Conheça a C.Ss.R. Pe. Eugênio Bisinoto

17. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Postado em 02/03/12 ás 15h45

Entre os muitos títulos marianos, nós, brasileiros, conhecemos um especial: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. É uma das invocações mais difundidas no mundo atual.

No Brasil, a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é muito popular. As novenas perpétuas são bastante concorridas e participadas onde são celebradas. D. Aloísio Cardeal Lorscheider, Arcebispo Emérito de Aparecida, SP, afirma: “A devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está muito espalhada no Brasil.

Deve-se isso, em grande parte, à ação dos Missionários Redentoristas. As quartas-feiras, dedicadas a um culto especial, a esta devoção, são muito conhecidas em nosso País. São tantas as famílias que, felizmente, vêm à Mãe do Céu, sob o título de Perpétuo Socorro, confiar-se nas mãos d’Aquela que tão bem cuidou de Jesus”.

Com a chegada dos Missionários redentoristas em 1893, no Brasil, o culto a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro expandiu-se rapidamente por todas as regiões brasileiras. O carro-chefe desta propagação foram as novenas perpétuas. A difusão de cópias também contribui bastante. Em certos lugares é comum encontrar a tal imagem na sala de visita ou na sala da frente da casa das famílias.

Quadro mariano

O quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é um ícone antigo que representa a Virgem da Paixão como o Menino Jesus nos braços. Essa imagem mariana foi pintada para animar a esperança e a oração dos cristãos. Sua profunda mensagem espiritual transparece em sua beleza artística.
O quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro constitui uma pintura bizantina, uma das “Virgens da Paixão”, que destacam o significado da paixão de Jesus e da intercessão da Mãe de Deus em favor da humanidade. É muito mais que a lembrança de uma pessoa ou de um fato transcorrido. Recorda-nos as pessoas de Cristo e de Maria no mistério da redenção.
O quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma pintura em madeira, com 54 centímetros de altura por 41,5 de largura. Atualmente, o quadro original encontra-se na Igreja de Santo Afonso, em Roma. É considerado um ícone mariano com rico simbolismo de formas e cores.

O que é um ícone mariano?

O quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro constitui um admirável ícone oriental. É chamado “mariano” por representar a Mãe de Jesus.

O ícone constitui um termo de origem grega (“eikón”), que significa imagem, pintura ou quadro. Trata-se de uma pintura sagrada, feita em madeira, segundo técnicas e tradições seculares. Os ícones podem representar Jesus Cristo, a Virgem Maria, os Anjos ou os Santos. Obedecem a normas bem precisas sob o ponto de vista artístico e teológico.

O ícone tem como fundamento a encarnação do Verbo de Deus. A encarnação é o mistério cristão básico no qual a Igreja reconhece que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se fez homem no seio da Virgem Santíssima por obra do Espírito Santo (Mt 1,18-25;Lc 1,26-38). Encarnando-se, o Filho de Deus tornou-se visível (Jo 1,1-17;6,1-6). O ícone procura representar esse Deus divino e humano.

O ícone é uma espécie de sacramental, um sinal da graça, um auxílio para a vida espiritual dos cristãos. Assim como Jesus Cristo, Aquele que assume a história humana e torna-se a revelação concreta da Palavra de Deus, é a imagem de Deus invisível (Cl 1,15;Heb 1,3), o ícone é a imagem artística e religiosa do Transcendente e Invisível, levando à oração e à meditação aqueles que o contemplam.

Idade do quadro

Os estudiosos pesquisaram a origem do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e levantaram três hipóteses possíveis. Uma parte dos estudiosos defende a idéia de que o quadro veio de Constantinopla, no século X, quando os monges de São Basílio vieram reevangelizar a ilha de Creta, que é pequena ilha do Mar Egeu, ao sul da Grécia.

Outra parte afirma que o quadro foi pintado na própria ilha de Creta. Teria sido composto no século X ou XI, época de grande produção de ícones como meio de evangelização, depois dos bizantinos apoderaram da ilha e após mais de um século em domínio dos muçulmanos.

Existem também estudiosos que falam que o quadro foi pintado na ilha de Creta, no século XIV ou início do século XV, em momento de grande esplendor artístico, e num período em que esse lugar, desde 1204, estava sob o domínio dos Venezianos. Para reanimar a fé cristã, serviram-se igualmente da pregação e dos ícones. Houve uma grande produção e divulgação dos ícones, dando origem ao estilo artístico vêneto-cretense.

Quem pintou o quadro?

O pintor do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é desconhecido por nós. Não existe nenhuma assinatura do autor na pintura deste ícone mariano.

Em boa parte, os pintores de ícones são anônimos. Sabemos pouco sobre os pintores da obra iconográfica. Entre os poucos artistas conhecidos que pintaram ícones da Virgem da Paixão, os historiadores da arte sacra destacam André Rizo de Candia (1422-1499), da escola cretense.

De acordo com vários estudiosos, o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro pertence à escola cretense. Pelos estudos atuais, ainda não podemos estabelecer com exatidão a data de sua confecção. Todavia, podemos afirmar, com bastante probabilidade, que seu autor era um monge de Creta ou de regiões vizinhas.

Na história da arte sagrada da Igreja, os iconógrafos, que eram aqueles que pintavam os ícones, ocuparam um lugar especial. Eram artistas piedosos, homens que estavam ligados à vida de fé e à tradição religiosa da comunidade cristã. Sempre compunham suas obras num clima de penitência e oração. O iconógrafo pintava o que era fruto da vida espiritual da comunidade.

Iconógrafos

Os iconógrafos, monges em geral, meditavam as verdades da fé e procuravam representar, em suas pinturas, o resultado de sua experiência religiosa. Deste modo, eles compartilhavam sua inspiração cristã com a comunidade eclesial.

Dentro desta situação iconográfica, o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro deve ser concebido como fruto da oração. Trata-se de um ícone para ser meditado. Quando os devotos se colocam em atitude de oração diante dele, podem aprofundar o mistério e a verdade de fé que o quadro representa e descobrir melhor o seu valor espiritual. O seu autor o idealizou para ser contemplado e ajudar na meditação de todos aqueles que se aproximam deste ícone mariano.

Virgem da Paixão

Dentro da classificação dos grupos temáticos dos ícones, o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é caracterizado pelos estudiosos da arte sacra como Virgem da Paixão. Isso porque toda a sua composição e a sua mensagem exprimem a paixão de Jesus, o Redentor do homem. Nesta imagem observam-se os arcanjos com instrumentos da paixão, a agonia do Senhor, a postura defensiva do Menino e os rostos cobertos de tristeza e dor.

Comparando com os outros ícones da Virgem da Paixão, podemos depreender que o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro apresenta elementos iconográficos próprios: as estrelas na fonte e não nos ombros; e a cor das roupas. Mesmo considerando esses aspectos típicos do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, quais os traços comuns e fundamentais das diversas imagens da Virgem da Paixão?

Instrumentos da paixão de Jesus

Os ícones da Virgem da Paixão costumam representar Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços e anjos de cada lado segurando os instrumentos da paixão de Jesus. Na cultura brasileira tal título assemelha-se ao de “Virgem das Dores” ou “Nossa Senhora das Dores”.

Nos ícones da Virgem da Paixão, é característica a presença dos instrumentos da paixão de Cristo, levados por anjos ou arcanjos, com uma inscrição latina ou grega na parte superior das figuras. Esse tipo de ícone retrata o movimento do Menino que vê os instrumentos da paixão, se assusta com eles, busca refúgio nas mãos ou nos braços da Mãe e deixa ver a planta de um dos pés.

O Menino move bruscamente a perna ou deixa desprender uma sandália, que, por sua vez, fica presa por um só de seus cordões. A Mãe, que acolhe o Menino com ternura e compaixão, olha para frente como se estivesse contemplando os sofrimentos de seu divino Filho.

Centralidade de Jesus Cristo

As imagens antigas da Virgem da Paixão são muito raras em comparação com os outros ícones. As que são atualmente conhecidas, que apresentam certa antigüidade, são cerca de cem imagens. De acordo com estudos feitos, este tipo de ícone mariano originou-se na ilha de Creta e nas regiões vizinhas e espalhou-se, sobretudo, a partir do século XIV. No Ocidente esta imagem difundiu-se muito em Veneza, na Itália.

O ícone da Virgem da Paixão salienta a centralidade salvífica da paixão de Cristo e também a bondade da Mãe de Deus, sempre pronta a atender as necessidades daqueles que a veneram.

Síntese mariológica

O quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro traz belíssima e encantadora síntese mariológica em imagem. A Virgem Maria aparece como Mãe do Redentor, d’Aquele que ela acolhe nos braços, protege e acompanha ao longo da vida; e indica aos devotos o Cristo, rodeado dos instrumentos da sua paixão e morte, logo quando criança. Ela é também a mãe dos redimidos, daqueles que seguem o caminho de Jesus.

