Por Frei Jeâ Paulo Andrade, Ofm. Em Dúvidas Religiosas

Como a vida religiosa consagrada compreende as realidades da vida pós-moderna ao fazer a profissão dos votos?

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A riqueza, a liberdade e os prazeres carnais são as grandes aspirações da vida pós-moderna. Como a vida religiosa consagrada compreende essas realidades ao fazer a profissão dos votos?

 

Vive-se num contexto sócio/cultural muito complexo e difícil de ser compreendido. A cultura do consumo afeta as relações e o modo de ser das pessoas. As pessoas são bombardeadas constantemente por informações que impõem a ideia de que ter ou vestir determinada marca te faz mais feliz. Nesse contexto a provisoriedade das coisas é gritante. O que você tem hoje se torna obsoleto no dia seguinte, exigindo novos esforços para possuir. Nessa “necessária” necessidade de mudança as relações se fragilizam e tornam-se também facilmente descartáveis.

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" ...a vida religiosa consagrada, caminha exatamente contra essa cultura do provisório".

A busca cristã por um projeto de vida definitivo seja matrimonial, ou, no caso que nos interessa aqui, a vida religiosa consagrada, caminha exatamente contra essa cultura do provisório. É loucura aos olhos do mundo o desejo de um jovem de professar, livremente, por toda uma vida, os votos evangélicos de pobreza, obediência e castidade.

Em primeiro lugar o religioso acredita que a vida consagrada é vocação dada por Deus. É Ele quem chama e capacita as pessoas para viver a dinâmica dessa consagração; é uma vida de conversão visando a transformação através da experiência comunitária de vida e missão.

Em segundo lugar, essa disposição é livre, ninguém obriga, e feita dentro da lógica da fé por acreditar que ao abraçar essa forma de vida pode-se viver melhor a boa nova proposta por Cristo e gastar a vida para servir ao próximo.

 

"O religioso é rico porque encontrou uma causa que vale a pena gastar uma vida inteira. É livre para estar em qualquer lugar se solidarizando e construindo e Reino de Deus". 

Por último se faz necessário o cuidado permanente para manter viva a chama do carisma e da consagração.

O Papa Francisco ao falar sobre essa realidade aos jovens é contundente:

“O ser humano aspira a amar e ser amado, definitivamente. A cultura do provisório não aumenta a nossa liberdade, mas nos priva de nosso verdadeiro destino, das metas mais verdadeiras e autênticas. Não deixem roubar o desejo de construir na vossa vida coisas grandes e sólidas! Não se contentem com pequenas metas! Aspirem a felicidade, tenham coragem, a coragem de sair de si mesmo e se lançarem por inteiro no futuro junto a Deus”.

 

Enfim, ao falar da vida religiosa consagrada é preciso re-significar o que o mundo entende por riqueza, liberdade, prazeres, etc. Tudo isso é vivido na sua plenitude como religioso. O religioso é rico porque encontrou uma causa que vale a pena gastar uma vida inteira. É livre para estar em qualquer lugar se solidarizando e construindo e Reino de Deus. Conseguir amar e servir plenamente a Deus, o próximo, os inimigos e os abandonados é o patamar mais alto de felicidade que o cristão poderia almejar.

 

 

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