Por Academia Marial Em Títulos de Nossa Senhora Atualizada em 14 NOV 2018 - 10H53

Conquistadora: A primeira imagem a entrar no Rio Grande do Sul

Nos primeiros tempos de colonização dos povoados no extremo oeste do Rio Grande do Sul, à margem esquerda do Rio Uruguai, os padres resolveram dar-lhes o mesmo padrão de família cristã da época. Erguendo suas aldeias junto a cada igreja que construíam, fundavam uma escola de ler, contar, de música e danças religiosas para as crianças que catequizavam em sua própria língua, ensinando-lhes a rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria.

A primeira dessas missões foi fundada pelo padre Roque Gonzáles, em 1626. Após construir uma capela de pau-a-pique coberta de palha, que foi dedicada a Nossa Senhora da Candelária, ele rezou ali a primeira missa em terra missionária.

Com a nobre finalidade de evangelizar, o sacerdote percorreu, em canoa rústica pelo rio Ibicuí, 509 léguas no interior pampeano, levando consigo um quadro da Imaculada Conceição, a quem deu o nome carinhoso de “Conquistadora” porque, na sua chegada em terras gaúchas, conquistou a princípio os dois chefes índios, que foram o esteio dos jesuítas no estabelecimento dos Sete Povos, e posteriormente as multidões de Selvagens.

Portal das Missões
Portal das Missões

O território das Missões Guaraníticas chegava até Bagé, trecho final da Estância de São Miguel. Portanto, esta imagem da Virgem foi a primeira que passou por aqueles campos, tendo sido venerada na capela de Santo André das Guenoas, nos limites de Dom Pedrito, onde viviam as tribos guardadoras dos marcos pátrios, perto do forte de Santa Tecla.

Criou ainda o padre Roque as aldeias de São Nicolau e Assunção, quando recebeu um pedido dos índios do Caró, para lá organizar uma redução, pois muitos desejavam ser batizados e tornar-se cristãos. Dirigiu-se para aquela região junto com o padre Afonso Rodrigues e iniciou o arraial de Todos os Santos, inaugurando uma tosca igreja, construída com o auxílio dos silvícolas. No dia 15 do mesmo mês, ele e seu companheiro foram assassinados por emissários do Cacique Nheçu, chefe dos índios conjurados, que se dirigiram para Assunção, matando também o padre Juan de Castilho. Estes três jesuítas martirizados foram, posteriormente, beatificados e são conhecidos como os três Mártires do Rio Grande.

Depois de matarem os sacerdotes, os índios revoltados saquearam e queimaram a capelinha e a casa dos padres. Entre os objetos encontrados no templo depredado, estava um quadro da Imaculada Conceição, cópia da pintura do irmão Bernardes Rodrigues, feita em 1613. Rasgaram-na os matadores do beato Roque e queimaram-na. Índios cristãos juntaram alguns pedaços dela e levaram para Corrientes, onde a Mártir Excelsa, em migalhas, foi recebida com grandes homenagens.

Após alguns séculos de ausência a Virgem Campeira chegou novamente a Bagé em 1972, retornando ao seu antigo local de glórias e abençoando o povo que a tomou por Madrinha. É admirável naquele recanto gaúcho o entusiasmo pela construção de seu Santuário e a expansão da Obra da Conquistadora que, em época remota, seduziu o índio Missionário e atualmente defende as famílias católicas contra o divórcio e problemas sociais.

Como a primeira invocação da Virgem Maria que entrou no Rio Grande do Sul, Nossa Senhora Conquistadora é a Protetora nata do Estado, já tendo sido proclamada Padroeira da Diocese de Uruguaiana e da Província Sul dos Padres Palotinos.

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