O quadro recebeu um titulo popular: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Nele a Mãe de Deus aparece olhando, com ternura e compaixão, para seus devotos, pronta para socorrê-los e ampará-los em qualquer momento. Em 1896, Charles de Foucauld já dizia: “Este título fica tão bem à Santíssima Virgem! Nós, seres humanos fracos e vacilantes, precisamos tanto de sua constante ajuda”.

Conheça também a categoria dedicada a devoção dos Redentoristas à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: http://www.a12.com/redentoristas/conheca/nossa_senhora_do_perpetuo_socorro.asp 

 

16. Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Postado em 10/02/12 ás 14h49

No Brasil, o título mariano mais conhecido é Nossa Senhora da Conceição Aparecida, cuja Imagem original mede 36 centímetros e pesa, aproximadamente, dois quilos e meio. Atualmente, encontra-se no Santuário Nacional, em Aparecida, SP.

Feita de terracota, um barro tipicamente paulista, a Imagem era policromada, de várias cores. Sua negritude se deve, primeiramente, à fumaça das velas queimadas em seu louvor, e, depois, à permanência dela, durante muito tempo, no fundo lodoso do rio Paraíba do Sul.

Em outubro de 1717, a Imagem foi encontrada por João Alves, Domingos Garcia e Felipe Pedroso, no rio Paraíba do Sul. Acharam primeiro o corpo e, depois, a cabeça da Imagem. Após esse encontro, os três humildes e benditos pescadores foram recompensados com uma prodigiosa pescaria. O povo deu a Imagem o nome de Aparecida para indicar as circunstâncias misteriosas de seu encontro.

Culto mariano

Filipe Pedroso levou a Imagem para sua casa. Ele mesmo, juntando a cabeça ao corpo, colou a Imagem com cera preta. Depois colocou-a num pequeno altar, em sua casa. Sua família e vizinhos iniciaram o culto familiar diante da Imagem. Todos os sábados os primeiros devotos se reuniam para rezar o terço e cantar as ladainhas nas piedosas melodias populares da época.

Em 1733, Felipe Pedroso foi residir no Porto Itaguaçu, local onde fora achada a Imagem. Lá entregou-a a seu filho Atanásio. Este construiu um pequeno oratório para Nossa Senhora, no próprio Porto Itaguaçu, à beira da estrada, por onde transitavam muitos viajantes. O culto mariano extrapolou os limites locais, propagando-se para outras regiões.

Percebendo a importância e a expansão da devoção mariana, o Pe. José Vilela, pároco da Paróquia de Guaratinguetá, construiu, no Morro dos Coqueiros, a primeira capela de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Foi benta e inaugurada em 26 de julho de 1745.

De 1845 a 1888, foi construída uma Igreja maior. Foi solenemente benta e inaugurada por Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, bispo de São Paulo, aos 24 de junho de 1888. Em 1908, o Papa Pio X lhe concedeu o título de Basílica Menor. É o mesmo templo que hoje conhecemos como Basílica Velha.

Trabalho missionário dos Redentoristas

A pedido dos bispos brasileiros, os redentoristas assumiram o atendimento pastoral do Santuário mariano em 1895. Eles haviam chegado a 28 de outubro do ano anterior. Imprimiram um caráter missionário ao trabalho pastoral junto aos devotos e aparecidenses.

No século XX, tendo em vista que a Basílica Velha ficara pequena para comportar o número expressivo de romarias, que vinham de várias partes do Brasil, os bispos e os redentoristas resolveram construir o Santuário Novo, com a capacidade de acolher 40 mil peregrinos. As obras de construção foram iniciadas em 1955.

Em 1980 o Papa João Paulo II lhe deu o título de Basílica Menor. Em 1984 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil a elevou a Santuário Nacional. Hoje é um grande centro mariano de evangelização.

Catequista do povo brasileiro

Nossa Senhora da Conceição Aparecida é a grande catequista do povo brasileiro. Tal expressão não surgiu arbitrariamente, mas foi formulada pelos bispos brasileiros. No documento 26, “Catequese Renovada”, aprovado em sua 21a. Assembléia Geral a 15 de abril de 1983, eles assim se expressam: “Pensando na multidão dos pobres e simples que têm verdadeira sede de Deus, recordamos agradecidos o papel de Nossa Senhora sob o título de Aparecida – a grande catequista que sustenta a fé e a esperança do povo brasileiro”.

Como catequista, Nossa Senhora da Conceição Aparecida transmite a seus devotos uma bela e profunda mensagem de fé e de esperança, que os orienta em sua caminhada humana e cristã. Não há visões nem palavras da Padroeira do Brasil. A sua mensagem brota da sua própria Imagem, de seu simbolismo e do contexto histórico em que ela foi encontrada. Sua mensagem é muito rica em significados para a vida dos cristãos, mas destacamos apenas alguns aspectos relevantes.

Nossa Senhora traz à humanidade Jesus Cristo, o Salvador. Sua pequena Imagem constitui uma escultura da Imaculada Conceição. Ela aparece grávida porque a missão de Maria é oferecer ao seres humanos Jesus, fruto bendito de seu ventre.

Mãe da unidade

Nossa Senhora é a Mãe da unidade, que reúne os discípulos de seu Filho em comunidade. Quando foi encontrada, a Imagem tinha a cabeça separada do corpo. Como a Virgem Maria é imagem da Igreja, tal separação representa simbolicamente o Povo de Deus, como corpo, e o próprio Jesus como cabeça desta nova humanidade, que nasce de sua copiosa salvação. A cabeça foi colada no corpo por um dos pescadores.É preciso unir a cabeça e o corpo para que o povo se torne Corpo Místico de Cristo.

Nossa Senhora chama os cristãos a ser Igreja. Encontrada no Rio Paraíba do Sul, a Imagem é colocada pelos pescadores dentro de uma pequena barca, muito simples e pobre. Nas Sagradas Escrituras, a barca é o símbolo da Igreja de Jesus (Mt 14,22-33;Mc 4,35-41;Lc 5,1-11). “Em imagens que sempre reaparecem, os Padres da Igreja descrevem o barco da Igreja, no qual os fiéis atravessam em segurança o mar do mundo” (Manfred Lurker, escritor cristão). Portanto, a Mãe de Jesus convida os cristãos a viverem dentro da Igreja, como participantes fiéis, ativos e comprometidos com a evangelização.

Oração e solidariedade

Nossa Senhora convida a todos à prática da oração. Estando de pé, a Imagem tem as mãos postas em oração, revelando seu papel de intercessora junta Deus por todos os seres humanos. “Maria não vela apenas pela Igreja: tem coração tão grande quanto o mundo, e intercede ante o Senhor da História por todos os povos” (CNBB. Catequese Renovada, nº. 232). Ela convida a todos a se unirem com ela em oração, suplicando pela humanidade.

Nossa Senhora é achada nas águas. “O seu encontro nas águas simboliza a água do batismo pelo qual nascemos para Deus pelo Espírito Santo e formamos a Igreja de Cristo, sinal de sua presença no mundo” (Pe. Júlio J. Brustoloni, historiador redentorista). A água também simboliza a purificação. Tal elemento lembra a importância do sacramento da reconciliação, como purificação e perdão.

Nossa Senhora é solidária com o simples e sofredores. Em sua Imagem, faz-se “pescar” por três pescadores pobres e trabalhadores. A pesca prodigiosa, após o encontro da Imagem, liberta-os da ameaça dos poderosos. A casa de um dos pescadores torna-se o primeiro templo da Mãe Aparecida. O seu olhar aberto e compassivo mostra sua bondade e misericórdia para com os necessitados.

 

15. Maria na piedade do Povo Brasileiro

Postado em 05/01/12 ás 09h57

A devoção mariana consiste na veneração especial à Mãe de Jesus que as pessoas fazem, prestando-lhe sua homenagem filial e carinhosa. Essa devoção é expressa através de diversas maneiras, tais como: orações, festas, meditações, cantos, consagrações, romarias, santuários, imitação de suas virtudes e tantas outras.

O povo brasileiro é muito devoto de Maria. Respeita-a como Mãe e Rainha. Por isso, chama-a carinhosamente de Nossa Senhora. É um tratamento íntimo e, simultaneamente, respeitoso. Venera, com afeto, a criatura especial que já está no céu, junto de Deus, e, conseqüentemente, pode interceder por seus devotos.

A devoção mariana constitui uma característica visível e preponderante da cultura e religião do povo brasileiro. Na religiosidade popular, Nossa Senhora ocupa entre todos os santos, no céu e na terra, um lugar preferencial. A piedade mariana é sinal de identidade do catolicismo brasileiro.

