Por Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 27 JUL 2018 - 11H02

O mundo precisa de redenção?


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Em julho, os Missionários Redentoristas celebram a festa de Jesus com o título de Santíssimo Redentor, do qual se origina o nome de Redentoristas, Congregação Missionária fundada por Santo Afonso Maria de Ligório.

Leia MaisSalmos em sua Essência | Ano B – 10º Domingo do Tempo Comum - Salmo 129A palavra redenção significa o ato de resgatar quem está escravizado. Mas será que, em nossos dias, o ser humano, que se orgulha de sua ciência e tecnologia, que é consciente de seus direitos e que faz questão de afirmar sua individualidade, ainda sente a necessidade de redenção? Basta erguer o olhar, para além de nossos interesses pessoais, e contemplar o panorama da sociedade atual para verificar que a qualidade da vida da maioria dos seres humanos está mais para uma realidade de escravidão do que para uma liberdade que respeita a dignidade de todos e não apenas de alguns poucos. Não é uma escravidão a vida daquelas pessoas que, por mais que lutem, não conseguem garantir o mínimo necessário para a sobrevivência de si mesmo e de suas famílias, como uma moradia digna, o alimento de cada dia, a assistência à saúde etc.?

Além da desigualdade social, que, para salvar o lucro de alguns, sacrifica a sobrevivência de muitos, continuam existindo as escravidões morais que se manifestam nas guerras, na violência social, nos vícios, na ganância e corrupção. Parece que passam os séculos e persiste o mesmo quadro de "patrões e escravos", de "casa grande e senzala", não somente em âmbito de indivíduos, mas também em âmbito de instituições e de países.

A Redenção que Jesus nos oferece é uma libertação integral, ou seja, física e espiritual, pessoal e social, temporal e eterna. A proposta de Jesus é que acolhamos o Reinado de Deus em nossas vidas, no qual seremos todos filhos de um mesmo Pai e nos trataremos como irmãos, sem preconceitos de sexo, de imagem, de crenças ou de países, e no qual o dom da vida e o direito de viver dignamente serão iguais para todos. Como estamos distantes desse projeto divino, pelo qual o Pai nos deu seu Filho e o Filho nos ofereceu sua vida.

De fato, Jesus já nos conquistou o direito de sermos redimidos, já não pertencemos à escravidão. Contudo, repetimos a mesma história do êxodo do Egito. Libertados por Moisés da escravidão do faraó, ao longo da difícil caminhada até a terra prometida, os israelitas sentiam saudades das “cebolas do Egito”, isto é, do tempo da escravidão. Assim também a humanidade atual, libertada pela morte e ressurreição de Jesus, continua apegada a suas práticas milenares de escravizar e ser escravos.

Cada geração encontra formas de subverter a paz e a igualdade, por meio das guerras e das disputas pelo poder e pela riqueza, que renovam as estruturas de injustiças no mundo. Onde há injustiça, há escravidão. Enfim, continuamos necessitados de Jesus Redentor, como nosso Caminho, Verdade e Vida. Precisamos de anunciadores e de profetas, que indiquem o caminho de libertação total do ser humano, uma libertação que deve brotar do interior de cada pessoa para alicerçar estruturas mais humanas na sociedade.

O Salmo 130 expressa bem essa situação, quando diz: “Do mais profundo abismo clamo a Ti, meu Senhor!” E termina com a exclamação, que é o lema dos Missionários Redentoristas: “N’Ele, a Redenção é abundante!” Nossa esperança de copiosa Redenção está enraizada na Cruz do Senhor. É preciso continuar caminhando em direção à meta final, que levará a humanidade a reencontrar o paraíso perdido de sua união com Deus e de sua unidade como seres humanos, destinados ao amor eterno do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Escrito por
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. (Aquivo redentorista)
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R.

Missionário Redentorista e Reitor do Santuário Nossa Senhora da Conceição, em Recife (PE)

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