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16. Páginas da História da Igreja

Postado em 10/02/12 ás 14h25

História da Igreja no Brasil - XV

Especialmente depois da Guerra do Paraguai, encerrada em 1870, o contexto político interno do Brasil passou por ampla fermentação e aos poucos começaram a formar-se os fatores que serviriam como antecedentes do sistema republicano.

Vários motivos contribuíram para isto:
A intervenção cada vez maior das forças armadas na política;
A desafeição da opinião publica pela monarquia;
A crescente frieza dos conservadores e do clero em relação ao imperador;
A oposição dos partidos políticos, especialmente o liberal pelo uso do poder moderador em mãos do imperador.

Por causa disto vários movimentos surgidos nas Províncias tiveram caráter de luta pela autonomia e seguiam os ideais republicanos:
Guerra dos Farrapos (1835-45) - Rio Grande do Sul.
Revolução Praieira (1848) - Pernambuco

Outros movimentos:
No contexto político o Partido Liberal e também o Conservador continuavam dividindo o poder, reservando para si a composição dos ministérios. A luta pela libertação total dos escravos continuava e vários passos foram dados. Em 1871 foi sancionada a "Lei do Ventre Livre".

De muito já havia militares participando da política, fazendo-se eleger para cargos importantes, mesmo os que estavam no serviço ativo. Em 1866 Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias foi nomeado comandante em chefe das forças brasileiras e em 1868, comandante geral da Guerra contra o Paraguai, apesar das criticas liberais. Com a queda do gabinete liberal de 1868 a Caxias coube a responsabilidade de organizar o novo mistério. Já deste período surgiam os conflitos entre civis e militares por causa da intervenção destes na política.

A partir de 1860 vários antecedentes irão fortalecer ainda mais o ideal republicano, até porque em toda a América Latina o Brasil era a única monarquia que ainda restava.

Antecedentes da República

A partir da segunda metade do século XIX começaram a se configurar alguns elementos que vão se juntando, ganhando força e que levarão ao declínio da monarquia brasileira e ao fim do império, com a proclamação da República em Novembro de 1889. Entre os principais podemos citar:

A oposição do Partido Liberal à monarquia:
Este partido que sempre se destacou no contexto político da nação tinha os seguintes destaques em sua plataforma: Era contrário ao poder moderador do imperador, opinando que este poder deveria ser dado aos ministros, cobrava maior autonomia e descentralização do governo, propunha o fim do caráter vitalício do mandato senatorial, defendia a federalização do estado e queria a abolição do conselho de estado.

A expressão desta oposição nós a encontramos na publicação do Manifesto Republicano do dia 03 de dezembro de 1870 e na realização da Convenção de Itu em 1871.
Entre os principais republicanos que mais trabalharam na configuração de sua plataforma e na composição de sua base podemos destacar Saldanha Marinho, Quintino Bocaiuva, Prudente de Morais e Campo Sales. A partir de 1871 os republicanos começam a participar das Assembleias Provinciais e gerais.

O descontentamento do exercito:
O exército foi acumulando uma grande desconfiança em relação aos monarquistas, pois segundo o exército estes eram desconhecedores da real situação do país. Havia ainda o descontentamento pelo abandono do exército, sobretudo depois de tudo o que fez na Guerra do Paraguai. Já deste tempo também existia a reclamação pela baixa remuneração recebida.

Afastamento da Igreja:
O afastamento da Igreja em relação à monarquia se deu por causa da política regalista, com o excessivo galicanismo e a política religiosa intolerante do governo manifesta nas seguintes ações:
Intervenção e controle das ordens e congregações religiosas;
Necessidade do “Placet Real” para a aplicação das bulas papais e outros documentos;
Ligação do estado (oficialmente católico) com a maçonaria e a grande influência desta sociedade nos destinos políticos da nação;
Intervenção do império na vida interna da Igreja, mesmo em assuntos que não lhe diziam respeito.

Dom Vital, Bispo de Olinda, motivador da celebre Questão Religiosa

Tudo isto como fruto da Lei do Padroado que já vinha do tempo da colonização. O Estado é tido como patrão da Igreja, recolhia suas taxas e subvencionava o clero, criando uma forte dependência. A expressão desta oposição se deu no conflito Igreja-Estado com a "Questão Religiosa" (1872-75) com a condenação dos bispos de Olinda, PE e Belém, PA.

Ação da Imprensa Liberal:
Outro antecedente da republica foi a monopolização da opinião publica pela imprensa liberal. A maioria dos jornais deste tempo já trabalhava na propaganda republicana.

Libertação dos Escravos:
Enquanto a questão política tornava-se cada vez mais complexa, a luta pela libertação dos escravos continuava. Em 1871 sancionou-se a Lei do Ventre Livre.
Um fundo de emancipação foi constituído para subsidiar a libertação movida pela ação dos abolicionistas com destaque para Joaquim Nabuco.

 

José do Patrocínio foi um dos que mais se envolveu na Questão Abolicionista

 

A luta pela emancipação atingiu a imprensa, o mundo literário e estudantil com ação panfletária e o engajamento das Universidades. Aos poucos as Províncias começaram a libertar os escravos. A primeira foi o Ceará. Em 1885 sancionou-se a Lei dos Sexagenários. Em 1888 estabeleceu-se a Lei Áurea pondo um fim definitivo à escravidão negra no país. Neste ano ainda havia 700 mil escravos no Brasil.

Especialmente por causa da luta pela libertação dos escravos, outro antecedente veio se juntar aos motivadores da republica. Tratava - se do afastamento dos conservadores (Aristocracia rural) em relação ao império (monarquia).

Outros fatores:
A filosofia do positivismo e do racionalismo tinha fortes ramificações no exercito, e isto levava - o a se afastar ainda mais da monarquia.
Os partidos políticos prevendo o fim iminente da republica passaram a atrair militares aos seus quadros para garantir o apoio e atenção do exercito, Com isso diversos generais tornaram-se conselheiros.

O exercito estava dominado por um "messianismo político", ou seja queria salvar a pátria pela intervenção na vida política. Os últimos gabinetes de ministros tiveram a vida muito breve e a instabilidade política apressou a Proclamação da Republica acontecida por fim no dia 15 de novembro de 1889.

 

15. Páginas da História da Igreja

Postado em 05/01/12 ás 09h31

História da Igreja no Brasil - XIV

Continuamos agora falando um pouco mais da evolução sócio – política e econômica do Brasil. Na ultima metade do século XIX ganharam destaque a evolução econômica e cultural do Brasil e dentro dela os fatores que levarão ao fim da monarquia com a implantação do regime republicano no país.

Organização Interna e Política Socio–Cultural

O Segundo Império brasileiro (1831 – 1889) representou para o Brasil uma fase de forte crescimento econômico e cultural, apesar dos conflitos internos e externos. No contexto interno o maior conflito desta época seria a famosa Revolução Praieira (1848) acontecida em Pernambuco.

Economia

A base da economia continuava sendo a agricultura, tendo em vista o abastecimento do mercado externo. Os principais produtos de exportação eram o açúcar, tabaco, couro e aos poucos começava a entrar também o café.

Já que a importação de escravos tinha sido proibida (o comércio interno continuou), começou a aumentar o afluxo de imigrantes estrangeiros.Até 1850 chegaram aproximadamente 12 mil imigrantes. De 1855 a 1862 a média anual de imigrantes alcançava 19 mil.

Pequenos bancos locais foram fundados a partir de 1836 (Ceará - 1836; Rio - 1838; Maranhão - 1846; Bahia - 1847 e Pará - 1851), mas por lei instituída em 1853 o governo imperial tinha o monopólio da emissão de moedas através do Banco do Brasil que tinha sido criado em 1808.