Marcas marianas fortes e profundas

No Brasil, o povo que teve e tem fortes e profundas marcas marianas. A figura da Mãe de Deus na cultura brasileira constitui uma presença constante, desde a primeira evangelização até hoje. “O Brasil nasceu nos braços da Virgem, porque, a primeira viagem e a primeira invocação dessa excelsa Virgem sob os céus constelados da terra do cruzeiro foi a da mãe da esperança” (V. Armas, escritor e historiador).

Antes de partir de Portugal em direção das terras brasileiras, no século XV, Pedro Álvares Cabral participou, com o rei e os nobres, da celebração da missa na Igreja de Nossa Senhora de Belém. Em sua frota, trouxe 8 frades franciscanos, liderados pelo Fr. Henrique de Coimbra, 8 capelães e um vigário para celebrar os sacramentos aqui. O próprio Pedro Cabral era um devoto de Maria, levando, inclusive, consigo a imagem de Nossa Senhora da Esperança.

A presença de Nossa Senhora marca, profundamente, a história do Brasil, desde a chegada de Cabral até hoje. “A história do Brasil parece um imenso andor de Nossa Senhora, carregado pelo povo humilde, através dos tempos. O povo não aparece, nem carrega placa de nome no peito.

Faz questão é de ficar escondido, atrás do nome de Maria e atrás dos enfeites e das flores, que caem pelo lado do andor até o chão. O que aparece e deve aparecer é o nome e a imagem de Nossa Senhora, aclamada e invocada por milhares de vozes que, lá de debaixo, choram e gritam, sem parar, Ave Maria!

Carregando o andor de Nossa Senhora, o povo carrega pelas ruas a esperança de um dia poder chegar lá onde Nossa Senhora chegou, isto é, gozar da liberdade total dos filhos de Deus. Carregando a imagem de Maria, o povo dá a todos a prova concreta de que, caminhando com Deus, é possível realizar esta esperança” (Fr. Carlos Mesters, biblista brasileiro).

Igrejas dedicadas a Mãe de Deus

No Brasil há muitas igrejas com nomes marianos. Há, aproximadamente, 38 catedrais, 198 dioceses e 13 prelazias dedicadas à Mãe de Deus. Cerca de 3.216 paróquias trazem os mais diversos títulos marianos.

São 130 institutos masculinos de vida religiosa radicados aqui, e desses 40 trazem o nome da Virgem Maria. Já os institutos femininos são 110 que levam o nome dela, perfazendo um total de 281 que residem aqui. A Mãe de Jesus faz parte integrante da vida eclesial.

Além de centenas de igrejas e capelas dedicadas à Nossa Senhora, há ainda, com o nome dela, rios, montanhas, acidentes geográficos, estrelas e outros lugares. Muitos homens e mulheres recebem, de suas famílias, nomes em honra à Maria. Inúmeros estabelecimentos comerciais, empresas, sítios e fazendas levam denominações marianas.

Há 189 cidades, no Brasil, com o nome de Nossa Senhora. Minas Gerais lidera com 55 cidades. Depois aparecem São Paulo com 18, Paraíba com 13, Bahia com 12, Rio Grande do Sul com 10, Sergipe e Tocantins com 9, Rio de Janeiro com 8, Piauí, Pernambuco e Paraná com 7. Ademais, há 6 no Espírito Santo, 5 em Goiás e Pará, 3 em Alagoas, Mato Grosso e Santa Catarina, 2 em Mato Grosso do Sul e Ceará, 1 em Amazonas, Distrito Federal e Rio Grande do Norte.

Títulos Marianos

Ao longo da história da Igreja, Nossa Senhora recebeu muitos e diferentes títulos, dados pelo povo de Deus. O notável liturgista F. G. Holweck catalogou mais de 1.025 títulos marianos, de acordo com a Enciclopédia Católica (Itália).

A professora Nilza Botelho Megale, historiadora, museóloga e folclorista, apresenta, em sua pesquisa, 123 invocações da Virgem Maria no Brasil.Entre os títulos marianos, destaca-se Nossa Senhora da Conceição Aparecida. “A devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida faz parte integrante da religiosidade popular brasileira, sendo seu principal sustentáculo.

É a força, a alma de suas grandes expressões e manifestações de fé” (Pe. Júlio J. Brustoloni, escritor e historiador). No Brasil há, aproximadamente, 5 catedrais e 296 paróquias com tal título.

Devoções populares

As devoções marianas são maneiras de cultivar o relacionamento da pessoa com Nossa Senhora. No Brasil, o povo tem muitas devoções. Cada devoção popular tem uma história. Começou em determinado momento, para responder a uma necessidade religiosa do povo. Um das mais conhecidas é a oração do Rosário.

A Ave-Maria, que as pessoas aprendem desde pequeno, é um das preces mais bonitas e ricas de conteúdo. “A Ave-Maria normalmente é a primeira oração que a mãe ensina para os seus filhos pequenos. De alguém muito ignorante em matéria de religião, costuma-se a dizer que ‘não sabe nem a Ave-Maria’.

Desde cedo, nos ambientes católicos, a criança começa a tomar contato com os elementos marianos da cultura dos adultos” (Ir. Afonso Murad, mariólogo). Na primeira parte, o devoto recorda a nova aliança entre Deus e a humanidade, realizada através de Jesus Cristo, o Salvador. Na segunda parte, coloca sua vida toda nas mãos de Deus por meio de Nossa Senhora.

A Salve, Rainha constitui uma oração antiga, dedicada à Virgem Maria. Trata-se de uma das mais belas antífonas marianas, muito recitada pelos brasileiros. É do século XI, de autoria do monge Germano Contractus.

O Anjo do Senhor é um dos exercícios piedosos mais difundidos no Ocidente e muito apreciado pelos devotos no Brasil. Comemora o anúncio do anjo Gabriel a Maria e a encarnação do Verbo de Deus.

É “lembrança do evento salvífico pelo qual, segundo o desígnio do Pai, o Verbo, por obra do Espírito Santo, se fez homem no seio da Virgem Maria” (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Diretório sobre piedade popular e liturgia, nº. 195). Honra a Virgem Santíssima, que aceita a missão de ser Mãe do Salvador.

Ladainha Mariana

A ladainha de Nossa Senhora já está profundamente enraizada na piedade do povo. Muitas vezes, faz parte de orações e celebrações que trazem consigo uma homenagem à Virgem Maria. Os cristãos costumam recitá-la ou cantá-la após o Rosário, durante procissões ou peregrinações, nos santuários, igrejas, capelas e oratórios. As famílias se reúnem para saudar a Mãe de Deus com a ladainha.

Por tradição, maio costuma ser mês dedicado inteiramente à Mãe de Deus. Muitos grupos e comunidades rezam o terço diariamente e, no fim do mês, promovem a coroação da Virgem Maria.

Ao longo do ano, o povo celebra diversas festas dedicadas à Mãe de Jesus. Em cada festa comemora-se um fato importante de sua vida ou algum titulo significativo. No Brasil, as principais festas são: Mãe de Deus (1 de janeiro), N. S. de Lourdes (11 de fevereiro), N. S. de Fátima (13 de maio), Visita de Nossa Senhora a Santa Isabel (31 de maio), Nascimento de Maria (8 de setembro), Nossa Senhora da Conceição Aparecida (12 de outubro) e Imaculada Conceição (8 de dezembro).

Mãe de Deus e Mãe dos Homens

O povo venera Nossa Senhora porque reconhece nela a Mãe de Jesus Cristo, daquele que veio ao mundo para revelar o amor do Pai e salvar a humanidade. É impossível amar Jesus Cristo sem amar também a pessoa que o gerou e deu à luz. Junto com São José, Maria criou e educou Jesus, acompanhando-o nos momentos mais difíceis de sua vida e permaneceu fiel ao projeto dele, desde Nazaré até o Calvário.

O povo ama Maria porque também reconhece nela a Mãe de todos os homens na ordem da fé. Reconhece que Nossa Senhora, já glorificada na comunhão dos santos, está continuamente socorrendo seus devotos em suas necessidades materiais e espirituais, e animando a esperança deles, sobretudo daqueles que sofrem.

A devoção mariana penetra profundamente na piedade e alma do povo. “Maria responde às profundas necessidades e interrogações da alma popular. Seu carisma feminino e maternal, que a torna preocupada com tudo o que é vital e humano; sua capacidade de visualizar-nos os mistérios de Deus e a própria fé; sua função de integrar-nos em Cristo e na Igreja, fazendo dessa última a grande família dos filhos de Deus e acentuando muito mais os aspectos comunitários e carismáticos que os institucionais; as condições penosas de vida que foram as suas; a própria humildade e simplicidade de trato com Deus e com os homens, tudo isso gera amor e confiança para com ela.

