Por Ir. João Antonio Johas Em Espiritualidade

Celibato: Por que alguém professaria esse voto nos dias de hoje?

celibato

Continuando a reflexão sobre os votos que os religiosos fazem de viver os conselhos evangélicos da obediência, pobreza e celibato, aprofundaremos um pouco mais neste último. No mundo em que vivemos, mergulhado muitas vezes em uma busca desenfreada pelo prazer instantâneo e com pouquíssima preocupação moral, o celibato emerge como um dos maiores signos de contradição que se pode viver. Para a mentalidade mundana da qual falávamos no texto sobre a pobreza, é algo inimaginável que alguém possa querer viver dessa maneira. Mas a realidade nos fala forte.  Ainda hoje muitos jovens, homens e mulheres, decidem abraçar esse estilo de vida. Porque o fazem? Porque perseguem esse estilo de vida que é, muitas vezes, taxado como sinônimo de fracasso?

O encontro real com Jesus vivo e presente no meio de nós tem o poder de mudar a vida das pessoas. Nesse encontro reordenamos toda a nossa vida para que ela vá na direção daquele a quem percebemos ser o sentido último da nossa existência, esse sentido que estávamos buscando, mesmo que inconscientemente. Ele é o tesouro pelo qual vale a pena vender tudo afim de consegui-lo. Para os que são chamados a vida religiosa, o celibato surge como mais uma maneira de se assemelhar a Jesus, de viver mais como ele viveu. Dessa maneira dão testemunho de uma vida diferente da que o mundo está acostumado.

 

...o Papa Bento XVI disse uma vez que o celibato é uma antecipação do céu.

De fato, o Papa Bento XVI disse uma vez que o celibato é uma antecipação do céu. Como assim? O Papa dizia que no mundo de hoje já não se pensa no futuro de Deus: “parece suficiente somente o presente deste mundo. Queremos ter somente este mundo, viver só neste mundo. Assim, fechamos as portas à verdadeira grandeza da nossa existência". Essa grandeza começa aqui, mas não termina com a morte, segue eternamente na vida futura, na plena comunhão com Deus.

O celibato, então, vem para abrir essas portas, para mostrar um mundo maior do que somente esse que vemos, mostrar a realidade futura já vivida no presente. É um testemunho de fé. Quando se vê uma pessoa que vive o celibato, se vê uma pessoa que realmente acredita em Deus, que se pode fundar uma vida em Cristo, nas promessas dele de uma vida futura bem-aventurada, feliz.

 

É uma riqueza para toda a humanidade poder encontrar esses homens e mulheres que vivem aqui na terra, mas com os corações já ancorados no céu.

Isso não significa que quem não vive o celibato não pode testemunhar uma vida fundada na rocha que é Cristo. Todos somos chamados, segundo o máximo das nossas capacidades e possibilidades, a ser testemunhas de Jesus. Os religiosos, por sua vez, de maneira semelhante ao que acontece com o voto da pobreza que já conversamos, dão esse testemunho de maneira particular, com toda sua vida. É uma riqueza para toda a humanidade poder encontrar esses homens e mulheres que vivem aqui na terra, mas com os corações já ancorados no céu.

É realmente um desafio viver uma vida verdadeiramente cristã. São Paulo nos diz que enquanto caminhamos nesse mundo, “caminhamos na fé e não na visão clara” (2 Cor 5, 7). Para nós é muito fácil “abaixar o olhar” para apenas o nosso mundo, onde não precisamos da fé e parece que temos uma visão mais clara. Mas sem Deus, esse mundo não tem sentido, deixamos de ser peregrinos para ser errantes (Pessoas que caminham sem rumo, errando).

Nesse desafio, os religiosos ajudam a todo o povo de Deus a não esquecer o rumo. Com seu celibato fortalecem a fé e a esperança de todos, dando testemunho do que continua dizendo o apóstolo dos gentios: “Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor”. (2 Cor 5, 8)

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