Por Eduardo Góis Em Notícias

Especialistas discutem felicidade, sucesso e realização

Sucesso profissional, felicidade, relacionamentos amorosos mágicos como num conto de fadas, dinheiro, beleza a qualquer custo, superação de vida, liderança e realização. A todo tempo as pessoas são cobradas sobre a necessidade de possuir todos esses elementos na vida. Mas será que na prática é bem assim? Será que é preciso mesmo de tudo isso para ser feliz? As pessoas não podem ser imperfeitas? Ou valorizar uma vida simples? Talvez a cobrança exista porque as pessoas entendem como felicidade somente o sucesso profissional e o pessoal, ou seja, se vão bem nas duas áreas elas são perfeitas ou estão muito perto disso, segundo o conceito da sociedade.

Foto de: Arquivo Pessoal

Shana Wajntraub - Arquivo Pessoal

Shana Wajntraub: "Temos presenciado
uma sociedade cada vez mais competitiva,
com valores familiares enfraquecidos e um
consumismo próximo do descontrole"

Vale refletir que tudo isso é uma questão de concepção. A sociedade de um modo geral cultiva a aparência e a questão material. Hoje, quando se diz que alguém está bem na vida significa que determinada pessoa está bem financeiramente, pois normalmente as pessoas não associam a condição de estar bem com a saúde ou com o espírito. Estar bem significa muito sucesso profissional ou muito dinheiro. As pessoas vivem numa sociedade que deveria ser chamada de “teres humanos”, em vez de seres humanos. É aquela velha questão: “ser ou ter?”, duas coisas perfeitamente conciliáveis; mas é preciso saber qual das duas situações é o centro da vida.

Possivelmente o que proporciona essa sensação de cobrança extrema na pós-modernidade é a própria competitividade na busca pela qualidade e excelência na fabricação de novos produtos que atendam à demanda desenfreada pelo consumismo.

O JS foi buscar especialistas para discutir essas questões complexas: Primeiro, onde está a tal felicidade? Ela é diferente para cada pessoa? E o tão buscado sucesso? Pessoas que escolhem uma vida totalmente fora de padrões de consumismo são felizes? E Deus ocupa algum lugar dentro de toda essa disputa?

A coach e consultora de gestão e talentos, Shana Wajntraub, observa que ao ligarmos a televisão ou acessarmos a internet, encontramos protótipos de pessoas perfeitas. Seres humanos imperfeitos maquiados com aparência sagrada. “Temos presenciado uma sociedade cada vez mais competitiva, com valores familiares enfraquecidos e um consumismo próximo do descontrole. Essas e outras circunstâncias levam a uma grande questão, que é a enorme necessidade de ter coisas, poder e reconhecimento. Cada vez mais busca-se a realização de fora para dentro, quando na verdade a busca do autoconhecimento deveria ser o maior foco.”

André Luiz Dametto é empresário e sócio do ALD consultoria, empresa que treina e capacita lideranças. Ele afirma que não é um fenômeno atual o ter e o parecer predominarem sobre o ser. “Em todas as épocas e sociedades coexistiram pessoas materialistas e espiritualizadas. Entretanto, na sociedade atual, em que tudo é espetacularizado e editável, a diferença entre realidade e fantasia depende da consciência do receptor da mensagem. Sendo assim, aqueles que parecerem mais felizes, seja através de bens materiais ou likes nas mídias sociais, podem sim sair na frente na competição pelos melhores empregos e até mesmo conseguir pares afetivos. Até as relações ficaram reféns da mercantilização do afeto. Mas isso não é sustentável, nunca tivemos tantos casos de depressão. Mostrar vulnerabilidade nos dias de hoje parece ser uma grande fraqueza, quando eu entendo que é a maior força que uma pessoa pode ter”, comenta.

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André Luiz Dametto - Arquivo Pessoal

André Luiz Dametto: "Na sociedade
atual em que tudo é espetacularizado
e editável, a diferença entre realidade
e fantasia depende da consciência"

Susanne Andrade nasceu em Jequié (BA), e tem paixão por lidar com pessoas, sendo esse o combustível de sua vida. Tornou-se escritora, coach e palestrante. Ela alerta sobre um tempo em que a vida é algo mecânico. “As pessoas estão vivendo de forma mecânica, em função dos valores externos, e tudo passa a ser uma obrigação, até mesmo a felicidade. Esse tipo de cobrança vem justamente pelo ‘esquecimento’ de dar maior foco nos valores internos, no que é importante verdadeiramente para cada um. Isso leva a atitudes pautadas na vontade dos outros, em dar uma satisfação para os outros, em mostrar mais do que verdadeiramente sente. Para dar o grande salto, precisa-se humanizar a nossa relação, em primeiro lugar, com nós mesmos, e com os outros, como caminho para a realização verdadeira.” 

