Por Alexandre Santos Em Notícias

Parkinson: Doença atinge cerca de 2% dos idosos no mundo

De repente, a família começa a perceber uma lentidão nos movimentos daquele familiar que já chegou à terceira idade. Depois vem uma leve alteração da postura, o corpo tende a ficar encurvado. Os passos ficam mais lentos e aparecem leves tremores nas mãos e pernas.

Se você tem percebido algumas dessas características em alguém da sua família, fique atento e procure um médico. Essa pessoa pode estar sofrendo da doença de Parkinson, mal que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge entre 1 e 2% da população mundial com idade acima de 65 anos. No Brasil, o índice é de 3,3% das pessoas acima de 70 anos.

Foto de: Arquivo Pessoal

Henrique Ballalai - Arquivo Pessoal

Henrique Ballalai Ferraz: "Os familiares devem
entender que as limitações físicas do paciente
não se devem à preguiça ou à má vontade. São
limitações físicas que a doença pode acarretar"

Foi o caso da jornalista Thaísa Soares. A avó dela, dona Maria de Lourdes Massaro, de 76 anos, começou a desenvolver a doença após a morte do marido, há 17 anos. “O primeiro sintoma que percebemos foi um tremor no polegar da mão direita. Na época, não havia tanta incidência da doença, então demoramos um pouco até encontrar um médico que desse o diagnóstico correto”, conta.

Thaísa conta que reagiu com medo, ao receber a notícia. “O medo foi geral, por não conhecermos bem a doença, na época, e por saber que ela poderia progredir. Como em qualquer caso de doença grave, sofremos um grande susto. O medo tomou conta de todos, por sermos uma família muito unida, mas enfrentamos o problema em todos os momentos”, relata.

Parkinson é uma doença neurológica, degenerativa que prejudica a coordenação motora e provoca dificuldade de mobilidade, tremores e enrijecimento muscular. A doença é progressiva e ainda não tem cura.

De acordo com o neurologista e professor da Escola Paulista de Medicina Henrique Ballalai Ferraz, o tratamento é feito sobre os sintomas, mas não é possível impedir a evolução da doença. O médico ressalta a importância de que o diagnóstico seja feito o quanto antes. “Quanto mais cedo, melhor. O paciente tem a chance de receber o tratamento precocemente e ter o benefício da melhora dos sintomas”, argumenta.

Contudo, um fator que desfavorece o diagnóstico precoce é que só pode ser feito quando a doença se manifesta a partir da presença dos sintomas e sinais característicos. “Não depende de exames de laboratório ou radiológicos. Em alguns casos, podem ser solicitadas Tomografia ou Ressonância magnética do cérebro. O objetivo desses exames é afastar outras doenças que eventualmente se confundem com o Parkinson. Quando a pessoa tem Parkinson, os exames de imagem do cérebro não acusam anormalidades”, explica.

Além disso, segundo o médico, outras doenças podem produzir sintomas semelhantes e confundir o diagnóstico. “Problemas circulatórios cerebrais, exposição a alguns tipos de medicamentos e outras doenças degenerativas cerebrais são exemplos disso. Não raro, essas doenças se confundem com o Parkinson e acabam recebendo o mesmo tratamento sem que o paciente melhore”, alerta.

Para controlar os movimentos musculares, as células nervosas usam a dopamina, que é uma substância química do cérebro. A doença de Parkinson ocorre quando as células que produzem dopamina são destruídas lenta e progressivamente. Sem a dopamina, as células nervosas dessa parte do cérebro não podem enviar mensagens corretamente. Isso leva à perda da função muscular.

Foto de: Arquivo Pessoal

thaisa_soares_arquivo_pessoal

Thaísa Soares: "Quando amamos alguém, todas
as dificuldades são superadas. Tanto por nós,
quanto por ela, que decidiu lutar e continuar com
sua família. Além do amor, paciência e respeito"

Mas o que gera o desgaste dessas células? Embora a doença tenha sido descrita pela primeira vem em 1817, pelo médico inglês James Parkinson, a sua causa ainda é desconhecida. Acredita-se que vários aspectos podem aumentar o risco da doença, como fatores ambientais, exposição a determinadas toxinas, fatores genéticos, consumo de medicamentos durante muito tempo, problemas circulatórios cerebrais, lesões cerebrais, além de outras doenças degenerativas. 

