Por Redentoristas Em Notícias Atualizada em 16 JUL 2018 - 13H08

A religiosa que evangelizou as mulheres prostituídas

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Quando Padre Serra convidou Antonia Maria para trabalhar com as mulheres prostituídas ela não sentia que essa seria sua missão. Ele que era seu “orientador espiritual” já via nela os dons necessários para essa missão.

“Ela tinha muitos conhecimentos e dizia que poderia ajudar com dinheiro, mas que ela não queria trabalhar com essas mulheres. Padre Serra pediu que ela rezasse nessa intenção”, conta irmã Idolina Poleze que é religiosa há 48 anos na congregação que Antonia fundou anos mais tarde com Padre Serra, as Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor.

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Antonia foi uma mulher terna e firme, de cultura ampla e profunda orientação religiosa, bastante instruída tanto em religião como em ciências, história, geografia, pintura, música, e dominava cinco idiomas. Foi educadora de três princesas da Corte Espanhola.

Ela teve que vivenciar um processo de conversão para se abrir a um grande desafio emergente em sua época na Espanha: a situação de muitas mulheres que ingressavam na prostituição neste período de Revolução Industrial.

Depois de momentos de profunda reflexão, Antonia decidiu ir às ruas, às praças e ao Hospital São João de Deus, para conhecer a realidade daquelas mulheres em situação de prostituição descritas por Padre Serra. "Saindo da Catedral de Santo Isidro, ela foi se encontrar com Padre Serra e visitar as prostitutas nas ruas. Ela ficou sensibilizada e começou com ele um trabalho de acolhida das mulheres", lembra Irmã Idolina. 

Ao ver o rosto desfigurado de tantas mulheres, ela vai descobrindo neles a imagem do próprio Redentor e o chamado que havia nascido na juventude ressurge com mais intensidade. Com o tempo vai se consolidando e crescendo até que em fevereiro de 1870 veste o hábito da nova família religiosa. Escolhe o nome de Antonia Maria da Misericórdia, expressão do carisma nascente que a leva a expressar diante da realidade das mulheres: “Quero que vejam nelas a imagem do Redentor”. Antonia estava com 47 anos.

Madre Antonia percorreu 34 anos de sua vida ao lado da mulher em situação de prostituição, um caminho que ela entendia de libertação e humanização, e sente-se tão identificada com seu chamado que expressa: “Estou feliz, tão segura que Deus me chamou para este trabalho, tão tranquila em minha vocação, que meu único desejo é ser fiel”.

Madre Antonia morreu no dia 28 de fevereiro de 1898, em Ciempozuelos, Madri, depois de ter sido uma presença misericordiosa para muitas mulheres que se abriram à esperança e a um novo caminho. 

Leia Mais Adoção Tardia: Quando o vazio é preenchido Qual a forma correta de fazer o Sinal da Cruz?Anjos na Terra | De jovem da periferia a educadora: conheça a trajetória de Marilda"Madre Antonia deseja ajudar a mulher a descobrir a sua dignidade mesmo sendo prostituta, a descobrir que dentro dela existe este outro lado da mulher, que a gente costuma falar mulher com letra maiúscula, que vai em busca de outros objetivos e outra maneira de sobreviver sem ser dessa forma. Mas se essa mulher não tiver outro meio de sobreviver, que mesmo na prostituição ela saiba se valorizar", é a lição que irmã Idolina guardou de sua fundadora e busca levar para sua missão junto a essas mulheres. 

A Igreja reconheceu Madre Antonia como venerável no dia 7 de julho de 1962 e continua a confiar nela como intercessora. 


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