Maria é da gente, é nossa. ‘Minha Nossa Senhora’ – o povo exclama, e vive” (Ir. Aleixo Maria Autran, escritor mariano).

 

14. Devoção Mariana

Postado em 01/12/11 ás 17h19

A devoção mariana é o culto que nós prestamos a Nossa Senhora, a Mãe de Deus e nossa Mãe. Nós honramos Maria com culto especial. “Por graça de Deus exaltada depois do Filho acima de todos os anjos e homens, como Mãe Santíssima de Deus, Maria esteve presente aos mistérios de Cristo e é merecidamente honrada com culto especial pela Igreja” (Concílio Vaticano II. L. G., nº. 66).

A devoção mariana difere-se da adoração. Enquanto a adoração constitui o culto tributado exclusivamente a Deus, reconhecendo nele o Criador, o Senhor e o Salvador, a devoção Mariana é a veneração especial que fazemos a Maria, dentro da comunhão dos santos.

Esta devoção mariana “difere essencialmente do culto de adoração que se preta ao Verbo encarnado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, e o favorece poderosamente” (Concílio Vaticano II. L. G., nº. 156).

A devoção mariana faz parte da vida e espiritualidade da Igreja. Desde os primeiros tempos da história da Igreja, Maria é venerada pelos cristãos com o título de Mãe de Deus, sob cuja proteção se refugiam. A partir do Concílio de Éfeso (421), o culto do povo a Nossa Senhora cresceu muito em veneração e amor, invocação e imitação.

Mãe do Redentor, a Virgem Santíssima “está unida de modo especial com a Igreja, que o Senhor constitui como seu corpo” (João Paulo II. Redemptoris Mater, nº. 66).

Atitudes dos devotos diante da Mãe de Deus

É muito importante considerar as atitudes dos devotos diante da Mãe de Deus. Nossa devoção marianas se manifesta por meio de atitudes, entre as quais destacamos: veneração, amor e gratidão, invocação e imitação.

Uma primeira atitude é nossa veneração para com a Mãe de Deus. Tal veneração é um aspecto importante do culto mariano. Após sua vida de amor a Deus e de serviço aos homens, Maria, que viveu sua santidade na terra, está junto de Deus. Reina com Jesus Cristo e merece a lembrança carinhosa dos cristãos.

A “veneração lhe é devida pela sua dignidade e santidade, pelo seu compromisso no seguimento de Cristo, pelo seu serviço prestado na história da salvação durante toda a sua vida” (Salvadore Meo, professor de Teologia e de Mariologia).

Veneramos Nossa Senhora mediante orações e tendo palavras de honra e respeito para com ela em nossos lábios. Procuramos participar ativamente das festas litúrgicas em louvor da Virgem Maria e dedicamos nossa homenagem a ela através de imagens e de seus ícones. Cultuamos a nossa Mãe fazendo nossas peregrinações, quer sozinhos ou em grupo, aos santuários e a outros lugares marianos de piedade.

Amor e gratidão

Outra atitude nossa é demonstrar nosso amor e gratidão a Nossa Senhora. Temos carinho por ela e lhe agradecemos sempre por sua contribuição singular na redenção da humanidade. Como Mãe, ofereceu Jesus Cristo aos homens. Sua caridade imensa é continuada por sua maternidade espiritual. Ela a Mãe dos seres humanos na ordem da graça.

Em nossa devoção, exprimimos nossa gratidão e amor pela Mãe do Salvador de maneira interior e exterior. Interiormente, amamos Maria com nossa inteligência, formulando boas reflexões e aceitando as verdades de fé a respeito dela, propostas pela Igreja. Nossas idéias e decisões, bem orientadas, manifestam seu desvelo por ela. Também comunicamos este afeto exteriormente, por suas palavras e obras.

Invocação

A invocação de Nossa Senhora também caracteriza nossa a atitude devocional. Invocar significa solicitar a proteção da Mãe de Deus porque, em momentos de apuros, nós, seus filhos, recorremos a ela em busca de ajuda e orientação.

Durante nossa história, nós nos dirigimos à Maria e suplicamos sua intercessão e auxílio, confiando nela e em sua bondade maternal. O fundamento da invocação é a comunhão dos santos. O que significa isso?

“Todo aquele que crê vive em Cristo como criatura nova já nesta terra. Quem está unido a Cristo está, outrossim, em comunhão, por meio dele e nele, com todos os remidos de todos os lugares e de todos os tempos.

A comunhão dos santos é a comunhão pela qual vivemos ligados a todos os cristãos vivos no mundo e àqueles que já morreram e que agora vivem conosco em Cristo Ressuscitado, embora não mais na terra.

Esses, também em Cristo, estão ligados a nós e intercedem por nós. Por essa razão, o povo cristão, desde o início, cultivou a devoção aos santos e sempre consagrou uma especial devoção à Virgem Maria” (Diogo Luiz Fuitem, franciscano conventual e escritor católico). Por isso, nós podemos invocar o patrocínio dela.

Por causa da confiança que nutrimos na dedicada obra materna de Maria junto aos homens e em benefício deles, suplicamos seu socorro, tanto nas necessidades materiais como espirituais. Nós também esperamos contar com sua intercessão na hora de nossa morte, quando dermos o último respiro para a terra e passarmos para a eternidade.

Imitação

Outrossim, expressamos nosso relacionamento para com Nossa Senhora através da imitação, traço muito caro e expressivo da espiritualidade cristã. Por ser a cristã exemplar, perfeita na vivência do Evangelho, nós imitamos a Mãe de Jesus e reproduzimos seu espírito religioso em nossa conduta concreta.

Lendo e contemplando os gestos e as palavras de Maria nos textos da Bíblia, nós a tomamos como modelo de vida cristã porque nos estimula no seguimento de Jesus Cristo. Com seus exemplos bem concretos, ela nos mostra como buscar a santidade. “Maria é o modelo perfeito a imitar e o símbolo de nossa esperança na eternidade” (Pe. John A. Hardon, escritor catequético).

São Gregório de Nissa (335-395), antigo escritor eclesiástico, já dizia com muita razão: “A verdadeira devoção consiste em imitar aquele a quem veneramos”. Se veneramos a Mãe de Deus, procuramos imitar as virtudes que ela tão bem viveu, com todos os desafios de sua época.

Devoção profunda e constante

Paulatinamente, nós aprofundamos nosso relacionamento com Nossa Senhora mediante nosso amor, nossa invocação, nossa imitação e nossa veneração para com aquela que nos orienta para Deus, princípio e fundamento do culto cristão.

Nossa devoção há de ser sempre baseada na fé, excluindo todo o sentimentalismo alienan

 

13. Os Bispos brasileiros e a Mãe de Deus

Postado em 10/11/11 ás 13h39

O povo brasileiro é muito devoto de Nossa Senhora. “A Virgem Maria pertence à cultura do povo brasileiro. Esse é um fato” (Pe. Cleto Caliman, teólogo brasileiro).

A religiosidade popular é, marcadamente, mariana. “O catolicismo brasileiro hoje se apresenta impregnado pela figura de Maria. Ao que consta, 37% das paróquias são dedicadas a ela. Tal cifra supera os 24% da Polônia, país conhecido por sua devoção mariana. Estão catalogadas mais de cem diferentes invocações a Maria no Brasil” (Ir. Afonso Murad, mariólogo brasileiro).

A religiosidade popular constitui um elemento positivo na evangelização, pois expressa e conserva a fé de nosso povo. “A religiosidade do povo, em seu núcleo, é um acervo de valores que responde com sabedoria cristã às grandes incógnitas da existência.

A sapiência popular católica tem uma capacidade de síntese vital; engloba criadoramente o divino e o humano, Cristo e Maria, espírito e corpo, comunhão e instituição, pessoa e comunidade, fé e prática, inteligência e afeto” (Doc. Puebla, no. 448).

Orientação da devoção mariana

Sensíveis à religiosidade do povo, os bispos brasileiros procuram evangelizá-lo, promovendo e orientando sua devoção mariana. No documento 26, “Catequese Renovada”, apresentam excelente síntese mariológica, dentro da verdade sobre a Igreja.

Na exposição dos bispos, Maria é Mãe de Deus e modelo da Igreja, pois “não se pode falar de Igreja sem que esteja presente Maria” (nº. 230). Para as comunidades de fé, ela é “a realização mais alta do Evangelho, o grande sinal, com o rosto materno e misericordioso, da proximidade do Pai e de Cristo” (nº. 230). Nossa Senhora nos convida a entrar em comunhão com Jesus Cristo.