O tratamento

Segundo informações da Associação Brasil Parkinson, a doença pode e deve ser tratada, combatendo os sintomas e retardando o seu progresso. Não há como impedir a morte das células produtoras da dopamina na área do cérebro chamada de substância negra. Segundo Henrique Ferraz, o tratamento é realizado com medicamentos, fisioterapia, para estimular a recuperação dos movimentos, e fonoterapia, com o objetivo de diminuir as dificuldades de fala, geradas pela doença. “A classe de medicamentos mais utilizada é a Levodopa. Mas há outros que podem ser combinados”, explica. Os médicos também recomendam algumas atividades como exercícios físicos, leitura, acompanhamento psicológico, entre outros.

O principal objetivo do plano de tratamento é oferecer o maior alívio dos sintomas com o menor número possível de efeitos colaterais. Algumas mudanças no estilo de vida também podem ajudar, como manter uma alimentação saudável, períodos de descanso e evitar o estresse.

De acordo com o doutor Henrique Ferraz, com o tratamento adequado, é possível levar uma vida praticamente normal, contudo, ele alerta para o fato de que, em fases mais adiantadas do problema, mesmo com o tratamento pode haver maiores limitações. Por isso, segundo ele, o apoio da família é fundamental. “Os familiares devem entender que as limitações físicas do paciente não se devem à preguiça ou à má vontade. São limitações físicas que a doença pode acarretar”, indica.

Para Thaísa Soares, por causa do tratamento, o quadro da doença de dona Maria de Lourdes está estacionado já há alguns anos. Para ela, o maior desafio de cuidar de um portador de Parkinson é manter a paciência. “Com a instabilidade física e motora, tudo fica mais difícil ao longo do tempo. A rotina diária de levantar, calçar o sapato, vestir uma roupa, tomar banho, comer algo, tudo precisa de supervisão. A doença ocasiona a falta de equilíbrio, tanto para ficar em pé, quanto para tomar banho ou segurar um objeto por muito tempo. Mas, graças a Deus e aos médicos, ela já consegue comer sozinha, tomar banho sozinha com supervisão. Ela faz fisioterapia, mas não gosta muito. É muito difícil obrigar alguém nessa idade a manter uma regra”, conta.

Segundo a jornalista, o fator mais importante na convivência e no cuidado de um portador de Parkinson é o amor. “Quando amamos alguém, todas as dificuldades são superadas. Tanto por nós, quanto por ela, que decidiu lutar e continuar com sua família. Além do amor, paciência e respeito”, afirma.

Casos cirúrgicos

Foto de: Reprodução

Parkinson_2 - Reprodução

Na Estimulação Cerebral Profunda, são implantados
eletrodos em regiões do cérebro responsáveis pela
manifestação dos principais sintomas da doença.
Esses dispositivos são conectados a um estimulador,
uma espécie de marca-passo, implantado sob a pele

Além de medicamentos, exercícios e fisioterapia, nos últimos anos têm surgido procedimentos cirúrgicos para minimizar os sintomas da doença de Parkinson. Esse tipo de tratamento vem ganhando cada vez mais destaque.

De acordo com o médico neurologista Henrique Ferraz, a cirurgia pode produzir bons resultados em pacientes que já não respondem ao tratamento. “Em casos em que os medicamentos e as terapias não conseguem devolver o paciente ao estado de plena funcionalidade ou independência, a cirurgia é algo que pode ser indicado e produz ótimos resultados, dependendo da fase do problema. Contudo, é importante frisar que a cirurgia não cura nem faz com que o paciente deixe de tomar os medicamentos”, argumenta.

As cirurgias são indicadas para aliviar o tremor, a rigidez e a perda ou lentidão dos movimentos. Uma delas é a Deep Brain Stimulation ou Estimulação Cerebral Profunda (DBS). Nesse procedimento, são implantados eletrodos em regiões do cérebro responsáveis pela manifestação dos principais sintomas da doença. Esses dispositivos são conectados a um estimulador, uma espécie de marca-passo, implantado sob pele. Eles produzem uma estimulação contínua no tecido cerebral, o que resulta em inibição da atividade elétrica local.

Outro tipo de cirurgia é a Talamotomia, que lesiona ou remove tecidos do tálamo, pequena parte do cérebro responsável por grande parte da coordenação motora necessária para a execução de movimentos simples, como por exemplo beber um copo- dágua. Outra técnica é a Palidotomia, na qual uma pequena parte do globo pálido, no cérebro, é destruída para aliviar sintomas como rigidez, tremor e os movimentos lentos.

Segundo informações do site Viva Bem com Parkinson, o tratamento cirúrgico na doença começou a ser realizado no início do século XX. Porém, no final da década de 1960, com a introdução de tratamentos clínicos, houve redução da indicação de tratamento cirúrgico para a doença de Parkinson. Só na década de 1990 que as cirurgias voltaram a ganhar destaque novamente.

