Herodes, ao ver que o martírio do apóstolo Tiago — que vemos decapitado no mosaico acima — agradou o povo, mandou prender Pedro (At 12,3).
A 2ª imagem apresenta Pedro, com as mãos levantadas, que se entrega aos soldados sem resistência, em uma total confiança no Senhor. A força da oração incessante da Igreja (At 12,5) se eleva a Deus, o Senhor escuta e realiza uma libertação impensada e inesperada, enviando seu anjo.
O convite do anjo: "Coloques o manto e segue-me" (At 12,8), é como as palavras do chamado inicial de Jesus a Pedro, “Segue-me!” É um convite apressado de seguimento: somente saindo de si mesmo para colocar-se a caminho com o Senhor e fazer Sua vontade, se vive a verdadeira liberdade!
A libertação de Pedro exigiu-lhe também ações que nos lembram a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito que contemplamos na Fachada Norte.
No mosaico, o sol dentro das grades é a luz que preenche as trevas, isto é, a prisão, e faz despertar o apóstolo. No texto do Evangelho, o tempo dos pães ázimos faz memória da luz libertadora da Páscoa do Senhor que vence as trevas da noite e do mal.
Assim como aconteceu naquele evento fundamental também aqui, a ação principal é realizada pelo anjo do Senhor que liberta Pedro. O anjo ordenou a Pedro que se levantasse às pressas, colocasse o cinto e o cingisse à cintura – isso nos remonta ao povo eleito na noite da libertação por intervenção de Deus, quando foi feito o convite para que se comesse às pressas o cordeiro, que estivessem cingidos, com sandálias aos pés, bastão nas mãos, prontos para sair do Egito.
Assim Pedro pode exclamar: "Agora sei verdadeiramente que o Senhor mandou seu anjo e me arrancou das mãos de Herodes" (At 12,11).
O anjo não representa somente aquele da libertação de Israel do Egito, mas também aquele da Ressurreição de Cristo. Contam, de fato, os Atos dos Apóstolos: "Eis que se apresentou um anjo do Senhor e uma luz fulgurante tomou a cela. Ele tocou o lado de Pedro e o despertou" (At 12,7).
Pedro deu mais uma vez seu testemunho, confiou-se totalmente ao Senhor, que é o único que nunca nos abandona. Ao nos entregarmos totalmente a Ele, as portas das prisões se abrem, somos então verdadeiramente livres, quando o Senhor nos liberta do maior mal, o pecado.
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