Por Elisangela Cavalheiro Em Igreja

Presépio: Uma saudável tradição cristã

Representar presépios é um costume que começou há muito tempo na história. Revestido de um significado profundo, que remete ao projeto de Deus para humanidade por meio do seu Filho Jesus, o presépio como uma saudável Tradição Cristã deve levar os fiéis a uma experiência do amor de Deus, do desapego, da fraternidade e da paz.   

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Para o papa emérito Bento XVI, a árvore e o presépio são elementos do "patrimônio espiritual cristão" que se contrapõem ao "consumismo e busca de bens materiais" na sociedade atual, e "o Natal é uma festa cristã e os seus símbolos constituem uma importante referência para o grande mistério da Encarnação e do Nascimento de Jesus". 

Para resgatar a história do presépio e ajudar a compreender o mistério cristão representado nesse costume milenar o Portal A12.com trouxe novamente uma entrevista especial com o historiador, Irmão José Mauro Maciel, C.Ss.R. Confira. 

A12 – Como e quando surgiu o costume de representar presépios?

Irmão Maciel – As formas de representação em desenhos ou pinturas, com as cenas do presépio, surgiram no século IV, no Oriente Médio. Naquela época, a Sagrada Família (Lc 2, 16), o jumento e o boi (Is 1, 3) eram os personagens e figuras principais. Segundo a Bíblia, estes são animais do jugo (canga) e precisam ser domados para servir aos humanos. De forma semelhante, as pessoas necessitam de disciplina e educação para servir a Deus e ao próximo. Assim, nós os cristãos, estamos sob o jugo do Evangelho de Jesus (Mt 11, 30). 

Ainda no final deste século IV, aparecem as representações com os “magos” trajados de reis, que visitaram o Menino Deus, adoraram-no, homenagearam-no e ofereceram-no ouro (eternidade), incenso (divindade) e mirra (morte), de acordo com o Evangelho escrito por São Mateus (Mt 2, 11). 

Portanto, o Deus Encarnado, na sua humanidade haveria de morrer, mas, permanecendo divino e eterno. Posteriormente, acrescentaram as figuras do anjo e dos pastores (Lc 2, 9) e também a “estrela do Oriente” (Mt 2, 2). 

No século XII, aparecem o pastor com a “gaita de fole”, outros animais (ovelhas, o galo e outros). A partir do século XVI, os presépios se tornaram mais domésticos e artísticos, dependendo das criatividades e posses de seus pretendentes. Sobretudo na Itália e em Portugal.

A12 – Qual o papel de São Francisco de Assis na história do Presépio?

Irmão Maciel – Em 1223, São Francisco de Assis (1182-1226) tornou-se famoso, pois, ao invés dele Festejar o Natal na igreja local, segundo o costume, montou um Presépio na floresta de Greccio, arrumando um cenário próprio, com diversos animais, no intuito de melhor explicar o Mistério da Encarnação de Cristo ao povo. Ele inovou a maneira de se montar o cenário do Nascimento do Senhor. 

A12 – Qual o seu significado?

Irmão Maciel – O significado do Presépio é muito profundo. É a tentativa de mostrar como o Filho de Deus se Encarnou na Humanidade e na realidade dos humanos. 

O cenário de um Presépio deve nos convencer de que Deus abriu mão do uso de seu poder e divindade, e veio morar entre os humanos, para ensinar as pessoas todo o bem necessário para ser feliz. 

O presépio nos mostra que o desapego é necessário para a conscientização daquilo que é de mais precioso e sagrado: a vida! Ela é dom Deus e a missão dos humanos é experienciá-la na justiça, na fraternidade e na paz. 

Uma comunhão de vida, entre irmãos, e com os recursos humanos e naturais que Deus nos oferece abundantemente. A fraternidade universal: direito e dever de todos nós!  

A12 – Existe um período correto para montar e desmontar os Presépios?

Irmão Maciel – Existe um período certo para montar e desmontar os Presépios. Inclusive, com os devidos e respeitosos cuidados com as sagradas imagens (Sagrada Família, anjo e santos reis). A montagem do Presépio segue o Ciclo Litúrgico Católico. 

No Brasil, desde o século XVIII, a Igreja orientava aos fiéis para montar o Presépio no dia 15 de dezembro (primeiro dia do Tríduo de Nossa Senhora da Expectação do Parto, com Festa dia 18) e desmontá-lo, no dia seguinte à Epifania (Festa de Reis, 06 de janeiro). 

Atualmente, costuma-se montá-los para o primeiro domingo do Advento (o primeiro domingo do advento será dia 02 de dezembro) ou no dia 15, quando se inicia a Novena do Natal nas Famílias e/ou Comunidades, deixando a manjedoura vazia até o final da Missa da Vigília (do Galo), na noite do dia 24 de dezembro, quando se deve colocar a imagem do Menino Deus na manjedoura. 

O Presépio deve ser desmontado na segunda-feira, após o domingo (entre 2 e 8 de janeiro) da Epifania. Portanto, a permanência do Presépio segue a orientação Litúrgica Católica, no Ciclo do Natal, tanto para as Orações Domésticas, quanto ao Culto Público nas igrejas e praças.  

1 Comentário

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nelzo della coletta comentou:

Excelente essa entrevista do estimado Irmão Maciel. Deveria estar publicada na Revista de Aparecida. Além da arte sobre o Presépio, traz uma maravilhosa catequese. Feliz Natal.

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Por Elisangela Cavalheiro, em Igreja

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