Por Redação A12 Em Dúvidas Religiosas Atualizada em 04 ABR 2018 - 12H19

O que se entende por “ideologia de gênero?”

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De acordo com alguns médicos e psiquiatras idealizadores da ideologia de gênero, sexo biológico, gênero, orientação sexual, identidade de gênero e expressão de gênero, elementos que formam o comportamento sexual humano, não são opções divididas apenas entre o feminino e o masculino. São gradações e podem ser combinadas, dando origem a inúmeras possibilidades. O conceito de gênero é definido como “um sistema de papéis e relações entre o homem e a mulher, que não é determinado biologicamente, mas depende do contexto social, político e econômico. Assim como a sexualidade biológica é nata, assim o ‘gender’ é um produto resultante da educação”.

Quando a criança nasce não deve ser considerada do sexo masculino ou sexo feminino; depois ela fará esta escolha como processo de construção social. Essa é a chamada Identidade de gênero ou Ideologia de gênero. A identidade de gênero resulta do modo que a criança foi educada, por isso, às vezes é diferente da sexualidade biológica. Um dos objetivos dessa ideologia é eliminar as diferenças sexuais entre o masculino e feminino, que são determinadas por diferenças biológicas entre homem e mulher.

Existem escolas para crianças na Suécia e na Holanda, onde não se pode chamar o aluno de menino ou menina, chama-os apenas de crianças, porque eles devem decidir quando crescerem se serão homens ou mulheres. Uma popular rede social está expandindo a identificação dos usuários para além da dicotomia homem/mulher, ou seja, em vários países como os Estados Unidos e a Argentina, passaram a usar os pronomes adequados para cada identidade de gênero escolhida. Agora existem 56 opções de gênero e não mais as duas opções masculino e feminino.

Existe uma fundamentação científica?

Certos grupos dos movimentos feminista e gay sustentam que as diferenças comportamentais entre meninos e meninas não passam de construções culturais que a sociedade machista lhes impõe. Porém, existem hoje muitas evidências científicas a sugerir que as diferenças comportamentais entre os sexos não são artificiais. Das preferências de meninos e meninas por certos brinquedos e até por cores, tudo parece ter um dedo da biologia, mais especificamente de uma combinação dos genes com a exposição a hormônios durante a gravidez. Não é que não haja espaço para a cultura operar, mas ela não consegue transpor alguns dos limites que a biologia coloca (Cf. Hélio Schwartsmann - Ideologia de gênero. Jornal Folha de são Paulo, 26/06/2015). A ideologia de gênero, portanto, não apresenta nenhuma fundamentação científica e por isto chama-se ideologia.

Leia MaisPor que a Igreja Católica não aceita a pena de morte?Casei, mas não quero ter filhos!Saiba diferença entre cristão e católicoUma associação de pediatras dos Estados Unidos declarou, através de seu site na Internet, que “a ideologia de gênero é nociva às crianças” e que “todos nascemos com um sexo biológico”, sendo os fatos, e não uma ideologia, que determinam a realidade.

A declaração da American College of Pediatricians expõe 8 razões para os “educadores e legisladores rejeitarem todas as políticas que condicionem as crianças a aceitarem” a teoria de gênero (Fonte: American College of Pediatricians - Gender Ideology Harms Children - September 2017).

1. A sexualidade humana é um traço biológico binário objetivo: “XY” e “XX” são marcadores genéticos de saúde, não de um distúrbio.
2. Ninguém nasce com um gênero. Todos nascem com um sexo biológico. Gênero é um conceito sociológico e psicológico, não um conceito biológico objetivo.
3. A crença de uma pessoa, que ele ou ela é algo que não é, trata-se, na melhor das hipóteses, de um sinal de pensamento confuso.
4. A puberdade não é uma doença e hormônios que bloqueiam a puberdade podem ser perigosos.
5. De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-V), cerca de 98% de meninos e 88% de meninas confusas com o próprio gênero aceitam seu sexo biológico depois de passarem naturalmente pela puberdade.
6. Crianças que usam bloqueadores da puberdade para personificar o sexo oposto vão requerer hormônios do outro sexo no fim da adolescência.
7. Taxas de suicídio são vinte vezes maiores entre adultos que usam hormônios do sexo oposto e se submetem à cirurgia de mudança de sexo.
8. Condicionar crianças a acreditar que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável, é abuso infantil.

