Por Pe. José Luís Queimado, C.Ss.R Em Dúvidas Religiosas

Por que os padres modernos usam cada vez menos as vestes clericais?

É certo que depois do Concílio Vaticano II, muitos clérigos se afastaram de alguns símbolos considerados arcaicos. Mas a dúvida de hoje é: por que os padres modernos usam cada vez menos as vestes clericais no quotidiano?

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Há um cânon no Código de Direito Canônico que legisla a respeito desse tema: “Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e com os legítimos costumes locais”. (Cân. 284). Bem, este ó livro que obriga, exorta e defende legalmente os membros da Igreja Católica, por isso falamos de Lei Eclesiástica Universal. Assim sendo, é obrigatório aos sacerdotes, bispos e cardeais o uso das vestes clericais.

Por outro lado, o secretário da Congregação para os Bispos, Dom Lucas Moreira Neves, fez redigir uma regra aqui no Brasil, em 1987, dizendo que os clérigos deveriam usar um traje “eclesiástico digno e simples, de preferência o ‘clergyman’ ou a ‘batina’”. As palavras de Dom Lucas mostram que o tema é controverso, e que as vestes não são fundamentais na Obra da Evangelização.

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Em 2013, deparamo-nos com a Nova Edição do Diretório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros, que novamente vem insistir na importância de se cumprir a lei conforme se encontra no Direito Canônico, pois “numa sociedade secularizada e de tendência materialista, em que também os sinais externos das realidades sagradas e sobrenaturais tendem a desaparecer, sente-se particularmente a necessidade de que o presbítero – homem de Deus, dispensador dos seus mistérios – seja reconhecível pela comunidade, também pelo hábito que traz, como sinal inequívoco da sua dedicação e da sua identidade de detentor de um ministério público”. (61).

Enfim, a Igreja insiste com os clérigos no uso das vestes clericais decorosas, em todo momento da vida pública. É certo que esse tema gera paixões naqueles que defendem piamente o lado que mais lhe agrada. Os que amam andar por todo lado de batina ou de clergyman vão sempre defender de unhas e dentes essa norma, transformando-a em dogma da Igreja. Por outro lado, aqueles que abominam qualquer tipo de símbolo da Igreja vão se apresentar ao Povo de Deus de forma relaxada e indecorosa, insultando os demais que pensam diferentemente.

Estar no meio, buscando o equilíbrio e se afastando do fanatismo, é o melhor remédio. Sabe-se que hoje ninguém vai obrigar a maioria dos sacerdotes a usar clergyman ou batina, mesmo que voltem punições severas como outrora. Dessa forma, que nós clérigos nos apresentemos, então, com decoro e dignidade ao Povo de Deus, não só nas vestimentas, mas também nas atitudes.

Existe muita gente por aí usando batina e clergyman e sendo arrogante, iracundo, agressivo, emburrado e legalista, quase refundando a religião do Farisaísmo. Por outro lado, há tantos outros que pregam a simplicidade e o despojamento, mas que padecem dos mesmos vícios elencados acima. Portanto, sejamos decorosos e simples, mas de coração manso e humilde como Jesus nos ensinou!

Sim, o sinal é importante. As pessoas saberem que você é padre é um direito que elas têm. O símbolo fala muito na cultura de hoje. E isso também tem o seu lado negativo. Numa sociedade de fetiches, o clérigo com sua “farda” se torna alvo de desejos e paixões delirantes. E seu uso abusivo desses símbolos feito por meninos e jovens que só aprendem a repetir discursos de fundamentalistas também traz preocupações. Por outro lado, aqueles que se perdem no meio da multidão, sem serem reconhecidos, também correm os riscos que o anonimato apresenta. Por isso, com vestes clericais ou sem elas, sejamos fiéis ao que Deus nos entregou: o sacerdócio!

6 Comentários

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Waldir comentou:

O concilio vaticano II, pg 277 Tema: DECRETO PERFECTAE CARITATIS, art. 17 (pg. 291) diz:O hábito religioso, como sinal de consagração, seja simples e modesto, simultâneamente pobre e condigno, e, além disso, consentâneo com as exigências da saúde e acomodado às condições de tempo e lugar e às necessidades do ministério. O hábito, masculino ou feminino, que não estiver de harmonia com estas normas, deve ser mudado.
SER SIMPLES NÃO É DEIXAR DE USAR O HÁBITO. Não usá-lo é DESOBEDIÊNCIA.

Celso comentou:

Eu entendo que é válida a distinção, até mesmo como forma de engrandecer o sacerdote. Vejo padres que mais parecem deputados e autoridades que sacerdotes. Vejo outros que se parecem mais hippies que padres. Acho que a dignidade da atividade passa pela aparência, embora nem sempre o que parece seja de fato ideal. Não adianta andar alinhado e identificado se as atitudes condenam ou demonstram o contrário.

Diácono Benedito Pedro Toledo de Oliveira comentou:

Matérias exelentes para o conhecimento de todos, parabéns!
sugiro que coloquem também noticias e informações sobre o diaconato permanente, para também conhecimento de todos, pois, essa pagina é muito acessada. Deus os abençoe!

Kaique comentou:

Penso que a Igreja deveria não obrigar nem um abito nem outro, mas deveria estimular que os padres e diáconos usassem mais vezes as roupas clericais, pois são muito belas e demonstram o sentido da evangelização na vida consagrada.

Também penso que o diaconato deveria ser mais instimulado, em toda paróquia deveria ter no mínimo 1 diácono para ajudar o presbítero na missão.

Francisco Pereira da Silva comentou:

Uma coisa está claro, depois que os padres deixaram de usar batina aumentou o número de padres tornando-se pais de família, com mulheres e filhos.

Bruno comentou:

O discurso é sempre o mesmo: o que adianta usar batina se a pessoa é uma pessoa má? bla bla bla. O padre tem que usar roupa de padre (batina ou clergyman) e acabou. Chega de padres mundanos que esquecem que a missão é anunciar Jesus e não ser aceito no meio do povo!

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