Por Luciana Gianesini Em Assembleia Geral CNBB Atualizada em 08 MAI 2019 - 09H45

Dom Devair: Promoção da cultura do encontro é o maior desafio da Igreja

Em mais um Redação A12 ao Vivo especial para a 57ª Assembleia Geral da CNBB, o jornalista Eduardo Gois recebeu Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar de São Paulo e membro da Comissão para as Comunicações da CNBB, para falar sobre os desafios e possibilidades da comunicação na Igreja.

De início, Dom Devair falou sobre o documento de orientações para comunicadores católicos, que está sendo elaborado pela CNBB. "A intenção é mostrar um pouco do caminho por onde se deve seguir, por onde deve ser encaminhada toda mídia de inspiração católica, que atitudes e compromissos a serem ressaltados", disse. Dentre esses compromissos, ele destaca que o principal é com a verdade, com a realidade das coisas e, com isso, entender a responsabilidade junto à evangelização. Portanto, essas orientações abrangem todas as possibilidades da mídia católica, apontando o caminho, o cuidado que se dever ter ao tratar questões da Igreja, etc.

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Comunicação e Comunhão

Fazendo uma retrospectiva de seu trabalho na Comissão para as Comunicações, Dom Devair ressaltou os encontros de comunicação, cujo intuito é mostrar comunhão entre comunicadores católicos e CNBB, as diretrizes para a comunicação na Igreja propriamente ditas, reflexões que considera muito importantes, pois ajudam os comunicadores católicos em seu trabalho e ainda os encontros de espiritualidade com padres cantores, num trabalho de acompanhamento e proximidade, ressaltando a responsabilidade do ministério destes.

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral


Muito trigo a colher

Com relação aos avanços tecnológicos, o bispo comentou que a comunicação católica tem avançado e atendido evoluções da tecnologia, até porque, segundo ele, "a Igreja tem uma palavra que precisa ser comunicada. A comunicação faz parte da realidade da igreja. Redes sociais e a internet em geral, são meios de comunicação muito fáceis de serem usados e a Igreja tem se aprimorado nesses usos", salientou. Dom Devair também recordou a missa com os referenciais da CNBB para as Comunicações, celebrada no último sábado (04) no Santuário Nacional, em cuja homilia Dom Darci Nicioli falou que, a exemplo do sino, um dos primeiros meios de comunicação a serem utilizados pela Igreja, hoje outros meios também nos chamam à oração. "Vivemos tempos de dificuldades, problemas, incertezas, mas a Igreja não se esconde e não se furta de usar desses meios para a evangelização. A grande prova é que os nossos comunicadores fazem muito uso desses meios e têm muito trigo pra colher. O joio a gente separa. Nossas redes são muito boas e vem se aprimorando sempre mais", ponderou.

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Promover a cultura do encontro para combater o ódio

A respeito dos "haters", como são chamados aqueles que se ocupam em disseminar o ódio, principalmente nas redes sociais, Dom Devair afirmou que a intolerância e a falta de diálogo são problemas que vêm junto com a modernidade. "Não devem nos assustar, mas devem nos fazer pensar em tomar atitudes e iniciativas para combater essa prática. Dialogar é preciso sempre. E sempre poderemos ter ideias diferentes, mas não somos inimigos. Redes sociais parecem batalhas!", disse o bispo. Ele também pontuou que uma coisa que pode facilitar a ação dessas pessoas é a distância, porque esconde, encobre, permite que se fale sem filtro, sem receio. "Com a proximidade, você se resguarda mais. A mensagem do Papa Francisco para o Dia das Comunicações vai nessa direção do encontro, fala muito da 'cultura do encontro'. Nas conversas e encontros pessoais, o diálogo flui de outra forma. Nas redes, as pessoas se agridem muito. Devemos sempre discutir ideias, e não pessoas. Ofensas geram muitos comentários que não são verdade. Geram violência, desencontros, brigas, rixas. Não acrescentam nada", exortou.

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Como conselho, Dom Devair orientou que devemos sempre refletir sobre a visão que Jesus teria diante das diversas situações. "Se pretendemos xingar alguém, primeiro devemos nos colocar no lugar daquela pessoa, pensar como você se sentiria na situação inversa. Quando fazemos isso, evitamos muitas coisas", analisou. Por fim, o bispo disse que a violência verbal tem a força da violência física, pode destruir completamente uma pessoa. "Esta é uma regra de ouro: não precisamos derrotar nem vencer o outro. No debate de ideias, você cresce com aquilo que o outro te apresenta. Você consolida ou modifica suas opiniões, mas é um crescimento mútuo", concluiu.

Encerrando sua participação, Dom Devair manifestou sua alegria em prestar este serviço à Comissão das Comunicações, dizendo que é algo que nos enriquece e que faz parte da cultura do encontro que o Papa Francisco nos convida a viver.

Confira a íntegra da entrevista abaixo:


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