Por Redação A12 # Em Notícias Atualizada em 15 MAR 2019 - 11H52

Igreja convida ao jejum, à penitência e oração

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A Quaresma é um momento de caminhada para a conversão. É a oportunidade para voltar para si mesmo em gesto de oração, de penitência e de jejum. Vivenciar esses três pilares revela aos cristãos o tamanho do amor que Jesus tem para com a humanidade, relembrando que ele foi capaz de aceitar passar por um sofrimento sem precedentes. Essas três práticas quaresmais levam-nos a aprofundar nesse tempo que a Igreja atravessa e que nos conduz à ressurreição do Senhor.

O termo Quaresma refere-se a quarenta, número que biblicamente representa a duração de uma vida. Algumas passagens abordam essa simbologia, como, por exemplo, a do Povo de Deus que peregrina 40 anos no deserto; a de Elias, que, na força de uma bebida e pão misteriosos, caminha 40 dias e 40 noites até chegar ao Horeb; e a dos 40 dias que Jesus passou jejuando e sendo tentado no deserto.

Com essa inspiração, muitas pessoas resolvem deixar pequenos hábitos prazerosos do dia a dia, como comer chocolate ou tomar refrigerante, para vivenciar a Quaresma. A palavra penitência refere-se especificamente aos gestos e às atitudes exteriores, que fazem com que haja uma aproximação da pessoa ao amor Deus.

As práticas penitenciais não devem ganhar um caráter de castigo ou algo difícil e penoso às pessoas, mas exatamente ser uma forma de demonstrar o amor a Jesus Cristo, partindo do seu sacrifício redentor. O significado desse gesto está em dedicar algum tempo para realizar um ato de mortificação que faça perceber a finitude diante da grandeza absoluta de Deus.

Privar-se da alimentação em determinado dia da Quaresma é justamente fazer um sacrifício voluntário, demonstrando concretamente sua adesão a Jesus Cristo e a seu projeto de salvação, assim como o próprio Redentor fez, jejuando 40 dias e 40 noites no deserto. Por isso, o jejum e outros sacrifícios devem acontecer, ajudando no processo de transformação e de aperfeiçoamento de cada um.


O jejum possui uma relação estreita com a caridade, devendo levar à prática de obras de misericórdia. Por isso, é preciso pensar em doar a quem precisa, aplicando o que se gastaria na aquisição de alimentos em uma obra de caridade, por exemplo. Em outras palavras, retira-se aquilo que não sobra, mas parte daquilo que é necessário para si próprio, revertendo essa parte a uma obra de solidariedade para com os irmãos.

Tradicionalmente, a prática do jejum é mais comum às sextas-feiras, pelo fato de o dia da semana recordar a Paixão e a morte de Jesus Cristo. Pessoas que têm menos de 18 anos e também aquelas maiores de 65 anos estão desobrigadas de fazer o jejum. Portadores de alguma doença ou problema físico também estão dispensados.

A prática da oração também é incentivada de maneira mais intensa durante esse período. Na Quaresma, cada católico é convidado, de modo especial, a cultivar e aprofundar o próprio relacionamento com Deus na intimidade.

Vários elementos próprios da Quaresma já nos levam a maior reflexão e discernimento neste momento que a Igreja vive. A cor litúrgica própria, o roxo, lembra penitência e conversão. Também os textos bíblico-litúrgicos são fruto de acurada seleção.

Toda essa reflexão da Quaresma revela igualmente nossa grandeza, o quanto o Pai acredita em nós, espera de nós. Podemos aqui já viver sua própria vida, seu amor, sua solidariedade, seu perdão.

.:: Quaresma e penitências modernas

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