Por Pe. Evaldo César Souza, C.Ss.R Em Artigos Atualizada em 18 SET 2018 - 15H24

A crise pior não é a financeira

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Vendo desfilar diante de nós os sucessivos escândalos financeiros que afligem a pátria amada, corremos o risco de pensar que, nessa terra garrida, o ônus social seja simplesmente o abusivo e inadmissível desvio de dinheiro público para sustentar a vida nababesca de certo políticos e empresários brasileiros. As cifras bilionárias dos escândalos, que a cada dia pululam nos jornais, chamam a atenção do cidadão que trabalha um mês inteiro, nem sempre sob boas condições, para exibir um holerite ironicamente insuficiente ou incompatível com a tarefa exercida de sol a sol.

Mas alguém observou que, fosse dada ao cidadão brasileiro a oportunidade de ver-se diante de uma possível transação financeira ilegal, mas da qual ele poderia tirar vantagem, poucos seriam os que diriam não à tentação da corrupção. Ou seja, os escândalos financeiros da nação são resultado de um traço de personalidade que é a raiz dos males que sugam os bens públicos nesse país: o tão conhecido “jeitinho” brasileiro. Esse jeitinho, que pode até apresentar-se como solução para muitos problemas da vida, infelizmente mostra sua cara num aspecto que moralmente afeta o brasileiro – a urgente necessidade de tirar vantagem de tudo, acima de todos e apesar de qualquer coisa.

Os escândalos no Brasil, mais do que financeiros, são, no meu modo de ver, situações de falência moral e, nesse ponto, sejam políticos, empresários, executivos, donas de casas e trabalhadores, Leia MaisEu sou o Brasil Ético: "Honestidade requer uma educação da consciência"todos são suscetíveis a certos comportamentos morais inadequados, para não dizer anticristãos! E, para muitos, a coisa é natural. Ao agir com desonestidade, se for para eu levar vantagem, não ocorre nenhum tipo de peso na consciência ou algo do gênero.

Nesse ponto, é preciso apelar ao imperativo ético universal e o único capaz de promover, entre os homens em sociedade, algum tipo de relacionamento que pense antes no todo que no particular. Pautar a vida pelo ensinamento ético básico, a saber – “faça ao outro aquilo que você esperaria que o outro fizesse para você”, – pode ser uma saída para educar futuras gerações para um ambiente social onde, no micro e macrocosmo das relações, exista o entendimento que é bom que todos ganhem, para que eu também ganhe de modo honesto e sustentável. Romper padrões de comportamento eticamente questionáveis para construir uma sociedade onde caibam todos!

Obviamente, nesse ponto, entram a educação - formal e afetiva - e a boa vontade. Nações mais desenvolvidas que a nossa já encontraram esse caminho e dão exemplo de como o coletivo bem zelado reflete no particular bem aproveitado. A possibilidade de uma sociedade mais bem organizada não é utopia, mas, sem desejo, vontade, esforço e, sobretudo, sem abandonar velhas práticas de corrupção e desonestidade, ela não se construirá. Isso sem pesar, na balança da vida, o fato do Brasil ser um país majoritariamente cristão. Considerando esse ponto, estamos realmente muito distantes dos ensinamentos que deveríamos beber do Evangelho de Jesus Cristo!


Escrito por
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)
Pe. Evaldo César Souza, C.Ss.R

Redentorista, membro da Província de São Paulo, graduado em Filosofia, Teologia e Jornalismo e pós-graduado em Gestão Executiva de Televisão (FAAP). Escreve para a Editora Santuário e para a editoria 'Santuários'.

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