Por Ir. João Antônio Johas Leão Em Espiritualidade

Como tenho guardado a criação de Deus?

Na quarta-feira de cinzas a Igreja nos disse mais uma vez com muita insistência: 'Lembra-te que eres pó e ao pó voltarás'. O Papa Francisco, na encíclica Laudato Si, também disse: 'Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra'. Esses dois exemplos já são suficientes para ressaltar a intima relação que temos com todo o resto da criação. Porque, se somos também criaturas, nos custa tanto viver em harmonia com as demais coisas? Que tipo de vida precisamos viver para honrar a criação de Deus?

Cuidado com o Meio Ambiente Foto: shutterstock

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A Campanha da Fraternidade desse ano nos remete a esse tema e nos convida a cultivar e guardar a criação. Mas para isso, é preciso entender, em primeiro lugar, o que é que nos afastou e continua afastando de uma reta convivência com a natureza. E para isso é preciso voltar para o começo da Bíblia, no livro do Gênesis, e redescobrir a história da queda de nossos primeiros pais.

Como sabemos, antes do pecado original, homem e mulher viviam em uma quádrupla harmonia. A mais fundamental delas era a harmonia com Deus. O senhor passeava com suas criaturas pelo paraíso, o homem e Deus eram amigos. A outra harmonia é a interior. O homem se conhecia retamente, sabia o sentido de sua vida, conhecia sua condição de criatura, amava retamente quem era. A terceira harmonia é a com os demais. Homem e mulher se compreendiam, se relacionavam pessoalmente sem egoísmos, sem fazer do outro um objeto, se amavam profundamente. A última harmonia é a com a criação. O homem, encarregado por Deus de cuidar da criação, tratava dela com sobriedade, não a destruía, não a utilizava sem finalidade.

O pecado original trouxe uma desarmonia em todas essas quatro dimensões. E, se bem estamos aqui querendo entender como reconciliar a quarta dimensão, é preciso dizer que nunca poderemos cuidar retamente da criação se estamos ainda em inimizade com o Senhor, ou seja, reconciliados desde a primeira dimensão. Porque a reconciliação com Deus é a mais fundamental e é a que organiza todas as outras. Todos podemos, inclusive os que não são cristãos, ter boas atitudes frente a criação, mas sem Deus, é inevitável que voltemos a cair em egoísmos e a mal utilizar os dons que nos são oferecidos pelo Senhor em sua criação.

 

São válidas todas as boas iniciativas que possamos ter em relação a cuidar melhor do meio ambiente, da criação de Deus.

Portanto, são válidas todas as boas iniciativas que possamos ter em relação a cuidar melhor do meio ambiente, da criação de Deus. Podemos nos conscientizar das coisas que estamos fazendo errado, podemos mudar um hábito ou outro (Como o famoso não jogar lixo na rua), mas um católico que queria realmente cuidar daquilo que Deus o confiou, precisa cuidar primeiro de sua amizade com o Senhor. Desde essa amizade cada vez mais profunda e verdadeira, ele será capaz de viver melhor em harmonia consigo mesmo, com os outros e com a criação.

A quaresma é um tempo para conversão. Aproveitemos para que, crescendo na nossa vida espiritual, cresçamos também na nossa capacidade de ver melhor que os sintomas de degradação observados na obra de Deus são reflexo de um coração humano ferido pelo pecado. Assim, com essa consciência, coloquemo-nos com mais confiança nos braços de Deus, para que com Ele cuidemos de sua criação da melhor maneira possível.

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