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José Esquinas-Alcázar: ‘Erradicar a fome não é uma opção, é uma necessidade’

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Alimentação

Aumento no preço dos alimentos contribui para a
instabilidade política em diferentes partes do mundo.

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) anunciou, em 2007, que o aumento dos preços de alimentos poderia levar a um aumento nos conflitos globais.

Segundo o pesquisador José Esquinas-Alcázar, a crise alimentar provocou, somente em 2008, revoltas em mais de 50 países e a consequente queda de vários governos.

“Hoje, o aumento nos preços dos alimentos está novamente contribuindo para a instabilidade política em diferentes partes do mundo”, destaca o professor.

O pesquisador lembra que mesmo o Fórum Econômico Mundial de Davos incluiu há alguns anos a insegurança alimentar entre os riscos mais graves à humanidade, pois não afeta mais apenas aqueles que sofrem diretamente com o flagelo da fome.

Por estarmos em um mundo interconectado pela informação e pela tecnologia, em que o capital e a divisão do trabalho se organizam em escala global, no qual somos todos interdependentes um dos outros e dependentes da natureza, a segurança alimentar se torna um dos principais pilares da paz e da segurança mundial.

“Nossos destinos estão unidos, e o destino é comum: ou nos salvamos todos ou podemos perecer juntos. O que no passado não soubemos fazer ou queríamos fazer movidos pela caridade ou pela solidariedade, hoje teremos que fazer, mesmo que seja por egoísmo inteligente”, frisa ele na entrevista, concedida ao portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU On-Line).

José Esquinas-Alcázar fez a conferência de abertura no XV Simpósio Internacional IHU 'Alimento e Nutrição no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio', na última segunda-feira (05).

IHU On-Line - Por que ainda morrem 40 mil pessoas por dia no mundo em consequência da fome? Não produzimos uma quantidade suficiente para alimentar a população mundial ou é a distribuição de alimentos que é feita de maneira desequilibrada?

José Esquinas-Alcázar - O que realmente é paradoxal e indignante é que a fome não é consequência, como acreditam muitos, da falta de alimentos. Hoje, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura - FAO, há alimentos no mundo para alimentar folgadamente a população mundial.

Os alimentos estão no mercado internacional, mas não chegam às mesas nem às bocas dos que têm fome. Em outras palavras, o problema não é a produção de alimentos, mas o acesso aos mesmos. O problema é, essencialmente, de índole política.

Isto foi reconhecido explicitamente há mais de 50 anos por um grande presidente dos Estados Unidos. Em 1963, John F. Kennedy, em seu discurso no primeiro Congresso Mundial de Alimentos, disse: “Em nossa geração temos os meios e a capacidade de eliminar a fome da face da Terra. Necessitamos, para tanto, apenas de vontade política”. Se há 50 anos já existiam os meios e a capacidade para acabar com a fome, imagine hoje! No entanto, continua faltando vontade política para isso.

IHU On-Line - Em que etapa estão os debates no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas acerca de uma possível Declaração Universal Sobre os Direitos dos Camponeses?

Foto de: reprodução

José Esquinas-Alcázar

José Esquinas trabalhou na Organização das Nações
Unidas para a Alimentação e Agricultura.

José Esquinas-Alcázar - Em outubro de 2012, o Conselho de Direitos Humanos da ONU decidiu criar um grupo de trabalho intergovernamental de composição aberta encarregado de negociar, finalizar e apresentar ao Conselho de Direitos Humanos um projeto de declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos camponeses e de outras pessoas que trabalham nas zonas rurais.

O grupo de trabalho intergovernamental, presidido pela embaixadora da Bolívia na ONU, em Genebra, em sua primeira reunião, em julho de 2013, considerou um primeiro rascunho da declaração e fez comentários sobre o mesmo. Atualmente, o rascunho está sendo modificado em consulta com os países, com o objetivo de apresentar um novo rascunho na segunda reunião negociadora do grupo de trabalho, prevista para novembro de 2014.

Jose Esquinas-Alcázar é doutor em Engenharia Agrônoma pela Universidade Politécnica de Madri, na Espanha, além de mestre em Horticultura e doutor em Genética pela Universidade da Califórnia, Estados Unidos. Trabalhou na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO. Atua também como professor titular da Universidade Politécnica de Madri.

Confira a entrevista completa aqui.

 

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