Por Pe. Márcio Fabri dos Anjos, C.Ss.R. Em Notícias Atualizada em 13 AGO 2018 - 08H43

Como votar em tempo de crise


Numa eleição democrática o voto é secreto e livre para eleger quem decide sobre projetos e leis e quem executa e governa. Nesta crise de confiança e de caos social, não é fácil votar. Comece acreditando no valor do seu voto. Nele vai um pouco do nosso futuro. Evite o voto branco ou nulo, pois na eleição só os votos válidos decidem.

Confie desconfiando. Sem confiar perdemos o chão da paz na vida. Não há ninguém perfeito e capaz de agradar a todos numa sociedade de interesses tão diferentes. Mas também é preciso desconfiar, pois as maldades estão por aí e buscam nos enganar. Desconfie primeiro das notícias, pois existe uma verdadeira guerra de informações para derrubar o outro na opinião pública. Desconfie da própria simpatia ou antipatia pelos candidatos, pois isso muitas vezes é provocado em nós para manipular o nosso voto.

Programas de governo

““A Política é uma das formas mais altas de caridade, porque busca o bem comum.” ” Papa Francisco

São fundamentais, pois dão o rumo para nossa vida na paz. Muitos políticos não mostram com clareza seu programa, para esconder os interesses que eles têm. Os tratados internacionais sobre o desenvolvimento sustentável apontam três áreas que em conjunto não podem faltar: ecológica, social e econômica. Indicam entre as primeiras condições necessárias para o desenvolvimento: a superação da pobreza e da fome, saúde e educação para todos, e inserção no trabalho com dignidade.

Hoje vemos os interesses econômicos devastarem os recursos ecológicos e rejeitarem os programas de superação da desigualdade e da fome. Fecham os olhos para os privilégios, rejeitam programas sociais e investem na segurança através da repressão dos sintomas e não através da superação das causas dos problemas. Dados do IBGE de 2017 mostram que 10 milhões de brasileiros sobrevivem hoje com apenas R$ 40 por mês; a diminuição da pobreza já conquistada está sendo revertida; os dados da “Saúde Brasil” também mostram retrocesso. É ilusão pensar que a solução de problemas semelhantes seja apenas econômica. Por isso é importante ver os programas que os candidatos defendem para se votar neles.

Temos que lembrar que não basta ter um bom presidente. Sem bons deputados e senadores não haverá nunca um bom governo. Mas, procurando candidatos voltados para bons projetos sociais, pelo menos seremos coerentes com a fé cristã que visa o bem de todos, superando as causas dos sofrimentos e desigualdades. E estamos fazendo um gesto político de caridade.

Nesse quebra-cabeça, veja duas coisas indispensáveis: a capacidade política e ética do candidato para exercer seu cargo e o programa que ele defende.

Artigo publicado na Revista de Aparecida edição nº 196 (julho/2018)



2 Comentários

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Paulo Roberto Pinto comentou:

É muito bom ver a Igreja se colocando mais fortemente na conscientização da cidadania. Realmente não esta facíl escolher candidatos para o parlamento, pois se camuflam de bons e na verdade enganam o povo e a pátria. Eu terei muito mais critérios nestas eleições para votar, afinal muitos dos que ai estão a exercer o mandados de governos e de parlamentares já de há muito tempo se revelaram não dignos de serem eleitos. Também gostaria de mencionar que temos que lutar por um Poder Judiciário digno.

respondeu:

Olá Paulo. Que possamos ter mais consciência na hora de escolher aqueles que nos representarão. Nos manteremos em oração por todo o Brasil, principalmente nesse período que antecede as eleições.

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