Por Mariana Mascarenhas - Redação A12 Em Espiritualidade Atualizada em 20 JUL 2020 - 09H32

Respeite os seus limites na quarentena!




Embora 2020 seja um ano completamente atípico em relação aos anos anteriores, devido à pandemia da COVID-19, que obrigou bilhões de pessoas em todo o mundo a manterem-se confinadas em suas casas e a alterarem suas rotinas, a produtividade não parou, já que nossos lares se transformaram em escritórios, salas de aula e até mesmo em academias. Se estávamos habituados a nos deslocarmos até o trabalho, a escola, a faculdade ou qualquer outro lugar que fosse, passamos a usar a tecnologia a nosso favor, ainda mais para o home office, para o ensino à distância, para a ginástica online e até para o happy hour virtual, afinal, a produtividade não pode parar, não é mesmo? Não é bem assim!

O mundo enfrenta uma situação crítica, especialmente no Brasil, onde a curva de infecções e de mortes pelo novo coronavírus está longe de desacelerar. Diante de tantas mudanças, é impossível ficarmos indiferentes a tudo e seguirmos nossas vidas como se não houvesse pandemia – embora alguns insistam em negá-la e ainda descumprir as recomendações da Organização Mundial de Saúde, ao deixarem de usar máscara, promoverem festas, irem à praia, entre outras atitudes irresponsáveis.

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A questão é que as cobranças diárias não cessaram, apenas migraram para as plataformas virtuais. Repentinamente, muitos estudantes se viram diante de um acúmulo de conteúdos para serem acessados virtualmente, trabalhadores estenderam sua jornada de trabalho dentro de casa, e muitos ainda precisaram conciliar tudo isso com tarefas domésticas, cuidado dos filhos pequenos, etc.

Para completar, as redes sociais exibem, a todo o momento, uma enxurrada imagética de lives, fotos e vídeos gravados com orientações sobre como ser mais produtivos na quarentena, acompanhada de pessoas felizes, malhando, cozinhando, trabalhando, estudando, etc., com o intuito de mostrar que é possível ser feliz, produtivo e saudável. Porém, nem todos querem ser mais produtivos e, sim, encontrar meios para alternarem suas atividades diárias e, principalmente, dedicar um tempo para respirar.

Shutterstock
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Todavia, a insana cobrança fomentada pelas redes sociais gera uma frustração em muitos que, em meio à agitada rotina do dia a dia, recorre a elas, principalmente em tempos de isolamento social, para analisar como os demais estão lidando com a quarentena. Mas, ao se deparar com uma série de internautas “superprodutivos”, se subestimam por não abarcarem tudo como eles.

Só que muitos se esquecem que, nas redes virtuais, lidamos com construções imagéticas e não com a rotina verdadeira dos internautas em si. Assim, muitos postam diversas atividades sem ao menos executá-las ou, ainda, executando-as parcialmente, contribuindo para uma desagradável sensação de procrastinação naqueles que não conseguem ser produtivos como gostariam. O problema reside, então, em inspirar-se nos tais modelos construídos imageticamente, além de listar infinitas atividades para serem cumpridas no dia, o que amplia a sensação de frustração caso não sejam realizadas.

Por isso, é preciso reverter tal cenário e, para começar, analisar o contexto em que se está inserido, não se cobrar demais e listar poucas tarefas para o dia. Se o trabalho, o estudo ou o ambiente familiar não permitirem uma redução da carga de atividades, não se culpe por não conseguir produzir todas como deseja. Estamos enfrentando uma situação totalmente atípica; é perfeitamente normal não abarcar tudo, afinal, muitos passaram a dividir o tempo do trabalho e do estudo com aquele dedicado à família, já que, diferentemente do que acontece num escritório ou numa sala de aula, nem sempre conseguiremos centrar toda a nossa atenção para o nosso chefe ou nosso professor, principalmente com um filho pequeno chorando no colo, por exemplo. E como não dar atenção a ele? Impossível!




Assim, é essencial dedicar um tempo do dia para não fazer NADA. Algo que pode soar estranho, mas nosso cérebro necessita de um descanso, ou ainda, se preferir, relaxá-lo com meditação ou um bom programa de comédia. Mas nada de cobranças neste momento.

Além disso, o excesso de tarefas virtuais pode ocasionar um esgotamento físico e mental, pois, enquanto num ambiente profissional ou escolar podemos socializar e movimentar todo o nosso corpo à medida que interagimos com os demais, no virtual, somos obrigados a centrar toda a nossa atenção numa tela, o que pode ampliar a tensão muscular e emocional. Tudo isso acaba ocasionando, em muitos, uma mescla de sensações desagradáveis como desânimo, ansiedade, tristeza, entre outras.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (AFP) com cerca de 400 médicos de 23 estados e do Distrito Federal, e divulgada em maio deste ano, ressaltou que 89,2% dos entrevistados perceberam o agravamento de quadros psiquiátricos em seus pacientes por decorrência da pandemia. Dos especialistas consultados, 47,9% disseram ter aumentado os atendimentos após o início da pandemia, 67,8% relataram ter recebido pacientes novos e 69,3% afirmaram ter atendido pacientes que já haviam recebido alta médica, mas voltaram a ter seus sintomas na quarentena. Dados preocupantes e que reforçam a anormalidade que vivemos no momento.

Por isso, não tente viver normalmente dentro do anormal, com cobranças excessivas; vá até o seu limite e não se culpe por não atingir as metas, o dia seguinte está aí e o outro também. Mas lembre-se que se trata de uma pandemia e não de um cenário apocalíptico.

Tudo vai passar!

Escrito por
Mariana Mascarenhas (Mariana Mascarenhas)
Mariana Mascarenhas - Redação A12

Mariana da Cruz Mascarenhas é Jornalista e Mestra em Ciências Humanas. Atua como Assessora de Comunicação e como Articulista de Mídias Sociais, economia e cultura.

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