Por Redação A12 Em Igreja Atualizada em 14 SET 2017 - 10H10

Educação Inclusiva: Estamos acolhendo ou deixando nos corredores?

Menino com deficiência é deixado em escola enquanto turma vai ao cinema. Não é uma fantasia! É uma notícia real publicada no Jornal “O Globo de 05 de setembro de 2017”. Ele foi deixado no corredor do colégio das 7h às 11h20. Será que foi um fato isolado? Lamentavelmente não! No cotidiano escolar há muitos que ficam à margem das brincadeiras, de atividade extraclasse. Há os que são orientados a não irem ao passeio, pois é melhor não se arriscarem. Há os que ficam nas salas de aula sem nenhuma proposta diferenciada de interação com os colegas. Há aqueles que recebem o convite de ficarem em casa por um tempo depois que passaram mal na escola, ainda que tenha sido por um mal estar corriqueiro que todos têm. Há aqueles que são convidados a irem para outra escola mais adequada às suas necessidades. São tantos os discursos que embaçam as verdadeiras intenções dos que não querem o convívio com o deficiente. O sentimento da rejeição nos habita e ele cresce de forma devastadora se não cuidarmos de nossa sensibilidade. Quando não cuidamos, podemos ficar vulneráveis e motivar atitudes preconceituosas e desumanas com os que estão em situações especiais. O Catecismo da Igreja Católica é claro: “Aqueles que têm uma vida deficiente ou enfraquecida reclamam um respeito especial. As pessoas doentes ou deficientes devem ser amparadas, para que possam levar uma vida tão normal quanto possível (2276)”.

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O deficiente é uma pessoa inteira. Tem integridade. Tem sentimentos. Tem dignidade. A inclusão da pessoa com deficiência está prevista nas leis, mas elas não são suficientes para incluir quando não há predisposição para tal. A rejeição ao deficiente começa na falsa intenção de que em nome do que é “melhor para ele”, estamos na verdade, escolhendo o que é melhor para nossa condição egoísta e mesquinha. Esse não é o exemplo de Jesus! Jesus nos ensinou a acolher a todos estes com afeto, respeito, ternura e muito amor. Ao longo dos Evangelhos são muitos os relatos de encontro de Jesus com os deficientes: cegos, mudos, surdos, paralíticos, coxos, leprosos, entre outros. Com todos Jesus teve gesto de muito amor e por isso disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”. (Jo 10,10).

Sim! As escolas necessitam ser habilitadas para receber os alunos com deficiência. Sim! Todas as escolas deveriam ser adaptadas para que o deficiente se sinta seguro, acolhido e feliz. Sim! É um direito essencialmente humano e legal. Há muitas Leis que fundamentam e amparam a Educação Especial. E nós? Habilitamos nossos sentimentos para recebê-los e para que sintam felizes, seguros e valorizados ao nosso lado?

Sim! Necessitamos cobrar dos que governam. Sim! Necessitamos pressionar as Secretarias de Educação. Sim! Necessitamos mobilizarmo-nos, pois menos de 10% das escolas, de acordo com o senso de 2014, estão adaptadas para receber a pessoa com deficiência; e quando existem adaptações, não atendem todas as necessidades. E nós? Estamos nos seguindo o exemplo Jesus, acolhendo esses irmãos com deficiência? Nosso interior está devidamente transformado pelo Evangelho, livrando-nos de qualquer atitude de rejeição?

Sim! Nem sempre os docentes e os demais profissionais são capacitados para trabalharem com o deficiente. Assim como as mães, os pais, a família, que foram surpreendidos com a chegada do bebê deficiente, ou de alguém, que se tornou deficiente... Também os profissionais da escola são surpreendidos com essa chegada. Mesmo aqueles que têm boa vontade não sabem, muitas vezes, como lidar com estas delicadas situações. E nós? Como Cristãos-Católicos, estamos buscando superar as barreiras que nos impedem de amar, acolher, respeitar e incluir a pessoa com deficiência? Como têm sido, nos lugares de nossa convivência, as nossas atitudes com os deficientes?

Sim! O sistema educacional ainda é excludente apesar dos avanços. Excludente por sua estrutura física não adaptada. E nós, estamos perpetuando nossa condição interior de pessoas que excluem ou a nossa diferença cristã é mais forte? Papa Francisco na Mensagem para o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais nos ensinou: “Muito têm para nos ensinar, a propósito de limitações e comunicação, as famílias com filhos marcados por uma ou mais deficiências. A deficiência motora, sensorial ou intelectual sempre constitui uma tentação a fechar-se; mas pode tornar-se, graças ao amor dos pais, dos irmãos e doutras pessoas amigas, um estímulo para se abrir, compartilhar, comunicar de modo inclusivo; e pode ajudar a escola, a paróquia, as associações a tornarem-se mais acolhedoras para com todos, a não excluírem ninguém.

Que tal exercitarmos a sensibilidade?

Acesse este vídeo da mãe desta criança que foi deixada no corredor da Escola! Ela postou sua dor, espanto e tristeza. Acesse o relato feito no Facebook.

A repercussão foi grande e, graças a ela, estamos aumentando essa corrente de verdadeira inclusão, ainda que tenhamos de, humildemente, responder a sua pergunta: “Como eu posso fazer para ajudar vocês a incluir meu filho, de verdade?”.

* Joana Darc Venancio é mestre em filosofia da educação e coordenadora da Pastoral da Pastoral da Educação da Diocese de Itaguaí (RJ)

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