Já na opinião da psicóloga Carla Caligiorne, o que se deve administrar melhor e evitar são as cobranças intermináveis e as constantes comparações que se faz com a vida alheia. “Para que se possa encontrar felicidade autêntica e sentir plenitude e realização, é preciso conhecimento de suas potencialidades, competências e habilidades desenvolvidas, fazer uma análise do cenário em que se está inserido, considerar todos os elementos envolvidos em seu momento de vida e fazer planos com estratégias assertivas. Encontrar os caminhos pessoais diminui a cobrança interna e externa. Dá mais visibilidade e leva ao caminho do sucesso real e verdadeiro.”

Reflexão é importante

É possível ser feliz na simplicidade, e muito mais do que isto. Ser feliz é desejo de todo ser humano. “Até os seres irracionais, como dizemos na linguagem antropológica, querem ser felizes. Mas, será que os irracionais são mesmo irracionais? Nunca vi um ser irracional pegar em armas, matar, roubar, mas seres racionais sim. São até corruptos. A simplicidade não é estar alienado do tempo, da história, da vida. Simplicidade é sabedoria. Há sábios que são muito simples, justamente porque são sábios. O difícil é quem se acha sábio, mas não reconhece que sua sabedoria chama-se autossuficiência ou orgulho intelectual”, afirma o missionário redentorista padre Ferdinando Mancilio. Segundo ele, em qualquer realidade haverá certa dose de cobrança social, pois todos são seres sociais, e qualquer grupo humano tem suas normas comportamentais, ou normas éticas e morais. “Portanto, haverá cobrança na realidade em que vivemos. Adaptados a essa realidade grupal, somos felizes, pois, nos ampara no sentido da vida e nos abre para algum ideal, a uma causa que desejamos realizar. A infelicidade está em frustrar essa perspectiva de vida”, explica.

Foto de: Ana Oliveira

Susanne Andrade - Ana Oliveira

Susanne Andrade: "As pessoas estão
vivendo a vida de forma mecânica,
em função dos valores externos, e
tudo passa a ser uma obrigação, até
mesmo a felicidade"

Susanne diz que o equilíbrio deve ser priorizado. “Não dá para ‘se jogar’ sem uma reflexão, sem entender o significado e propósito das atitudes, como também não deve se tomar decisões somente com base em nosso lado racional, pois a nossa intuição, desejos e sonhos devem ser considerados em primeiro lugar. Viver o presente nesse contexto é fundamental, pois se não há uma realização na carreira, por exemplo, e há uma vontade de mudar, tal mudança torna-se essencial, mas a transição precisa ser consistente. Insatisfeito e sem vida é que não dá para ficar”, afirma.

Susanne abriu mão de todos os trabalhos quando decidiu se mudar de Salvador (BA) para São Paulo (SP), encaminhando clientes para colegas e saindo das universidades em que trabalhava. “Eu me joguei por conta do amor, pois algo me dizia que a minha felicidade estava ao lado dele, mas não fiquei vivendo somente o amor. Planejei também a minha carreira e atualmente venho conquistando muitos espaços na capital paulista e em outros Estados.”

Na avaliação de Susanne não só há possibilidade de ser feliz na simplicidade como esse é o principal caminho para a felicidade. Ela escreveu um livro sobre o assunto, O Segredo do Sucesso é Ser Humano.

Dentro desse contexto Carla também afirma que é muito mais saudável viver de forma simples e autêntica, com mais confiança em si mesmo e seguro do que quer para si. No entanto, é preciso um trabalho de desenvolvimento pessoal para chegar a esse patamar. “O mais habitual e comum é estarmos preocupados com as aparências e as cobranças sociais. Para que se possa diminuir esse estresse com a opinião alheia é necessário descobrir o que realmente se quer da vida e o que se quer conquistar. Por exemplo: Quais são os objetivos? Estudar mais, casar, construir uma família, comprar um imóvel, ter uma reserva financeira, mudar de emprego, de cidade, viajar? Qual é o real objetivo da vida? As conquistas dão muito prazer e procurar estar cada vez melhor é o impulso da vida”, analisa.

Uma busca a qualquer preço: O sucesso é o consumo e Deus é o quê?

Shana tem a opinião de que a busca pelo sucesso é positiva, mas talvez o maior problema seja a distorção do significado de sucesso, buscando padrões intangíveis ou irreais. “Fórmulas prontas de sucesso é que são um problema. Cada um deveria pensar no que seria o significado de sucesso de forma individual.”