Embora o quadro da doença de dona Maria de Lourdes esteja estacionado com a medicação, Thaisa Soares revela, que desde que descobriu que a avó sofria de Parkinson, passou a pesquisar sobre a doença e alternativas de tratamento. Ela considera a cirurgia, mas ressalta o custo elevado. “Existem alternativas. Chips, cirurgias, mas precisam de melhores condições financeiras para ser realizado. Atualmente, o tratamento por medicamento é barato. Mensalmente gastamos entre R$ 80 a R$ 100 com remédios ‘originais’”, conclui.

A fisioterapia no combate ao Parkinson

Rodrigo Perez é fisioterapeuta e coordena a equipe da clínica Central da Fisioterapia, em São Paulo, e já trabalha há 17 anos com esse tipo de caso.

Jornal Santuário – Como a fisioterapia contribui para o tratamento de Parkinson?

Foto de: Central da Fisioterapia

Rodrigo Perez - Central da Fisioterapia

"O apoio da família influi diretamente na recuperação
do paciente. Na maioria dos casos, familiares deixam
o paciente de lado, sendo cuidado apenas por profissionais
da saúde. Isso pode provocar depressão. A presença
evita que o paciente se sinta abandonado por conta de
suas dificuldades motoras"

Rodrigo Perez – A fisioterapia atua com objetivo de prevenir a evolução das principais sequelas, como rigidez muscular, alteração postural e alteração na marcha. Através de técnicas especificas, proporciona qualidade de vida aos pacientes. 

JS – Que tipos de exercícios são realizados?

Rodrigo – Alongamentos diários, para combater a rigidez muscular. Fortalecimento muscular de tronco e membros, com exercícios em academia, acompanhado por profissional especialista. Exercícios posturais e respiratórios associados, para evitar o encurvamento para a frente. Treino de marcha, pois os passos tendem a ficar curtos, prejudicando o equilíbrio e a coordenação.

JS – Como a família pode ajudar, para que a pessoa tenha melhor qualidade de vida?

Rodrigo – É trabalho do fisioterapeuta orientar não só o paciente mas também os familiares, além de possíveis enfermeiros ou cuidadores. O apoio da família influi diretamente na recuperação do paciente. Na maioria dos casos, familiares deixam o paciente de lado, sendo cuidado apenas por profissionais da saúde. Isso pode provocar depressão. A presença evita que o paciente se sinta abandonado por conta de suas dificuldades motoras.

JS – Que cuidados se deve ter com a disposição de objetos em casa?

Rodrigo – O espaço entre os móveis deve permitir a passagem do paciente. Não usar tapetes, pois aumentam o risco de queda. Instalar barras de ferro nas paredes do banheiro. Estas são as principais mudanças, mas dependerá de cada casa e das dificuldades motoras que o paciente apresenta.

JS – E quanto às escadas?

Rodrigo – São grandes inimigas dos pacientes com Mal de Parkinson. Por outro lado, auxiliam no treinamento de força e de ganho de amplitude de movimento, uma vez que exigem um movimento maior da perna. A orientação é ter sempre alguém próximo. Na frente, ao descer, e atrás, ao subir.

Outros Sintomas

  • Constipação
  • Dificuldade de engolir
  • Babar
  • Falta de expressão no rosto
  • Dores musculares
  • Perda da motricidade fina (comer pode se tornar mais difícil)
  • Voz para dentro, mais baixa e monótona
  • Ansiedade, estresse e tensão
  • Confusão
  • Demência
  • Depressão
  • Desmaios
  • Alucinações
  • Perda de memória

Dicas

Foto de: Reprodução

Parkinson_3 - Reprodução

Ginástica facial – para amenizar a rigidez dos músculos da face, elevar as sobrancelhas por alguns segundos e abaixá-las devagar, sorrir largamente com a boca fechada; apertar os lábios por alguns segundos e relaxá-los. Os movimentos devem ser repetidos por 10 vezes.

Equilíbrio – Para driblar a diminuição do equilíbrio, fortalecer a musculatura das coxas, pernas e glúteo com flexão do joelho e elevação lateral da perna.

Fala – O paciente não deve tentar falar rapidamente. Tente inspirar profundamente antes de falar e, pausadamente, tente articular bem cada uma das palavras.

Aliviar cãibras e espasmos musculares – Fazer compressa quente. Tome banho morno, mas evite a água quente, para não estimular o cansaço. Para relaxar os músculos e articulações doloridas, compressa fria. Para reduzir os tremores, use uma bola antiestresse (bolas de borracha flexíveis). Utilizar, pelo menos, duas vezes ao dia, manualmente, para diminuir os tremores nas mãos.

Para ver outras dicas, acesse: https://www.vivabemcomparkinson.com.br

 

 

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Alexandre Santos, em Notícias

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.