Por Pe. Leo Pessini Em Mundo

Aspectos sobre princípios das técnicas de edição do genoma humano

Estamos apresentando os princípios éticos gerais a serem respeitados pela intervenção tecnológica de edição do genoma humano. No artigo anterior introduzimos os ter primeiros a saber: o princípio do bem estar, da transparência e do cuidado devido. Seguimos com o princípio da ciência responsável, que procura sustentar os standards mais altos da pesquisa, desde a banca do laboratório até o leito do doente, em sintonia Com as normas profissionais e internacionais. As responsabilidades que decorrem deste princípio incluem um compromisso com: alta qualidade de análise e do protocolo de pesquisa; revisão adequado e avaliação dos protocolos e resultados da pesquisa; transparência, e, correção da análise e dos dados falsos ou enganosos.

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Leia MaisA descoberta de uma “tesoura molecular” poderosa - O crispr-Cas9Crispr-Cas9: "Inquietações éticas"Entusiasmo cientifico e inquietações éticas sobre o Crispr-Cas9Uma descoberta revolucionaria na área genética - O Crispr-Cas9O princípio do respeito pelas pessoas. Este princípio exige o reconhecimento da dignidade pessoal de todas as pessoas, reconhecimento da centralidade da escolha da pessoa, e respeito pelas decisões individuais. Todas as pessoas têm igual valor moral, independentemente de suas qualidades genéticas. As responsabilidades que decorrem deste princípio incluem: o compromisso com o valor igual de todas as pessoas; respeito e promoção do protagonismo pessoal no processo de decidir; um compromisso para prevenir a recorrência de formas abusivas de eugenia praticadas no passado e um compromisso em eliminar os estigmas e preconceitos ligados com a deficiência.

O Princípio da equidade. Este princípio exige que casos iguais sejam tratados igualmente e que os riscos e benefícios sejam equitativamente distribuídos (justiça distributiva). As responsabilidades que decorrem deste princípio incluem: distribuição equitativa dos ônus e benefícios da pesquisa, e; acesso amplo e equitativo aos benefícios resultantes das aplicações clinicas da edição do genoma humano.

O princípio da cooperação internacional: Este princípio apoia o compromisso de abordagens colaborativas em pesquisa e governança que respeite os diferentes contextos culturais. As responsabilidades decorrentes deste princípio incluem: o respeito pelas políticas públicas nacionais; coordenação de procedimentos e standards regulatórios onde seja possível; colaboração transnacional e partilha de dados entre diferentes comunidades científicas e autoridades responsáveis pela regulação.

O surgimento desta “tesoura molecular” (Crispr-Cas9) provocou um aumento de pesquisa nas novas aplicações biomédicas para o tratamento e prevenção de doenças. Juntamente com tal desdobramento, esta nova onda de tecnologia de edição de genes trouxe consigo também uma série de novas questões éticas claramente mais articuladas.

Fonte: NATIONAL ACADEMY OF SCIENCES & NATIONAL ACADEMY OF MEDICINE. Human Genome Editing: Science, Ethics and Governance, p. 139-149, Washington D.C, 2017).

Escrito por
Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal
Pe. Leo Pessini

Professor, Pós doutorado em Bioética no Instituto de Bioética James Drane, da Universidade de Edinboro, Pensilvânia, USA, 2013-2014. Conferencista internacional com inúmeras obras publicadas no Brasil e no exterior. É religioso camiliano e atual Superior Geral dos Camilianos.

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