepor então à economia feita na base de trocas que era o sistema usado até então. Com o capitalismo nascente desperta-se o poder da burguesia que passa a ditar as regras da economia.

Por outro lado, o absolutismo real vai se fundando cada vez mais na centralização do poder e da administração. Com isso, o Estado Moderno luta para submeter a Igreja. Esta política fica conhecida como regalismo.

Desde então constitui-se o chamado “Homem Moderno”, que é individualista, laico e profano. Estas características vão se aprofundando com o passar dos tempos até chegar ao que temos hoje.

:: Igreja na Idade Moderna: Europa, um continente em mutação

Colunista padre Inácio


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