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Deus nos ensina sobre o amor incondicional

Campanha da Fraternidade 2021 nos incentiva a caminhar rumo à unidade a partir da prática do Evangelho vivo

Escrito por Família dos Devotos

23 MAR 2021 - 10H26 (Atualizada em 24 MAR 2021 - 11H12)

Thiago Leon Campanha da Fraternidade 2021 (Thiago Leon)

Neste ano, a Campanha da Fraternidade aborda a premissa fundamental das relações humanas: o diálogo. A partir da troca de ideias, inclusive com aqueles que pensam diferente, há a oportunidade de abertura a um mundo novo, sempre prezando pelo respeito e pela empatia. O tempo de conversão induzido pela Quaresma nos chama a refletir sobre nossas ações enquanto cristãos. Então, de que maneira podemos tornar o mundo melhor a partir de nossas atitudes individuais e também enquanto membros de nossas comunidades de fé?

Em tempos tão difíceis, em que uma pandemia nos coloca em estado de alerta constante, a humanidade se viu em um contexto em que o contato seguro só é possível à distância, por meio da internet. Apesar de cada vez mais conectada, a sociedade também se viu sem uma conexão verdadeira com seus semelhantes sobre temas que nos direcionam aos ensinamentos de Jesus para caminharmos rumo à conciliação, à paz e ao amor fraterno. Visando essa ‘desconexão’ e todos os demais problemas que esse contexto carrega consigo, a Campanha da Fraternidade, contudo, visa inspirar o fim da polarização, das divisões e os muros construídos a partir das discordâncias, aplicando a meditação da Bíblia para os dias atuais. Assim surge o tema da CFE (Campanha da Fraternidade Ecumênica) 2021, “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”, cujo lema é “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14a). O texto-base da Campanha da Fraternidade 2021 foi elaborado em consenso entre os membros representantes de instituições religiosas e também teve contribuições de especialistas nas áreas da política, da economia e dos direitos humanos, por exemplo.

Abaixo, listamos cinco pontos importantes sobre a Campanha da Fraternidade 2021. Para isso, conversamos com o membro da comissão do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), responsável pela elaboração do texto-base da campanha, o pastor Eliel Batista, e com o doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense e pós-doutor em Ciências Sociais Aplicadas pela Universidade de Coimbra, ambas em Portugal, professor Lino Rampazzo. 

1. O verdadeiro diálogo me permite ‘sair de mim’ para ir em direção ao outro: 

Conversar sobre como nossa fé rege nossas atitudes é confortável quando estamos em um círculo de amigos que concordam conosco. Mas isso muda quando falamos com aqueles que não concordam. Nesse momento, naturalmente, carregamos nossas palavras para convencer, para impor, mas não para ouvir o que o outro tem a dizer, de fato.A gente precisa ter um coração aberto para acolher, afirma Eliel Batista. “O distintivo do discípulo é se ele tem habilidade argumentativa, é se ele tem um coração capaz de amar. Ao conversar com o diferente eu estou revelando se eu sou discípulo de Jesus ou não”, completa o pastor.

2. As diferenças naturais entre os seres humanos nos revelam a beleza de viver em harmonia:

Em sociedade, temos contato com diversos tipos de pensamento. Somos diferentes em muitos aspectos e isso inclui a maneira como manifestamos nossa fé. Dessa forma, quando praticamos o diálogo, com certeza nos deparamos com alguém que não pensa da mesma maneira, mas que possui pontos comuns e ensinamentos a serem transmitidos. Isso porque, ao mesmo tempo que somos diferentes, somos iguais.

O ecumenismo visa o diálogo entre as religiões cristãs, inclusive as não católicas. Reconhece, portanto, que independente do ser católico, crer em Cristo é a base para uma união em prol daquilo que queremos: a paz. Leva em conta, como ponto de unidade, o batismo.

Já o diálogo inter-religioso contempla as religiões não cristãs. Todas seguem o mesmo caminho rumo à paz e à união, cada uma com suas respectivas escrituras, ritos e dogmas e, portanto, devem ser consideradas em nossa trajetória humana para uma sociedade que lança pontes, e não ergue muros.

