Por Jovens de Maria Em Crescendo na Fé

Dia do índio: Você viveria em uma tribo?

Muito se fala dos povos indígenas no Brasil, mas será que temos dimensão da realidade que eles vivem? Ou será que a única coisa que você fez foi pintar o rosto no tempo de escola? Apesar de fazermos memória hoje aos primeiros habitantes desta terra, há muito que ser feito para que haja a preservação da cultura e integridade dos povos indígenas.

:: História de uma vida missionária

Índio (Crédito: Shutterstock)

A Igreja no Brasil tem feito seu trabalho missionário, visando o respeito a alteridade indígena em sua pluralidade étnico-cultural e histórica e a valorização dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas.

E nós, como temos direcionado nosso olhar a essa realidade? Você teria uma vida como a deles? Os indígenas têm muito a nos ensinar. E para te ajudar a refletir, compartilhamos a experiência missionária do Padre Marcelo Magalhães, C.Ss.R, que pôde vivenciar a realidade de uma tribo às margens do Rio Madeira, no Amazonas:

Como surgiu essa oportunidade missinária?

Todo ano, o Juniorato faz uma missão. Na oportunidade que eu estava nesta fase, fomos convidados a estar em Manaus (AM). Eles tinham preparado uma missão ao longo do Rio Madeira. Eu fiquei 15 dias em uma aldeia. Eram 14 horas da capital. Pegávamos vários meios de transporte para poder chegar.

O objetivo era estar em uma comunidade indígena, viver a religiosidade deles. Eles não eram católicos. Era um momento para celebrar com eles e viver a fé de uma forma diferente. Era uma evangelização diferente. Foi uma experiência bem bacana de estudo de outra religião. 

Qual foi a realidade que encontrou na tribo?

Era algo que eu nunca tinha visto na minha vida. Eles falavam nossa língua, mas tinham o próprio dialeto da tribo. Não usavam roupas. Eu dormi em rede. A água é no rio e não tem banheiro.

A alimentação era completamente diferente. Mandioca era o principal alimento deles. Da mandioca se fazia a farinha que era misturada ao ovo de tartaruga e depois frita. Cozinhava-se a mandioca e se fazia uma farofa com a carne do animal que caçavam.

Várias noites eu saí para caçar. Se não cassasse, não comia. Estava muito difícil, na época, porque era período de cheia. Sair para caçar sempre era uma comédia. As buscas eram catastróficas e acabava espantando os animais.

Participei de um enterro e foi uma das coisas mais bonitas que eu vi na minha vida. O cemitério era do outro lado da vila, no rio, chega a dar 50 quilômetros de uma margem a outra por conta da cheia. Eles prepararam todo o corpo, colocam em uma plataforma de madeira e só o Pagé ia até o outro lado para devolver o corpo a natureza. 

Qual foi o aprendizado?

Eu tive uma impressão diferente da que geralmente temos. O mundo não sabe que aquilo existe e, se sabe, não entende como realmente é. Isso me deixou bem intrigado. Estava em um lugar que para o resto do Brasil “não existe”. Falta um olhar exemplar nosso em relação a esses povos.

O respeito que eles têm pela natureza é muito grande. Eles retiram da terra só o que eles precisam para se alimentar, nada mais além disso.

A ida ao Amazonas foi um grande divisor de águas na minha vida. Eu encontrei mais sentido para as coisas. Aprendi que o "ter" não significa nada. Aquelas pessoas da tribo, com simplicidade, conseguem fazer com que a vida aconteça da mesma forma. Estando lá, sem nenhum tipo de comunicação, eu pude parar para olhar e refletir coisas que eu nunca tinha visto. Isso foi o mais bonito que trouxe para minha vida e tenho até hoje. Eu tinha um ritmo muito acelerado na minha vida, uma forma de querer as coisas muito rápido, até deixava de observar que as plantas, que os animais e que as pessoas existiam, que o mundo estava acontecendo.

Foi uma experiência para a vida toda, nunca mais vou esquecer o que eu vivi no Amazonas.

1 Comentário

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Vando Modesto comentou:

Realmente as tribos naturais são mais saudáveis, espiritual e fisicamente do que as tribos de concreto.

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