Por Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R. Em Espiritualidade Atualizada em 27 MAR 2019 - 16H39

Assim se salva o mundo

Devota rezando - Missa - Santuário Nacional - Crédito da Foto: Thiago Leon

Foto: Thiago Leon

 

Salvar com gestos

Preparando a Páscoa nós nos dedicamos às reflexões, gestos fazemos penitências etc. Muito bom, mas falta o importante: fazer. A trilogia que atravessa a Quaresma é o jejum, a oração e a misericórdia que chamamos de esmola. O termo melhor que esmola é misericórdia, pois não se reduz a dar algumas moedas para aliviar a consciência. Essas três atitudes resumem em si tudo o que podemos fazer. Elas são o antídoto para a tentação que pudemos contemplar no primeiro domingo. E, refletindo na salvação que Jesus nos ofereceu, devemos partir de Jesus e de suas atitudes.

Sua morte redentora não foi um fato ocasional. Foi preparada pelos inimigos para tirar a força de mudança que Jesus oferecia. A salvação tinha como fio condutor realizar em nós o amor misericordioso de Deus e dar vida plena a todos. Ele mesmo disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Vida em abundância atinge tanto a vida espiritual como material. Jesus prezou muito ter Se encarnado. Deu sentido completo a todas as coisas. Falar de salvação do mundo nesse tempo, não está fora da seriedade espiritual que a Quaresma apresenta. Certamente é muito bom para os exploradores e destruidores da natureza espiritualizarem o momento excluindo tudo que é material.

Matei passarinho

Já há algum tempo que me impressionava ouvir, no sacramento da penitência, meninos se acusarem de terem matado passarinho. De onde vinha essa consciência de que matar passarinho era pecado, isto é, que rompia o laço de comunhão com Deus? Destruir uma floresta ou o meio ambiente não era problema. De onde tiravam essa consciência? Quem sabe a catequese ajudava. Essa consciência deve voltar. Por isso é importante a educação das crianças, o que já se faz, para que possam ser os primeiros a proteger o mundo.

Papa Francisco mostra a importância dessa educação: “Vários são os âmbitos educativos: a escola, a família, os meios de comunicação, a catequese e outros. Uma boa educação escolar em tenra idade coloca sementes que podem produzir efeitos durante toda a vida. Quero salientar a importância da família… Nela, cultivam-se os primeiros hábitos de amor e cuidado da vida como, por exemplo, o uso correto das coisas, a ordem e a limpeza, o respeito pelo ecossistema local e proteção de todas as criaturas” (Laudato si 213).

Convém notar que essa temática não se refere só aos bens da natureza, mas também e, principalmente, ao cuidado com as pessoas, ao bom relacionamento, a educação. “Esses pequenos gestos de sincera cortesia ajudam a construir uma cultura da vida compartilhada do respeito pelo que nos rodeia” (Id).

Formando as consciências

Tratar desses assuntos na Quaresma, às vésperas da Semana Santa, parece uma falta de consideração para a importância do momento. A obra da redenção não se referiu somente a uns pecados escondidos. Ela está voltada para o homem como um todo. É preciso lidar com todos os aspectos.

A pessoa se desenvolve cercada de tantas realidades belas e de outras tristes. Dedicar-se só ao espiritual é desprezar o projeto de Deus que se encarnou sem perder a divindade. Tudo que é humano foi considerado por Deus como muito bom para manifestar a graça da redenção. Por isso somos convocados para o cuidado do ser humano, sobretudo os mais pobres para que possam viver bem a partir de caridade, sobretudo para com os carentes que são os prediletos de Deus.

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