O nosso povo, em suas alegrias e sofrimentos, se identifica profundamente com Nossa Senhora. Por isso, ela “se torna a mediação mais completa da vivência evangélica” (nº. 230). Instruída pelo Espírito Santo, a Igreja venera Maria com afeto e piedade filial.

A Bíblia apresenta a Mãe de Jesus como mulher de fé, bem unida ao projeto de redenção. “A Sagrada Escritura mostra como em Maria se dá a vitória definitiva sobre o mistério do mal (cf. Gn 3,15). Ela é a nova Eva, que no seu ‘sim’ obediente (cf. Lc 1,45) vence o ‘não’ da primeira Eva. É a primeira a crer (cf. Lc 1,45) e misteriosamente associada à redenção (cf. Jo 2,1-11;19,25-27)” (nº. 230)

Mãe da Igreja

Maria é Mãe de Deus e da Igreja. É “Mãe de Deus, Mãe de Jesus Cristo no seu ‘sim’ da anunciação. É Mãe da Igreja, porque é Mãe de Cristo, Cabeça do Corpo Místico. Além disso, é nossa Mãe, por ter cooperado com seu amor no momento em que do coração trespassado de Cristo nascia a família dos redimidos; por isso, é nossa Mãe na ordem da graça” (nº. 231).

Como Mãe da Igreja, Maria também intercede por toda a humanidade. “Nossa Senhora não vela apenas pela Igreja; tem um coração tão grande quanto o mundo, e intercede ante o Senhor da História por todos os povos” (nº. 232).

Maria dá sua contribuição peculiar na evangelização. “Enquanto peregrinamos, Maria será a Mãe e educadora da fé. Ela cuida para que o Evangelho penetre intimamente em nossa vida e nossa cultura, e produza em nós frutos de santidade” (nº. 232).

Exemplo de vida cristã

Como devotos, podemos imitar a Mãe de Jesus, porque encontramos nela exemplo de vida cristã. “Maria é modelo de vida cristã, pois sua existência é uma plena comunhão com seu Filho, uma entrega total a Deus em todos os seus caminhos, numa união única que culmina na glória” (nº. 233).

De modo particular, Maria é modelo de fé. Ela acreditou “com uma fé foi dom, abertura, resposta e fidelidade” (nº. 233).

No Evangelho de Lucas, há o canto de Maria, pronunciado por ela na casa de seus parentes Isabel e Zacarias por ocasião de sua visita (Cf. 1,46-55). Foi intitulado de “Magnificat”, que é o primeiro termo desse canto em latim, significando “engrandece”, “proclama”. Para os bispos, o “Magnificat espelha sua alma vazia de si mesma e plena de confiança no Pai.

É o poema da espiritualidade dos pobres de Javé e do profetismo da Antiga Aliança; modelo daqueles que não aceitam passivamente as circunstâncias adversas da vida pessoal e social, e não são vítimas da alienação, mas antes proclamam com ela que Deus exalta os humildes e depõe do trono os soberbos” (nº. 233).

Virgindade de Maria

A virgindade de Maria é exemplo de doação a Deus para toda a Igreja. “Sua virgindade, amor-doação ao Senhor, foi inseparável da fé, pobreza e obediência, e assim tornou-se fecunda pelo Espírito Santo.

No mistério da Igreja, esta virgindade reúne duas realidades: Maria é toda de Cristo e toda servidora dos homens. Assim quer ser a Igreja: unida a Cristo e Mãe de todos os homens” (nº. 234).

Imaculada e assunta aos céus, Nossa Senhora é a realização perfeita do projeto de Deus sobre a humanidade. “A Imaculada Conceição nos apresenta a face do homem redimido, em que se refaz mais misteriosamente ainda o projeto do paraíso” (nº. 245).

Já a Assunção de Nossa Senhora evidencia que o corpo humano, templo do Espírito Santo, é para a santidade. “A Assunção manifesta o destino do corpo santificado pela graça, a criação material toda participando do corpo ressuscitado de Jesus Cristo, a integridade humana, corpo e alma, reinando após a peregrinação da história” (nº. 235).

Em Maria toda a mulher é resgatada em seu valor e dignidade fundamental. Ela é bendita entre todas as mulheres. É o protótipo da mulher realizada. “Em Maria, o Evangelho penetrou a feminilidade, remiu e exaltou-a, dignificando extraordinariamente a mulher” (nº. 236).

Santidade de Maria

Nossa Senhora é nossa esperança. Por isso, para ela volvemos nosso olhar. “Enquanto em Maria a Igreja já atingiu sua perfeição pela qual existe sem mácula e sem ruga, em nós, cristãos, ela ainda se esforça para crescer em santidade, vencendo o pecado. Para isso, eleva seus olhos a Maria que refulge para toda a comunidade dos eleitos como exemplo de virtude” (nº. 237).

Maria já chego

 

12. Bispos Latino-Americanos e a Mãe da Igreja

Postado em 15/10/11 ás 08h34

Fiéis aos documentos universais da Igreja e sempre preocupados com a realidade local, os bispos latino-americanos apresentam o mistério de Nossa Senhora aos seus fiéis no nosso Continente. Ressaltam que Maria é a Mãe da Igreja em sua ajuda, exemplo e inspiração.

A I Conferência Geral do Episcopado Latino Americano foi celebrada no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, de 24 de julho a 4 de agosto de 1955. Sua preocupação central era a escassez de padres. No documento final encontramos quatro breves referências a Nossa Senhora.

Os bispos declararam que ela é Mãe e Rainha da América Latina. Ressaltaram que na devoção mariana está “o segredo da fecundidade” do apostolado que os presbíteros e leigos “devem realizar nesta hora de tão graves responsabilidades para a América” (Declaração).

Padroeira das Américas

Realizada de 26 de agosto a 6 de setembro de 1968, em Medellín, na Colômbia, a II Conferência Geral do Episcopado Latino Americano marcou a história da Igreja na América Latina, dando-lhe rosto e identidade. Buscou aplicar os resultados do Concílio Vaticano II à Igreja na América Latina.

Os bispos fizeram apenas duas referências a Nossa Senhora. Disseram: “Em torno a Maria, Mãe da Igreja, que com seu patrocínio assiste a este Continente desde sua primeira evangelização, imploramos as luzes do Espírito Santo e, perseverando em oração, alimentamo-nos do pão da Palavra e da Eucaristia” (Introdução às Conclusões, no. 8).

Ainda, em Medellín, os bispos, dirigindo-se aos povos latino-americanos, declararam: “Esperamos também ser ouvidos com compreensão e boa vontade por todos os homens que comungamos o mesmo ideal e a mesma aspiração.

Colocamos sob proteção de Maria, Mãe da Igreja e padroeira das Américas, todo o nosso trabalho e esta mesma esperança, a fim de que se antecipe ente nós o Reino de Deus” (Mensagem, Apelo final).

Realização mais alta da evangelização

Seguindo as orientações de Medellín, a III Conferência Geral do Episcopado Latino Americano foi realizada em Puebla, no México, de 27 de janeiro a 13 de fevereiro de 1979. Sua linha de trabalho foi a evangelização na América Latina.

O documento é rico de reflexões e referências a respeito de Nossa Senhora. Dedica uma parte toda a Maria como Mãe e modelo da Igreja (nº. 282-303), dentro do tratado da Igreja.

De acordo com os bispos, Maria é a realização mais alta da evangelização (nº. 262). Ela “é, para a Igreja, motivo de alegria e fonte de inspiração por ser a estrela da evangelização e a Mãe dos povos da América Latina” (nº. 168).

“Desde os primórdios – em sua aparição e invocação de Guadalupe – Maria tornou-se o grande sinal, de rosto materno e misericordioso, da proximidade do Pai e de Cristo com quem ela nos convida a entrar em comunhão.

Maria foi também a voz que deu impulso à união dos homens e dos povos. Como em Guadalupe, os outros santuários marianos do Continente são sinais do encontro da fé da Igreja com a história latino-americana” (nº. 282).

Mãe e modelo de Igreja

Com afeto de piedade filial, a Igreja venera Maria como Mãe (nº. 296). Torna-se Mãe de Deus, Mãe de Jesus Cristo no seu “sim” da anunciação. É Mãe da Igreja porque é Mãe de Cristo, Cabeça do Corpo Místico. Com seu amor cooperou no nascimento da família dos redimidos (nº. 287).

Maria não apenas vela pela Igreja, também intercede ante o Senhor da História por todos os povos. É educadora da fé. Cuida para que o Evangelho penetre intimamente na vida e cultura dos povos latino-americanos (nº. 288-290).

Nossa Senhora é modelo da Igreja, pois sua vida foi entrega total a Deus. Acreditou com uma fé que é, ao mesmo tempo, dom e fidelidade. O Canto do Magnificat mostra sua alma vazia de si mesma e cheia de confiança no Pai do Céu.

