Por Elisangela Cavalheiro Em Espiritualidade

A atuação do Regional Norte 2 no combate ao tráfico de pessoas

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A região Norte do Brasil apresenta o maior número de rotas de tráfico de pessoas do país. Ao todo, são 76 as rotas que vitimizam milhares de pessoas, especialmente no tráfico para fins de exploração sexual. Nessa localidade, o Regional Norte 2 da CNBB, que compreende os Estados do Amapá e do Pará, enfrenta a realidade do tráfico procurando tornar a mensagem de libertação proposta por Jesus Cristo uma realidade na vida das pessoas feridas em sua dignidade, por esse crime tão brutal. 

De acordo com o secretário executivo do Regional Norte 2, padre Paulo Joanil da Silva, esse crime encontra suas causas na realidade social. Na falta de oportunidades dignas de trabalho e educação, entre outras, que as redes de tráfico de pessoas “encontram um campo aberto para os seus crimes”, destacou em entrevista exclusiva ao A12. 

Para tanto, a atuação do Regional divide-se em diversas frentes pastorais para tentar defender e prevenir a população desse crime que engana e tira a liberdade. De forma especial, atua a Comissão Justiça e Paz (CJP) do Regional Norte 2, que tem como representação a figura da Irmã Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, que está ameaçada de morte pelo trabalho que realiza junto ao organismo. Diante de seu trabalho de caráter profético e libertador no enfrentamento do tráfico de pessoas, o organismo ganhou repercussão nacional e internacional. 

Foto de: Cáritas Regional Norte 2.

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Irmã Henriqueta ministra palestra na Diocese de Óbidos durante seminário sobre exploração sexual de crianças e adolescentes e tráfico de pessoas. 

 

Com o tema da Campanha da Fraternidade 2014, o Regional espera que essa realidade possa encontrar eco nas diversas instâncias representativas da sociedade para o eficaz enfrentamento das formas de tráfico existentes no país e garantir o direito à liberdade. 

Confira a entrevista que o Padre Paulo Joanil concedeu ao A12: 

A12 – Qual a realidade enfrentada pelo Regional Norte 2 a respeito do tráfico de pessoas?
Padre Joanil – O Tráfico de pessoas tem algumas causas na realidade social: por falta de oportunidades de trabalho digno, politicas públicas, educação que inclua todas as crianças; oportunidades para os adolescentes e jovens das periferias, os mais vulneráveis; luta contra a impunidade, maior investimento nas periferias; fiscalização eficiente nos portos, estradas etc, as redes de tráfico encontram um campo aberto para seus crimes. No campo não há até hoje nenhum fazendeiro flagrado e punido, apenas paga-se uma multa. O Regional, com todas as Pastorais procura defender e prevenir os mais pobres para que não caiam nas redes do tráfico humano. 

 

"No campo não há até hoje nenhum fazendeiro flagrado e punido, apenas paga-se uma multa. O Regional, com todas as Pastorais procura defender e prevenir os mais pobres a não caírem nas redes do tráfico humano". 

A12 – Como o Regional atua nessa realidade?
Padre Joanil – Por meio das pastorais como foi dito acima, mas também em parceria com as entidades ligadas à defesa dos direitos humanos. As Pastorais são: Pastoral do Menor, da Criança, da Família, a Comissão de Justiça e Paz (CJP), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), as Comunidades Eclesiais de Base, nas Paróquias, e ainda nas ações da CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil), por meio da rede 'O Grito pela Vida', etc... 

A12 – As estratégias contempladas no II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas são suficientes para enfrentar a realidade local? Comente.
Padre Joanil –
Os Planos com suas estratégias são válidas, mas não resolvem pela raiz esse crime. Achamos que as ações devem ser mais consequentes e mais envolventes em toda a sociedade, mas em primeiro lugar pelo Poder Público com todas suas secretarias de governo. 

 

"O lema da CF 2014 é um apelo da Palavra de Deus para todos os Cristãos, e para todas as pessoas de boa vontade".  

A12 – Como o senhor analisa a legislação brasileira sobre esse crime (ou crimes, contando as várias modalidades)?
Padre Joanil – A legislação está defasada, é branda quando se trata de punir os grandes que têm poder aquisitivo. 

A12 – O lema da CF-2014: ‘É para a liberdade que Cristo nos Libertou’, destaca o projeto de Deus para a humanidade. Com esse anúncio a campanha quer interpelar toda a Igreja diante da exploração desumana na atualidade?
Padre Joanil –
O lema da CF 2014 é um apelo da Palavra de Deus para todos os Cristãos, e para todas as pessoas de boa vontade que têm sensibilidade em favor da vida dos mais fracos. Todos nos sentimos interpelados, pois toda pessoa deve ter sua dignidade preservada, defendida contra toda forma de escravidão. A Palavra de Deus é um apelo de conversão para todos.

 

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