Por Vinícius Paula Figueira Em Igreja

Mais vaidade que Matrimônio


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Passam-se dias e tempos, e cada vez fica mais notório os espetáculos de purpurinas e franjas que compõem e ofuscam a beleza do sacramento do matrimônio. É triste constatar que para muitos casais, a liturgia matrimonial assume mero aspecto “comercial”; o “religioso” é só formalidade. Procissões foram substituídas por desfiles de moda; entradas que servem de pretextos apenas para poses fotográficas; cantos, que deixam de acompanhar o rito, para virar pré-show’s. Pior: o oficiante da cerimônia, às vezes, torna-se refém de um esquema circense.

Detalhe curioso: qualquer aconselhamento ao casal, se torna uma espécie de desgaste, pelo simples fato de compreenderem que “é um momento único na vida” e devem dar azo aos seus caprichos e desejos, muitas vezes, do tempo de criança. Não obstante, no contexto da celebração do sacramento do matrimônio, os noivos serem os verdadeiros ministros, eles não são os donos da liturgia. A liturgia pertence a Igreja, e está voltada e centrada na ação do Sagrado.

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Leia MaisÉ possível anular o casamento na Igreja Católica?É insustentável e lamentável assistirmos verdadeiras “liturgias” matrimoniais deixando de cumprir sua função e dando espaço a prazeres diligentes que certas circunstâncias chega às raias do absurdo, como, por exemplo, cães entrando com as alianças, carrocinhas transportando a Bíblia, músicas populares dando espaço a música religiosa-litúrgica. Por vezes, tem-se a sensação de que o sacramento do matrimônio reduz-se às performances teatrais. Será a expressão cabal da canção do Padre Zezinho: “Amor virou consórcio, compromisso de ninguém”?! É preciso que a Igreja reassuma as rédeas da Liturgia. Não podemos permitir que essa realidade se torne uma prática “normal” em nossas comunidades, nem tampouco, que a casa de Deus se torne lugar de profanações dos sacramentos.

Urge a necessidade de uma conscientização mais exigente, comprometida e formalizada que possibilite aos noivos católicos entrarem no real sentido e mistagogia do sacramento. Consciência essa que deve ser iniciada no interior das famílias, na catequese e no curso de formação pra noivos, etc. A tarefa é árdua. Não podemos permitir que o Sacramento do matrimônio se transforme em pretexto para vaidades, exibicionismo pueris e ostentação. Não podemos permitir que a liturgia seja tratada com desprezo em relação à festança que segue para os convidados (muitos sequer ousam pôr os pés na igreja). Casar é um momento único, tão único, que não pode suportar absurdos.

Escrito por
Vinicius Figueira - Colunista (Arquivo Pessoal)
Vinícius Paula Figueira

Jovem de 23 anos, crítico, apaixonado por escrever, a ponto de escolher e se graduar em comunicação social pela Rede Kroton. Moro em Iconha, Espírito Santo, onde atuo como Coordenador Paroquial da Comunicação (PASCOM), e trabalho com Publicidade e Propaganda.

12 Comentários

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Daiane comentou:

Verdade. As pessoas se preocupam em fazer espetáculos para os outros e esquecem que o mais importante não são os luxos nem festas e sim a bênção de Deus para nossas vidas para nosso matrimônio.

Danilo Pereira de Souza Silva comentou:

Parabéns Vinícius. Bom texto, que expressa toda uma crise que vivemos na Igreja, refletida especialmente na desvalorização dos sacramentos. Suas colocações estão em plena sintonia com as conclusões do recente Sínodo sobre a família.
Rezemos por mais comprometimento e atenção ao compromisso do chamamento a Cristo e a sua Igreja. Mais comprometimento e menos "shows".

Angélica Santos comentou:

Casei a quase 27 anos atrás. Optamos por não fazer recepção, pois o mais importante p nós era a celebração do nosso matrimônio. Nosso casamento foi realizado com a celebração da Missa. Deus nos abençoou! Mesmo nos momentos difíceis continuamos sendo abençoados!

Antonio Guilherme comentou:

Concordo plenente com todo texto mesmo nao sendo religioso, mas respeito muito a liturgia de todas as religioes. Bjs

Pe. Zezo comentou:

Concordo plenamente com a reflexao acima.

marilene Souza comentou:

Falou tudo padre Fábiode melo

Verá Lúcia de Andrade Destro comentou:

Os Sagrados laços do Matrimônio se tornou um lastimável laços de um extinto SACRAMENTO onde exibisionismo impera.No lugar do sagrado se ve o insano!..

Brígida comentou:

Colocação perfeita; inclusive no alerta às dioceses! Parabéns!

Adriana comentou:

Realmente, percebemos que cria-se até uma competição de quem vai realizar a cerimônia mais "top". Lamentável...

Marcos Evangellsta Mongin comentou:

Excelente artigo e é a realidade do momento,infelizmente.

m clarete geroto comentou:

Mas que as regras sejam para todos, não apenas para casais anônimos, principalmente para as celebridades e quem tem dinheiro.

Carmen Silvia comentou:

Concordo plenamente com o texto, estão deixando de lado os valores do sacramento, outro dia em uma missa de encerramento de curso de noivos o padre em minha paróquia falou assim não devemos convidar pessoas para apenas aparecer nas fotos,comer ou criticar,mas pessoas que rezam por você e rezam com você que o sacramento do matrimônio deve ser respeitado e vívido.

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