A virgindade de Maria revela sua doação, reunindo duas realidades importantes: ela é toda de Cristo e servidora dos homens. Em sua imaculada conceição e em sua assunção, é a realização perfeita do projeto de Deus sobre a humanidade. Nela Deus dignifica a mulher. A Igreja, em Nossa Senhora, já atingiu a perfeição (nº. 292-299).

Mulher e juventude

Em Puebla, os bispos ressaltam o valor da Mãe de Jesus para a mulher. “Maria é mulher. É ‘bendita entre todas as mulheres’. Nela dignifica Deus a mulher elevando-a a dimensões inimagináveis. Em Maria o Evangelho penetrou a feminilidade, redimiu-a e exalta-a.

Isto é de importância capital par nosso horizonte cultural, em que a mulher deve ser valorizada muito mais e em que suas tarefas sociais se está definindo com mais clareza e amplidão.

Maria é uma garantia para a grandeza da mulher, mostra a forma específica do ser mulher, com essa vocação de ser alma, dedicação que espiritualiza a carne e que encarne o espírito” (no. 299).

Os bispos também salientam a importância de Nossa Senhora para a juventude. “A Virgem Mãe bondosa, indefectível na fé, educa o jovem para ser Igreja” (no. 1184).

“A pastoral da juventude empenhar-se-á em que o jovem cresça numa espiritualidade autêntica e apostólica, fundada no espírito de oração e no conhecimento da Palavra de Deus e no amor filial a Maria Santíssima que, unindo-se a Cristo, o torne solidário com seus irmãos” (no. 1195).

Modelo de evangelização da cultura

A IV Conferência Geral do Episcopado Latino Americano aconteceu em Santo Domingo, de 12 a 28 de outubro de 1992. Seu lema central foi “Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre”. Tratou de três temas: nova evangelização, promoção humana e cultura cristã.

Os bispos apresentam Maria como modelo e figura da Igreja (nº. 163). “A Igreja alcançou na Santíssima Virgem a perfeição em virtude da qual não tem mancha nem ruga” (no. 32).

Modelo da Igreja, a Mãe de Jesus é também modelo da evangelização da cultura. “A Virgem Maria acompanha os apóstolos quando o Espírito de Jesus ressuscitado penetra e transforma os povos das diversas culturas.

Maria, que é modelo de Igreja, também é modelo da evangelização da cultura. É mulher judia que representa o povo da Antiga Aliança com toda sua realidade cultural.

Mas abre-se à novidade do Evangelho e está presente nas nossas terras co

 

11. A Virgem Maria no código de Direito Canônico

Postado em 19/09/11 ás 14h11

O Código de Direito Canônico é o conjunto de leis elaboradas pela autoridade eclesiástica em matéria de fé, moral e disciplina. Contém “as leis da disciplina canônica da Igreja Católica. Sua finalidade é criar, na sociedade eclesial, uma ordem que, dando primazia ao amor, à graça e aos carismas, facilite, ao mesmo tempo, seu desenvolvimento orgânico na vida, seja da sociedade eclesial, seja de cada um de seus membros” (Pe. Ralfy Mendes de Oliveira, escritor).

O primeiro Código de Direito Canônico, que contém 2414 cânones, foi promulgado pelo Papa Bento XV, aos 27 de maio de 1917. Inspirando-se no Concílio Vaticano II, o atual Código de Direito Canônico, que está dividido em sete livros ou grandes secções e contém 1752 cânones, foi promulgado por João Paulo II a 25 de janeiro de 1983.

Prescreve várias leis sobre a vida e organização da Igreja. O atual Código de Direito Canônico apresenta a figura da Virgem Maria, Mãe de Deus e da Igreja, de maneira pontual, sóbria e objetiva. Faz menção a ela em vários cânones.

Proteção de Maria

No final da Constituição Apostólica, intitulada “Sacrae disciplinae leges” (As leis da sagrada disciplina), com a qual o João Paulo II promulgou o atual Código de Direito Canônico, ele afirma: “Exortamos, pois, todos os diletos filhos a que observem com sinceridade e boa vontade as normas propostas, na firme esperança de que refloresça a solícita disciplina da Igreja e de que assim, sob a proteção da Beatíssima Virgem Maria, Mãe da Igreja, se promova mais e mais a salvação das almas”.

Conforme se pode nota, o Papa põe na proteção de Maria o atual Código. Ele coloca toda a disciplina da Igreja nas mãos daquela cuja missão fundamental é levar os cristãos, seus filhos adotivos, a seguir o caminho de seu único filho, Jesus Cristo, e consigam dele a salvação.

Espiritualidade mariana dos sacerdotes

O atual Código orienta para que os sacerdotes cultivem a espiritualidade mariana, que já deve ser trabalhada em sua formação inicial. O § 3 do cânone 246 faz a seguinte exortação aos seminaristas: “Sejam incentivados o culto à Virgem Maria, também pelo rosário, a oração mental e outros exercícios de piedade, com os quais os alunos adquiram o espírito de oração e consigam a firmeza de sua vocação”.

Em tal exortação, fica muito claro que o seminarista deve ser formado no culto mariano, de maneira que preste a devida honra a Virgem Maria. A sua devoção deve ser expressa na recitação do rosário. A oração mental, o rosário e os outros exercícios de piedade são instrumentais de formação espiritual do seminarista, que o ajudem a criar o espírito de oração, além de favorecer sua perseverança vocacional.

A espiritualidade mariana também é exigida na vida e ministério do sacerdote na Igreja. O no. 5, do § 2 do cânone 276, recomenda aos sacerdotes: “são solicitados a se dedicarem regularmente à oração mental, a se aproximarem com freqüência do sacramento da penitência, a cultivarem com especial veneração a Virgem Mãe de Deus e a usarem de outros meios de santificação, comuns e particulares”.

Pelo que se percebe, o culto mariano faz parte da vida espiritual dos sacerdotes. Eles não podem negligenciar sua devoção particular para com a Mãe de Deus. Ao contrário, devem torná-la cada vez mais profunda, verdadeira e concreta. A piedade mariana é meio útil para a sua santificação pessoal e sua dedicação apostólica. Fomenta seu aperfeiçoamento humano, cristão e vocacional.

Vida dos consagrados

A espiritualidade mariana também constitui uma dimensão integrante da vida dos consagrados. O § 4 do cânone 663 faz a seguinte exigência aos consagrados: “Honrem, mediante culto especial, a Virgem Mãe de Deus, modelo e proteção de toda a vida consagrada, também com o rosário mariano”.

Os membros dos diversos institutos de vida consagrada devem cuidar e aprofundar seu culto mariano. “Quando os religiosos seguem Jesus Cristo, na vivência dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, precisam do auxílio daquela que é o modelo da escuta e da vivência da palavra, daquela que fez o mais generoso oferecimento de si mesma, daquela que, como mãe, quer conduzir seus filhos ao Filho.

Com ela, o caminho de perfeição, que deverá ser percorrido pelos religiosos, será certamente mais ágil, mais seguro e que conseqüentemente deve ser fortalecido cada dia por meio de uma devoção filial, executada de um modo especial com a devoção e prática do santo rosário” (Dom Hugo Cavalcante, OSB).

Culto mariano dos fiéis cristãos

No atual Código há também a recomendação do culto mariano para todos os fiéis cristãos. No cânone 1186 encontra-se esta bela e profunda afirmação: “Para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomenda à veneração especial e filial dos fiéis a Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, a quem Cristo constituiu Mãe de todos os homens, bem como promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, por cujo exemplo os fiéis se edificam e pela intercessão dos quais são sustentados”.

O culto mariano é bom e salutar na Igreja. Expressa uma veneração especial, pois se trata do culto de hiperdulia, diferente do culto de dulia, conforme a tradição cristã. O culto de dulia é a honra que se presta ao santos, por respeito para com o próprio Deus. Já o culto de hiperdulia “é o que se tributa à Santíssima Virgem Maria, por sua dignidade de Mãe de Deus e por suas excelsas virtudes” (Luis H. Acevedo Quirós, doutor em Direito Canônico e professor de Teologia).

Os cristãos fiéis podem venerar a Virgem Maria também através de suas imagens. O cânone 1188 prescreve: “Mantenha-se a praxe de propor imagens sagradas nas igrejas, para a veneração dos fiéis; entretanto, sejam expostas em número moderado e na devida ordem, a fim de que não se desperte a admiração no povo cristão, nem se dê motivo a uma devoção menos correta”.

