Por Polyana Gonzaga Em Igreja

Papa João XXIII e Papa Francisco: Atuantes na luta por uma nova ordem mundial

Temos visto recentemente muitas notícias e fatos da presença da Igreja, na pessoa do Santo Padre o Papa Francisco, na discussão de uma nova ordem mundial, no aspecto social, de boas relações econômicas e políticas por melhor acolhimento aos pobres e menos favorecidos da sociedade.

Neste mês de setembro o Papa Francisco em visita à America central, especificamente Cuba, e os Estados Unidos, vem materializando seus esforços em promover uma aproximação entre os países, que desde os tempos de guerra fria vivem um embargo de relações políticas e econômicas. De origem latino-americana, o Papa Bergollio tem sido fiel defensor de uma Igreja menos burocrática e mais acolhedora, o que justifica muitas de suas ações dentro do próprio governo da Igreja, no combate à corrupção financeira, nos escândalos sexuais envolvendo clérigos, no cuidado com as questões matrimoniais e no acolhimento a pobres, refugiados de guerras e conflitos em diversas localidades.

Este novo momento da Igreja reflete em muito o olhar daquele que conduz a “Barca de Pedro”, pois, atende-se o chamado ao qual o Senhor lhe fez diante de tantos para conduzir a Igreja de Cristo após a Renúncia do Papa Bento XVI em Março de 2013.

Se nos atermos à História da Igreja recente, no século XX, teremos a oportunidade de tão próximo do nosso tempo vislumbrar uma visão tal como a de Francisco, do Papa de Saudosa Memória, São João XXIII.

 

discurso da lua

 

O Papa João XXIII no seu tempo, com sua experiência pastoral como Núncio Apostólico a frente de localidades como a Turquia e a Bulgária, Localidades assoladas pelo mal do Nazismo que determinava na Europa uma instabilidade política e um antissemitismo absurdo, durantes os conflitos da 2ª Guerra mundial, pôde entender que o Papel do Papa acima do governo da Igreja, era olhar por todos os homens. Durante seu pontificado muitas foram as suas ações pelo entendimento das nações que viviam o conflito silencioso e devastador da Guerra fria.

O papa João XXIII condenou em vários momentos a corrida armamentista nucelar, gerando uma admiração surpreendente dos russos. João XXIII percebia a necessidade de abrir a Igreja ao novo momento e o Mundo que a ela cabia pastorear.

Na noite de abertura do Concílio Vaticano II, 11 de outubro de 1962, o Papa saiu na sacada do palácio apostólico diante de uma multidão que rezava pela Igreja reunida em Concílio e diante de uma linda lua cheia realizou um dos mais belos discursos da História da Igreja:

Meus queridos filhinhos: estou ouvindo as vossas vozes. A minha é só uma voz, mas reúne todas as vozes do mundo; e aqui, de facto, o mundo está representado. Poderíamos dizer que até a Lua está com pressa esta noite... Observem-a, là no alto, está olhando para este espetáculo ... Nós fechamos um grande dia de paz... Sim, de paz: Glória a Deus nas alturas, e paz aos homens de boa vontade. (...) Minha pessoa vale nada: é um irmão que fala para vocês, um irmão que virou pai por vontade de Nosso Senhor... Vamos continuar a querer bem um ao outro;(...) Voltando para casa, encontrarão as crianças. Dêem a elas uma carícia e digam: “Esta é a carícia do Papa”. Talvez as encontreis com alguma lágrima por enxugar. Tende uma palavra de consolo para aqueles que sofrem. Saibam os aflitos que o Papa está com os seus filhos, sobretudo nas horas de tristeza e de amargura. E depois todos juntos vamos amar-nos uns aos outros: cantando, suspirando, chorando, mas sempre cheio de confiança em Cristo que nos ajuda e nos escuta, continuando a prosseguir o nosso caminho. Adeus, filhinhos. À benção junto o desejo de uma boa noite.

O Papa João XXIII na sua ação Pastoral sentia de fato a humanidade que deveria pulsar no coração daquele que conduziria este rebanho. Estas palavras de João XXIII ainda nos inspiram crer que de fato a Igreja é Mãe e Mestra de uma sociedade e de uma ordem mundial que mesmo assolada pelos diversos conflitos pode olhar por aqueles que sofrem.

 

Papa Francisco

Curiosamente o Papa Francisco em nosso tempo tem vivido em seu pontificado momentos de efetivo envolvimento nestas questões sociais que rodeiam a Igreja. Quando em 1962 o Papa João pede que abracemos nossas crianças e digamos: “Este é um carinho do Papa!”, em 2013 no mesmo balcão, paramentado de forma mais simples, o recém eleito Francisco inclina-se para receber de seu povo uma benção que confortaria seu coração confuso pela missão por ele acolhido. Dentre essas ações destacamos a celebração pela Paz realizada nos jardins do Vaticano com a Presença dos chefes dos estados de Israel e da Palestina. Na busca do entendimento de uma região que tornou-se palco de uma disputa territorial e política que tem custado a vida de muitos inocentes.

Curiosamente veio a tona uma declaração do então primeiro ministro de Cuba, Fidel Castro em 1973, tratado por muitos como a profecia de um momento de profícua aproximação de Cuba e Estados Unidos. A declaração diz: “Os EUA só voltarão a dialogar conosco quanto tiverem um presidente negro e quando o mundo tiver um papa latino-americano”.

Diante de todos esses esforços por parte dos papas do Passado e da Atualidade, podemos apenas elevar a Deus uma prece para que esta presença de Francisco na América confirme ainda mais esta profecia de Fidel, tendo em vista resultar na busca de uma nova ordem mundial que se fundamente não em valores capitalistas e superficialidades mas na essência cristã e na Caridade.

Cristiano Luiz da Costa & Silva assinatura colunista

 

Escrito por
Assinatura pequena Cristiano da Costa Colunista.png
Cristiano Luiz da Costa & Silva

Cristiano Luiz da Costa & Silva

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0
Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Polyana Gonzaga, em Igreja

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.