Por Da Redação. Em Notícias Atualizada em 05 FEV 2018 - 14H33

“Dietas podem afetar desenvolvimento de jovens”, diz médica


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Quase todo dia surge uma nova dieta, prometendo grandes perdas de peso em pouco tempo e exigindo o menor esforço possível. Na busca pelo sonho do corpo ideal, muitas pessoas veem nessas receitas a chance de conquistar silhuetas mais agradáveis e corresponder aos padrões de beleza existentes da sociedade.

Em geral, as dietas da moda propõem grandes restrições alimentares, provocando uma rápida perda de peso. Contudo, por ser um hábito difícil de se manter durante muito tempo, normalmente recupera-se o peso também muito rápido, provocando um efeito sanfona, que afeta o organismo e o psicológico das pessoas.

Um levantamento de 2012 do instituto de pesquisa americano Nielsen Holding apontava que, entre os sul-americanos, os brasileiros são os mais insatisfeitos com a silhueta. Cerca de 62% dizem estar ao menos um pouco acima do peso. Apenas 30% se dizem satisfeitos com o peso atual. O estudo mostra ainda que 50% dos brasileiros tentam perder peso de alguma forma. Desses, 76% dizem que tentaram emagrecer mudando a dieta e 64% dizem fazer exercícios.

Manter-se próximo ao peso ideal, fazer exercícios e fugir da obesidade são questões de saúde. Por isso mesmo o acompanhamento e a orientação profissional são fundamentais na hora de iniciar um regime. Ainda mais quando se trata de jovens. Nessa fase da vida, acontecem muitas mudanças corporais e emocionais, exigindo maiores cuidados nutricionais.

Segundo a endocrinologista Myrna Campagnoli, os riscos de se adotar dietas sem orientação médica são inúmeros. “A redução abrupta do valor calórico diário associada à restrição de grupos alimentares faz com que o corpo não tenha energia suficiente para manter o metabolismo e as funções vitais. Com isso, passa a extrair essa energia dos seus próprios tecidos e órgãos. Num curto prazo, há risco de fraqueza, sonolência, apatia, alterações digestivas e o hábito intestinal, dor muscular, dor de cabeça, alterações de humor, tremores, desmaios, hipotensão, queda de rendimento na escola e no trabalho e desidratação. A longo prazo pode ocorrer o mal funcionamento de órgãos vitais, como fígado, rim e coração”, adverte.

De acordo com a médica, fórmulas muito restritivas, como Detox, Dieta da Proteína e Dieta da Sopa, são prejudiciais a qualquer pessoa, especialmente adolescentes, mais susceptíveis a buscar resultados mais rápidos e fáceis. “O organismo em desenvolvimento necessita de um aporte calórico adequado e de variedade nutricional para manter o crescimento e o desenvolvimento. A dieta ideal é aquela em que não há restrição a nenhum grupo alimentar e na qual é estimulado o consumo moderado, evitando excessos. Tudo isso associado a um nível adequado de atividade física”, explica. 

Suplementos 

Leia MaisO corpo perfeito e as dietas da modaSegundo a pesquisa do instituto americano, o Brasil é que mais consome emagrecedores na América Latina. De acordo com o levantamento, cerca de 12% dos brasileiros tomam remédios para emagrecer.

Já nas academias, cada vez mais tem crescido o consumo de suplementos alimentares por parte dos jovens. O objetivo é ganhar massa muscular de maneira mais rápida. De acordo com a endocrinologista, não há evidências de que a suplementação traga os benefícios de alega proporcionar. “Uma alimentação saudável já é rica em proteínas e supre o organismo de suas necessidades. O suplemento proteico pode ser utilizado em situações especiais, mas sempre sob orientação de um médico ou nutricionista. Nunca se deve consumir esses produtos por orientação da academia ou por decisão própria”, aconselha.

A médica explica que o excesso de proteína no organismo pode trazer más consequências. “Altera o hábito intestinal, prejudica o metabolismo renal e hepático e interfere no equilíbrio hídrico do organismo.

Segundo Myrna Campagnoli, a dieta ideal para os jovens deve ser fracionada em cinco ou seis refeições por dia e deve ser composta por todos os grupos alimentares: carboidratos, gorduras, proteínas, e vitaminas. “É essencial que o jovem consuma leite e derivados, carnes, carboidratos como arroz, batata e macarrão, feijão ou lentilha, frutas, verduras e legumes. Além disso é preciso manter um bom consumo de água”, indica. 

Dieta de Glúten 

De tempos em tempos, alguns alimentos são eleitos os vilões da saúde. A mídia mostra famosos que eliminaram a substância da dieta. Reportagens de TV e revista relacionam o consumo daqueles alimentos ao desenvolvimento de doenças graves. Pronto. Está criado o mito.

A bola da vez parece ser o glúten, uma proteína presente em alimentos à base de trigo, aveia, centeio, malte, cevada e podem estar até em hambúrgueres vegetarianos, saladas, alguns suplementos e até medicamentos.

Cada vez mais pessoas estão adotando uma dieta sem glúten. Uma pesquisa recente aponta que cerca de 30% dos norte-americanos desejam eliminar o glúten da dieta. No Brasil também tem crescido esse número.

Porém, dieta sem glúten não é sinônimo de alimentação saudável. Segundo o gastroenterologista Silvio Gabor, retirar o glúten da dieta é recomendado apenas para celíacos e pessoas que têm alergia ou intolerância à gliadina. Somando os dois grupos, o número de pessoas não chega a 1% da população. “Estima-se que um grupo maior tenha sensibilidade ao glúten. Essas pessoas também podem considerar evitar a proteína. Mas antes de aderir a uma dieta sem glúten é preciso um diagnóstico preciso. Eliminar um nutriente importante não é algo simples”, adverte o médico. A doença celíaca é autoimune, hereditária e causa danos ao intestino delgado quando ocorre ingestão de glúten.


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