O atual Código conserva o uso das imagens sagradas, que é aceitável e louvável, porque faz parte da tradição da Igreja e está conforme as legítimas necessidades da natureza humana. “Mas com duas importantes advert&e

 

10. A Virgem Maria no catecismo da Igreja

Postado em 24/08/11 ás 14h32

O Catecismo da Igreja Católica apresenta o mistério da Virgem Maria, baseando-se em dados da Sagrada Escritura, da Tradição da Igreja e do Magistério Eclesiástico, para que os cristãos possam conhecê-la melhor e tenham verdadeiro culto mariano.

O Catecismo destaca o mistério da Virgem Maria em duas partes principais: “Nascido da Virgem Maria” (nos. 487-511) e “Maria – Mãe de Cristo, Mãe da Igreja” (nos. 963-975). Faz também referências a Mãe do Salvador em muitos outros itens. O nosso estudo de Nossa Senhora no Catecismo ressalta apenas quatro aspectos: fé da Mãe de Jesus, a vida da Mãe do Salvador, a Mãe de Cristo e a Mãe da Igreja.

Fé da Mãe de Jesus

A fé da Mãe de Jesus é sublime e exemplar. Ela realiza de maneira mais perfeita a obediência da fé. “Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazida pelo anjo Gabriel, acreditando que ‘nada é impossível a Deus’ (Lc 1,37) e dando seu assentimento: ‘Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,38). Isabel a saudou: ‘Bem-aventurada a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido’ (Lc 1,45).É em virtude desta fé que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada” (no. 148).

A fé da Mãe de Jesus é firme e permanente. “Durante toda a sua vida e até sua última provação, quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, sua fé não vacilou. Maria não deixou de crer no cumprimento da Palavra de Deus. Por isso a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé” (no. 149).

A fé da Mãe de Jesus é adesão confiante em Deus. “Somente a fé pode aderir aos caminhos misteriosos da onipotência de Deus. Esta fé gloria-se de suas fraquezas a fim de atrair sobre si o poder de Cristo. Desta fé, a Virgem Maria é modelo supremo, ela que acreditou que ‘nada é impossível a Deus’ (Lc 1,37) e que pôde engrandecer o Senhor. ‘O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor, seu nome é Santo’ (Lc 1,49)” (no. 273).

Vida da Mãe do Salvador

Toda a vida de Maria é relacionada com a vida de Jesus Cristo, o Salvador do gênero humano. Ela é a “obra-prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo. Pela primeira vez no plano de salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a morada em que seu Filho e seu Espírito podem morar entre os homens” (no. 721).

O Espírito Santo prepara Maria e realiza o projeto amoroso de Deus, fazendo com que ela conceba em seu ventre o Salvador. “Em Maria, o Espírito realiza o desígnio benevolente do Pai. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. Sua virgindade transforma-se em fecundidade única pelo poder do Espírito e da fé” (no. 723).

Maria é a pessoa de fé que vive em silêncio o mistério de Deus que acontece em sua existência. Todavia, o Espírito Santo se encarrega de revelar ao mundo que aquele menino, filho de Maria, é o Filho do Pai Eterno, o Salvador prometido por Deus e esperado pelo povo de Deus.

“Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai tornado Filho da Virgem. Ela é a Sarça ardente da Teofania definitiva: repleta do Espírito Santo, ela mostra o Verbo na humildade de sua carne, e é aos pobres e às primícias das nações que ela o dá a conhecer” (no. 724).

Maria é o caminho que leva os homens a Jesus Cristo, de maneira que o recebam como Salvador. Por ela o “Espírito Santo começa a pôr em comunhão com Cristo os homens, objetos do amor benevolente de Deus, e os humildes são sempre os primeiros a recebê-lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos” (no. 149).

Mãe de Cristo

Maria aceita o projeto amoroso de Deus, tornando-se Mãe de Jesus Cristo. “Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude do Espírito Santo, Maria respondeu com a obediência da fé, certa de que ‘nada é impossível a Deus’: ‘Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,37-38).

Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tornou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção” (no. 494).

Maria é Mãe de Deus, porque mãe de Jesus Cristo, que é Deus. “Denominada nos Evangelhos ‘a Mãe de Jesus’ (Jo 2,1;19,25), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo, desde antes do nascimento de seu Filho, como ‘a Mãe de seu Senhor’ (Lc 1,43).

Com efeito, Aquele que ela concebeu do Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos)” (no. 495).

Já nos primeiros séculos da história do cristianismo surgiram heresias, que negavam ora a divindade ora a humanidade de Jesus. Mas a Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, sempre afirmou que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele se fez homem em Maria sem deixar de ser Deus. Ele se encarnou, assumindo a natureza humana em Maria, sem perder a natureza divina (cf. nos. 461-469).

Mãe da Igreja

Maria também ocupa o seu lugar no mistério da Igreja. Sendo Mãe de Jesus, ela também é Mãe dos membros de Cristo. Pois pelo batismo os cristãos são membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Nesse sentido, Maria é Mãe de toda a Igreja. Ao gerar Jesus, ela se fez Mãe do Cristo todo, ou seja, de Jesus e de sua Igreja (cf. no. 963).

Maria é a Mãe da Igreja na ordem da graça. Ela aderiu totalmente à vontade do Pai, à obra redentora de Jesus e à inspiração do Espírito Santo. Por isso ela é, para todo o povo de Deus, o modelo da fé e da caridade. É o exemplo da realização da Igreja. Entre todas as criaturas humanas, a Mãe de Jesus se destaca de maneira singular.

Pela sua fé, obediência, esperança e ardente caridade, ela foi a maior cooperadora do Salvador e, portanto, a Mãe que ajudou na salvação de todos os seres humanos. Por isso ela se tornou Mãe da Igreja (cf. nos. 967-968).

No céu, Maria continua sendo Mãe da Igreja e sua intercessora junto de seu

 

9. Assunção de Nossa Senhora

Postado em 25/07/11 ás 08h25

Maria foi assunta aos céus. Está viva e ressuscitada junto da Santíssima Trindade. Na comunhão dos santos, Nossa Senhora intercede por nós, seus devotos. Após realizar o projeto de Deus com disponibilidade e perseverança, ela foi glorificada de forma total.

A Mãe de Jesus já é o que somos chamados a ser após a ressurreição da carne.
A assunção de Nossa Senhora constitui uma verdade de fé, que faz parte da doutrina da comunidade cristã. Proclamado em meados do século XX, foi o último dogma mariano definido pela Igreja.

Crença antiga

A crença na assunção de Nossa Senhora é antiga, remontando ao século IV. O povo cristão já acreditava no fato. S. Efrém (+ 373) afirmava que o corpo virginal de Maria não sofreu corrupção depois da morte. S. Epifânio (+ 403) dizia que o fim dela foi prodigioso e que ela possuía o Reino dos Céus ainda com a carne.

No século VI, já acontecia, em Jerusalém, a festa da Dormição (Trânsito) de Nossa Senhora, fixada, por decreto imperial, para 15 de agosto. Pelo ano 600, tal festa era celebrada também em Constantinopla. No Ocidente, a partir do século VII celebrava-se em Roma a mesma festa, patrocinada pelo Papa S. Sérgio I (687-701).

De Roma, a festa passou para a França e a Inglaterra no século VIII, tomando o título de “Assunção de Santa Maria”. Este título sugeria a ressurreição imediata da Virgem Santíssima e a sua glorificação na bem-aventurança celeste

A partir do século VII, no Oriente, eram numerosos os testemunhos de escritores e teólogos que defendiam a assunção de Nossa Senhora, embora houve pensadores que tinham incertezas sobre seu destino final. Do século X em diante, os orientais consolidaram sua convicção sobre a glorificação corpórea da Virgem Santíssima, amplamente divulgada entre o clero, os teólogos e o povo em geral.

Petições em favor do dogma

No ocidente, a partir do século XV, o povo católico continuava acreditando na assunção de Nossa Senhora, com o apoio de muitos teólogos. Nos séculos XVIII e XIX foram apresentadas à Santa Sé várias petições em favor da definição do dogma da assunção de Maria.

A primeira petição foi do Pe. Cesário Shguanin (1692-1769), teólogo da Ordem dos Servos de Maria. No século XIX destacaram-se as petições do Cardeal Sterkx e de dom Sanchez em 1849, bem como a da rainha Isabel da Espanha em 1863, dirigidas ao Papa Pio IX.

Por ocasião do Concílio Vaticano I (1870) cerca de 200 bispos pediram ao Papa Pio IX a definição dogmática da assunção de Maria. Mas o assunto não chegou a ser aprofundado, uma vez que o Concílio terminou antes do tempo previsto.

Definição dogmática

No século XX, centenas de petições em favor da assunção de Maria foram levadas à Santa Sé até o Papa Pio XII (1939-1958). Em 1946, o mesmo Pontífice fez uma consulta aos bispos do mundo inteiro sobre veracidade e a conveniência de se proclamar mais este dogma mariano. A posição favorável dos bispos foi quase unânime.

