Por Redação A12 Em Espiritualidade

Igreja e Estado: Autonomia e colaboração

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Neste ano o tema da Campanha da Fraternidade nos apresenta como tema a Igreja e a Sociedade. É um assunto muito amplo, e além disso, uma realidade muito marcada pela história. Dependendo do contexto histórico, podem ser muito diferentes as relações entre Igreja e Sociedade.

Já vimos como a Igreja nos primeiros séculos de sua existência no Império Romano, foi muito perseguida, chegando a ter muitos mártires, que foram mortos pelo fato de serem cristãos, dados os preconceitos que tinham se estabelecido contra os seguidores de Cristo.

De tal modo que nos primeiros tempos, a Igreja nem podia ser organizar socialmente, pois sua existência era proibida no Império.

A situação mudou rapidamente, a partir do imperador Constantino, que deu plena liberdade à Igreja, que assim pôde, em boa hora, ajudar a Europa a se reorganizar socialmente, depois da queda do império romano.

Esta nova situação durou muitos séculos, de maneira que se implantou na Europa uma verdadeira “civilização cristã”.

Por sua vez, este período da história também terminou, com a chegada da modernidade, aí pelo ano de 1500.

Com a chegada da modernidade, a situação foi rapidamente caminhando para a ruptura entre a Igreja e a Sociedade.

Entre nós esta ruptura demorou um pouco mais, pois diante da divisão introduzida na própria Igreja, os reinos de Espanha e Portugal se constituíram em defensores da Igreja, prolongando por alguns séculos a união entre Igreja e Estado, nos territórios dos reinos de Espanha e Portugal.

Entre nós, no Brasil, a ruptura entre Igreja e Estado só se efetivou com a proclamação da República, em 1889.

Haveria muitas considerações a fazer sobre estes fatos da história.  Mas uma coisa merece destaque: o que parecia negativo, o abandono da Igreja por parte do Estado, acabou se tornando em fator muito positivo.

Com a liberdade deixada para a Igreja, ela pôde se organizar muito melhor, e recuperar uma vitalidade que nunca tinha sito expressa com tanto vigor nos séculos anteriores. Basta ver o número de Dioceses. Até 1889, só havia dez dioceses no Brasil. Agora, depois de cento e poucos anos, a Igreja conta com a impressionante quantia de 274 dioceses no território brasileiro.

Isto veio fortalecer a Igreja, que por sua vez se sente em condições de marcar presença na Sociedade, como parceira em muitas causas importantes.

 

Dom Luiz Demétrio Valentini

 

Dom Luiz Demétrio Valentini

Bispo de Jales

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