Em ambos os casos, a abertura ao diálogo nos permite contemplar a vida harmoniosa em sociedade, mesmo em meio às diferenças que naturalmente existem entre nós, seres humanos. “Diante da humanidade necessitada, nós temos que mostrar esse espírito de fraternidade. Por obediência a Jesus, nós devemos amar o próximo, enfatiza Lino Rampazzo.

3. Praticar a fraternidade e o diálogo de amor no dia a dia deve ser um compromisso cristão:

Para conversar, é preciso lançar para fora o medo. “A única forma de amar é eu estar aberto ao próximo. Eu preciso perder o medo de conversar e para isso eu preciso abrir mão do medo. O que faz isso é o amor e ele vem do coração”, afirma o pastor Eliel Batista. Isto é, ao organizar rodas de conversas em sua comunidade de fé ou ao conversar informalmente com algum amigo ou familiar sobre temas que expõem as dores da sociedade, é necessário ouvir mais e saber o que todos entenderam sobre aquele mesmo assunto. As diferenças engrandecem nosso pensamento e as similaridades nos unem ainda mais como irmãos. Não há fé insegura em um coração completamente convertido a Deus, então não há medo em um coração guiado pelo amor. É urgente que o objetivo de qualquer diálogo seja o encontro e não a separação.

Thiago Leon
Thiago Leon


4. A partir da cultura de paz, vivenciamos o Evangelho:

O diálogo nos permite expor ideias e considerar novos conhecimentos. Se, enquanto cristãos, vivemos para impor nossas ideias, estamos causando sofrimento e discussão que a nenhum lugar nos leva. Como batizados, como cristãos que vivenciam, de fato, os ensinamentos de Cristo, devemos agir como o Evangelho vivo: levando o amor ao próximo, cuidando uns dos outros, levando adiante a esperança, tomando atitudes coerentes com aquilo que cremos. “O Cristo Senhor fundou uma só e única Igreja, enfatiza Lino Rampazzo. “Essa divisão [por discordâncias], porém, contradiz a vontade de Cristo. É um escândalo para o mundo, como também prejudica a pregação do evangelho”, conclui o teólogo.

5. Construir pontes hoje é estabelecer um elo de paz com o amanhã:

Derrubando os muros que nos cercam, tirando o senso de coletividade, conseguimos finalmente ver o outro. A modernidade, segundo Eliel Batista, nos trouxe o advento do individualismo, que nos tira a noção de que fazemos parte de algo maior, a família humana, segundo a Bíblia. “Paulo usa a expressão de que nós somos da família de um só Pai, que é Deus. O Pai que leva o nome de toda a família da Terra. Nós perdemos esse olhar”, analisa o pastor. Já o professor Lino Rampazzo considera a importância da oração ecumênica escrita pelo cardeal português, José Tolentino Mendonça. “É um texto muito bonito, aprovado também pelos evangélicos e ortodoxos (...). Inicia com 'livra-nos, Senhor, deste vírus e todos aqueles que moram dentro dele', quer dizer, não é a pandemia é 'o vírus do pânico, da violência, do individualismo, etc.' Neste ponto, o interessante é que foi publicado por um cardeal conhecido pela sua habilidade poética e aceito por todos [os demais religiosos]. Podemos rezar esse texto juntos! O final do texto-base da campanha nos mostra exemplos de como rezarmos juntos, para que o mundo tenha mais paz”, analisa.

Seguindo aquilo que a CFE 2021 propõe, desejamos que o período da Quaresma nos torne mais dispostos a conviver e a dialogar. Comece isso em sua comunidade, em sua paróquia. Inicie essas conversas em família, entre amigos, mesmo que informalmente.

Para incentivar e divulgar essas atitudes, o Conic dispõe de um canal para envio de sugestões de publicações relacionadas ao tema da Campanha. Se você é representante da sua comunidade e deseja divulgar suas ações, envie por e-mail para: comunicação@conic.org.br

De acordo com o Conselho, “cada igreja é livre para trabalhar um ou todos os temas propostos no Texto-Base. Também pode trabalhá-lo na íntegra ou em partes”, o que pode variar também as maneiras de atividades ecumênicas e inter-religiosas em cada uma delas. O Conic sugere, ainda, que os encontros sejam virtuais por razão da pandemia.

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