Por Luciana Gianesini Em Redação A12 Atualizada em 26 NOV 2019 - 13H38

Desemprego, relacionamentos: Pe. Pedro Cunha discute temas do cotidiano

Desemprego, paternidade, relacionamentos e recomeços. Padre Pedro Cunha volta mais uma vez ao Redação A12 ao vivo para tirar dúvidas e aconselhar os leitores do A12 sobre diversos assuntos do cotidiano.

Confira os comentários do padre da Diocese de Lorena (SP) a respeito das dúvidas, desabafos e testemunhos enviados por vários dos nossos leitores.

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral

:: "Estou desempregado e isto me causa profunda tristeza e sentimento de impotência diante da vida. Não sei mais o que faço..."

"Este, na verdade, é mais que um desabafo. É a vontade de exprimir a angústia diante daquilo que lhe é essencial. O emprego é aquilo que lhe dá as condições mínimas ou adequadas para que você sobreviva. Se você não tem emprego, provavelmente você não terá recursos financeiros para gerir a sua vida. Então, o emprego por si só, diz respeito ao sustento

Mas ele ainda tem um segundo aspecto, que é o aspecto da missão da pessoa. Ou seja, você desenvolveu uma profissão, você se especializou em alguma coisa e você tem alegria desejo vontade de colocar isto que você aprendeu e sabe fazer a serviço dos outros. O desemprego também causa uma profunda frustração nesse aspecto: o que eu sei fazer, o que eu posso fazer, eu não posso fazer, porque estou desempregado", explica Padre Pedro.

iStock/Rádio Aparecida
iStock/Rádio Aparecida

"Não ter o necessário para si e, muitas vezes, não ter necessário para os outros que vivem muito perto deste, especialmente se é um pai se é uma mãe que tenha filhos, por exemplo, isso é desesperador. Então, essa tristeza profunda, angústia profunda, ela não é só angústia de quem não tem dinheiro. Ela é angústia de quem não sabe, de fato, como continuar vivendo e como manter aqueles que vivem consigo vivos", aponta.

O padre ainda prossegue em sua reflexão: "Essa questão do emprego realmente precisa ser tida em conta. Quem trabalha, precisa trabalhar com gosto, com alegria, com satisfação. Inclusive, trabalhar para gerar emprego. Porque infelizmente, muitas pessoas que trabalham, não dão o devido valor ao trabalho que fazem. E aí também tem aquela empresa que, muitas vezes, não prospera porque porque os seus trabalhadores não valorizam aquilo que estão fazendo".

"Então, que a gente valorize muito o serviço que a gente tem, o trabalho que a gente tem e que a gente, pelo nosso próprio trabalho, consiga também ajudar àqueles que nada têm, ajudar a roda girar", incentiva o padre. 

:: "A juventude precisa de referências para se conectar com Deus?"

"Todo ser humano nasce conectado com Deus. Não há ser humano desconectado de Deus, porque nós trazemos em nós o sopro Dele. E isso é tão incrível que até entre aqueles povos que jamais ouviram falar de qualquer tipo de religião, por exemplo, eles têm uma conexão com o Transcendente. Isso quer dizer que a gente já nasce conectado com Deus. Então, a dificuldade está em se manter conectado. Aqui no A12 mesmo, o slogan é "Conectados pela fé".  Significa que a gente tem essa conexão, mas às vezes a gente se desconecta. Mas Deus nunca se desconecta de nós", salienta o sacerdote.

iStock
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"A gente desconecta quando a gente perde a conexão com este Ser. Por isso é que a gente precisa de referências para se conectar a Deus. Claro, quanto mais referência a gente tem, melhor. Mas, neste caso, a referência não é uma tomada, que a gente liga para a gente se conectar. A minha conexão com Deus se dá mediante a minha vida. Muitas vezes, essa conexão passa pelo outro, quando eu consigo enxergar no outro esta presença Divina"
, diz.

"É como um pai e uma mãe, que são sempre uma referência para os seus filhos. Os filhos veem, ouvem e convivem com seus pais e acabam tomando-os como referência, inicialmente por imitação, depois por uma reconfiguração", completa Padre Pedro.