Em um artigo publicado em 7/03/2017 no site Posición.pe, intitulado “Sobre a ideologia de gênero”, a doutora Pamela Puppo, doutora em biodiversidade, genética e evolução, afirma que, “não aceitar ideologia de gênero não é discriminação, não é ser intolerante nem homofóbico”, mas “é simplesmente biologia”. A especialista ressalta que “isto não é discriminação, é simplesmente biologia”. A doutora sublinhou que, contrariamente aos princípios da ideologia de gênero, “o fato de nascer homem ou mulher não é um fato cultural, é biológico”. “Não me digam que quando uma mulher que está grávida faz o ultrassom para saber o sexo do bebê e pergunta ao seu médico se é menino ou menina ela está sendo homofóbica?” Além disso, a especialista adverte que “a ideologia de gênero não promove a igualdade entre os sexos, a ideologia de gênero promove a assexualização do ser humano”. Entretanto, assinala, “o sentimento não supera a natureza”.

Ao finalizar seu artigo, a dra. Puppo sublinhou que “a igualdade não é conquistada negando as nossas diferenças sexuais, a igualdade é alcançada por meio do respeito das diferenças de cada sexo e o que cada sexo contribui para a sociedade”.

O que nos ensina a doutrina Católica?

O Papa Francisco afirma que “a ideologia de gênero é um erro da mente humana que provoca muita confusão”. “Portanto, a família está sendo atacada.” Em vez de reconhecer que Deus criou as pessoas como homens e mulheres, a ideologia afirma que (o ser homem e o ser mulher) são constructos sociais e que agora nós podemos decidir o que seremos.

A doutrina Católica não pode ficar indiferente diante de uma ideologia que tem como objetivo atacar a família, o matrimônio, a maternidade, a paternidade, a moral na vida sexual e a vida pré-natal. Deus criou o homem e a mulher, as duas sexualidades distintas, mas iguais, instituiu o matrimônio e a família, bem como as leis que regulam a moral. Portanto, os cristãos devem defender a cultura que enfatiza e respeita as diferenças entre homens e mulheres e o valor da família.

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O Papa Francisco afirma ainda que, “Isso é colonização ideológica”, ou seja, “Coloniza-se as pessoas com uma ideia que quer mudar uma mentalidade ou uma estrutura.” Nesta colonização existe o plano para implantar a ideologia de gênero nas escolas através dos “Planos Municipais de Educação”.

Os Bispos católicos do Estado de São Paulo (Regional Sul 1 da CNBB) declaram que, “As consequências da introdução dessa ideologia na prática pedagógica das escolas contradiz frontalmente a configuração antropológica de família, transmitida há milênios em todas as culturas. Isso submeteria as crianças e jovens a um processo de esvaziamento de valores cultivados na família, fundamento insubstituível para a construção da sociedade. Diante dessa grave ameaça aos valores da família, esperamos dos governantes do Legislativo e Executivo uma tomada de posição que garanta para as novas gerações uma escola que promova a família, tal como a entendem a Constituição Federal (artigo 226) e a tradição cristã, que moldou a cultura brasileira.

O Catecismo da Igreja Católica no número 2333 ensina que: “Cabe a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar sua identidade sexual”, este é o ideal cristão e o ensinamento da Igreja.

Temos que considerar também algo importante, o Catecismo também reconhece que existem pessoas com várias tendências sexuais, e que devem ser acolhidas e respeitadas.

Prof. Dr. Pe. Mário Marcelo Coelho, scj
Professor de Teologia Moral da Faculdade Dehoniana – Taubaté (SP)

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