“Vós concedeis aos cristãos esperar com alegria, cada ano, a festa da Páscoa. De coração purificado, entregues à oração e à prática do amor fraterno, preparamo-nos para celebrar os mistérios pascais, que nos deram vida nova e nos tornaram filhas e filhos vossos.” Prefácio da Quaresma I
É tempo de graça e reconciliação, de penitência, de oração, de caridade e de encontro com Jesus. Peregrinos na fé, caminhamos com aquele que um “certo dia, a beira mar, apareceu” e foi crescendo em sabedoria, graça e estatura diante de Deus e dos homens (cf. Lc 2,52). Seus passos levam-nos a Jerusalém, onde envolvido pela graça, faz-se sacrifício, “para renovar na santidade, o coração dos vossos filhos e filhas [...], libertando-nos do egoísmo e das outras paixões desordenadas” (cf. Prefácio da Quaresma II).

Na perspectiva de nossas celebrações, a cor litúrgica Roxa, toma conta dos espaços celebrativos, os cantos penitenciais, antigos e novos, ecoam em nossos corações, penitência, jejum e oração são as principais provocações espirituais e iluminados pela Campanha da Fraternidade, podemos refletir sobre a problemática do Tráfico Humano, com tema: Tráfico Humano e Fraternidade e o lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”(Gálatas 5,1).
Somos também enriquecidos com a Mensagem Quaresmal do Papa Francisco. “Fez-se pobre, para nos enriquecer com sua pobreza” (2Cor 8,9). Nela, o Papa, exorta-nos a fazer do itinerário quaresmal, um exercício de compreensão do que vem a ser a riqueza e a pobreza de Jesus. Ele assim afirma: “A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf.Rm 8, 29).
Na perspectiva bíblica, caminharemos com os Evangelistas Mateus e João. Partindo das Tentações de Jesus (Mt 4,1-11 - 1º Domingo), contemplaremos a sua Transfiguração (Mt 17,1-9 – 2º Domingo), para depois sermos levados ao encontro da Samaritana (Jo 4,5-52 – 3º Domingo) e com Ela, somos convidados a beber da água que jorra para vida eterna, sem deixar de conduzir-nos a um olhar de esperança e Salvação, quando cura o Cego de Nascença (Jo 9,1-41 – 4º Domingo) e confirma que sua riqueza e pobreza esta em dar-nos vida nova através da Ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45 – 5º Domingo).
Ainda neste tempo, experimentamos as Práticas Penitenciais. Elas devem, ajudar-nos a deixar de lado as coisas velhas e revestir-se das coisas novas (cf. 2Cor 5,17), auxiliando na análise de nossas misérias materiais, morais e espirituais (cf. Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma 2014). Pensadas, assumidas e praticadas, desejamos que elas corrijam nossos vícios, elevem nossos sentimentos, fortifiquem nosso espírito e nos garantam uma eterna recompensa (cf. Prefácio da Quaresma IV)
Por fim, cuidemos para que os cânticos litúrgicos quaresmais ajude-nos a ressoar neste itinerário quaresmal, o amadurecimento que tanto desejamos e buscamos neste “tempo de graça e conversão.
Movidos pelo Espírito Santo, concluamos nosso caminho, junto com os discípulos contemplando o mistério da Ressurreição, onde “transbordando de alegria pascal”, seremos novas criaturas.
Padre Kleber Rodrigues da Silva,
Coordenador da Comissão de Liturgia do Regional Sul 1 – CNBB – Estado de São Paulo.
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