Por João Antônio Johas Em Espiritualidade Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H39

A “lógica da Boa Notícia”

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Para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco dirigiu uma mensagem especial aos comunicadores, mas que se aplica a todo cristão, na qual os convida a uma nova maneira de se aproximar a realidade e, principalmente, de comunica-la. Ele a chama de “lógica da Boa Notícia” que consiste em enxergar a realidade desde a chave hermenêutica cristã, ou seja, buscando entender o mundo ao nosso redor, com todos os problemas e coisas boas que tem, desde a esperança que Cristo nos deu com sua morte e ressurreição.

É mais ou menos um consenso atualmente que uma notícia, para ser verdadeiramente notícia, precisa ser bem impactante. E nessa lógica, diz o Papa, a boa notícia acaba sendo deixada a segundo plano e ganha espaço as notícias nas quais os dramas, sofrimentos e mistério do mal são elevados a espetáculo. É justamente essa lógica que o Papa quer quebrar, mostrando que por mais dolorosa que a realidade possa ser, nossa fé nos permite ter um olhar de esperança e é exatamente esse olhar que deve ser valorizado na notícia.

Pode ser difícil, em um primeiro momento, aderir a esse pedido porque muitas vezes é difícil mesmo ter um olhar esperançoso com relação a alguns acontecimentos. Mas talvez um exemplo paradigmático ajude a ver que isso é possível. Podemos buscar esse exemplo na própria Boa Notícia por excelência que é Jesus Cristo. Pode-se contar sua história desde uma perspectiva de fé e também desde uma perspectiva sem fé.

Sem a fé, vemos um homem que viveu no anonimato durante grande parte de sua vida e, quando iniciou sua vida pública foi perseguido pelos sacerdotes e mestres da lei como alguém que estava ensinando algo errado sobre sua religião. Nessa perseguição, ele sai derrotado e morre de uma forma horrível, em meio a ladrões da pior espécie. Alguns fanáticos, após a sua morte, provavelmente roubaram seu corpo para dizer que ele ressuscitou e continuar assim com sua loucura.

Agora, desde a fé, sabemos que essa pessoa é o Filho de Deus esperado para reconciliar a humanidade com seu Senhor. Sabemos que Ele é a encarnação do Verbo que mostra ao homem como ser homem em plenitude e que toda sua vida, mesmo o tempo oculto com seus pais, seus ensinamentos, as parábolas e os milagres que realizou, tudo isso Ele fez porque nos ama e quer que o sigamos ao encontro de Deus. De sua morte sabemos ser o contrário da derrota. Por meio dela e de sua verdadeira ressurreição, a humanidade finalmente pode entrar em comunhão com o Pai.

O Papa Francisco, em sua mensagem, pede que tenhamos sempre esse segundo olhar. Ele pede, na verdade, que sejamos homens verdadeiramente cristãos e, consequência disso, é ter esperança em meio a todas as tribulações. Não é fechar os olhos ao mal, pelo contrário, e passar pelo mal com os olhos abertos e agarrados na esperança da ressurreição de Jesus. Se todas as notícias fossem transmitidas desde essa ótica, desde a lógica da Boa Notícia, certamente os meios de comunicação sociais seriam uma ferramenta ainda mais importante na missão de trazer ao alcance de todos a mensagem fundamental de amor que Jesus nos entregou.

:: Mensagem do Papa para o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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