Por Redação A12 Em Igreja Atualizada em 12 JAN 2018 - 10H50

Entrevista: Dom Helder Câmara recebe título em momento de revogação dos direitos humanos


No final do ano passado um decreto presidencial concedeu a Dom Helder Câmara o título de patrono brasileiro dos direitos humanos.

Para o professor Antonio Carlos Maranhão, diretor do Instituto Dom Helder Câmara e presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, a decisão valoriza a trajetória daquele que é considerado um ícone dos direitos humanos no Brasil e no mundo, mas por outro lado ocorre no momento em que a nação brasileira enfrenta a desvalorização dos direitos humanos, inclusive por decisões políticas que revogam direitos já adquiridos pelo cidadão.

“Da mesma maneira como nós estamos alegres por esse reconhecimento, nós estamos também lembrando que isto está saindo numa hora em que tanto o Executivo quanto o Legislativo não fazem jus à questão da defesa dos direitos humanos, pelo contrário estão se esmerando em liquidar direitos que eram direitos legítimos dos trabalhadores”, afirma Maranhão.

Confira abaixo a entrevista completa com o professor Antônio Carlos Maranhão, que fala ainda como o exemplo de Dom Helder pode inspirar os brasileiros nesse ano de eleições presidenciais e saiba mais sobre o trabalho desenvolvido pela Comissão de Justiça e Paz que foi criada por Dom Helder durante a ditadura militar. Ouça o podcast:

Dom Helder sempre foi um homem da justiça e da verdade, que procurava colocar em prática o Evangelho de Jesus. Para ele, a defesa dos direitos humanos passa pela defesa dos mais pobres e dos que não tem voz.

“Ninguém melhor do que Dom Helder para simbolizar a luta pelos direitos humanos no Brasil e no mundo. Então, ele se alia a grandes nomes que também foram contemporâneos dele como Martin Luther King, como Nelson Mandela. Desse ponto de vista, a lei é um reconhecimento à personalidade sempre forte de Dom Helder Câmara na luta pelos direitos humanos”, completa o professor.

Dom Helder foi um dos grandes articuladores da CNBB no Brasil, idealizador da fundação do CELAM, planejador da Campanha da Fraternidade e do Banco da Providência, e o único brasileiro indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz.

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