Ainda nesta época aumentou bastante o comércio marítimo e a tonelagem também aumentou. Em 1873, 29% dos navios eram movidos a vapor. Em 1854 foi construída a 1ª ferrovia pelo Barão de Mauá. De 14,5 até 1889, já eram 9,5 mil Kms de ferrovias construídas.

Em 1853 foram construídos os primeiros sistemas de telégrafo e até 1889 já eram 18,5 mil Km de linha. Em 1874 foram introduzidos os telégrafos submarinos, também por obra do Barão de Mauá.

De 1846-47 para 1874-75 as exportações cresceram de 55,7 para 208,4 mil contos e as importações de 55,7 para 167,5 mil contos (1 conto = 1000 réis).

As taxas cambiais variavam de 26 a 31 pence por mil réis. Em 1850 foi promulgado o Código Comercial e seu regulamento. Outras leis regularam o processo de cobrança de impostos e taxas.

Em 1853 o Barão de Mauá também fundou uma companhia para iluminar a gás a cidades do Rio.

Política
Na área política a situação se acalmou e praticamente durante todo o império o partido liberal e o conservador se revezaram no poder formando os gabinetes ministeriais e comandando o parlamento.

Cultura
No campo da cultura o período que vai de 1837-70 representou o despertar da consciência nacional em todos os campos da produção, mas a influência estrangeira continuava, sobretudo, a influência francesa e alemã.

Entre outros, os grandes nomes de destaque deste período foram Gonçalves Dias (Da escola chamada de Panteísmo - Naturalismo), Castro Alves (caracterizado como Poeta Social) e José de Alencar (Indianismo).

Novos dados sobre o Segundo Império

A partir da Guerra do Paraguai que terminou em 1870 as mudanças continuaram acontecendo de modo muito mais veloz e em todos os campos. No comércio, o valor cresceu de 300 mil contos em 1866 para 400 mil em 1888. Em 1872 realizou-se o primeiro recenseamento do país. No setor dos transportes as ferrovias cresceram de 513 Kms em 1866 para 3,4 mil Kms em 1872.

Em 1873 a cidade do Rio de Janeiro foi iluminada a gás e em 1874 foi instalado o 1º cabo transatlântico de comunicação. Em 1861 foi criado o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Na agricultura o café já começava a substituir a cana de açúcar. Em 1860 o café representava 48,8% das exportações.

A Inglaterra continuava tendo a preferência no comércio bilateral com o Brasil pelos tratados de 1810, 1827. Só em 1844 foi adotada nova política econômica.

Em 1850 existiam apenas 50 fabricas no Brasil, em 1889 já eram 636 e empregavam 54 mil operários.
Importante deste período foi a criação da Escola Politécnica (1837) e a realização de exposições regionais e nacionais.

Nos transportes as trilhas indígenas começavam a ser substituídas por estradas de tropas. No Norte-Nordeste ainda hoje persistem as "Estradas de Gado" também conhecidas como “Boiadeiras”.

Os principais meios de transportes eram as Tropas e tropeiros que tocavam suas mulas, Carroças e Coches onde as distâncias fossem mais curtas.

Dos pousos e pousadas e dos currais surgiriam mais tarde algumas das mais prósperas cidades de hoje.

Em 1861 foi inaugurada a primeira rodovia de Brasil. A navegação de Cabotagem e os portos foram sendo melhorados e ampliados, mas ainda se enfrentava o velho problema da concorrência estrangeira. Os rios continuavam sendo aproveitados na interiorização e aos poucos passaram a se fundar companhias fluviais.

A Imigração

Até 1808 somente portugueses podiam vir ao Brasil. A presença estrangeira só era permitida por causa dos tratados e acordos comerciais. Nova Friburgo, no Rio de Janeiro foi a primeira colônia de imigrantes fundada no Brasil (1818). Ao longo do 1º e 2º império fundaram-se novas colônias e aumentou a imigração. Para isso formaram-se sociedades colonizadoras e criou - se o sistema de parcerias.

Durante o 2º império: Nos últimos tempos do Segundo Império a imigração e colonização alemã cresceram de maneira acentuada e tivemos a melhoria da legislação e política imigratória. Com a diminuição do tráfico de escravos, aumentou a entrada de imigrantes no Brasil.

Os italianos que chegaram eram levados para trabalhar na cultura do café, sobretudo no estado de São Paulo. Com isso vai acontecer uma evolução nos métodos agrícolas, com a utilização das experiências e métodos que foram trazidos da Europa.

 

14. Páginas da História da Igreja

Postado em 01/12/11 ás 17h03

História da Igreja no Brasil - XIII

Em 1840, depois de toda a luta para antecipar sua maioridade, Dom Pedro II assumiu o governo monárquico do Brasil e ficaria no poder até 1889.

Nos primeiros tempos enfrentou muitas dificuldades por causa do difícil situação econômica e administrativa do império devido a complicada situação política. Aos poucos, porém, foi impondo o seu modo de governar e o país conseguiu bons avanços em todos os campos.

No contexto interno, políticos liberais e conservadores se alternavam na formação dos gabinetes de governo. Ao lado disso continuavam acontecendo revoltas e revoluções nas províncias do império, destacando - se a Revolta de Alagoas (1844) e a Revolução Praieira em Recife (1848/50).

O Poder Moderador dava uma grande autoridade ao imperador e isso sempre foi motivo de choque e oposição com o legislativo.

Três questões marcariam de vez o Segundo Império Brasileiro e o tempo de governo de Dom Pedro II. Seriam elas o fim da Escravidão Negra no país, os conflitos externos, com destaque para a Guerra do Paraguai e a evolução interna da economia, com amplos progressos, sobretudo na área dos transportes e comunicação.

Evolução da Questão Racial no Brasil

Durante o Segundo Império a questão negra tornou - se ainda mais complexa. Nos anos de 1826/27 foram assinados tratados de comércio e navegação com a Inglaterra, marcando o ano de 1830 como o final da importação de escravos.

A aristocracia rural não aceitou tal medida por duas razões. Primeiro porque não estava preparada para substituir a mão de obra escrava por mão de obra assalariada e também porque isto reduziria muito seu lucro e seu poder. Se tal medida se tornasse vitoriosa a Inglaterra conseguiria diminuir o poder dos conservadores radicados em sua maioria na Aristocracia Rural.

É bom lembrar que nesta época a Inglaterra vivia o auge da Revolução industrial e, embalada pela doutrina do liberalismo Econômico, precisava de nossos mercados para desovar sua produção.

A partir de então a Inglaterra começou uma constante pressão contra a importação de escravos com o fim de tornar a situação insustentável para os armadores e para os comerciantes. O Brasil passou, porém, a contratar navios de outros países como a França e passou a usar navios menores que tinham mais facilidade de furar os bloqueios navais. Com tudo isso o número de escravos importados continuou praticamente o mesmo, ou seja, na casa de 50 a 60 mil por ano.

Paralelo a isso aumentou o movimento nacional contra o tráfico negreiro e diversas leis foram sendo aprovadas como a Lei dos Sexagenários e a Lei do Ventre Livre que viriam como os últimos capítulos antes da Lei Áurea de 1888.

Começou também neste período uma política de intensificação do recrutamento de imigrantes na Europa. Em 1835 formou - se uma Sociedade colonizadora para recrutar, proteger e auxiliar os imigrantes que chegassem. Antes de 1850, porém, apenas 12 mil imigrantes entraram no país.

Os tratados e acordos que foram assinados com outros países, a concretização do Sistema de Parcerias, a melhoria da Legislação e Política Imigratória fizeram com que aumentasse o número de imigrantes que a cada ano entrava no país. Estes viriam, em sua maioria, para trabalhar na cultura do café e iriam propiciar a modificação dos métodos agrícolas.
A cidade de Nova Friburgo foi a primeira colônia fundada no país, isto em 1818.

