Começa o tempo de Advento, tempo de preparação para a jubilosa celebração do Natal.

O Advento é uma época em que temos uma série de atividades (confraternizações, encontros familiares, ações solidárias). Preparamos também nossas casas e ambientes de trabalho com símbolos natalinos e frases que expressem a espera pelo nascimento do Senhor. Especialmente nos momentos difíceis, é preciso manter a chama da esperança acesa.
Podemos dizer que é uma época de muita correria e, por isso, corremos o risco de não prestarmos atenção ao que é essencial: a minha preparação para a vinda do Senhor. É muito importante lembrarmos que o Natal é Jesus.
Gostaria de aproveitar esse momento para refletir sobre uma virtude que considero muito importante vivermos neste tempo: a esperança. Em Maria, podemos ver o modelo de vivência desta virtude. Ela é a Mãe da esperança. Este tempo de Advento é um convite a esperar com Maria pelo Messias. Mas o que significa esperar?
A virtude teologal da Esperança: somos peregrinos
Um dado fundamental para compreender quem somos é que nos encontramos “a caminho”. Podemos nos imaginar neste tempo como os três reis magos, caminhando rumo ao encontro do Messias, o salvador da humanidade.
Nenhum de nós está, neste momento, pronto, acabado, maduro. Todos nós somos peregrinos, viajantes. Um termo em latim busca expressar esse estado: status viatoris. O viator é, segundo este conceito, aquele que se encontra a caminho da felicidade, tanto daquela objetiva quanto da sua experiência subjetiva.
Façamos uma boa preparação para o Natal, para que Cristo encontre em nós portas (corações) abertas e um lugar agradável para que Ele possa nascer e transformar nossas vidas.
Esperança: virtude do viator
A situação do estar “a caminho”, que caracteriza o ser do homem, tanto a um nível natural como sobrenatural, exige uma atitude esperançosa, para não esmorecer no caminho e manter a confiança em que a meta poderá ser alcançada.
Essa atitude, que é básica e vital no homem, torna-se virtude somente por graça divina, já que é graças à Revelação que nós conhecemos realmente em que consiste a nossa felicidade e plenitude autênticas: participar eternamente da comunhão com Deus. Trata-se de um fim, que o homem sozinho não poderia nem imaginar, olhando apenas para a sua natureza.
Muitas vezes, inclusive, devido à confusão em que costuma viver, o homem pode fazer de coisas más o objeto da sua esperança. Por isso é tão importante concentrar-se em Jesus Cristo, que ilumina o mistério do homem, mostrando-lhe em que consiste realmente a sua plenitude e felicidade, a verdadeira meta. Esse norte, que de alguma forma já possuímos graças à virtude da Fé, pela esperança confiamos que o alcançaremos, cooperando com a graça de Deus. Especialmente nos momentos difíceis é preciso manter a chama da esperança acesa.
A humildade e a magnanimidade: caminho para a esperança
A atitude natural da esperança só é possível no homem que possui as virtudes da magnanimidade (grandeza de ânimo) e da humildade (viver na verdade). Estas virtudes sustentam o homem no caminho da realização e perfeição, de acordo com a sua natureza. Por um lado, pela magnanimidade ele empreende grandes conquistas. Por outro, pela humildade, ele não fica prostrado diante da evidência das próprias limitações. Pela magnanimidade e humildade, o homem não só está pronto, bem disposto para receber a esperança teologal, como também para mantê-la e amadurecer nela. Sempre que alguém a perde, podemos traçar a causa dessa perda na falta de magnanimidade ou de humildade.
O fundamento da esperança
A magnanimidade e a humildade predispõem o homem para a esperança, mas não constituem o seu fundamento. O fundamento da nossa esperança é Cristo. Se podemos hoje sonhar e esperar com a vida eterna, é graças a Ele, que venceu o pecado e a morte, que assumiu e elevou a nossa natureza humana. Nele, o homem é realmente reconciliado com Deus. Não há esperança, como permanente elevação do ser do homem, se não é por Cristo, em Cristo e de Cristo.
Juventude e esperança
A esperança é uma atitude natural que caracteriza os jovens. Por que será? É, seguramente, porque eles têm mais futuro que passado. Porém poderíamos dizer que a juventude é também uma atitude diante da vida. Conheço alguns jovens envelhecidos e alguns idosos com uma juventude impressionante. São João Paulo II, em certa ocasião se definiu como um “jovem de 83 anos”. Este tipo de juventude é possível graças à esperança. O filósofo Josef Pieper afirma, agudamente, que a obsessão do nosso tempo com a manutenção da juventude natural pode ter as suas causas nessa falta de esperança sobrenatural.
Formas da falta da esperança: o desespero e a presunção

O desespero
O “ainda não” que caracteriza o status viatoris, é convertido pelo desespero em “já não”. Fundamentalmente, trata-se de um não confiar mais em que seja possível alcançar a meta, tanto natural como sobrenatural do homem. O desespero do cristão é muito mais radical do que a do pagão. Isto porque, para um cristão dizer “já não” é muito mais radical do que para um pagão. Significa a condenação eterna, enquanto que para um pagão, apenas a não-realização num nível terrestre. A possibilidade de que o fim do homem não seja bom assume, no cristão, uma dimensão de eternidade.
A presunção
Enquanto o desespero assume notas trágicas, a presunção, na qual o “ainda não” é transformado artificialmente em “já”, assume notas cômicas, como a história do ratinho que, sentado no lombo do elefante, diz para ele: olha quanta poeira estamos levantando. Ambas têm, na raiz, um profundo irrealismo, uma traição à experiência humana.
Pieper identifica dois tipos de presunção que cristalizaram historicamente em duas vertentes espirituais. Por um lado, o pelagiano, aquele que crê que o homem pode salvar-se sozinho, com as suas forças, sem necessidade da graça divina. Este é o que confia cegamente nas possibilidades do ser humano. Falta humildade. Por outro lado, Pieper menciona Lutero e os reformistas, que pensavam que, independentemente do que o homem fizesse, ele já estava salvo (“peca mais, mas crê mais”). Paradoxalmente, por trás dessa atitude presunçosa esconde-se um profundo desespero, já que no fundo não se acredita que o homem possa, realmente, ele mesmo alcançar o que Deus lhe promete, viver de acordo com a filiação divina.
Aproveitemos esse tempo precioso do Advento para vivermos mais a virtude da esperança. Lembrando do que nos diz São Paulo: “é na esperança que fomos salvos” (Rm 8,24) Vivamos este tempo mais centrados em Cristo, olhando para Ele e dizendo com sinceridade: "Senhor, o que tenho em mim ao olhar para Ti que me sobra e eu devo mudar? O que você tem que ainda me falta?" Enfim, vivamos uma intensa conversão.
Certamente, vivendo bem este tempo, podemos dar maior razão da nossa esperança a todos os que nos peçam. (Ver 1Pe 3,15)
Façamos uma boa preparação para o Natal, para que Cristo encontre em nós portas (corações) abertas e um lugar agradável para que Ele possa nascer e transformar nossas vidas. Que Nossa Senhora, Mãe da esperança, nos acompanhe neste tempo.
Colaboração: Martin Fernandez.
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