Foto de: Patrícia Penna

Carla Caligiorne - Patrícia Penna

Carla Caligiorne: "Encontrar
os caminhos pessoais diminui
a cobrança interna e externa.
Dá mais visibilidade e leva ao
caminho do sucesso real e
verdadeiro" 

Na avaliação de padre Ferdinando Mancilio o sucesso social que vigora está, de modo geral, relacionado com o consumo. “O consumo por si só não é negativo, é até necessário, senão, imagine quantos desempregados teríamos. O problema é o consumismo”, alerta. Ele exemplifica: “O Black Friday é o incentivo ao consumismo. Quando se busca comprar, comprar, até por impulso ou compulsão, devemos nos perguntar o que estamos querendo preencher em nossa existência. Parece-me que, nesse caso, há algum vazio interior que precisa ser preenchido. Por isso, qualquer religião que ofereça uma emotividade ou dê uma resposta rápida, imediata, faz sucesso, porque as pessoas estão buscando preencher algum vazio interior que a tecnologia e a oferta mercantil não satisfazem”, completa. 

Deus poderia ser um objeto de consumo? “Seria um assunto interessante a ser tratado na sociedade: O consumismo de Deus. Ele é Senhor de nossa existência, e sua presença é totalidade, por isso, não sobra espaço vazio em nosso interior existencial. Uma coisa é certa: pode-se buscar sucesso social e poderá até consegui-lo, mas vai durar? Por que há artistas ou expoentes na sociedade que estão frustrados, amargurados e buscando até outros refúgios? Se não buscamos a Deus, um dia vamos perceber que Ele nos falta, pois é Ele que preenche realmente a nossa existência”, enfatiza o padre.

Dametto diz que as pessoas inverteram a lógica, em vez de buscarem se conhecer, investir nos seus talentos, prosperar nos mesmos e obter o sucesso como conquista e resultado, as pessoas adaptaram suas existências a partir do que familiares, amigos ou as mídias dizem que é sucesso, felicidade e realização.

Há que se lembrar que o cuidado deve ser dado quando existe uma busca desenfreada por algo que nunca se alcança, com uma constante insatisfação, como se as metas fossem o propósito maior, onde não há pausa para reconhecer o que já se conquistou. Ter atitude assim não é fundamental.

Foto de: Reprodução

Padre Ferdinando

Padre Ferdinando: "Se não buscamos a Deus, um
dia vamos perceber que Ele nos falta, pois é Ele
que preenche realmente a nossa existência"

Na explicação do coach, Cristian Tonin, sucesso está relacionado com expectativa. “O sucesso é relativo, o que é sucesso para você pode não ser no meu caso. Portanto, as pessoas buscam por algo, têm uma expectativa, um propósito. Nossa missão, às vezes chamada de sucesso, é eterna, sempre vamos persegui-la. Portanto, essa busca é explicada pelo tamanho das nossas expectativas”, aponta.

Começar o ano com espírito de mudança exige esforço

Continuando a discussão, a psicóloga Veruska Olivieri completa a reflexão: “É complicado falar em vida perfeita se a maioria das pessoas não sabe bem o que é o ‘seu perfeito’”. “Por não definir o que é importante é que se vive de maneira desmedida, ou seja, sem parâmetros, e busca-se uma perfeição que nem a própria pessoa sabe representar o que é. Por isso é vital definir os objetivos de vida, carreira e relacionamentos.” Ela também acrescenta que é preciso ter em mente que cada pessoa tem um nível, um preparo para as situações. O risco moderado para uns pode não ser moderado para outros. Nesse sentido é importante conhecer bem quais são suas forças e fraquezas.

Ela avalia que sucesso é algo bastante pessoal. “Para uns significa dinheiro, para outros significa relacionamento familiar de muita qualidade, para outros é representado por uma casa no campo. A questão é: O que representa este sucesso? Como saber que o alcancei quando chegar lá? A busca desenfreada é definida por um sucesso que não é medido.”

Dificuldades da vida, defeitos e conflitos. É possível não perder a alegria?

Foto de: Marco Rogério Zeminhani

Cristian Tonin - Marco Rogério Zeminhani

Tonin: "Quando aprendemos com os erros e comemoramos
as realizações, pode ser um caminho muito melhor, mas não
fácil"

Dametto reflete que é preciso entender que em todo conflito e adversidade reside uma grande dica de propósito para a vida. “Superar adversidades faz as pessoas se sentirem mais felizes do que nos momentos em que julgavam ter a vida perfeita. A adversidade é um espelho que nos mostra quem realmente somos, quais são as nossas forças, e aqui lembro de outro ditado: O que não mata nos deixa mais fortes. Sendo assim, ao enfrentar um desafio, pergunte-se o que está aprendendo, o que você está descobrindo dentro de si ao lidar com o conflito e que faz você se admirar cada dia mais. É muito comum as pessoas sentirem até uma gratidão pela adversidade e passarem a ajudar outras pessoas em problemas semelhantes. Espiritualidade é isso”, aponta.