Conflitos Externos

Algumas questões de fronteira e outros conflitos de interesse já vinham acontecendo no país desde o Primeiro Império, especialmente no sul do Brasil. Conflitos envolvendo os países da região como Uruguai e Argentina passaram a ser mediados pela França e Inglaterra e o Brasil também se envolveu na questão. Em 1845 terminou a Guerra dos Farrapos e o Rio Grande do Sul foi reintegrado ao império.

Uma questão que deu muita discussão neste tempo só foi resolvida a partir de 1850. Tratava - se da liberdade de navegação no Rio da Prata e no Rio Amazonas, caminhos naturais de penetração para o interior do continente. A assinatura de tratados internacionais em 1866 com os países fronteiriços resolveu de vez esta questão.

Disputas por fronteiras existiam varias: Com o Uruguai, com a Inglaterra por causa do Amapá e com a França por causa das Guianas, mas a questão mais grave e que atingiu maiores proporções foi a Guerra contra o Paraguai. A princípio o Brasil manteve - se neutro, mas quando as perturbações atingiram o território brasileiro e as medidas diplomáticas fracassaram, o Brasil entrou na guerra.

A Guerra do Paraguai durou de 1864 até 1870 envolvendo de um lado o Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai do ditador Solano Lopes.

No auge da guerra mais de 200 mil soldados estiveram em armas, sendo 67 mil do lado brasileiro destacando - se a figura de Duque de Caxias.

O Paraguai saiu da guerra completamente destruído. Sua população de mais de 01 milhão de habitantes foi reduzida a pouco mais de 300 mil e os mortos da guerra chegaram a mais de 800 mil, sendo 33 mil do lado brasileiro. O Paraguai perdeu um terço de seu território e ganhou um enorme débito financeiro que até hoje prejudica o seu desenvolvimento.

Progresso Econômico e Cultural

O Segundo Império Brasileiro, apesar das crises pelas quais passou representou para o país uma época de avanços e crescimento nos campos da economia e da cultura.

A base da economia continuava sendo a agricultura, tendo em vista a exportação para o mercado externo, mas começava a se diversificar. Aos poucos crescia a cultura do café, sustentada agora pelos imigrantes europeus que aumentavam em número e qualidade.

Nas ultimas décadas do século XIX chegava uma média de 19 mil imigrantes por ano, vindos, sobretudo, da Itália e Alemanha e numa menor proporção de outros países.

Pequenos bancos foram fundados a partir de 1836, mas o Banco do Brasil já detinha o monopólio na emissão de moedas.

A partir de 1854 começaram a ser construídas as primeiras ferrovias, instalados os primeiros cabos de telégrafos no continente e implantada a primeira linha telefônica submarina unindo o Brasil à Europa. No comércio exterior aumentava a tonelagem exportada e as cidades começaram a ser iluminadas a gás.

Até 1889 já existam 636 fábricas instaladas no Brasil, empregando uma média de 54 mil operários.
No campo da cultura as últimas décadas do século XIX marcarim o despertar da consciência nacional em todos os campos da produção, mas a influência estrangeira ainda continua forte.

Grandes nome

 

13. Páginas da História da Igreja

Postado em 10/11/11 ás 13h30

História da Igreja no Brasil – XII

Depois dos 13 anos do governo de Dom Pedro I, naquele que é chamado de Primeiro Império, ele se viu obrigado a voltar à Portugal. Foram vários os motivos que provocaram esta volta.

Entre eles podemos citar a oposição constante do Legislativo Brasileiro motivada pelo fato do imperador violar constantemente as regras constitucionais. Além disso, a má condução das finanças e administração era o foco de uma crítica constante.

A oposição ao imperador reforçou – se pela ação dos jornais da época, pois dos 53 jornais publicados até 1830, somente 11 foram favoráveis ao imperador.Por causa disso em varias províncias do império surgiram tentativas de se implantar a república, destacando – se a célebre revolução acontecida em Pernambuco no ano de 1824.

A complicação da situação em Portugal também contribuiu para apressar a abdicação de Dom Pedro I em favor de seu filho Pedro II que tinha então somente 06 anos. Ele retornou a Portugal em 1831 deixando seu filho no Brasil.

O tempo das Regências

Este tempo que agora passamos a estudar duraria 09 anos, período compreendido entre 1831 e 1840. A abdicação de Dom Pedro I representou a completa vitória do liberalismo, sistema que ainda predominaria durante o tempo das regências e Segundo Império.

Em abril de 1831 foi constituída uma Regência Provisória formada por membros do parlamento. Em junho deste mesmo ano formou – se uma Regência Permanente que sucessivamente seria composta pelos membros mais influentes da sociedade e do parlamento brasileiro, destacando - se Duque de Caxias e o Padre Antonio Diogo Feijó.

O período das regências foi marcado pela anistia geral, reforma constitucional abolindo o Conselho de Estado e criação das Assembléias Provinciais.

Poder dos Regentes

Os regentes do menino Pedro II não podiam dissolver a câmara, conceder títulos ou condecorações. Eles só tinham parte do Poder Moderador. Por esta razão podiam exercer outras atividades. Padre Feijó, por exemplo, foi Ministro da Justiça e José Bonifácio declarado Tutor do príncipe. Aos regentes cabia sim organizar os ministérios.

A reforma constitucional foi completada em agosto de 1834 através de um Ato Adicional, mas tinha muitos excessos.

Neste período, 04 partidos políticos dominavam o cenário da nação. Existia o Partido Absolutista que era conservador, o Partido Republicano, o Constitucionalista que era liberal e o chamado Partido Comodista considerado como o que ficava “em cima do muro”, pendendo ora para um, ora para outro lado.

A partir de 1839 começou um duplo movimento: Os conservadores queriam reforçar o governo central e os liberais propunham a antecipação da maioridade de Dom Pedro II, o que de fato veio a acontecer e no dia 23 de julho de 1840 Dom Pedro II tornou - se o novo imperador do Brasil. O primeiro ministério que ele nomeou foi formado basicamente por políticos liberais, tendência dominante no período.

Movimentos e Revoluções no país

O período das Regências foi marcado por alguns progressos, mas também por varias revoluções e revoltas no país. As principais revoltas e revoluções foram:

Cabanagem: Acontecida no Pará entre 1832 e 1837;

Guerra dos Farrapos: Acontecida no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845;

Revolta da Sabinada: Acontecida na Bahia entre 1837 e 1838;

Balaiada: Acontecida no Maranhão entre 1839 e 1840.

Todas estas revoltas e movimentos tinham algumas características comuns:

Tinham caráter separatista ou federalista, lutando por maior autonomia das províncias, reagindo contra presidentes de província impostos pelo regente;

Eram de tendência republicana e influenciadas pelo movimento liberal;

Contavam com ampla participação popular e com a presença de líderes carismáticos;

Culminavam com um momento de descrédito da autoridade central e por isso exploravam a sua fraqueza;

Tinham alem disso influência das idéias que vinham da Argentina e do Uruguai.

É bom a gente lembrar que neste tempo, como já havia acontecido durante o primeiro império, continuava a influência dos jornais na formação da opinião pública, especialmente na capital do Império, Rio de Janeiro e nas maiores cidades do país.

Junto com a declaração de maioridade de Dom Pedro II permitindo que ele começasse a governar aos 14 anos, vieram algumas mudanças, mas a situação em sua totalidade permaneceu bastante crítica.

Tempo de Governo de Dom Pedro II

O novo imperador do Brasil governaria o nosso país durante quase 50 anos, mas se a sua maioridade representou uma vitória do liberalismo, os tempos que se seguiram foram bastante difíceis. Isto por diversas razões.

