Por Ir. João Antônio Johas Leão Em Espiritualidade

Não deixar de rezar, mas buscar o médico!

Não é raro escutar algumas pessoas que não acreditam em Deus dizendo às pessoas de fé, que no fundo, se procuram médicos ou alguns profissionais de saúde é porque não confiam realmente em Deus. Isso me faz lembrar daquela passagem que escutamos na semana santa na qual Jesus, crucificado em meio a dois ladrões, escuta de um deles: "Sé és o Filho de Deus, salva-te a ti mesmo e a nós também". Ou também do momento em que o soldado diz algo similar e pede que desça da cruz para que eles possam crer. Os dois apelam ao poder de Deus, escandalizados porque para eles, o Filho de Deus não pode sofrer tanto assim. E porque Jesus não desceu da cruz? Por um motivo semelhante ao que faz com que nós, católicos, busquemos os médicos sem deixar a oração.

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A Misericordina, o remédio espiritual do Papa Francisco. 

Com a saúde e a fé, é importante entender que a oração e a busca por cuidados médicos não são duas coisas contraditórias, mas que Deus se vale de homens para curar as pessoas. Isso mostra a grande dignidade e responsabilidade que Deus deu ao homem, porque ele poderia, com um milagre, curar todo mundo, mas ele quer a nossa participação. Exemplo disso é o que acontece também na confissão dos pecados (Deus poderia perdoar diretamente, mas quer que seja por meio de um sacerdote) ou ainda, o exemplo que me parece mais bonito, quando Jesus vem ao mundo se encarnando em Maria (Ele também poderia ter vindo sozinho salvar o homem, mas quis vir por meio de Maria). 

 

"Com a saúde e a fé, é importante entender que a oração e a busca por cuidados médicos não são duas coisas contraditórias". 

A questão de fundo aqui parece ser um mal-entendido com relação a cooperação que Deus espera de parte do homem no cumprimento do seu plano de amor. O homem, criatura frágil e pecadora, é parte fundamental do plano de salvação do próprio homem. Deus é o protagonista e é Ele quem comanda o curso da história, mas Ele sempre o faz por meio de seus filhos humanos, sem que estes percam sua liberdade, sem transformar-nos em simples fantoches em suas mãos. Deus tem um grande respeito por nossa dignidade de seres livres e parece que nós não temos a mesma consideração por essa dignidade.

Revolucionando a nossa maneira de ver o mundo, podemos entender toda a nossa atividade como uma cooperação com a graça de Deus. É verdadeiramente nós que agimos, mas agimos sempre com a força de Deus, sem a qual não poderíamos fazer nada. Assim como na parábola da videira e dos ramos. Os ramos recebem a seiva da raiz da videira, e se separam da videira, nada podem fazer. Assim somos nós com Deus.

E conhecendo essa maneira de agir de Deus, que quer contar com sua criatura frágil e pecadora, podemos responder aos que nos acusam de não confiar em Deus que se procuramos ajuda médica não é porque não confiemos n´Ele, mas justamente porque confiamos e o conhecemos é que saímos ao encontro da ajuda que Ele quer nos dar por meio de seus filhos e nossos irmãos. E como Deus é tão bom, ele se vale de todos, mesmo que não acreditem n´Ele, para fazer o bem.

Na vida cristã, a ação e a oração não são duas coisas separadas, mas intimamente unidas a ponto de que possamos dizer que todas as nossas ações são, se bem vividas, uma espécie de oração, de momentos em que damos glória a Deus com nossas vidas.

Busquemos a ajuda que Deus quer nos dar através das ciências médicas, sem deixar de lado a vida espiritual que ilumina e sustenta toda a vida cristã.

João colunista assinatura

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