Mas o padre também orienta em relação a tomar cuidado ao adotar referências erradas. "Muitas vezes, a pessoa tem uma referência que não é tão responsável. A gente vê, por exemplo, na internet, casos que beiram o fanatismo religioso e isso é muito ruim. Já tivemos, ao longo da história, suicídios coletivos, por exemplo. Ou seja, aquele líder religioso é uma referência tão seca e tão dura que, se ele diz 'vamos nos matar', todos se matam. Quando a referência se torna inquestionável, ela é problemática", alerta.

Padre Pedro também apresenta alguns passos para definir quem são nossas referências de fé. "Se você me tem como referência, são necessárias três observações. Primeiro: eu sou pecador. Segundo: eu sou totalmente limitado. Terceiro: me questione. No momento em que você não puder me questionar, então eu não posso mais ser sua referência".

:: "Sou professora e vejo que as famílias têm jogado a responsabilidade da criação dos filhos para a escola. Como mostrar aos pais que não é bem assim?"

"Não é mesmo", diz padre Pedro. "Não posso entregar a educação dos meus filhos à escola, porque a obrigação da educação dos filhos é dos pais". Mas ele alerta para outro problema dos tempos atuais, que está relacionado às famílias cujos filhos estudam em tempo integral."Sim, é papel da escola educar naquilo que lhe compete enquanto instituição. Mas a responsabilidade é minha de pai ou mãe. Se acontecer qualquer coisa lá com ele, sou eu que corro lá para aquilo. Eu não posso me desconectar da criança no momento em que ela vai para a escola", orienta.

shutterstock
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Outro ponto que o sacerdote destaca é que os pais precisam saber quem é aquele filho que eles estão enviando para a escola, que educação ele recebeu em casa. Por outro lado, a escola também precisa conhecer a realidade deste aluno e entender que ela tem um papel preponderante na educação dele, independente do que ele traga como bagagem de sua casa.

Padre Pedro diz que o papel da escola não pode mais estar restrito ao ensino das disciplinas de português, matemática, etc. "A escola tem, sim, a obrigação inclusive de reforçar aquilo que a família deveria ter oferecido", explica. 

"O papel da educação não é só ensinar a matéria curricular. Infelizmente, tanto em um ambiente familiar como no ambiente educativo, temos falhas grotescas. Nós temos a criança sempre mais afastada do convívio familiar e sempre mais convivendo no ambiente escolar, especialmente nas escolas de tempo integral. Mas estas duas realidades educativas não estão em sincronia", observa.

:: "Meus amigos de verdade, contando, cabem nos dedos da minha mão. Tenho dificuldade em fazer novas amizades, não confio nas pessoas, não tenho paciência. Me tornei uma pessoa pior?"

"A amizade, quando é verdadeira, sempre te torna uma pessoa melhor. Aí é importante definir com clareza o que é amizade", observa Padre Pedro. "O conceito de amizade não está só relacionado à maneira como eu me relaciono com você. O conceito de amizade está sempre relacionado com a possibilidade que eu lhe ofereço de você ser plenamente quem você é e poder fazer tudo o que pode fazer, no cumprimento de sua missão, a partir daquilo que você é. O amigo é exatamente aquele que ele ajuda a você ser plenamente quem você é e a cumprir o seu papel nesse mundo", define.




Padre Pedro também explica que existem amizades construtivas e destrutivas. "Na relação de amizade, é importante gastar tempo não só para conhecer o outro, mas também para ajudar o outro a descobrir quem ele é, dar espaço para ele existir e ser 100% quem ele é. A
 amizade é importante porque ela dá uma base para a gente viver. Ela também dá um frescor, também faz com que a gente goste de estar vivo", ressalta.

O padre também ensina que construir uma relação de amizade leva tempo e requer paciência."Amigo a gente não escolhe, eles acontecem na vida da gente. O sentimento de amizade é construído. Não é por que uma pessoa se conecta comigo via internet que ela é minha amiga. Então, é preciso que se perceba se a conexão seja uma relação de reciprocidade", diz.

:: Confira todos os conselhos do Padre Pedro Cunha no vídeo abaixo.



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