O poder político foi monopolizado apenas por algumas famílias e nem os partidos políticos mais influentes participavam plenamente desta oligarquia. Por outro lado os movimentos separatistas continuavam agindo, sobretudo no Rio Grande do Sul.

Algumas ações liberais acontecidas também em São Paulo e Minas Gerais foram reprimidas pelo Duque de Caxias a mando do imperador, por isso ele ganhou o título de “O Pacificador”.

Apesar de alguns avanços significativos a situação no campo da cultura e administração era bastante precária. Por outro lado o panorama econômico do império era também precário por causa dos gastos excessivos, errada política de circulação da moeda, política financeira desastrada e pouca ação comercial externa.

Por causa disto o império brasileiro foi marcado por algumas situações bem conhecidas de todos nós, pois rondavam até algumas décadas na história mais recente de nossa nação.

Naquele tempo a abundante emissão de moeda fez aumentar a inflação e a desvalorização monetária. Com isso cresceu o custo de vida, o déficit interno e a falta de crédito. Alguns tratados de comércio assinados anteriormente fizeram aumentar a nossa dependência externa, pois foram altamente desfavoráveis ao país.

Se hoje somos dependentes dos EUA e outras nações, naquele tempo éramos presas fáceis da Inglaterra e da França.

Apesar de tudo isso o Segundo Império no Brasil trouxe avanços e novas perspectivas. Ele passaria por diversas fases que rapidamente elencamos:

Período das Regências: De 1831 a 1840;

Primeira Fase do Império: De 1840 a 1850;

Apogeu do II Império: De 1850 a 1863;

Guerras Externas: 1864 a 1870;

Decadência e fim da Monarquia: 1870 a 1889. 

 

12. Páginas da História da Igreja

Postado em 15/10/11 ás 08h24

História da Igreja no Brasil – XI

Depois dos 13 anos de governo de Dom Pedro I, naquele que é chamado de Primeiro Império, ele se viu obrigado a voltar à Portugal. Foram vários os motivos que provocaram esta volta.

Entre eles podemos citar a oposição constante do Legislativo Brasileiro motivada pelo fato do imperador violar constantemente as regras constitucionais. Além disso, a má condução das finanças e administração era foco de uma crítica constante.

A oposição ao imperador reforçou – se pela ação dos jornais da época, pois dos 53 jornais publicados até 1830, somente 11 eram favoráveis ao imperador.

Por causa disso em varias províncias do império surgiram tentativas de se implantar a república, destacando – se a célebre revolução acontecida em Pernambuco no ano de 1824.

A complicação da situação em Portugal também contribuiu para apressar a abdicação de Dom Pedro I em favor de seu filho Pedro II que tinha então somente 06 anos. Ele retornou a Portugal em 1831 deixando seu filho no Brasil.

O tempo das Regências

Este tempo que agora passamos a estudar duraria 09 anos, período compreendido entre 1831 e 1840.
A abdicação de Dom Pedro I representou a completa vitória do liberalismo, sistema que ainda predominaria durante o tempo das regências e segundo império.

Em abril de 1831 foi constituída uma Regência Provisória formada por membros do parlamento. Em junho deste mesmo ano formou – se uma Regência Permanente que sucessivamente seria composta por membros mais influentes da sociedade e do parlamento brasileiro, destacando - se Duque de Caxias e o Padre Antonio Diogo Feijó.

O período das regências foi marcado pela anistia geral, reforma constitucional abolindo o Conselho de Estado e criação das Assembléias Provinciais.

Poder dos Regentes

Os regentes do menino Pedro II não podiam dissolver a câmara, conceder títulos ou condecorações. Eles só tinham parte do Poder Moderador. Por esta razão podiam exercer outras atividades. Padre Feijó, por exemplo, foi Ministro da Justiça e José Bonifácio declarado Tutor do príncipe. Aos regentes cabia sim organizar os ministérios.

A reforma constitucional foi completada em agosto de 1834 através de um Ato Adicional, mas tinha muitos excessos.

Neste período, 04 partidos políticos dominavam o cenário da nação. Existia o Partido Absolutista que era conservador, o partido republicano, o constitucionalista que era liberal e o chamado partido comodista considerado como o que ficava “em cima do muro”, pendendo ora para um lado, ora para outro.

A partir de 1839 começou um duplo movimento. Os conservadores queriam reforçar o governo central e os liberais propunham a antecipação da maioridade de Dom Pedro II, o que de fato veio a acontecer e no dia 23 de julho de 1840 Dom Pedro II tornou - se o novo imperador do Brasil.

O primeiro ministério que ele nomeou foi formado basicamente por políticos liberais, tendência dominante no período.

Movimentos e Revoluções no país

O período das Regências foi marcado por alguns progressos, mas também por varias revoluções e revoltas no país. As principais revoltas e revoluções foram:

Cabanagem: Acontecida no Pará entre 1832 e 1837;

Guerra dos Farrapos: Acontecida no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845;

Revolta da Sabinada: Acontecida na Bahia entre 1837 e 1838;

Balaiada: Acontecida no Maranhão entre 1839 e 1840.

Todas estas revoltas e movimentos tinham algumas características comuns:

Tinham caráter separatista ou federalista, lutando por maior autonomia das províncias, reagindo contra presidentes de província impostos pelo regente;

Eram de tendências republicanas e influenciadas pelo movimento liberal;

Contavam com ampla participação popular e contavam com a presença de líderes carismáticos;

Culminavam com um momento de descrédito da autoridade central e por isso exploravam a sua fraqueza;

Tinham alem disso influência das idéias que vinham da Argentina e do Uruguai.
É bom a gente lembrar que neste tempo, como já havia acontecido durante o primeiro império continuava a influência dos jornais na formação da opinião pública.

Junto com a declaração de maioridade de Dom Pedro II permitindo que ele começasse a governar aos 14 anos, vieram algumas mudanças, mas a situação em sua totalidade permaneceu bastante crítica.

Tempo de Governo de Dom Pedro II

O novo imperador do Brasil governaria o nosso país durante quase 50 anos, mas se a sua maioridade representou uma vitória do liberalismo, os tempos que se seguiram foram bastante difíceis. Isto por diversas razões.

O poder político foi monopolizado apenas por algumas famílias e nem os partidos políticos mais influentes participavam plenamente desta oligarquia. Por outro lado os movimentos separatistas continuavam agindo, sobretudo, no Rio Grande do Sul. Algumas ações liberais acontecidas também em São Paulo e Minas Gerais foram reprimidas pelo Duque de Caxias.

Apesar de alguns avanços significativos a situação no campo da cultura e administração era bastante precária. Por outro lado o panorama econômico do império era também precário por causa dos gastos excessivos, errada política de circulação da moeda, política financeira desastrada e pouca ação comercial externa.

Por causa disto o império brasileiro foi marcado por algumas situações bem conhecidas de todos nós, pois rondavam até algumas décadas na história mais recente de nossa nação.

Naquele tempo a abundante emissão de moeda fez aumentar a inflação e a desvalorização monetária. Com isso cresceu o custo de vida, o déficit interno e a falta de crédito. Alguns tratados de comércio assinados anteriormente fizeram aumentar a nossa dependência externa, pois foram altamente desfavoráveis ao país.

Se hoje somos dependentes dos EUA e outras nações, naquele tempo éramos presas fáceis da Inglaterra e da França.

