Por Ir. João Antônio Johas Leão Em Espiritualidade

Dia Nacional dos Cristãos Leigos

O uso corrente da palavra leigo hoje parece ir na direção de um dos significados que podemos encontrar no dicionário: “o que ou aquele que é estranho a ou que revela ignorância ou pouca familiaridade com determinado assunto, profissão etc.; desconhecedor, inexperiente”. Mas na Igreja, esse significado não se aplica de nenhuma maneira àqueles que são chamados leigos. Esse nome é usado para designar “aquele que não recebeu ordens sacras” e nada possui de despreciativo, muito pelo contrário.

leigos

A Igreja hoje se esforça por reconhecer e proclamar cada vez melhor a importância da vocação dos leigos. Depois do Concílio Vaticano II, isso ficou mais claro ainda com alguns documentos dedicados especialmente a isso, como por exemplo o decreto chamado Apostolicam Actuositatem, que fala justamente sobre o apostolado dos leigos. Outro lugar no qual o Concílio trata dos leigos é na constituição Lumen Gentium, no número 31, que vale a pena ler devagar, buscando interiorizar o papel dos leigos na Igreja:

Por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, em toda e qualquer ocupação e actividade terrena, e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida a sua existência. São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade. Portanto, a eles compete especialmente, iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador e Redentor. (Lumen Gentium 31)

Diferentemente daqueles que recebem a ordem sagrada, os leigos estão mais inseridos no mundo secular, chegando a lugares que nenhum sacerdote ou religioso pode chegar. Fica evidente como é importante e única a missão laical, já que o Reino de Deus precisa chegar a todos os lugares. Se há ainda uma visão de que a Igreja é o padre ou o bipos e que os leigos apenas participam como meros espectadores mais ou menos comprometidos, isso precisa ser mudado.

E é isso que escutamos o Papa Francisco pedir com suas palavras que marcaram o mundo: “Quero uma Igreja em saída, antes acidentada que doente”. Na jornada mundial da juventude no Rio de Janeiro ele criou uma nova palavra quando disse: Não “balconeêm” a vida. Ou seja, não fiquem na arquibancada da vida, sejam jogadores, protagonistas. É preciso que o leigo se entenda cada vez mais como parte do Corpo de Cristo que é a Igreja, como diz São Paulo e como nos lembrou o Papa francisco em uma de suas catequeses de Quarta-feira:

 

“Quero uma Igreja em saída, antes acidentada que doente”

Na Igreja, portanto, há uma variedade, uma diversidade de tarefas e de funções; não há a plena uniformidade, mas a riqueza dos dons que distribui o Espírito Santo. Porém, há a comunhão e a unidade: todos estão em relação uns com os outros e todos combinam para formar um único corpo vital, profundamente ligado a Cristo. 

Que os leigos possam cada vez mais assumir a sua parte na tarefa de toda a Igreja que é proclamar o Reino de Deus, proclamar a reconciliação trazida por Jesus a partir de uma própria vivência intensa da vida cristã e de uma relação pessoal com o mesmo Jesus. As vezes se diz que falar que todos são importantes equivale a dizer que ninguém é importante, mas isso não se aplica na Igreja porque para Deus todos são realmente únicos e importantes. Ele não ama a massa de humanos, mas cada um individualmente e o chama para uma grande missão.

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