Por Ir. João Antonio Johas Em Espiritualidade

Pierina Gilli e a comunhão dos santos

Pierina Gilli nasceu no dia 3 de agosto de 1911 e morreu no dia 12 de janeiro de 1991. Durante sua vida, marcada por sofrimentos de diversas índoles, recebeu aparições de Nossa Senhora que pediram, sobretudo, oração, sacrifício e penitência. Ela foi a primeira de nove irmãos de uma família bem pobre. Viveu um tempo em um orfanato, trabalhou como doméstica em alguns lugares e depois como enfermeira em um hospital, durante o período de Guerra. No meio de tudo isso, teve que suportar o adiamento de sua vocação religiosa por conta de sua frágil saúde. Como tudo isso se encaixa com as visões e com a mensagem que Nossa Senhora deu a essa mulher?

Pierina Gilli

São bem impressionantes os relatos das aparições que ela recebeu. Não só de Nossa Senhora, mas também sofreu durante um bom tempo com visões demoníacas e, inclusive, com uma visão do inferno. As anotações de seu diário descrevem com algum detalhe diversas dessas experiências místicas. Por trás de tudo isso, porque ficamos com o jargão oração, sacrifício e penitencia? Talvez possamos resumir o significado dessas experiências com uma delas que é bem significativa.

Estando doente, lhe aparece Nossa Senhora que, com palavras semelhantes lhe diz que Jesus queria leva-la ao céu, mas que ela ficaria ainda até dezembro oferecendo seus sofrimentos pela conversão de uma religiosa. Aqui está um dos pontos centrais da mensagem que Nossa Senhora parece querer enfatizar, a realidade da comunhão dos santos. Quando rezamos o Credo, dizemos que cremos na comunhão dos santos, mas sabemos o que ela realmente significa?

Em poucas palavras, significa que estamos unidos de modo especial a todos aqueles que foram redimidos por Cristo pelo Batismo. De maneira análoga podemos dizer que estamos unidos à todos os homens pelo fato de sermos todos criaturas de Deus, filhos dele. É por essa união íntima que podemos, por um lado, dizer que o pecado é um ato social, ou seja, que por mais íntimo e escondido que um pecado seja cometido, ele afeta negativamente toda a humanidade de alguma forma. O contrário também é verdade, ou seja, todo o bem que é feito, por menor e mais “insignificante” que pareça, contribui de forma verdadeira para o crescimento da cultura de amor que é o Reino de Deus.

Quando Nossa Senhora pede que Pierina sofra pela conversão de alguém, está justamente mostrando que com seus sofrimentos pode contribuir para que uma alma se salve. E uma pessoa espiritual percebe a Graça que é poder contribuir para a salvação do mundo. Por isso Pierina agradece esses sofrimentos. Não porque goste do sofrimento (Em momentos mais difíceis ela inclusive se queixa com Nossa Senhora), mas porque percebe o valor de oferece-los pelos demais de modo muito semelhante ao que fez o próprio Senhor em especial na Cruz.

Pierina foi então uma mística que recebeu a Graça de viver de forma especialmente evidente aquilo a que estamos chamados a viver todos os cristãos. Cada sofrimento que a vida nos apresenta é uma ocasião para unir-nos mais a Jesus e, como Ele, buscar a salvação da própria alma e daqueles que mais necessitam. O sofrimento muitas vezes parece não ter sentido nenhum, mas sempre pode ser oferecido, como o fez Pierina, nessa comunhão dos santos para fazer crescer o amor no mundo.

.: A “lógica da Boa Notícia”

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