Apesar de tudo isso o Segundo Império no Brasil trouxe avanços e novas perspectivas. Ele passaria por diversas fases que rapidamente elencamos:

Período das Regências: De 1831 a 1840;

Primeira fase do Império: De 1840 a 1850;

Apogeu do II Império: De 1850 a 1863;

Guerras Externas: 1864 a 1870;

11. Páginas da História da Igreja

Postado em 19/09/11 ás 14h16

História da Igreja no Brasil – X

Depois de mais de 300 anos vivendo no regime colonial o Brasil entraria no século XIX para viver uma nova etapa de sua história. Entre os dias 27 e 29 de novembro de 1807 a família real portuguesa, com numerosa comitiva embarcava para o Brasil, com o intuito de transferir para a América a sede do governo lusitano. Um dia depois as tropas invasoras do exército de Napoleão Bonaparte entravam em Lisboa, sem encontrar resistência.
Durante a viagem de Portugal para o Brasil a comitiva portuguesa seria protegida pelas naves de guerra da Inglaterra, seu aliado e protetor.

2ª Época - A formação do novo Estado (1808-1930)

Uma pergunta que até hoje os historiadores tentam responder é os motivos que levaram a família real portuguesa a mudar-se para o Brasil.
Para responder esta pergunta precisamos compreender a situação da Europa no início do século XIX.
 

Uma corte em movimento:
Portugal havia se tornado uma região semi - periférica do capitalismo industrial, sendo colocado no centro da disputa entre França e Inglaterra pelo domínio do mundo. A dependência de Portugal tornava impossível a neutralidade.

Para a Inglaterra era mais interessante conservar a vasta colônia do que a minúscula metrópole. A marinha inglesa tinha o domínio dos mares e seus navios retiravam do Brasil toda a matéria prima de que precisavam.
Quando começou o movimento expansionista de Napoleão Bonaparte Portugal foi a vitima da hora na luta entre as duas potencias.

Rio de Janeiro, Capital da Monarquia Portuguesa

A idéia de se transferir a sede do império para o Brasil já tinha sido ventilada no passado, mas somente a invasão francesa tornou possível a concretização da idéia. Nesta época a cidade do Rio de Janeiro já gozava da condição de capital. Por volta de 1763 a cidade tinha uma população de aproximadamente 100 mil habitantes.

Significados da mudança da corte para o Brasil:
Perda da autonomia por parte do Brasil, pois já não existia mais a distancia em relação à metrópole.
Desorganização econômica, pois a colônia teve de arcar com todas as despesas da mudança, transferência e reorganização da corte. Além disso, precisou continuar pagando as taxas para sustentar os exércitos que lutavam em Portugal contra os invasores.

Dificuldades das mudanças administrativas, tendo a cidade que adaptar-se por não estar preparada para receber a corte. Nos primeiros tempos a oposição e a luta entre a nobreza lusitana e criola seria bastante intensa.

Brasil, Reino Unido a Portugal (1808-1822)

Com a chegada da família real no Rio de Janeiro e com sua instalação, ainda que provisória, diversas medidas foram sendo tomadas:
Abertura dos portos ao comercio exterior, com o fim do monopólio de Portugal.

Realização de um programa de melhoramentos internos com a fundação de colégios, criação da Imprensa Régia, inauguração da Biblioteca Nacional e do Jardim Botânico, reaparelhamento da marinha e criação de um programa de fortificações ao longo da costa brasileira.

Implantação de um programa de reformas administrativas com fornecimento de crédito, emissão de papel moeda e criação do Banco do Brasil.

Paralelo a essas medidas o Brasil precisou trabalhar para superar as dificuldades internacionais, além das revoltas internas. Com isto vários progressos foram conseguidos, novos mercados e novos meios de transporte incentivam a produção.

Em 1822, antes da Independência, as 19 capitanias forma transformadas em províncias, que mais tarde dariam origem aos atuais estados.

Primeiro Império Brasileiro (1822-1831)

Em 1820 aconteceu a Revolução do Porto obrigando a volta de Dom João VI a Portugal. Napoleão Bonaparte havia sido vencido em 1814 e a Europa passava por uma reestruturação geopolítica fruto do Congresso de Viena (1814\15).

Dom Pedro I permaneceu no Brasil, assumindo o trono e garantindo liberdade e respeito à Igreja católica, mas aos poucos foi se desentendendo com Portugal. A independência do Brasil tem a sua data simbólica no dia 07 de setembro de 1822.

Na realidade, porem, nunca houve de fato a tão sonhada independência. O Brasil simplesmente saiu dos círculos dominadores de uma metrópole para cair sob a dominação de outra.
Durante o império haveria ainda a influência decisiva do liberalismo, a ação da maçonaria e do positivismo. Com isto as maiores províncias do império estariam numa constante fermentação.

A partir de 1823 começou uma campanha de normalização da vida interna do império com a convocação de uma assembléia constituinte e promulgação da primeira constituição brasileira. Ao lado disto começou-se uma campanha externa para conseguir o reconhecimento do novo império, com o envio de embaixadores às principais nações

Crises e dificuldades

A proclamação do império não significou o fim das dificuldades para o Brasil. Em primeiro lugar, Dom Pedro I precisou enfrentar a revolta da guarnição portuguesa que ficou no Rio de Janeiro, até que em 1823 os últimos soldados portugueses saíssem do Brasil.

Diversas revoltas eclodiram nas províncias brasileiras destacando-se a tentativa de instaurar a republica em Pernambuco no ano de 1824. Por causa disto foi criado o Conselho de Estado formado pelos representantes das províncias. Além disso, duas novas províncias, Amazonas e Paraná foram também criadas.

Se as dificuldades internas eram grandes, também não faltaram crises externas. Uma delas foi a revolta na Província Cisplatina (Uruguai) que na época pertencia ao Brasil. Esta revolta foi completamente subjugada apenas em 1828.

O caráter e a personalidade do imperador Pedro I fez por aumentar ainda mais esta crise que marcou toda a vida do primeiro império brasileiro. Ela fez com que a Assembléia Constituinte fosse dissolvida e a constituição fosse criada e promulgada segundo a vontade do imperador. Por causa disto a oposição fortaleceu seus ataques, chegando a criar um jornal oposicionista.

Apesar disto progressos foram alcançados na economia e nas finanças. Em 1828 foi criado o Supremo Tribunal de Justiça e em 1830 entrou em vigor o novo código criminal.

Vários motivos, como estes que citamos acima provocaram o fim do primeiro império com a crescente dificuldade de relacionamento do imperador com o poder legislativo, com o fortalecimento da oposição e com a complicação da situação em Portugal.

Com isso Dom Pedro I deix

 

10. Páginas da História da Igreja

Postado em 24/08/11 ás 14h43

História da Igreja no Brasil – IX

Três elementos constituíram a base do sistema colonial imposto no Brasil por Portugal. Este sistema vigoraria durante aproximadamente quatro séculos. São eles:

Monocultura, baseada no extrativismo e exploração primaria do meio ambiente;

Economia visando o abastecimento do mercado externo;

Agricultura baseada na exploração de mão de obra escrava.

A economia colonial estruturou-se desta forma nos chamados ciclos sócio-econômicos. Destaco hoje neste artigo os mais importantes.

Ciclo do Pau Brasil

Localizou-se ao longo do litoral brasileiro, atingindo especialmente o Nordeste, entre a Bahia e o estado do Maranhão. As fazendas também chamadas de feitorias constituíram-se nos pólos de exploração da madeira que depois era levada para entrepostos comerciais, localizados em sua maioria no litoral. De lá o Pau Brasil era exportado para a Europa para ser utilizado na industria têxtil.

Este ciclo teve o seu auge nos séculos XVI e XVII e visava basicamente abastecer o mercado externo.
Uma questão que fica até nos dias de hoje é sobre a responsabilidade deste ciclo no desmatamento e, portanto, no problema da seca no Nordeste.

Este ciclo não provocou a urbanização no Brasil.

Ciclo do Açucar

Foi introduzido no Brasil à partir da segunda metade do século XVI e atingiu todo o Nordeste e parte do Sudeste brasileiro.