Mais de 200 teólogos, em todas as partes da Igreja, demonstraram interesse e entusiasmo pela definição dogmática.

No dia 01 de novembro de 1950, na Constituição Apostólica “Munificentissimus Deus”, Pio XII proclamou solenemente o dogma da Assunção de Nossa Senhora.

Assim o Papa se expressou: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”. Portanto, a Mãe de Jesus já se encontra no estado em que os justos se encontrarão depois da ressurreição final.

A assunção de Nossa Senhora está radicada na Sagrada Escritura, conforme a interpretação dos Padres da Igreja, teólogos e oradores sacros.

A grande Tradição da Igreja faz referências a vários textos bíblicos para fundamentar o dogma mariano (Gn 3,15;Ex 20,12;Is 60,3;Sl 132,8;Ct 3,6;Lc 1,28;Ap 12). Assim, Maria participa da glória de Jesus Cristo, assim como participou de sua vida, paixão e morte.

Festa da assunção de Nossa Senhora

A solenidade da assunção de Nossa Senhora, celebrada em 15 de agosto, é uma das principais festas marianas da Igreja. No Brasil, 15 de agosto não é mais dia santo de guarda. Por determinação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e autorização da Santa Sé, a solenidade é celebrada no domingo depois do dia 15 de agosto, caso o dia 15 não caia em domingo.

A parte própria do Prefácio da solenidade da assunção de Nossa Senhora, que se encontra no Missal Romano, proclama maravilhosamente o mistério celebrado. O Prefácio diz o seguinte: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu.

Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou, de modo inefável, vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida”.

Maria, imagem e início da Igreja do futuro

A assunção de Nossa Senhora recorda-nos o destino de nossa existência. Um dia, nós estaremos com Deus eternamente. Maria é imagem e início daquilo que a Igreja espera ser. A “Mãe de Jesus, tal como está nos céus já glorificada de corpo e alma, é a imagem e o começo da Igreja como deverá ser consumada no tempo futuro.

Assim também brilha aqui na terra como sinal da esperança segura e do conforto para o povo de Deus em peregrinação, até que chegue o dia do Senhor (cf. 2Ped 3,1)” (Concílio Vaticano II. L.G., nº. 68).

A assunção de Maria aponta-nos para a santificação de nosso corpo. Esse dogma “manifesta o destino do corpo santificado pela graça, a criação material participando do corpo ressuscitado de Cristo, e a integridade humana, corpo e alma, reinando após a peregrinação da história” (CNBB. Catequese Renovada, nº. 235).

A assunção de Nossa Senhora também resgata o valor e a dignidade da mulher no mundo atual. “Uma mulher já participa da glória que está reservada à humanidade. Nasce, para nós, um desafio: lutar em favor das mulheres que, humilhadas, não têm podido deixar transparecer sua grande vocação.

Em Maria, a dignidade da mulher é reconhecida pelo Criador. Quanto nosso mundo precisa caminha

 

8. Imaculada Conceição de Maria

Postado em 29/06/11 ás 08h37

A afirmação da Imaculada Conceição de Maria pertence à fé cristã. É um dogma da Igreja que foi definido no século XIX, após longa história de reflexão e de amadurecimento. Aos 8 de dezembro de 2004, a Igreja celebra 150 anos de definição desta verdade de fé.

Os cristãos são interpelados a conhecer o significado, o conteúdo e as implicações do dogma da Imaculada Conceição de Maria. O estudo deste privilégio é imprescindível e útil na formação mariana.

Imaculada Conceição de Maria significa que ela foi preservada do pecado original desde o primeiro instante de sua existência. Nascendo, há dois mil anos atrás, na Palestina, pequeno país do Oriente Médio, Nossa Senhora teve como pais São Joaquim e Santa Ana. Ela foi concebida sem a mancha do pecado original.

A maternidade divina de Maria é base e origem de sua imaculada conceição. A razão de Maria ser preservada do pecado original reside em sua vocação: ser Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus que assumiu nossa natureza humana para nos salvar. Este privilégio constitui um serviço à salvação do gênero humano.

Breve Histórico

O senso comum dos fiéis sempre acreditou na imunidade de Maria do pecado original. Tanto no Oriente como no Ocidente, na piedade e na liturgia, eles, desde os primeiros séculos, se compraziam em celebrar a santidade e pureza da Mãe de Jesus.

A reflexão teológica da Igreja foi aprofundando, aos poucos, essa crença do povo de Deus. Os escritos cristãos do século II testemunhavam a idéia, concebendo Maria como nova Eva, ao lado de Jesus, o novo Adão, na luta contra o mal.

O Protoevangelho de Tiago, obra apócrifa antiga, narrava que Nossa Senhora é diferente dos outros seres humanos. No século IV, Santo Efrém (306-373), diácono, teólogo e compositor de hinos, propunha que só Jesus Cristo e Maria de Nazaré são limpos e puros de toda a mancha do pecado.

Já no século VIII celebrava-se a festa litúrgica da Conceição de Maria aos 8 de dezembro ou nove meses antes da festa da natividade de Nossa Senhora, comemorada no dia 8 de setembro. No século X a Grã-Bretanha celebrava a Imaculada Conceição de Maria. O debate entre os teólogos atravessou os séculos, tendo opositores e defensores da doutrina da Imaculada Conceição.

Coube a Duns Scott (1266-1308), teólogo franciscano, avançar no debate teológico, argumentando que Maria foi preservada do pecado original em previsão dos méritos de Jesus Cristo, o Salvador universal. Dizia ele: “Convinha que Deus fizesse a exceção; podia fazê-la; portanto, a fez!”. Deus concedeu a Maria o privilégio especial, fazendo-a participar da redenção de Jesus de forma antecipada e preventiva.

Definição dogmática

A posição de Duns Scott foi se afirmando pouco a pouco, triunfando sobre as restrições e hesitações dos grandes teólogos da Igreja. Já no Concílio de Trento (1545-1563) nenhuma objeção teológica abalou a crença na Imaculada Conceição, mas os participantes julgaram que a questão não estava ainda madura para justificar uma posição definitiva.

Com o passar dos séculos, o debate dos teólogos se acalmou, clarificando e aprofundando ainda mais a questão mariana. No século XIX, o Papa Pio IX interrogou os bispos dos diversos países, evidenciando que a necessidade de se declarar o privilégio da Imaculada Conceição de Maria exprimiria o sentimento comum de toda a Igreja. Todavia, a consulta ressaltava que é necessário relacionar tal privilégio com a redenção de Jesus Cristo.

Aos 8 de dezembro de 1854, Pio IX, na Bula “Ineffabilis Deus”, fez a definição oficial do dogma da Imaculada Conceição de Maria. Assim o Papa se expressou:

“Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis”.

Fundamentos bíblicos

Ainda que de maneira implícita, a Igreja encontrou na Bíblia os fundamentos desta doutrina. Em seu Evangelho, São Lucas diz que Maria é “cheia de graça” (Lc 1,28), significando que ela está plena do favor de Deus, da graça divina. Se está totalmente possuída por Deus, não há, em sua vida e coração, lugar para o pecado.

Em Lc 1,31 encontramos a expressão “conceberás em teu seio”. Maria tornou-se, em grau vivo e pleno, o que eram a tenda do Senhor no deserto e o Santo dos Santos no templo de Jerusalém.

Maria veio a ser também, em termos excelentes, aquilo que era a cidade de Jerusalém, o monte Sião do Santo de Israel (Cf. Ez 37,23.27). O mais importante do que qualquer santuário inerte é o santuário vivo de Maria. Em conseqüência, Maria devia ser totalmente pura, isenta de qualquer mancha do pecado.

Em Gn 3,15, lemos: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. A fé cristã interpreta que a mulher é Maria, enquanto a serpente é o demônio, o mal.

Maria e seu descendente, Jesus Cristo, são inimigos do demônio. Por ser mãe do Salvador, Nossa Senhora não poderia ficar sob o poder do demônio, mesmo por um breve momento que fosse. O próprio Filho de Deus não poderia nascer de uma mulher sujeita ao mal, ao pecado. Portanto, Maria devia ficar imune ao pecado original.

Face da humanidade redimida e santa

A Imaculada Conceição de Maria manifesta a nós a face do ser humano redimido. Os próprios bispos reconhecem que esta verdade “apresenta-nos em Maria o rosto do homem novo redimido por Cristo, no qual Deus recria ainda mais admiravelmente o projeto do paraíso” (Doc. Puebla, nº. 298). Nós necessitamos da redenção de Jesus Cristo.

Em Nossa Senhora já resplandece a realização perfeita desta força redentora.
Maria é toda santa. É toda de Deus, protótipo do que somos chamados a ser. “É f