Já Susanne afirma que a melhor maneira é respeitar valores. “Valorizar quem somos e como somos. Ter orgulho próprio, transferindo o foco da deficiência para a eficiência. Mudar alguns comportamentos que nos incomodam e atrapalham o dia a dia ou o crescimento na vida é também importante. Pode ser um ponto de partida para a motivação e realização”, conta.

Ela também afirma que conflitos têm origem nas diferenças, assim como quando damos muita atenção ao que o outro tem de diferente. Ao se respeitar os próprios valores, passa-se a respeitar os dos outros também e os conflitos diminuem. “Tudo depende da forma como nos posicionamos na vida e na relação com os outros”, reforça.

Foto de: Arquivo Pessoal

Veruska Olivieri - Arquivo Pessoal

Veruska: "Somos treinados para nos
enquadrarmos e geralmente talento
é o que nos diferencia"

“A dificuldade sempre vai existir”, afirma Tonin. Ele garante que conflitos são naturais em uma sociedade e são eles que fazem com que repense-se as verdades e possa-se crescer. “Na vida acertamos e erramos. Quando aprendemos com os erros e comemoramos as realizações, pode ser um caminho muito melhor, mas não o mais fácil.”

Carla Caligiorne aconselha: olhar para frente, acreditar e ter fé. Humanos são passíveis de acertar e errar e de serem fortes e frágeis. “O ser humano é ao mesmo tempo um gigante por suas capacidades e uma formiga por ser indefeso e frágil. Sabe que está sujeito a viver intensamente e construir impérios ao mesmo tempo em que pode ser surpreendido pela morte. Entender essas dimensões o torna mais sábio, mais forte e mais humano. Esse é o segredo. E como a ciência já constatou, é preciso saber rir de si mesmo e de seus desacertos e ter bom humor consigo e com os outros, porque levar a vida muito a sério, a ferro e fogo é prejudicial, como também levar a vida na brincadeira, sem compromisso também é. Então a fórmula é ter sabedoria, encher o coração de amor e fraternidade, encontrar soluções inteligentes para os problemas, para que se tornem pequenos e buscar desenvolver-se para ser melhor.”

Um 2015 feliz

Para a psicóloga Martha Zouain, felicidade deve ser uma percepção genuína e de cada um. “Felicidade é um processo interior, e tem a ver com realidade e expectativas. A vida de todas as pessoas é feita de momentos bons e ruins. Vida feliz não é vida livre de tristezas. É preciso entender que ambas, felicidade e tristeza, são transitórias e farão parte da vida de todos. Entender a vida desta forma torna melhor a própria forma de lidar com as adversidades. Este é o grande desafio.”

Foto de: Arquivo Pessoal

Martha Zouain - Arquivo Pessoal

Martha: "Se eu invisto em qualidade
de vida, meus investimentos estarão
ligados sempre às conquistas materiais,
que tornam a felicidade rasa, pouco
duradoura. Investir para se ter uma vida
com qualidade significa ter ações que
melhorem a minha relação comigo mesmo
e com as pessoas importantes para mim.
É investir na família, nos amigos, na saúde
e no amor"

Padre Ferdinando também afirma que o melhor caminho é reconhecer as próprias limitações e fragilidades. “A vida é um processo, o que não podemos fazer é perder o foco, o sentido que queremos dar. Nada melhor do que focar a vida em algum ponto que se quer progredir ou conseguir. O jovem diz: Eu quero ir para a faculdade. Ótimo, está focado nesse desejo e conseguirá progresso. Penso que medindo as reais possibilidades, o próximo ano deve ter nosso foco pessoal nesse sentido de progredir seja onde for, no relacionamento humano, na realização vocacional ou profissional. Quem assim pensar e decidir terá um 2015 feliz. Foque um objetivo em sua vida, mas não imaginando resultados. Antes, persiga o que quer, resultados são a segunda conta que deverá ser feita”, aconselha. 

Shana Wajntraub conclui que muitas vezes existe um ciclo de correria, de compromissos firmados e ao se dar conta, vive-se no automático. “Ficamos à mercê dos compromissos, na maioria das vezes, levamos a vida de uma maneira superficial, vamos empurrando com a barriga diversos problemas, frustrações, sempre com a filosofia de que tudo tem que estar muito bom. Por isso, aproveite para dar uma guinada em sua vida em 2015. Um bom começo é sermos agentes de nosso destino, gestores da nossa vida, proporcionando a escolha consciente. Não saber qual seu talento é contar com a sorte. Por isso, é necessário dedicar tempo para investirmos em nós mesmos, ver o que nos faz bem. Precisamos identificar quem somos. A solução vem de dentro para fora”, aconselha.

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