Ele teve o seu auge no século XVII e seus pólos de exploração eram os engenhos onde se destacavam a Casa Grande, residência da família do senhor de engenho, a senzala onde se amontoavam os escravos, as instalações onde se produziam o açúcar e a rapadura e por fim as grandes plantações.

Por volta de 1700 a Bahia tinha 146 engenhos, Pernambuco tinha 236, Rio de Janeiro 136. A produção total de açúcar chegava a 1,3 milhões de Quilos.

O maranhão chegou a ter 500 engenhos, mas foi abandonado - os aos poucos.
Este ciclo começou a decair no século XVIII com a concorrência do açúcar produzido nas Antilhas Holandesas.

Quando o ouro foi descoberto nas Minas Gerais este ciclo passou a perder população por causa das pessoas que iam trabalhar nos garimpos.

Como o ciclo do Pau Brasil este também não provocou a urbanização.

Ciclo do Gado

A princípio este ciclo concentrou-se mais no Vale do Rio São Francisco, mas em pouco tempo foi estendendo-se em direção Centro e Sudeste brasileiro, sendo o primeiro responsável pela interiorização da exploração. No século XVIII os Pampas Gaúchos tornaram-se a região privilegiada para a exploração do gado, tendo em vista a produção do famoso Charque.

Seus pólos de exploração eram as fazendas onde destacavam - se a Casa Grande do fazendeiro, os ranchos do peões e os currais para recolher o gado. Muitas vezes esses ranchos abrigavam também os viajantes e suas comitivas. No sul estas fazendas eram também chamadas de estâncias.

Este ciclo, ao contrario dos dois anteriores, tinha como mão de obra os mestiços que eram livres. Este ciclo ainda hoje abastece a industria da carne e do couro, altamente desenvolvida. No período colonial o Nordeste tinha um rebanho de 800 mil cabeças, o Sudeste tinha 500 mil e o Sul aproximadamente 01 milhão de cabeças.

No Rio Grande do Sul paralelo à pecuária houve também a produção da erva mate.

Ciclo do Ouro

Começou no século XVII com a descoberta do ouro de aluvião nas atuais Minas Gerais que na época pertenciam a província de São Vicente (São Paulo) e eram chamadas de "Currais".

Desde o inicio da colonização todos os esforço da metrópole portuguesa se faziam no sentido de descobrir as minas de metais preciosos. Para isto organizaram as Entradas e Bandeiras. O ouro e a prata que foram descobertos na América Espanhola aumentavam a cobiça e provocariam também o contrabando.

Primeiro foram descobertas jazidas de pedras semi - preciosas (1681) e mais tarde descobriram-se as primeiras jazidas de ouro nas margens do Rio das Velhas, na Chapada Diamantina (1698). Em 1719 descobriu-se o ouro no atual estado do Mato Grosso e, em 1725, na Bahia e Goiás. Nesta mesma época descobriu-se o diamante em Minas Gerais.

Este ciclo provocou uma verdadeira invasão da Província de Minas que logo se tornaria independente. Um dos caminhos de abastecimento passava pelo Vale do Paraíba onde no ano de 1717 foi encontrada a Imagem de Nossa Senhora Aparecida.

A exploração do ouro era monopólio da coroa, com isto houve uma centralização administrativa e um maior rigorismo por parte das autoridades coloniais. O fim da autonomia e a cobrança rigorosa de taxas provocaria vários movimentos de revolta, sendo a Inconfidência Mineira o mais conhecido.

Até o principio do século XIX o Brasil possuía 550 minas e ao redor da extração trabalhavam 15 mil pessoa, entre escravos e livres.

Até 1801 o Brasil exportou 980 toneladas de ouro e 2,9 milhões de quilates de diamante.
Este ciclo provocou a urbanização localizada. A cidade de Vila Rica chegou a quase 100 mil pessoa nesta época.

Características da Economia Colonial

O Brasil foi colônia de Portugal por três séculos, integrando o sistema capitalista como fornecedor de matérias primas. No inicio uma das características da economia colonial era a ausência de capital circulante, pois o comercio era feito na base de troca.

Com a expansão demográfica, com a interiorização das fronteiras e com a semi-autonomia concedida pela metrópole sobre tudo no tempo em que Portugal esteve unido com a Espanha, começou a nascer os ideais de emancipação.

Na colônia brasileira o comando do sistema econômico era feito de fora para dentro. aqui dentro um pequeno grupo de privilegiados usufruíam desta situação mas as camadas populares foram excluídas da economia de mercado.

A polarização econômica do Brasil se fez no sentido Norte-Sul e Leste-Oeste. O Sul e o Leste concentram desde então maior população e mais riquezas. O Norte e o Oeste são vazios de gente e carentes de riquezas.

Além do mais o crescimento se fez sobre a desigualdade no relacionamento da metrópole com a colônia, entre classes sociais e entre regiões. Desde aquela época nossas maiores carências são a falta de capitais, porque somos exportadores de matérias primas e a falta de tecnologia, porque somos ainda dependentes.

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9. Páginas da História da Igreja

Postado em 25/07/11 ás 08h34

História da Igreja no Brasil – VIII

Ao chegar ao Brasil no início do século XVI, invadindo o espaço físico brasileiro os portugueses não encontraram resistência por parte dos habitantes nativos e puderam aqui estabelecer seu domínio como quiseram.

Calcula–se que na época da conquista e primeira colonização fosse de 06 a 08 milhões o contingente populacional dos habitantes destas terras pertencendo ainda aos ciclos dos coletores, caçadores e cultivadores bem primários.

Os povos que habitavam o Brasil desconheciam os metais, não praticavam a metalurgia e seu modo de produção era muito simples. A vida urbana inexistia e a estratificação social era simples, pré – tributária e a prática comum era o nomadismo, dentro de um mesmo território.

A superioridade das armas dos brancos europeus, a exploração da rivalidade entre os povos e tribos diferentes, usando esta rivalidade nas lutas e também a disseminação de doenças e vícios transmitidos pelos brancos são algumas das razões que explicam a hegemonia do colonizador português.

Porém, aos poucos, foi surgindo a mestiçagem que se tornou um fator de marginalização social dos descendentes, sobretudo os mamelucos. Paralelo a isso a exploração da mulher indígena se tornava um fato corriqueiro pela concubinagem e prostituição.

Com a ação das Entradas e Bandeiras agindo, sobretudo, contra as Reduções Indígenas, cresceu o processo de massacre e escravização, apesar da ação contrária da Igreja. Só em 1752 a escravidão indígena seria totalmente proibida.

Depois do processo intensivo de exploração, na época da Proclamação da República os indígenas estavam reduzidos a pouco mais de um milhão e meio de pessoas.

A Escravidão Negra

Já era usada por Portugal desde o século XIV, mas aqui no Brasil as primeiras levas de escravos foram introduzidas a partir de 1538, formando – se então o triângulo comercial entre Brasil, África e Portugal. Os negros eram trazidos da África e aqui comercializados como “peças”, sobretudo nos canaviais.

O açúcar aqui produzido era levado para Portugal onde enriqueceria os nobres que custeavam o aluguel dos navios que voltavam à África para trazer novos escravos.

Pelos estudos feitos até hoje a média de idade dos escravos que vinham, sobretudo de Angola, Sudão e Golfo da Guiné estava por volta de 30 anos.

Ainda que a escravidão negra não tenha acabado com a escravidão dos indígenas, esta aumentou, sobretudo com a introdução do cultivo da cana de açúcar. Aos poucos os Engenhos de cana de açúcar foram substituindo as fazendas de exploração do Pau Brasil.

Cada engenho tornou – se uma unidade independente tendo como pólos principais a Casa Grande, Senzala, Capela, Lavoura de Subsistência e Engenho de Produção.

