A Celebração Eucarística do segundo dia da 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizada nesta quinta-feira, 1º de maio, Dia do Trabalhador, comemorou a vida e a missão dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.
A missa celebrada no Altar Central, do Santuário Nacional, foi presidida pelo cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer e concelebrada pelos bispos, dom Luiz Demétrio Valentini e dom Pedro Stringhini. O arcebispo destacou o valor do trabalho como obra boa na criação de Deus e criticou o modo como é visto na atualidade sendo explorado pelo sistema capitalista, tido apenas como mercadoria de compra e venda.
“Este dia 1º de maio nos oferece a ocasião para refletir sobre o trabalho humano, tão importante, tão necessário para viver, tão necessário para a sociedade e a comunidade humana, mas o trabalho não é um fim, mas é um meio para realizar a obra boa”, disse dom Odilo no início da homilia.

“Nós estamos talvez por demais habituados dentro da cultura em que vivemos a ver o trabalho como parte de um sistema econômico, do sistema produtivo, em função do ganho, o trabalho como mercadoria, numa visão individualista, numa visão utilitarista simplesmente, numa visão enfim materialista”, completou.
A natureza originária do trabalho é fazer a obra boa, é compartilhar os próprios dons.
O arcebispo enfatizou a problemática que vive a sociedade mundial com a visão distorcida do trabalho que gera tensões sociais e consequências desastrosas para grande parte da população que “não consegue viver dignamente do seu trabalho, e não consegue por sua vez, realizar também a obra boa”, pontuou.
Essa visão materialista “desvirtua a natureza originária do trabalho, que é fazer a obra boa, que é compartilhar os próprios dons”, frisou dom Odilo.
O arcebispo lembrou que a obra da criação foi para Deus “o modo e o meio para realizar a sua glória e para comunicar às criaturas as suas perfeições”, por isso, o trabalho tem sua finalidade e missão no bem comum.
Se o trabalho não encontra no bem a sua concretização, ele serve para dividir e aumentar a exclusão social, nesse sentido, dom Odilo lembrou a missão que cabe à toda Igreja de resgatar o sentido originário do trabalho.
“Os pobres estão em aumento no mundo por causa das crises econômicas decorrentes de uma visão materialista da economia do trabalho, este é um desafio grande da evangelização, de permear novamente o mundo da economia e do trabalho com os valores cristãos, é missão da Igreja, é missão da evangelização”.
Por fim, o arcebispo, rezou por todas as pessoas que encontram no trabalho a sua realização e conseguem realizar uma obra boa, fruto do trabalho de suas mãos, e também rogou por todos os que não têm a possibilidade de viver dignidade do seu trabalho.

A 52ª Assembleia Geral da CNBB reúne até o dia 9 de maio cerca de 350 bispos, vindos de mais de de 270 dioceses brasileiras, e reflete sobre a renovação das paróquias.











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