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Igreja convida ao jejum, à penitência e oração

A Quaresma é um momento de caminhada para a conversão. É a oportunidade para voltar para si mesmo em gesto de oração, de penitência e de jejum. Vivenciar esses três pilares revela aos cristãos o tamanho do amor que Jesus tem para com a humanidade, relembrando que ele foi capaz de aceitar passar por um sofrimento sem precedentes. Essas três práticas quaresmais levam-nos a aprofundar nesse tempo que a Igreja atravessa e que nos conduz à ressurreição do Senhor.

Foto de: Istockphoto

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A Quaresma rememora os 40 dias de Jesus no deserto e convida os cristãos a refletirem e se prepararem para a Páscoa

 

O termo Quaresma refere-se a quarenta, número que biblicamente representa a duração de uma vida. Algumas passagens abordam essa simbologia, como, por exemplo, a do Povo de Deus que peregrina 40 anos no deserto; a de Elias, que, na força de uma bebida e pão misteriosos, caminha 40 dias e 40 noites até chegar ao Horeb; e a dos 40 dias que Jesus passou jejuando e sendo tentado no deserto.

Com essa inspiração, muitas pessoas resolvem deixar pequenos hábitos prazerosos do dia a dia, como comer chocolate ou tomar refrigerante, para vivenciar a Quaresma. A palavra penitência refere-se especificamente aos gestos e às atitudes exteriores, que fazem com que haja uma aproximação da pessoa ao amor Deus.

As práticas penitenciais não devem ganhar um caráter de castigo ou algo difícil e penoso às pessoas, mas exatamente ser uma forma de demonstrar o amor a Jesus Cristo, partindo do seu sacrifício redentor. O significado desse gesto está em dedicar algum tempo para realizar um ato de mortificação que faça perceber a finitude diante da grandeza absoluta de Deus.

Privar-se da alimentação em determinado dia da Quaresma é justamente fazer um sacrifício voluntário, demonstrando concretamente sua adesão a Jesus Cristo e a seu projeto de salvação, assim como o próprio Redentor fez, jejuando 40 dias e 40 noites no deserto. Por isso, o jejum e outros sacrifícios devem acontecer, ajudando no processo de transformação e de aperfeiçoamento de cada um.

“Se uma abstenção ou substituição de alimentos não forem sinal de algo mais profundo a acontecer em meu coração, se não sinalizarem uma assimilação maior do coração misericordioso de meu Deus, se esse meu gesto não significar mais esperança, mais vida para meus irmãos, sobretudo os mais necessitados, essas minhas atitudes não terão valor algum diante de Deus”, explica padre Domingos Sávio da Silva, C.Ss.R.

O jejum possui uma relação estreita com a caridade, devendo levar à prática de obras de misericórdia. Por isso, é preciso pensar em doar a quem precisa, aplicando o que se gastaria na aquisição de alimentos em uma obra de caridade, por exemplo. Em outras palavras, retira-se aquilo que não sobra, mas parte daquilo que é necessário para si próprio, revertendo essa parte a uma obra de solidariedade para com os irmãos.

“Jejum sem esmola, sem a caridade, é atitude vazia de sentido. Quaresma sem busca mais intensa de fraternidade, de solidariedade, sem Campanha da Fraternidade (CF) não passa de sino ruidoso ou de címbalo estridente a ecoar no absoluto vazio”, salienta o sacerdote.

Tradicionalmente, a prática do jejum é mais comum às sextas-feiras, pelo fato de o dia da semana recordar a Paixão e a morte de Jesus Cristo. Pessoas que têm menos de 18 anos e também aquelas maiores de 65 anos estão desobrigadas de fazer o jejum. Portadores de alguma doença ou problema físico também estão dispensados.

Foto de: Arquivo JS

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“Jejum sem esmola, sem a caridade,
é atitude vazia de sentido. Quaresma
sem busca mais intensa de fraternidade,
de solidariedade, sem Campanha da
Fraternidade (CF) não passa de sino
ruidoso ou de címbalo estridente a
ecoar no absoluto vazio”, ressalta
padre Domingos Sávio da Silva

Padre Domingos Sávio recorda que a prática é um convite, pois Deus não obriga nem proíbe nada a ninguém, mas dá livre arbítrio para as escolhas, ou seja, deve ser uma atividade voluntária de cada cristão.

A prática da oração também é incentivada de maneira mais intensa durante esse período. Na Quaresma, cada católico é convidado, de modo especial, a cultivar e aprofundar o próprio relacionamento com Deus na intimidade.

Padre Domingos Sávio frisa que vários elementos próprios da Quaresma já nos levam a maior reflexão e discernimento neste momento que a Igreja vive. A cor litúrgica própria, o roxo, lembra penitência e conversão. Também os textos bíblico-litúrgicos são fruto de acurada seleção. Segundo o sacerdote, todo esse contexto leva-nos a uma avaliação mais profunda das intenções, sentimentos, projetos, atitudes e pensamentos em vista de uma centralização maior em Deus e nos planos dele para nós.

“Toda essa reflexão da Quaresma revela igualmente nossa grandeza, o quanto o Pai acredita em nós, espera de nós. Podemos aqui já viver sua própria vida, seu amor, sua solidariedade, seu perdão”, acrescenta.

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