Durante o século XVII importava – se uma média de 50 mil escravos por ano. Numa viagem da África para o Brasil a mortalidade era grande e chegava às vezes a 50% da carga humana que os navios traziam. A maioria dos escravos era desembarcada nos portos da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Em relação aos negros o processo de marginalização pela mestiçagem foi ainda maior. Os descendentes são discriminados até hoje, as mulheres negras submetidas pelo machismo à prostituição e são as maiores vítimas da violência.

A partir de 1826 a Inglaterra começou um processo de repressão ao tráfico negreiro, mas os escravos passaram a ser transportados em navios de outras nações, sobretudo da França.

No século XIX, por causa da introdução do cultivo do café o número de escravos importados aumentou significativamente, mas neste tempo a questão da escravidão chegou ao Congresso e a discussão aumentou com a ação de muitos abolicionistas.

Em 1789, de uma população de 2,3 milhões de pessoas, 65% eram escravos e em 1816, de 3,3 milhões de habitantes, 57,5% eram escravos. A grande mortalidade e a baixa natalidade dos escravos eram compensadas pela importação.

Uma pergunta que fica até hoje sem uma resposta conclusiva é: porque a Igreja não dedicou aos negros a mesma atenção que dedicou aos indígenas? Dentro da Igreja os negros não tinham o mesmo atendimento ou a mesma atenção que os brancos recebiam.

Além do fato de alguns segmentos da Igreja como ordens religiosas terem também os seus próprios escravos, durante muito tempo o acesso ao sacerdócio foi dificultado aos negros e seus descendentes.

Quadro Populacional

Hoje o Brasil já possui mais de 190 milhões de habitantes. Ao longo dos séculos de nossa história nosso quadro populacional passou por uma lenta e constante evolução.

Em fins do século XVI a população branca do Brasil não passava de 100 mil pessoas, constituindo 06 núcleos principais: Bahia, Pernambuco, Maranhão, Pará, Rio de Janeiro, Santos e São Paulo.

O elemento branco formava a classe dominante e entre ele eram superiores os brancos nascidos em Portugal. Abaixo dos brancos vinham os mestiços de Índios, colocados num nível superior aos mulatos. Depois destes vinha uma grande quantidade de elementos provenientes da mestiçagem.

Nos últimos degraus da pirâmide social vinham os Índios e os negros escravos, marginalizados e sem direitos algum. Não eram tratados como gente, pois eram chamados de “peças”.

No século XVIII aconteceu um grande crescimento populacional, especialmente depois da descoberta do ouro em Minas Gerais que em pouco tempo recebeu mais de 60 mil pessoas.

No século XIX a população brasileira já se aproximava de 9,5 milhões, sem contar os indígenas, bastante reduzidos desde a conquista. Quando chegamos no tempo da proclamação da República o número dos indígenas já tinha caído de 08 para 1,3 milhões.

A partir da pressão externa, especialmente na segunda década do século XIX contra o comercio de escravos, começaram a chegar os primeiros grupos de imigrantes. A primeira colônia foi fundada em 1812 no estado do Espírito Santo, mas a passagem do sistema de escravidão para o de mão de obra livre foi muito complicado e só seria encerrada no final do século XIX.

De 1834 a 1935 entraram no Brasil cerca de 04 milhões de imigrantes. Nesta época as regiões Sul e Sudeste passaram a ter a maior concentração de população e com a industrialização e cultivo do café São Paulo assumirá a hegemonia que mantém até nos dias de hoje.

Até meados do s&eac

 

8. Páginas da História da Igreja

Postado em 29/06/11 ás 08h25

História da Igreja no Brasil - VII

O século XVII marca a intensificação da concorrência na exploração das colônias que até então, aqui na America eram propriedades exclusivas de Portugal e Espanha.

França, Inglaterra e Holanda começaram a criar “cunhas” de exploração colonial e comercial aqui nas Terras Americanas e as colônias portuguesas passaram a ser atacadas na tanto na Ásia, como na África e nas Américas.

Os Holandeses no Brasil

Em 1624 os holandeses atacaram a Bahia, conquistaram Salvador, mas foram expulsos um ano depois, em 1625. Voltaram mais tarde ao ataque, em 1628.

Em 1630 atacaram Pernambuco e de lá conquistaram todo o Nordeste do Brasil, assumindo o controle da região que vai do atual Sergipe até o Maranhão. Ao mesmo tempo atacaram também Angola que era a mais importante colônia de Portugal na África.

É bom lembrar que neste período Portugal tinha perdido a sua independência e estava unido à Espanha. Isto desde 1580. A Espanha enfrentava guerras na Europa e por isso descuidou do Brasil, não tendo condições de se contrapor à Holanda aqui nas Américas.

Do período de dominação holandesa aqui no Brasil vale destacar – se a figura o conde Maurício de Nassau (1637 – 1644). Em 1654 os holandeses foram expulsos do Nordeste, fincando presença no atual Suriname, antiga Guiana Holandesa.

De sua presença aqui no Brasil é bom a gente tirar alguns significados:
Para os indígenas nada significou, apenas houve uma mudança de seus patrões. Saem os portugueses e entraram os holandeses.

Para o catolicismo também a dominação holandesa não trouxe prejuízos maiores, pois apesar de serem calvinistas (protestantes) respeitaram o catolicismo.
É bom ainda a gente perceber que o calvinismo estava radicado mais na aristocracia e não na massa popular.

A presença holandesa representou um forte impulso na área cultural, sobretudo em Olinda, destacando – se a arquitetura colonial. O resultado mais forte foi, porém, o crescimento do sentimento nativista e o ideal de autonomia das colônias em relação aos dominadores europeus. A libertação, entretanto duraria ainda ao menos dois séculos para acontecer.

Brasil: Vice – Reino de Portugal (1744 – 1808)

Desde 1640 já havia a nomeação de um Vice – Rei para o Brasil, mas somente em 1714 foi feita a sua designação oficial. Neste período, entre 1694 e 1725 aconteceu a descoberta do ouro em Minas Gerais (Ouro de aluvião no Rio das Velhas e outros afluentes). Com isso Portugal centralizou ainda mais a administração das colônias. Um pouco mais tarde o ouro foi também descoberto em Goiás e Mato Grosso.

Criando o Vice – Reino aconteceu uma intensificação da exploração de nosso território, com a interiorização da colonização. Aqui continua a ação dos bandeirantes paulistas e das Entradas. Com o aumento demográfico surgiram também novos núcleos de povoação. Só a exploração do ouro traria mais de 600 mil pessoas para as Minas Gerais.

As dificuldades e conflitos por causa dos limites territoriais aumentaram na mesma proporção, sobretudo no sul do país. Neste processo de interiorização os portugueses fundaram a colônia de Sacramento no Rio da Prata e chegaram ao Rio Paraguai. Se o ultrapassassem chegariam até as Minas de Prata de Potosi, atual Bolívia. Foi esta a fonte e raiz do problema, solucionado apenas com o tratado de 1828.

Da colônia de Sacramento haveria de surgir a Província Cisplatina, atual Uruguai que por um certo tempo pertenceria ao Brasil. Por causa do Vice – Reinado a capital do Brasil mudou – se para o Rio de Janeiro em 1763. A cidade tinha, nesta época, cerca de 100 mil habitantes.

Todo o avanço da colonização foi acompanhado pela Igreja. Normalmente em cada expedição colonizadora que interiorizava Brasil a fora, ia também um grupo de religiosos para catequizar os índios que fossem encontrados. Estas expedições ajudavam a criar pequenas estruturas de Igreja que, tempos depois, eram transformadas em capelas ou paróquias.

A Luta pela Autonomia

Ao longo da primeira fase da história brasileira (Brasil Colônia) tivemos vários momentos em que cresceu muito a luta pela autonomia, seja de uma classe contra a outra ou da colônia como um todo contra a metrópole.
Os primeiros movimentos de autonomia foram diversas revoltas dos indígenas contra os portugueses, sendo apoiados pela Igreja, sobretudo pela ordem dos jesuítas.

Temos nesta ordem o movimento de libertação dos negros, com a formação de diversos Quilombos, dos quais os mais famosos foram os da Serra dos Palmares no atual estado de Alagoas.
Com a descoberta do ouro e com a concentração da população em algumas regiões surgiram diversas revoltas contra a pesada cobrança de taxas e impostos praticada por Portugal.

Em 1720 tivemos o Levante de Vila Rica, chefiado por Felipe dos Santos e Pascoal da Silva Guimarães. Felipe dos Santos foi condenado, morrendo esquartejado, a mando do Conde de Assumar, aquele que aparece na história de Nossa Senhora Aparecida.

Nos meios intelectuais começaram a ser sentidas as influências da emancipação das Treze Colônias Americanas em 1776. Veio ainda o influxo dos ideais da Revolução Francesa de 1789 e influência da filosofia racionalista dos pensadores franceses deste tempo, sobretudo aqueles ligados à corrente do Iluminismo.

Em 1792 teve desfecho final o Movimento da Inconfidência Mineira iniciado em 1789, com o esquartejamento de Tiradentes no dia 21 de abril. As lutas contra os holandeses que dominaram o Nordeste do Brasil durante quase 30 anos também incentivou, e muito, o movimento de autonomia.

Alguns fatores vieram colocar mais conteúdo neste desejo de autonomia que cresceria sem parar, chegando até o movimento pela independência já no início do século XIX:
No século XVIII a população da colônia já era maior que a população da metrópole;

As lutas realizadas contra alguns países europeus que tentavam infiltrar - se em território brasileiro também favoreceram este sentimento de autonomia; O crescente descontentamento com a cobrança de taxas e impostos pela coroa, sobretudo porque Portugal estava totalmente dependente do capitalismo inglês.

Em 1750 foi assinado o Pacto de Madri e com ele a questão de fronteiras entre Portugal e Espanha foi resolvida. O mesmo tratado foi renovado em 1761 e 1777. Com a França a luta era causada pela necessidade de estabelecer os marcos da divisa entre o Amapá e a Guiana. Este conflito só foi resolvido somente no século XX.

Em relação à Colônia de Sacramento, atual Uruguai, dois tratados as

 

7. Páginas da História da Igreja

Postado em 07/06/11 ás 09h04

História da Igreja no Brasil - VI 

A partir de 1549, no lugar do sistema de Capitanias Hereditárias que aqui havia sido implantado, passou – se a organizar um novo sistema de administração do Brasil chamado de Governadores Gerais. 

A cidade de Salvador foi escolhida para ser a sede do governo. A partir daí muitas autoridades vieram de Portugal para o Brasil para aqui assumirem o governo das colônias.

O Sistema de Governadores Gerais

Um poder unificado como dos governadores gerais ajudaria muito a suprir as deficiências do sistema anterior, principalmente se levarmos em conta as dificuldades de transporte e comunicação por causa das distâncias e hostilidade do clima e relevo.

Em duas ocasiões, primeiro entre 1572 e 1575 e depois entre 1608 a 1612 tentou – se a divisão do governo em dois, com sedes no Rio de Janeiro e Salvador, mas nas duas ocasiões o sistema fracassou. Desta forma o sistema vigorou até 1713 quando da criação de outro sistema o do Vice – Reino.

Os governadores gerais tinham como função a administração geral da colônia seja na área política, bem como na implantação da justiça e defesa do território, além de trabalhar na expansão da colonização, fundando cidades e vilas.

No seu tempo vigoraram as chamadas Entradas e Bandeiras que contribuíram para a interiorização do domínio português de nosso território. Elas não respeitaram os limites definidos pelo Tratado de Tordesilhas realizado em 1494. As entradas e bandeiras foram uma das culpadas pela destruição e pelo massacre de inteiras populações indígenas até que a sua escravidão fosse proibida.

Como falamos das Capitanias Hereditárias é bom lembrar que elas vigorariam por muito tempo. Até 1808 vigorariam 10 capitanias gerais, 02 capitanias autônomas e 05 capitanias subalternas. Dentro delas é que seriam doados os territórios conhecidos como sesmarias.

Ação da Igreja neste período

Junto com Tomé de Souza, primeiro governador geral do Brasil veio uma equipe de Jesuítas para trabalhar na evangelização e catequese dos indígenas e também na evangelização dos colonizadores. Nela se destaca a figura de José de Anchieta e Pe. Manoel de Nóbrega.

De 1549 em diante a Igreja foi se organizando no Brasil e criando estruturas físicas voltadas para a missão. Apesar de tudo isso vai enfrentar uma serie de desafios e dificuldades algumas das quais persistem até os dias de hoje. Entre elas podemos destacar:

A insuficiência de pessoal qualificado para a missão e o pequeno número de instituições. No Brasil, desde o início o clero sempre foi reduzido, daí a dependência de pessoal vindo do exterior;

As grandes extensões do nosso território e a dificuldade de comunicação, pela falta de estradas e meios de transportes fez com que as paróquias fossem enormes e a comunicação com as dioceses dificultada. Ainda hoje existem dioceses no Brasil que tem o tamanho de certos países da Europa.

O isolamento de muitos padres criava problemas de ordem disciplinar e na vivência do celibato, pois as visitas pastorais eram dificultadas. Nas paróquias do interior o problema era o baixo nível da formação do clero.

No século XVIII existiam apenas 18 paróquias no Brasil, por isso o método pastoral mais utilizado era o da Desobriga. Os padres percorriam a cavalo grandes distâncias, iam de fazenda em fazenda e ali realizavam a catequese e regularização da administração dos sacramentos.

Quem sabe este era o único contato que o povo tinha com a vida da Igreja num longo período de tempo, mas este método ajudou a solidificar a fé e formar a religiosidade do povo brasileiro. Nem mesmo a presença dos holandeses calvinistas no Brasil faria com que o povo abandonasse a fé católica.

Domínio Espanhol

O ultimo representante da Dinastia de Aviz que governava Portugal, o cardeal – rei Dom Henrique faleceu em 1580 sem deixar sucessor. Depois de muita confusão o rei da Espanha Felipe II assumiu o poder também em Portugal e os dois reinos seriam unificados no período que vai de 1580 a 1640.Com isso ele assumiu também o controle de toda a América governando as colônias que já eram suas e as de Portugal.

Aproveitando – se disso, sobretudo pela ação dos bandeirantes, os conquistadores portugueses foram entrando para o interior de nosso território, superando as fronteiras e os limites impostos anteriormente.

A Igreja enfrentou grandes dificuldades com os bandeirantes porque quando eles atacavam aldeias ou as reduções indígenas jogavam por terra todo um trabalho realizado. A sanha dos conquistadores destruiu um trabalho florescente realizado nas missões indígenas, pois seu interesse maior era conquistar escravos que eram levados para o trabalho nos engenhos e nas fazendas.

Em 1640 houve a restauração da Dinastia portuguesa com Dom João IV. A revolta que levou à restauração de uma dinastia portuguesa tece o apoio do Cardeal Richelieu, primeiro ministro da França. Depois da derrota espanhola foi assinado o Tratado de Lisboa em 1668.

A completa regulamentação só se tornou possível pelo apoio do papa Clemente IX que até esse momento não havia reconhecido Portugal.

Este período da dominação espanhola em Portugal e nas colônias marca o tempo da intensificação da concorrência na exploração colonial com o surgimento de outras potências como a França, Inglaterra e Holanda.

As colônias portuguesas seriam atacadas na Ásia, na África e nas Américas e aqui entre nós os holandeses permaneceriam por 30 anos, de 1624 até 1654.

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